John Stott: Uma Vida Dedicada ao Serviço do Mestre

No último dia 24/04 um dos grandes nomes da Teologia mundial completou 89 anos de idade, muitos dos quais servindo ao Senhor nosso Deus. Como não há forma melhor de homenagear um escritor do que lendo os seus escritos, nós prestamos esta justa homenagem ao Pr. John Stott com uma leitura, no mínimo esclarecedora, de um texto que fala sobre o pregador e sua missão. Esperamos que o leitor deste blog goste e aprecie a nossa iniciativa de agradecer a Deus pela vida deste abnegado servo. Diz o Dr. Stott:

O pregador cristão não é um “tagarela”. O “tagarela” repassa idéias como mercadoria de segunda mão, colhendo fragmentos e detalhes onde os encontra. Seus sermões são uma verdadeira colcha de retalhos. É bom dizer que não há nada de errado em citar no sermão as palavras ou escritos de outra pessoa. O pregador sábio reúne mesmo citações memoráveis e esclarecedoras que [...] são capazes de dar luz, importância e força ao assunto em questão. Mas citações cuidadosas não é necessariamente “tagarelice”.

Não devemos pensar no pregador como um mordomo arrogante, ou como um escriba judeu, que oferecia interpretações e áridas de passagens difíceis. A verdadeira pregação nunca fica estagnada, monótona ou é puro exercício acadêmico, mas é sempre viva e penetrante, com a autoridade de Deus. Mas as Escrituras tornam-se vivas para a Igreja somente se antes tiverem se tornado vivas para o pregador. Somente quando Deus houver falado Pessoalmente com ele através da Palavra que ele prega, os outros poderão ouvir a voz de Deus em seus lábios.
[1]

Nota
[1] O Perfil do Pregador. São Paulo: Vida Nova, 2005, pp 15-16, 27.

O Ministério Apostólico 3/10

Por Caramuru A. Francisco

Na sequência da conversão de Paulo, vemos que o Senhor Jesus falou em visão a Ananias que Paulo era para Ele “um vaso escolhido para levar o Seu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel” (At.9:15), atestando, assim, que Paulo era “enviado” do Senhor notadamente para os gentios, motivo pelo qual diria que a ele havia sido confiado o “evangelho da incircuncisão” (Gl.2:7). Tinha-se mais uma demonstração de que Paulo assumia uma condição singular dentre os demais discípulos, verdadeiramente ocupando o lugar deixado por Judas Iscariotes.

Não é por outro motivo que Paulo passa a se intitular “apóstolo”, sempre reafirmando que isto não era consequência de sua vaidade ou presunção, mas a pura e cristalina vontade de Deus (I Co.1:1; II Co.1:1; Ef.1:1; Cl.1:1; II Tm.1:1). Ele fora “enviado” pessoalmente pelo Senhor Jesus e, mediante experiências pessoais retroativas, havia se tornado testemunha do ministério terreno de Jesus, tanto que chegou, mesmo, a mencionar um ensino de Cristo que nenhum dos evangelistas registrou (At.20:35). É, por isso até que Paulo se intitula um “apóstolo abortivo”, ou seja, como um “apóstolo nascido fora de época” (este é o sentido da palavra grega “ektroma” – εκτρωμα — utilizada no texto), alguém que, depois dos acontecimentos autorizadores da escolha de alguém como apóstolo, faz-se participantes dele.

Os judaizantes questionavam o “apostolado” de Paulo precisamente porque Paulo não acompanhara o ministério terreno de Jesus e por se voltar para a pregação do Evangelho aos gentios, não impondo aos convertidos a observância da lei de Moisés, o que atestaria, segundo eles, a “falsidade” de seu ministério apostólico, pois nada disso era feito ou realizado pelos outros onze (ou doze, já que, certamente, os judaizantes consideravam válida a substituição de Judas por Matias).

No entanto, como temos visto em II Coríntios, Paulo mostra que seu ministério nada tinha de inferior em relação aos demais apóstolos, sendo certo que a participação, ainda que a fora de época, do ministério terreno de Cristo e a sua condição peculiar de ser testemunha da ressurreição do Senhor superavam todos os óbices apresentados para o reconhecimento de seu apostolado, ainda mais diante da demonstração de Espírito e de poder que haviam caracterizado sua passagem por Corinto e por todos os lugares onde estava a implantar igrejas.

Ser “apóstolo”, pois, no contexto da Igreja, era ter sido testemunha do ministério terreno de Cristo, desde Seu batismo por João até a Sua ascensão aos céus e, ante este testemunho do cumprimento das Escrituras a respeito do Cristo, pregar o arrependimento e remissão dos pecados em todas as nações, começando por Jerusalém, cuidando do ministério da palavra e da oração (At.6:2,4), completando a construção da estrutura da Igreja que estava sendo edificada pelo Senhor Jesus (Mt.16:18).

Exposição à Pornografia na Internet Afeta Negativamente a Conduta Sexual das Crianças

A organização Moralidade na Mídia (MM) publicou um documento de 10 páginas relatando evidência de que a exposição à pornografia adulta explícita na internet pode afetar negativamente a conduta e atitudes sexuais das crianças acerca do sexo. A evidência inclui observações publicadas de psicólogos clínicos, polícia e promotores, educadores, profissionais de trauma de estupro, funcionários sociais e outros, bem como pesquisas de ciência social.

O relatório do MM frisa a ironia de que embora a criança seja solicitada a se retirar de uma ‘livraria pornográfica’, “se essa mesma criança ‘clicar’ na maioria dos sites comerciais que distribuem pornografia adulta, ela poderia ver pornografia adulta explícita gratuitamente e sem restrição, pois no que se refere ao ciberespaço, os tribunais pensam que o uso de filtros por parte dos pais é uma solução adequada para o problema”.

O documento de janeiro conclui:
“Já disseram que expor crianças à pornografia adulta explícita é uma forma de abuso infantil. Há verdade nisso… Os responsáveis por esse abuso incluem os pornografos da internet que permitem que as crianças vejam pornografia adulta gratuitamente e sem prova da idade. Os responsáveis também podem incluir promotores e agentes do cumprimento da lei que fazem vista grossa à proliferação de materiais obscenos na internet, e o Congresso por falhar em sua responsabilidade de fazer com que o Ministério da Justiça e o FBI prestem contas por não implementarem vigorosamente as leis federais contra a obscenidade na internet”.

Fonte
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

O Papa, a Pedofilia e o “espírito do Anticristo” (2)

Por Caramuru A. Francisco

A Igreja Romana, reconheçamos, tem admitido os erros ocorridos, muitos deles acontecidos há décadas passadas, em que as circunstâncias eram bem outras e onde a própria sociedade não via a pedofilia ou os abusos sexuais da maneira como o tema tem sido tratado ultimamente, tendo mudado a sua orientação inicial de “abafamento” de forma a permitir não só a reparação das vítimas, como também a apuração dos fatos que ainda podem ser punidos pela Justiça.

A recente carta pastoral que o Papa Bento XVI encaminhou à Igreja Católica da Irlanda mostra-nos precisamente esta disposição por parte do Vaticano, de quem, entretanto, não se pode esperar seja a mudança doutrinária, seja o desmantelamento da instituição.

Todavia, o que se percebe é que os ataques à Igreja Romana e ao Papa não se contentam com tais medidas, porque seu objetivo não é nem a reparação das vítimas nem que se faça justiça nos casos em que a autoridade civil ainda pode agir.

O que estão tais movimentos a desejar é que haja a completa desmoralização e a perda da credibilidade da Igreja Romana, que, quer queiramos, quer não, é a última instituição global que ainda está a trazer resistência aos valores anticristãos que estão a dominar o mundo.

Após terem conquistado o governo norte-americano com a eleição de Barack Obama, tais valores anticristãos precisam, e estão a conseguir, abalar e desmantelar a Igreja Romana, a última instituição a defender a dignidade da vida humana nos moldes bíblicos em nível mundial.

Já é sabido que o Papa Bento XVI, desde a sua eleição, passa por momentos de isolamento e de crescente oposição interna. Sua eleição reflete, aliás, a fraqueza do movimento conservador doutrinário que triunfara com João Paulo II em 1978.

Não são poucos os que defendem uma “atualização” da Igreja Romana, com a “flexibilização” de seus valores ante os “novos tempos”. A profusão de escândalos da pedofilia aparece, assim, como a “pá de cal” neste processo de sepultamento desta linha de pensamento imprimida à Igreja Romana a partir da eleição de João Paulo II e que estancou o desenvolvimento de uma linha mais assimiladora dos valores mundanos que se esboçara a partir do Concílio Vaticano II.

O desgaste sofrido por Bento XVI é inegável e irreversível. Sua idade avançada, que indica um curto pontificado, mostra-nos que não demorará para que “novas cabeças” cheguem à cúpula do Vaticano e, com elas, um comprometimento final com os valores do “espírito do Anticristo”, como aliás admitiu o teólogo e arcebispo emérito de Bologna, cardeal Giacomo Biffi, em seu livro “Pinocchio, Peppone, o Anticristo e outras divagações”, publicado em 2005 e que foi o tema das pregações deste cardeal nos exercícios espirituais do Vaticano em 2007.

Temos aí mais um evidente sinal de que “o círculo está se fechando” e que ingressaremos numa época de confluência das ideias religiosas sem as Escrituras, sem referência a Cristo Jesus, ideias religiosas que serão pautadas pela supervalorização do homem, pela permissividade e pelo relativismo, que Bento XVI tanto tem combatido desde sua eleição.

Os segmentos que atacam a Igreja Romana e o Papa não estão interessados em uma remoção da hipocrisia religiosa, mas, sim, na remoção dos próprios valores que têm sido defendidos pelo romanismo e que se constituem na única voz global contra tudo o que tem sido alardeado pelo “espírito do Anticristo” em todo o mundo.

Pretende-se calar o discurso contra o relativismo moral, contra o aborto, contra o sexo fora do casamento, contra o homossexualismo. A partir do descrédito que se lança sobre a Igreja Romana e sobre o seu principal representante, o Papa, está-se a mostrar que o é pregado pelo romanismo, nesta matéria, é igual indigno de crédito e de acolhida.

Ao mesmo tempo em que reclamam que o Papa não tratou os casos dos clérigos envolvidos em abusos sexuais, “abafando-os”, estes mesmos movimentos defendem abertamente a adoção de crianças por casais homossexuais, quando se sabe que boa parte destas adoções têm, como finalidade, as perversões sexuais dos integrantes desta união, casos cuja apuração é extremamente dificultada por estes movimentos, que também buscam “abafar “ estes casos, assim como acusam o Papado.

Ao mesmo tempo em que reclamam que o Papa deve rever o celibato dos padres (medida que não é bíblica e que, por isso mesmo, é um dos fatores que permitiram tais desvios na Igreja Romana), são os mesmos que aviltam a figura do casamento, ao lutar pela legalização das “uniões homoafetivas” e a defender a “liberação sexual”, com o incentivo do “sexo livre”, que é, também, um dos fatores que muito contribuem para a proliferação da pedofilia (em 2009, por exemplo, houve, como evidente provocação, distribuição de “camisinhas” na França com a foto do Papa, quando, em viagem à África, Bento XVI criticou a forma como se tem combatido a aids…).

Estamos a assistir à demolição da última resistência aos valores anticristãos, à derrocada da última trincheira global contra o predomínio do “espírito do Anticristo”. Nós, como salvos em Cristo, estamos preparados para o arrebatamento da Igreja? Pense nisto!

Russell Shedd Fala Sobre a Educação Teológica no Brasil e Sua Importância

O conhecimento não enfraquece a fé; pelo contrário, auxilia o relacionamento com Deus. E produz muita dependência dele também. Creio que um problema em diversas igrejas é a falta de ensinamento que explique mais detalhadamente a Bíblia toda. Por exemplo: quantos creem num inferno eterno? E muitos crentes têm uma aversão contra a soberania de Deus, tal como a Palavra ensina.

Muitas igrejas montaram suas próprias escolas teológicas. Claramente, hoje temos muitas escolas sem professores treinados. O liberalismo teológico tem sido tirado de algumas escolas, enquanto em outras continua sendo uma opção que os alunos não têm habilidade para julgar ou avaliar. A leitura de autores como Tillich e Bultmann pode dar a ideia de que não há muita diferença entre o liberalismo e ortodoxia. Um bom número de autores teológicos modernistas está aí, no mercado editorial. Ao mesmo tempo, há um crescente número de excelentes opções de autores que abraçam firmemente a inspiração plenária das Escrituras e a ortodoxia tradicional.

Creio que teologia nacional, brasileira, seria aquela alicerçada em nossa história e cultura. Não acho que poderia encontrar uma visão como essa bem divulgada no Brasil. Ainda há muita dependência dos livros estrangeiros e de modelos de igrejas que tendem a copiar o que se faz em outros países.

Fonte
http://cristianismohoje.com.br/ch/veterano-da-fe/

O Papa, a Pedofilia e o “espírito do Anticristo” (1)

Por Caramuru A. Francisco

Nos últimos dias, temos verificado uma onda midiática com relação a casos de pedofilia que estão a abalar a Igreja Católica Apostólica Romana.

Não é de hoje que aparecem casos e escândalos a envolver abusos sexuais de clérigos e pessoas vinculadas à Igreja Romana, mas, após uma série de investigações ocorridas principalmente na Irlanda, um dos principais países católicos da Europa (que, não coincidentemente, foi um dos principais focos de resistência para a implementação da atual configuração da União Europeia) , bem como a notícia de casos na Alemanha, terra natal do Papa Bento XVI, iniciou-se uma série de reportagens e matérias dos principais órgãos da imprensa a respeito do assunto, que encontraram seu ápice no jornal norte-americano “The New York Times” (um dos expoentes do “pensamento liberal” americano), que levavam ao comprometimento do atual Papa, seja enquanto arcebispo de Munique, seja enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (cargo que exerceu durante o pontificado de João Paulo II), com supostos “abafamentos” de casos de pedofilia praticada por sacerdotes e religiosos católicos romanos.

Evidentemente, devemos abominar todo e qualquer caso de pedofilia que venha a ser anunciado e descoberto na sociedade, pois tal comportamento é das mais afrontosas que existem com relação à dignidade da pessoa humana. A proliferação da ocorrência de abusos sexuais contra crianças e adolescentes é medida que reflete o quanto tem aumentado a iniquidade no mundo, prova de que vivemos nitidamente o “princípio das dores” (Mt.24:8), período imediatamente anterior ao arrebatamento da Igreja e ao término da dispensação da graça.

As Escrituras são enfáticas ao mostrar que, nestes tempos trabalhosos (II Tm.3:1-5), vicejariam o egoísmo, a falta de amor pela família, a incontinência e o amor pelos prazeres, valores que, ao serem cultuados e seguidos, levam, entre outras coisas, à chamada “liberação sexual”, que tem na pedofilia uma de suas manifestações consequentes .

A partir do instante que se abandona o modelo bíblico da sexualidade, que é o da prática do sexo somente entre homem e mulher no casamento com exclusividade entre os cônjuges, temos a permissividade que permite que se tenham comportamentos bizarros e aviltantes, dos quais a pedofilia é apenas uma de suas faces, como demonstram, por exemplo, a civilização greco-romana.

É interessante observar que os mesmos segmentos que estão a atacar sem dó nem piedade a Igreja Romana e, em especial, o Papa Bento XVI, são os mesmos que defendem abertamente o homossexualismo, que fazem vistas grossas à “indústria do sexo” e que lutam pela liberação do aborto, condutas que não são menos danosas que a pedofilia e que, ao contrário, são fatores que muito contribuem para que a pedofilia ocorra.

Com efeito, o número de casos de homossexualismo nas ocorrências de pedofilia é bem maior que a porcentagem de homossexuais que se crê existir no mundo, como também é inegável, pesquisas científicas estão a confirmar, que a disseminação da pornografia é um dos elementos que mais propiciam a formação de mentes voltadas à perversão sexual, dos quais a pedofilia é uma das formas de manifestação. Não é coincidência que a internet, a grande propagadora da pornografia em nossos dias, seja o ambiente das principais redes de pedofilia que se têm construído em todo o mundo.

O aborto, ademais, ao ser facilitado e permitido, faz com que cresça grandemente a irresponsabilidade e a ousadia dos acometidos de sentimentos perversos, o que, também, incentiva e estimula práticas como a pedofilia.

Dir-se-á que tais segmentos, por não estarem comprometidos com os chamados valores judaico-cristãos, não são obrigados, como a Igreja Romana, que assim se declara, a coibir tais práticas com exemplaridade e que, portanto, não se pode comparar a conduta de tais setores da sociedade com o da Igreja Romana, que, sob este aspecto, pode e deve ser criticada e atacada.

Não resta dúvida de que se exige coerência por parte da Igreja Romana, a última instituição de nível global a defender os valores escriturísticos da sexualidade e que, se apanhada em leniência quanto ao tratamento de tais questões dentro de sua estrutura, deve ser cobrada e duramente criticada por eventual negação da piedade que se diz professar, ainda que, saibamos, esta incoerência entre a aparência e a realidade seja, também ela, um dos sinais dos tempos difíceis em que estamos a viver (II Tm.3:5).

Todavia, também não se pode negar que, ao mesmo tempo em que uma incoerência entre o discurso e a prática no tratamento de tais casos seja manifestação de hipocrisia por parte do romanismo, também temos a mesma hipocrisia por parte dos que atacam tal conduta, pois eles não deixam de ser incoerentes, na medida em que dizem combater a pedofilia e se condoer pelas vítimas, no que a Igreja Romana seria insensível, quando, ao mesmo tempo, defendem os fatores que contribuem diretamente para que existam tais vítimas na medida em que há estímulo e incentivo à promiscuidade.

Temos aqui uma hipótese típica em que incide o famoso provérbio popular, em que “o roto está falando do rasgado”.

O Ministério Apostólico 2/10

Por Caramuru A. Francisco

Os “apóstolos”, portanto, eram, dentre os discípulos de Jesus, aqueles que passaram a participar de um grupo seleto, mais próximo do Senhor, que foram “enviados”, num primeiro instante, para pregar aos israelitas e, desta maneira, fazer com que o trabalho de Jesus se estendesse a todo o Israel, como também fossem preparados para liderar a Igreja quando terminasse o ministério terreno de Jesus (Mc.10:32; Lc.8:1; 18:31; 22:14; Jo.6:70).

Desta maneira, a palavra “apóstolo”, que tinha o significado de “enviado”, passou a designar aqueles doze homens que, tendo sido enviados durante o ministério terreno de Jesus para completar-Lhe a obra da evangelização a todo o Israel, também haviam sido escolhidos por Jesus para continuar-lhe a obra, liderando a Igreja nos primeiros dias.

Esta condição foi plenamente compreendida pelos apóstolos após a ressurreição de Jesus. O Senhor, em Suas aparições, completando todo o ensino dos anos de Seu ministério terreno, falou-lhes a respeito do reino de Deus (At.1:3), mostrando-lhes que, como apóstolos, deveriam eles, que haviam testemunhado o cumprimento das Escrituras a respeito da morte e ressurreição de Cristo, pregar em Seu nome o arrependimento e a remissão dos pecados em todas as nações, começando por Jerusalém (Lc.24:44-48) e que, para realizar esta obra, deveriam eles aguardar o revestimento de poder (Lc.24:49).

Tanto assim é que, enquanto aguardavam tal revestimento de poder, os onze apóstolos sentiram a necessidade de completar o número de doze, que estava incompleto após a traição e suicídio de Judas Iscariotes, pois sabiam eles que o número de apóstolos tinha de ser doze, já que este havia sido o número escolhido pelo próprio Jesus, até porque aos apóstolos está reservado o julgamento das tribos de Israel durante o reino milenial (Mt.19:28; Lc.22:30).

Por isso, resolveram escolher um novo apóstolo, que ocupasse o lugar deixado por Judas Iscariotes, tendo, então, demonstrado toda a sua consciência do que era ser um “apóstolo”, ao apontar como requisitos do apostolado que se fosse “um varão que convivera com os demais apóstolos todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre eles, começando desde o batismo de João até o dia em que dentre eles foi recebido em cima, para que se fizesse testemunha de Sua ressurreição” (At.1:22).

Ante estas exigências, que confirmavam que o apostolado era algo peculiar e referente ao “envio” de Jesus durante o Seu ministério terreno, apenas dois candidatos se apresentaram naqueles quase cento e vinte discípulos, tendo sido lançadas sortes entre José Barsabás e Matias, sortes que foram favoráveis a este último que, a partir daquele momento, passou a ser contado com os onze apóstolos, “por voto comum” (At.1:26).

Este gesto dos apóstolos que levou à escolha de Matias, além de ter o mérito de nos dizer o que é ser “apóstolo”, também nos mostra que não houve, neste episódio, a intervenção divina que confirmasse esta substituição de Judas por Matias. Na verdade, a expressão de Lucas, que diz que “Matias foi contado por voto comum com os onze apóstolos”, por ser um texto inspirado pelo Espírito Santo, mostra-nos claramente que, para o Senhor Jesus, Matias não era apóstolo, embora tivesse passado a ser assim considerado, visto que o “voto comum” dos demais apóstolos não tem o mesmo valor da chamada feita pelo próprio Senhor Jesus, como já vimos antes.

Muito pelo contrário, na sequência da história da Igreja, veremos que é a Paulo que se terá esta chamada para o lugar de Judas Iscariotes. Com efeito, Paulo é o único, com exceção de João (que era um dos doze) a quem o Senhor Jesus aparece pessoalmente depois de Sua ascensão, no caminho de Damasco (At.9:4-6), como também o único que revela ter tido experiências pessoais diretas com o Senhor Jesus (I Co.11:23), expressão esta, aliás, o que é assaz elucidativo, que foi utilizada com respeito à ceia do Senhor, uma reunião que Jesus teve tão somente com os doze (Mt.26:20; Lc.22:14).

Leitura Com Dedicação: Convite ao Prazer da Leitura

Por Gabriel Perissé

A leitura bem feita deflagra um complexo exercício interior de difícil descrição. Ao ler, ponho em ação os sentimentos, a vontade, a memória, a imaginação, a inteligência. Nasce dentro de nós uma agitação bem organizada, como a dos formigueiros e das colméias. As palavras são verdadeiras embaixatrizes da realidade. Fisicamente distante de um vulcão, trago-o para perto, para dentro de mim quando leio a palavra “vulcão”. Aparentemente absorto do mundo e distante de todos, o leitor, na verdade, está fugindo em direção ao mundo, está se unindo a todos.

A fome de conhecer e de amar através da leitura manifesta-se claramente quando recorremos ao dicionário, o “pai dos inteligentes”, a fim de descobrir ou ampliar a definição de palavras desconhecidas e, portanto, abraçar novas facetas da realidade e da humanidade, abraçá-las e deixar que elas nos abracem.
Mas para abraçar o máximo de realidades veiculadas pelas palavras é necessário um esforço adicional: concentrar-se.

Uma leitura dispersiva é pura perda de tempo. Concentrar-se pressupõe abrir o livro com a disposição de dedicar-se à leitura.

Dizem, em tom de brincadeira, que D. Pedro II lia muito bem porque o fazia com os cinco sentidos. Com a vista, naturalmente; com o tato, segurando o livro; com a audição, ouvindo o barulho das páginas ao serem folheadas; com o olfato, sentindo o cheiro da tinta impressa; e com o paladar, quando molhava o dedo indicador na língua para virar as páginas com mais facilidade…

Fonte
http://editoramotivar.com/2009/a-leitura-com-dedicacao/

O Ministério Apostólico 1/10

Por Caramuru A. Francisco

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.” (Ef.2:20).

OS SIGNIFICADOS DA PALAVRA “APÓSTOLO”

Muito se tem discutido a respeito da existência, ou não, na Igreja, em nossos dias, do “ministério apostólico”. A Igreja teria, ainda hoje, “apóstolos”? Afinal de contas, Paulo, ao escrever aos efésios, disse que o Senhor Jesus daria “uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e doutores” (Ef.4:11), ou seja, haveria cinco dons ministeriais na Igreja, um dos quais o de “apóstolo”.

Com base nesta passagem bíblica, notadamente nos últimos anos, muitos líderes ditos evangélicos têm se intitulado “apóstolos”, querendo, com isso, afirmar que estão à frente dos demais ministros de seu movimento, de sua denominação, que são, em nível hierárquico inferior, “bispos” ou “pastores”. Mesmo nas Assembleias de Deus já começaram a surgir alguns “apóstolos”, ainda que, por enquanto, em igrejas que, por terem assim agido, acabaram se desligando das principais convenções. Haveria base bíblica para isto? Há, na atualidade, o dom de “apóstolo”?

Por primeiro, devemos lembrar que a palavra “apóstolo” é uma palavra grega, que já existia quando do início da história da Igreja. Quase todas as questões surgidas atualmente a respeito de títulos, funções e dons ministeriais no meio evangélico partem de premissas que desconsideram a realidade de que, com a vinda de Cristo e o início da dispensação da graça, algumas palavras adquiriram novos significados, significados específicos decorrentes da instalação da nova aliança, sem que, no entanto, na própria redação do Novo Testamento, não tenham sido utilizadas em seus significados primitivos, alheios às instituições surgidas com o aparecimento da Igreja.

Um exemplo disso é a palavra “diácono” (διάκονος), cujo significado em grego é “servo”, “servidor” e que, após a questão surgida na igreja de Jerusalém no tocante à assistência às viúvas, passou a designar um oficial da igreja encarregado de servir as mesas (At.6:1-6). Assim, muitas vezes, no texto grego do Novo Testamento, aparece a palavra “diácono”, mas no seu significado original, de “servidor”, de “pessoa que presta serviços” (significado muito semelhante ao de “servente” em “servente de pedreiro”, que usamos em português), que nada tem que ver com a função criada após este problema na igreja de Jerusalém. Assim, quando se diz que Febe era “diaconisa”, como se vê em Rm.16:1, em algumas versões, em absoluto se quer dizer que Febe havia sido separada para o “diaconato” como aqueles sete varões em Jerusalém, mas apenas se diz que ela era uma mulher prestativa, que “servia” os irmãos, que lhes prestava serviços (hospedagem, fornecimento de alimentação, cuidados diversos etc. etc. etc.), não havendo base alguma para, a partir daí, dizer-se que mulheres podem exercer o “diaconato”, máxime diante de textos como At.6:3 e I Tm.3:12, que indicam que tal função é privativa dos homens.

Mas, voltando à questão do “apostolado”, temos aqui a mesma situação. A palavra “apóstolo”(απόστολος) significa “delegado”, “enviado”, “despachado”, vindo do verbo “apostello” (αποστέλλω), cujo significado é “enviar”, “despachar”. Assim, “apóstolo” é um “enviado”, alguém que é mandado para fazer algo para outrem. Neste sentido, aliás, é que se disse que o Senhor Jesus deve ser considerado como “o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão” (Hb.3:1), ou seja, como o “enviado” do Pai à humanidade para a salvação (Mc.9:37; Mc.12:6; Lc.4:18; Jo.3:17; 4:34; 5:23,37; 6:38).

Quando Jesus iniciou o Seu ministério terreno, começou a chamar aqueles que deveriam acompanhá-l’O (Mc.4:13). Dentre estes homens que foram chamados por Ele e que passaram a segui-l’O para serem “pescadores de homens” (Mt.4:19), Jesus escolheu doze “para que estivessem com Ele, e os mandasse a pregar, e para que tivessem poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios” (Mc.3:14,15). Estes doze homens foram, pois, escolhidos para um trabalho específico, para que fossem enviados e pregassem às ovelhas perdidas de Israel, já que, no exíguo tempo que Jesus tinha, não poderia Ele pessoalmente, ir a toda a extensão da Palestina judaica (Mc.6:7). Estes doze foram “enviados” por Jesus para este trabalho e, por isso, passaram a ser chamados de “apóstolos”, ou seja, “enviados”.

Páscoa: O Poder da Ressurreição

Por Tony Evans
Após a crucificação de Jesus, os discípulos estavam com medo e se escondeu para não sofrer o mesmo destino, mas Deus tinha um plano para a crucificação e ressurreição de Cristo. Primeiro, a morte de Jesus na cruz expiou os nossos pecados e abriu o caminho para que cada crente a conhecer a Deus pessoalmente.

Em segundo lugar, Jesus proclamou seu poder sobre o pecado ea morte. Ele está vivo, e agora podemos viver eternamente. Quando os discípulos viram o Senhor, pela primeira vez após a sua ressurreição, os seus receios desapareceram. Eles logo perceberam que o plano de Deus era muito maior do que eles poderiam ter imaginado.

Assim como os discípulos estavam confusos e com medo, você pode estar enfrentando alguma coisa ou circunstância que parece muito grande para segurar. Deixa pra lá! Solte o seu medo, a incerteza ou dúvida para Jesus, assim como os discípulos, e Ele irá encher seu coração de esperança e ressurreição de poder!

Fonte
https://www.kintera.org/site/c.feIKLOOpGlF/b.2017593/k.BE75/Home.htm

Páscoa Cristã: Significado e Práticas

Por Cleide Olsson Schneider [1]

Jesus Cristo é descrito pelo Apóstolo Paulo como "nosso cordeiro pascal, imolado” (I Cor 5. 7) usando como referência a instituição da Páscoa em Êxodo 12. Nesse contexto, os judeus foram libertados da escravidão que sofriam no Egito. A Páscoa cristã é a maior ação de Deus, oferecendo seu próprio filho como sacrifício em favor de seres humanos pecadores.

A ressurreição de Cristo nos marcou definitivamente. Não há como não ter esperança e fé, mesmo em meio a lágrimas, sofrimentos e clamores. Em vários momentos da história da Igreja Cristã e das pessoas, é possível ver e ouvir testemunhos de felicidade, perdão e gratidão ao Deus da vida.A Páscoa é a vitória sobre a morte. A ressurreição de Jesus anuncia que temos possibilidade de uma vida baseada no amor, no respeito, na dignidade humana, olhando para os dias que temos com esperança e fé. É o próprio Deus que nos oferece, e, por isso, a cada Páscoa, esse Deus é exaltado, e sua ação em favor da humanidade, relembrada e celebrada.

Não estamos no mundo por acaso e sim porque Deus assim o quis. Creio que o principal desafio é deixar que Deus cuide e conduza nossas atitudes e nossas vidas. Somos seres frágeis, mas nos consideramos auto-suficientes. A Páscoa é a oportunidade que Deus nos oferece de nova vida, com dignidade e compromisso. A vida de Jesus nos deu exemplos infinitos de amor e cuidado. A graça de Deus nos alcança através de Jesus Cristo e nos dá a possibilidade de anunciar a nova vida oferecida por Deus com a ressurreição de Seu filho. Assim como Maria Madalena foi enviada, assim também nós somos. É preciso dar sinais nas relações diárias e nas tarefas do cotidiano do cuidado de Deus com minha vida. Nas relações, nas vivências com as outras pessoas que demonstramos quem cuida de nossas vidas.

Nota/Fonte
[1] Membro da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, é bacharel em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST) e licenciada em Pedagogia pela Unisinos.

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=31137

Chamado ao Desconforto: Um Desafio ao Líder Cristão

Por Richard Lovelace

Pastores gradativamente se conformam e perdem o interesse em serem agentes de mudança na igreja. Uma conspiração inconsciente se instala entre seu ser e a congregação. Torna-se entendimento tácito que a igreja dará honra especial aos pastores ao exercer seu ministério, se os pastores concordarem em deixar em paz o estilo de vida pré-cristão da congregação e não se interessar em mobilizar o uso dos dons em prol da obra do Reino. É permitido aos pastores serem estrelas ministeriais. Seu orgulho é alimentado e é permitido às suas congregações permanecerem como um rebanho em que cada um alegremente se vira para seu próprio caminho.


O conforto religioso pode tomar várias formas. Na sua variedade liberal, seu objetivo principal é confortar a classe média com uma visão de que Deus é bom demais para mandar pessoas boas como eles mesmos para o inferno. Na forma sacerdotal, a idéia é tranqüilizar a pessoa que carregada de culpa com o calor religioso de sua liturgia. Entre os conservadores, a missão principal é quase sempre funcionar como um posto de abastecimento da pregação, onde cristãos se reúnem para ouvir o evangelho pregado para não convertidos, para ouvirem que os liberais estão errados acerca de Deus e do inferno, e renovar o senso individual de bem estar ser a necessidade de um sério encontro com o Deus vivo.


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