Uma Oração Agridoce

Por Francikley Vito

O primeiro livro nós nunca nos esquecemos, pelo menos foi assim no meu caso. Com o título Grandes Possibilidades Para a Juventude, aquele livro era para mim uma conquista pessoal, pois era o primeiro livro que adquirira com meu próprio recurso. Nele ouvi pela primeira vez que “oração não era um monologo, mas um dialogo”; apesar de não saber muito bem o que aquilo significava, aquelas palavras me chamaram a atenção. Tempos depois viria saber que entre “monologo” e “dialogo” a diferença era quilométrica. Entre muitas leituras sobre oração, fui impactado (por motivos que não sei explicar) com uma frase que dizia que “oração é um dialogo em que ouvir é mais importante que falar”, e isso me perturbou bastante. Há, em verdade, orações que nos perturbam por sua profundidade e senso de compromisso e entrega. Um bom exemplo deste tipo de oração é a que foi proferida por A. W. Tozer (1897-1963) em um dos seus livros no final de um capítulo que tem o intrigante título de “A Benção de Não Possuir Nada”. Diz ele:

Pai, desejo conhecer-te, mas meu coração covarde teme desistir de seus brinquedos. Não posso desfazer-me deles sem sangrar por dentro, e não procuro esconder de ti o terror da separação. Venho tremendo, mas venho. Por favor, extirpa do meu coração todas aquelas coisas que estou amando há tanto tempo, e que se têm tornado parte integrante deste ‘viver para mim mesmo’, a fim de que tu possa entrar e habitar ali sem qualquer rival. Então tornarás glorioso o estrado dos teus pés. Meu coração não terá mais necessidade da luz do sol, porque tu mesmo serás o seu sol iluminador, e ali não haverá mais noite. Em nome de Jesus. Amém. [1]

Quando pudermos orar desta forma, e viver com esses propósitos em mente...

Notas
[1] TOZER, A. W. À Procura de Deus. Curitiba/PR: Betânia, 1985, p.27.

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