O Papa, a Pedofilia e o “espírito do Anticristo” (1)

Por Caramuru A. Francisco

Nos últimos dias, temos verificado uma onda midiática com relação a casos de pedofilia que estão a abalar a Igreja Católica Apostólica Romana.

Não é de hoje que aparecem casos e escândalos a envolver abusos sexuais de clérigos e pessoas vinculadas à Igreja Romana, mas, após uma série de investigações ocorridas principalmente na Irlanda, um dos principais países católicos da Europa (que, não coincidentemente, foi um dos principais focos de resistência para a implementação da atual configuração da União Europeia) , bem como a notícia de casos na Alemanha, terra natal do Papa Bento XVI, iniciou-se uma série de reportagens e matérias dos principais órgãos da imprensa a respeito do assunto, que encontraram seu ápice no jornal norte-americano “The New York Times” (um dos expoentes do “pensamento liberal” americano), que levavam ao comprometimento do atual Papa, seja enquanto arcebispo de Munique, seja enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (cargo que exerceu durante o pontificado de João Paulo II), com supostos “abafamentos” de casos de pedofilia praticada por sacerdotes e religiosos católicos romanos.

Evidentemente, devemos abominar todo e qualquer caso de pedofilia que venha a ser anunciado e descoberto na sociedade, pois tal comportamento é das mais afrontosas que existem com relação à dignidade da pessoa humana. A proliferação da ocorrência de abusos sexuais contra crianças e adolescentes é medida que reflete o quanto tem aumentado a iniquidade no mundo, prova de que vivemos nitidamente o “princípio das dores” (Mt.24:8), período imediatamente anterior ao arrebatamento da Igreja e ao término da dispensação da graça.

As Escrituras são enfáticas ao mostrar que, nestes tempos trabalhosos (II Tm.3:1-5), vicejariam o egoísmo, a falta de amor pela família, a incontinência e o amor pelos prazeres, valores que, ao serem cultuados e seguidos, levam, entre outras coisas, à chamada “liberação sexual”, que tem na pedofilia uma de suas manifestações consequentes .

A partir do instante que se abandona o modelo bíblico da sexualidade, que é o da prática do sexo somente entre homem e mulher no casamento com exclusividade entre os cônjuges, temos a permissividade que permite que se tenham comportamentos bizarros e aviltantes, dos quais a pedofilia é apenas uma de suas faces, como demonstram, por exemplo, a civilização greco-romana.

É interessante observar que os mesmos segmentos que estão a atacar sem dó nem piedade a Igreja Romana e, em especial, o Papa Bento XVI, são os mesmos que defendem abertamente o homossexualismo, que fazem vistas grossas à “indústria do sexo” e que lutam pela liberação do aborto, condutas que não são menos danosas que a pedofilia e que, ao contrário, são fatores que muito contribuem para que a pedofilia ocorra.

Com efeito, o número de casos de homossexualismo nas ocorrências de pedofilia é bem maior que a porcentagem de homossexuais que se crê existir no mundo, como também é inegável, pesquisas científicas estão a confirmar, que a disseminação da pornografia é um dos elementos que mais propiciam a formação de mentes voltadas à perversão sexual, dos quais a pedofilia é uma das formas de manifestação. Não é coincidência que a internet, a grande propagadora da pornografia em nossos dias, seja o ambiente das principais redes de pedofilia que se têm construído em todo o mundo.

O aborto, ademais, ao ser facilitado e permitido, faz com que cresça grandemente a irresponsabilidade e a ousadia dos acometidos de sentimentos perversos, o que, também, incentiva e estimula práticas como a pedofilia.

Dir-se-á que tais segmentos, por não estarem comprometidos com os chamados valores judaico-cristãos, não são obrigados, como a Igreja Romana, que assim se declara, a coibir tais práticas com exemplaridade e que, portanto, não se pode comparar a conduta de tais setores da sociedade com o da Igreja Romana, que, sob este aspecto, pode e deve ser criticada e atacada.

Não resta dúvida de que se exige coerência por parte da Igreja Romana, a última instituição de nível global a defender os valores escriturísticos da sexualidade e que, se apanhada em leniência quanto ao tratamento de tais questões dentro de sua estrutura, deve ser cobrada e duramente criticada por eventual negação da piedade que se diz professar, ainda que, saibamos, esta incoerência entre a aparência e a realidade seja, também ela, um dos sinais dos tempos difíceis em que estamos a viver (II Tm.3:5).

Todavia, também não se pode negar que, ao mesmo tempo em que uma incoerência entre o discurso e a prática no tratamento de tais casos seja manifestação de hipocrisia por parte do romanismo, também temos a mesma hipocrisia por parte dos que atacam tal conduta, pois eles não deixam de ser incoerentes, na medida em que dizem combater a pedofilia e se condoer pelas vítimas, no que a Igreja Romana seria insensível, quando, ao mesmo tempo, defendem os fatores que contribuem diretamente para que existam tais vítimas na medida em que há estímulo e incentivo à promiscuidade.

Temos aqui uma hipótese típica em que incide o famoso provérbio popular, em que “o roto está falando do rasgado”.

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