Davi e a Casa de Saul (Parte 6/6)

Por Caramuru A. Francisco
V – DAVI E OS DEMAIS FILHOS DE SAUL

Neste estudo do relacionamento de Davi com a casa de Saul, resta-nos, tão somente, falarmos do episódio que envolveu o enforcamento de alguns descendentes de Saul, mencionado em II Sm.21.

Diz-nos o texto sagrado que sobreveio uma fome de três anos sobre Israel. Davi, então, consultou ao Senhor qual o motivo daquela situação e o Senhor lhe disse que a fome havia sobrevindo sobre Israel por causa de Saul e da sua casa sanguinária, porque haviam matado os gibeonitas (II Sm.21:1).

- Este curto relato bíblico traz-nos importantíssimas lições. Por primeiro, mostra-nos que Deus está no absoluto controle de todas as coisas. Esta matança dos gibeonitas por Saul não foi sequer relatada na Bíblia nas passagens referentes ao reinado de Saul, ou seja, foi algo que passou despercebido dos escritores sagrados, mas não do Senhor. Deus bem observou o que Saul havia feito e, diante da total indiferença de Israel para que se fizesse justiça, agiu trazendo fome sobre a terra.

Por segundo, vemos que Deus cuida de todos os homens, mesmo os mais humildes e simples. Os gibeonitas, sabemos todos, haviam enganado o povo de Israel e se infiltrado no meio do povo de Deus. No entanto, havia um pacto entre Israel e os gibeonitas, que lhes preservava a vida e Deus não permite que Seu povo seja infiel nos compromissos assumidos. Ao mandar matar os gibeonitas, Saul estava violando o pacto firmado no tempo de Josué e isto era desagradável aos olhos do Senhor. Os gibeonitas foram mortos e o reinado de Saul terminou. Isbosete e, depois, Davi reinaram e nada havia sido feito para reparar este mal. No tempo certo, décadas depois do acontecido, Deus resolveu agir, ante a inércia dos homens, porque Ele cuidava também dos gibeonitas e zelava pela justiça no meio do Seu povo.

Não precisamos fazer revoluções, rebeliões ou motins em nossas igrejas locais por causa das injustiças cometidas, ainda que contra os mais pequenos, ainda que contra os “gibeonitas”, ou seja, aqueles que estão em nosso meio sem que, na verdade, pertençam a nós. O Justo Juiz tudo vê e não permitirá que a injustiça perdure. No tempo certo, tomará as devidas providências. Certo é que, como servos de Deus, não devemos folgar com a injustiça, nem aceitá-la, devemos denunciá-la, falar a verdade, mas não busquemos resolver com as nossas forças. Deixemos nas mãos do Senhor que, a Seu tempo, tudo fará e de modo perfeito.

Por terceiro, vemos que Deus tem, entre Suas formas de agir, o uso da natureza. Como a desmentir os “adoradores da natureza” dos nossos dias, o Senhor faz questão de mostrar que tem o absoluto controle das forças naturais, empregando-as para fazer justiça. Recentemente, aliás, o pastor Sebastião Rodrigues da Silva, presidente da AD em Cuiabá/MT, na 38ª Assembleia Geral Ordinária da CONFRADESP (Convenção Fraternal Interestadual das Assembléias de Deus – Ministério do Belém no Estado de São Paulo), fez questão de relatar uma série de visões e mensagens proféticas que tem recebido, entre as quais o Senhor nos faz lembrar que, neste período do “princípio de dores” em que vivemos, fará mostrar Seu poder sobre a natureza e, através dela, mostrar que Jesus está às portas, que é tempo de nos santificarmos e de nos prepararmos para o arrebatamento da Igreja, o que, aliás, está consonante com os sinais da vinda do Senhor relatados no sermão escatológico de Jesus.

Deus enviou a fome sobre Israel e foram necessários três anos para que Davi consultasse a Deus, percebesse que aquilo não era algo natural, mas, sim, uma iniciativa divina, um chamamento de atenção da parte de Deus. Deus não atua com juízos pela natureza porque queira ver a humanidade sofrer, mas, antes, para que o homem perceba que há um Deus nos céus e que é necessário obedecer-Lhe para que se alcance a vida eterna.

Por quarto, vemos, uma vez mais, que Davi nada fazia sem antes consultar ao Senhor. Se Saul matou os gibeonitas sem qualquer orientação divina e dentro de um espírito nacionalista, popular e simpático aos israelitas mas totalmente fora da vontade do Senhor, Davi consultou a Deus para saber qual o motivo da fome e como deveria agir para que a justiça se fizesse.

Davi, então, chamou os gibeonitas e disse o que desejariam para que se fizesse a devida reparação. Vemos, neste episódio, que Deus não é apenas Deus de amor, mas também é Deus de justiça. Faz-se absolutamente necessário que a justiça se realize. Não é à toa que o texto sagrado resume a administração de Davi como sendo o rei que fazia justiça (II Sm.8:15). Temos feito justiça nos lugares que ocupamos?

Os gibeonitas disseram que não queriam prata nem ouro, mas que se lhes dessem sete homens, a fim de que fossem eles enforcados em Gibeá, a cidade de Saul, para servirem de exemplo para todo o povo, a fim de que não mais houvesse perseguição em Israel contra os gibeonitas. Diante de tal pedido, Davi os atendeu, já que era esta a vontade de Deus, poupando, porém, a Mefibosete, filho de Jônatas, diante do pacto que havia feito com aquele filho de Saul, quando ainda vivia na corte de Saul.

Davi, então, entregou nas mãos dos gibeonitas, os filhos de Rizpa, a concubina de Saul, ou seja, Armoni e outro também chamado Mefibosete, como também os cinco filhos da irmã de Mical, quie tivera de Adriel, filho de Barzilai. Todos foram enforcados pelos gibeonitas (II Sm.21:4-9).

- Davi fez aquilo por ordem divina, não era da sua vontade que se derramasse sangue da casa de Saul, mas a casa de Saul havia sido sanguinária e Deus, então, não poderia deixar que isto ficasse impune. Não foi Davi quem os enforcou, mas, sim, os gibeonitas.

Numa clara demonstração de que Davi não se agradara desta situação, ao saber que Rizpa não permitiu que os corpos dos enforcados fossem atacados pelos abutres e por outros animais carniceiros (II Sm.21:10), resolveu dar uma sepultura digna não só aos enforcados mas a toda a casa de Saul, mandando que fossem desenterrados os ossos de Saul e de Jônatas e que, juntamente com os enforcados, fossem todos sepultados em Zela, na sepultura da família, pois ali estava sepultado Cis, o pai de Saul (II Sm.21:11-14).

Terminava assim a saga da casa de Saul na história de Israel. Davi levou os ossos de todos à sepultura de Cis, o pai de Saul. Este gesto representou o retorno da família ao seu “statu quo ante”. A casa de Saul passava para a história, retornando a ser uma simples família do povo de Israel. A descendência de Saul não se encerrou por causa de Mefibosete, filho de Jônatas, mas dela não se tem registro algum dali para a frente. Davi, porém, em sua fidelidade a esta casa , cumpriu o último dever que tinha para com eles: o de dar-lhes a devida e digna sepultura.

Que sejamos como Davi, cumpridores de todos os nossos deveres para com o próximo, deixando que a justiça de Deus se faça, não se substituindo ao Senhor e, ainda que o próximo rejeite a Deus e morra espiritualmente, tudo fazendo para lhes dar uma digna e devida sepultura. Amém.


IMAGEM:"Davi e Jonathan" de Gustave Doré (1832-1883). Disponível em
http://www.creationism.org/images/DoreBibleIllus/dore_pt.htm.

3 comentários:

  1. o texto mostra apenas o motivo pela qual estava avendo fome,em nenhum momento dscreve Deus exigindo sacrificio dos filhos de saú.

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  2. Mas no versículo 14 o autor relata que Deus se aplacou para com a terra, ou seja, a fome sessou na terra, o que nos leva a entender que o Senhor estava satisfeito por haver justiça para com os gibeonitas.

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  3. O que os filhos de Saul q não tinham nada haver com os atos do pai, e deviam ser crianças na época tem com o pecado do pai, q justiça é essa??????

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