Por Que os Homens Escrevem?

Por Francikley Vito

Derrepente atiramo-nos em um espaço vazio. Sem letras, sem falas, sem gestos, sem cor. Sem nada! Apenas nós e o vazio de uma tela em branco e uma idéia que precisa, a todo o custo, se manifestar. Idéias que, em nós, há muito tempo vivem. Atiramo-nos no ar como aranhas que sabe que o vazio não ficará assim por muito tempo, e queremos a todo o custo tecer.

Alguns tecem enciclopédias, outros tecem livros, outros tecem versos, outros ainda, aforismos. Tecem suas teias, há muito demarcado. Tecem com o furor de preencher o vazio; afinal, sabemos que “a aranha vive do que tece”. Tecem até blogs! (mas isso, é uma outra teia!).

Por que os homens escrevem? Já disseram que “falando o homem não manifesta somente aquilo que pensa, mas procura traduzir o seu estado de alma e, mais ainda, procura emocionar os outros” [1]. Mas não é só isso. Queremos animar, assolar, converter, consolar. De ande vem essa inquietude que nos leva sempre a querer tecer mais uma teia, mais uma frase, mais uma crase?

Queremos tecer o não dito, o não quisto, o não pensado, o não visto. Queremos, a todo o custo, tecer o futuro, o presente e o passado. Ah! Sim, como galos que cantam como que chamando o dia, tecemos linhas. Afinal,

O galo sozinho não tece um amanhã
Ele precisa sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito [...]
E o lance a outro; de um outro galo [...]
Pra que o amanhã, desde uma teia tênue,
Se vá tecendo, entre todos os galos. [2]

Como seres incompletos, queremos nos completar; como seres sonhadores, queremos realizar; como seres impacientes, queremos nos saciar. E assim tecemos teias, cânticos, palavras... blogs!

Lembremo-nos, porém, que “os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de ler dormindo”.[3] Portanto, esforcemo-nos para despertá-los para o amanhã que virá. Em breve.


NOTA
[1] TERSARIOL, Alpheu. Biblioteca Moderna de Língua Portuguesa. São Paulo:Tese Editora, 1978, p. 135.
[2] MELO NETO, João Cabral de. A Educação pela Pedra, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996, p.35.
[3] QUINTANA, Mário. Citado por TERRA, Ernani e NICOLA, José de. Pratica de Linguagem. São Paulo: Scipione, 2001, p.11.

4 comentários:

  1. Obrigado, Daniel. É sempre um praser servir de benção para outros. Paz.

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  2. Francickley, A Paz!
    Excelente esta reflexão, pois tudo que escrevemos realmente retrata nosso estado de alma, acompanhado de nossas experiências.
    Assim como cantamos "Os mais belos hinos foram escritos em tribulação" Tenho Percebido que os melhores textos, também foram escritos com o coração sangrando e as lágrimas descendo pelo rosto.
    Mas glorifico a Deus, porque podemos compartilhar nossas experiências para amenizar a dor dos que sofrem!
    Aleluias!
    Sonia Costa

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  3. Sonia, que Deus em Cristo possa te abençoar nesta caminhada; obrigado por nos acompanhar.Paz.

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