O Papa, a Pedofilia e o “espírito do Anticristo” (2)

Por Caramuru A. Francisco

A Igreja Romana, reconheçamos, tem admitido os erros ocorridos, muitos deles acontecidos há décadas passadas, em que as circunstâncias eram bem outras e onde a própria sociedade não via a pedofilia ou os abusos sexuais da maneira como o tema tem sido tratado ultimamente, tendo mudado a sua orientação inicial de “abafamento” de forma a permitir não só a reparação das vítimas, como também a apuração dos fatos que ainda podem ser punidos pela Justiça.

A recente carta pastoral que o Papa Bento XVI encaminhou à Igreja Católica da Irlanda mostra-nos precisamente esta disposição por parte do Vaticano, de quem, entretanto, não se pode esperar seja a mudança doutrinária, seja o desmantelamento da instituição.

Todavia, o que se percebe é que os ataques à Igreja Romana e ao Papa não se contentam com tais medidas, porque seu objetivo não é nem a reparação das vítimas nem que se faça justiça nos casos em que a autoridade civil ainda pode agir.

O que estão tais movimentos a desejar é que haja a completa desmoralização e a perda da credibilidade da Igreja Romana, que, quer queiramos, quer não, é a última instituição global que ainda está a trazer resistência aos valores anticristãos que estão a dominar o mundo.

Após terem conquistado o governo norte-americano com a eleição de Barack Obama, tais valores anticristãos precisam, e estão a conseguir, abalar e desmantelar a Igreja Romana, a última instituição a defender a dignidade da vida humana nos moldes bíblicos em nível mundial.

Já é sabido que o Papa Bento XVI, desde a sua eleição, passa por momentos de isolamento e de crescente oposição interna. Sua eleição reflete, aliás, a fraqueza do movimento conservador doutrinário que triunfara com João Paulo II em 1978.

Não são poucos os que defendem uma “atualização” da Igreja Romana, com a “flexibilização” de seus valores ante os “novos tempos”. A profusão de escândalos da pedofilia aparece, assim, como a “pá de cal” neste processo de sepultamento desta linha de pensamento imprimida à Igreja Romana a partir da eleição de João Paulo II e que estancou o desenvolvimento de uma linha mais assimiladora dos valores mundanos que se esboçara a partir do Concílio Vaticano II.

O desgaste sofrido por Bento XVI é inegável e irreversível. Sua idade avançada, que indica um curto pontificado, mostra-nos que não demorará para que “novas cabeças” cheguem à cúpula do Vaticano e, com elas, um comprometimento final com os valores do “espírito do Anticristo”, como aliás admitiu o teólogo e arcebispo emérito de Bologna, cardeal Giacomo Biffi, em seu livro “Pinocchio, Peppone, o Anticristo e outras divagações”, publicado em 2005 e que foi o tema das pregações deste cardeal nos exercícios espirituais do Vaticano em 2007.

Temos aí mais um evidente sinal de que “o círculo está se fechando” e que ingressaremos numa época de confluência das ideias religiosas sem as Escrituras, sem referência a Cristo Jesus, ideias religiosas que serão pautadas pela supervalorização do homem, pela permissividade e pelo relativismo, que Bento XVI tanto tem combatido desde sua eleição.

Os segmentos que atacam a Igreja Romana e o Papa não estão interessados em uma remoção da hipocrisia religiosa, mas, sim, na remoção dos próprios valores que têm sido defendidos pelo romanismo e que se constituem na única voz global contra tudo o que tem sido alardeado pelo “espírito do Anticristo” em todo o mundo.

Pretende-se calar o discurso contra o relativismo moral, contra o aborto, contra o sexo fora do casamento, contra o homossexualismo. A partir do descrédito que se lança sobre a Igreja Romana e sobre o seu principal representante, o Papa, está-se a mostrar que o é pregado pelo romanismo, nesta matéria, é igual indigno de crédito e de acolhida.

Ao mesmo tempo em que reclamam que o Papa não tratou os casos dos clérigos envolvidos em abusos sexuais, “abafando-os”, estes mesmos movimentos defendem abertamente a adoção de crianças por casais homossexuais, quando se sabe que boa parte destas adoções têm, como finalidade, as perversões sexuais dos integrantes desta união, casos cuja apuração é extremamente dificultada por estes movimentos, que também buscam “abafar “ estes casos, assim como acusam o Papado.

Ao mesmo tempo em que reclamam que o Papa deve rever o celibato dos padres (medida que não é bíblica e que, por isso mesmo, é um dos fatores que permitiram tais desvios na Igreja Romana), são os mesmos que aviltam a figura do casamento, ao lutar pela legalização das “uniões homoafetivas” e a defender a “liberação sexual”, com o incentivo do “sexo livre”, que é, também, um dos fatores que muito contribuem para a proliferação da pedofilia (em 2009, por exemplo, houve, como evidente provocação, distribuição de “camisinhas” na França com a foto do Papa, quando, em viagem à África, Bento XVI criticou a forma como se tem combatido a aids…).

Estamos a assistir à demolição da última resistência aos valores anticristãos, à derrocada da última trincheira global contra o predomínio do “espírito do Anticristo”. Nós, como salvos em Cristo, estamos preparados para o arrebatamento da Igreja? Pense nisto!

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