A Doutrina da Morte 6/6

Por Caramuru A. Francisco

Como explica o apóstolo Paulo, quando as Escrituras dizem que Cristo subiu, foi porque desceu às partes mais baixas da terra, o que se deu com a Sua morte, morte que foi por Ele vencida e, deste modo, pôde o Senhor ter, em Suas mãos, a chave da morte e do inferno (Ap.1:18), de forma que, agora, os que n’Ele creem não mais vão às regiões inferiores para aguardar a ressurreição, mas, sim, são levados ao Paraíso, onde aguardam o arrebatamento da Igreja, pois, contra a Igreja, não prevalecem “as portas do inferno” (Mt.16:18).

A consciência do estado intermediário é ainda demonstrada no livro do Apocalipse. Com efeito, após o arrebatamento da Igreja, ainda ocorrerá a morte física e, como sabemos, ainda que bem diminuta, ainda haverá salvação durante a Grande Tribulação, salvação esta que, feita pela fé em Jesus, levará inevitavelmente os salvos para a morte física (Ap.13:10), pois, nesse tempo, será permitido ao Anticristo destruir todos os santos do Altíssimo (Dn.7:25). Estes mortos, que somente ressuscitarão no início do reino milenial de Cristo (Ap.20:4), (completando, assim, a “primeira ressurreição” —Ap.20:6 — iniciada com Cristo, as primícias — I Co.15:20 — e, posteriormente, ampliada com os que dormem em Cristo na Sua vinda — I Co.15:23) são apresentados plenamente conscientes enquanto aguardam a sua ressurreição na abertura do quinto selo (Ap.9:6-11).

O que fazem os salvos durante este estado intermediário? A Bíblia não nos fala e, ainda, o apóstolo Paulo diz que o que ouviu são “palavras inefáveis [i.e., que não podem ser faladas], de que ao homem não é lícito falar” (II Co.12:4). Assim, diante de tal afirmativa bíblica, tudo que se disser será mera especulação. Sabemos apenas que, em contraste com os tormentos de quem está no Hades, no Paraíso há a doce presença do Senhor, a paz e a alegria daqueles que venceram o mal e sabem que já estão a desfrutar da eternidade com Deus, sendo este, ademais, o “comer da árvore da vida” mencionado em Ap.2:7, que nada mais é que a comunhão plena com o Senhor Jesus, sem quaisquer obstáculos ou imperfeições, precisamente o que havia sido retirado do primeiro casal quando de sua queda (Gn.3:22,24). Se temos imensa alegria espiritual com a nossa vida espiritual aqui nesta Terra, que dirá o gozo que desfrutaremos caso partamos para a eternidade antes do arrebatamento? Como disse a poetisa sacra Eufrosine Kastberg: “Já os filhos de Deus bem alegres estão, porém, no céu prazer melhor terão, os gozos do cristão apenas gotas são do mar de bênçãos em Sião!” (estrofe do hino 351 da Harpa Cristã).

O estado intermediário encerrar-se-á com a ressurreição. A Bíblia fala-nos de duas ressurreições, a saber:
a) a primeira ressurreição – uma bem-aventurança (Ap.20:6) – é a ressurreição dos santos, ou seja, daqueles que se separaram do pecado e, por isso, têm vida, estão em comunhão com Deus. Esta ressurreição dá-se em três instantes, a saber: as primícias dos que dormem, que é Cristo, que já ressuscitou e está à direita do Pai aguardando o tempo de restaurar todas as coisas (At.3:21; I Co.15:20); os que creram em Cristo, que ressuscitarão quando do arrebatamento da Igreja (I Co.15:23; I Ts.4:16) e os que crerem em Cristo e, por causa disso, serão mortos durante a Grande Tribulação (Ap.20:4). Estes estarão para sempre com o Senhor.
b) a segunda ressurreição – é a ressurreição de todos os demais que morreram sem ter crido em Cristo. Esta ressurreição é uma ressurreição para julgamento. Esta ressurreição se dará por ocasião do juízo do trono branco, após a rebelião final da humanidade, que se dará no término do Milênio, e a retirada dos atuais céus e Terra de cena (Ap.20:11-15). Os que tiverem rejeitado Cristo serão condenados à morte eterna e lançados no lago de fogo e enxofre, que não se confunde com o Hades, que, aliás, ele mesmo será também lançado naquele lago (Ap.20:14). É a chamada “segunda morte”, como já dissemos supra, a morte espiritual, a morte eterna.

A morte física é uma realidade inevitável, que temos de enfrentar, da qual só escaparemos se estivermos vivos e em comunhão com o Senhor no dia do arrebatamento da Igreja. Por isso, devemos estar bem conscientes da necessidade de vivermos uma vida santa a todo instante. Temos de estar preparados para morrer, pois, se estamos em Cristo e Cristo está em nós, temos de ter com a morte a mesma reação que tem o nosso Deus, para quem a morte do santo é preciosa à Sua vista (Sl.116:15). Qual é o nosso sentimento a respeito?

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