O Ministério Apostólico 5/10

Por Caramuru A. Francisco

Jesus disse que as Escrituras d’Ele testificavam (Jo.5:39), Escrituras estas que eram, naquele momento, tão somente “a lei e os profetas”, o Antigo Testamento. Os profetas apresentavam-se, desta maneira, como “testemunhas” do Senhor Jesus, fazendo, assim, parte deste fundamento que se erigia como “edifício de Deus”, já que o cumprimento de suas profecias na pessoa de Cristo era parte fundamental da pregação do arrependimento e remissão dos pecados por parte dos discípulos do Senhor (Lc.24:44-47). Não é à toa que Pedro, no dia de Pentecostes, usou das Escrituras em seu sermão (At.2:14-40).

Este testemunho dos profetas era um “testemunho antecipado”, como nos ensina Pedro em sua primeira epístola, quando afirma que os profetas indagaram que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que neles estava, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir, aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para a Igreja, eles ministravam estas coisas que agora eram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, pregavam o evangelho (I Pe.1:10-12).

É neste instante, pois, que surge o segundo grupo de “complementadores” do fundamento da Igreja, ou seja, os apóstolos. Eles tinham a missão de, pelo Espírito Santo enviado do céu, testificarem o cumprimento do que havia sido profetizado a respeito do Cristo. Eles deveriam complementar o que havia sido profetizado, ministrando a Palavra de Deus e perseverando na oração, a fim de que o povo compreendesse que o que havia sido profetizado a respeito do Cristo já estava cumprido e que era tempo de se salvar da geração perversa e crer em Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas.

Os apóstolos eram “enviados” de Jesus para testificar o cumprimento das Escrituras em Jesus e também deixar registrado este cumprimento em novas Escrituras, Escrituras que completassem a revelação de Deus ao homem. Aquilo que os profetas haviam profetizado e tinha sido registrado fora cumprido e cabia aos apóstolos, como “enviados especiais” do próprio Senhor Jesus, como “testemunhas oculares” do cumprimento das Escrituras, mostrar o cumprimento do que havia sido profetizado, devendo ser igualmente registrado o que eles ensinassem sobre tal cumprimento.

O dom ministerial de apóstolo, portanto, diz respeito a este fundamento da Igreja, a esta complementação da obra de Cristo, complementação relacionada ao complemento das Escrituras (o Novo Testamento) e à estruturação da base do “edifício de Deus”, da Igreja, a partir do que cada crente poderia, em conjunto com os demais irmãos em Cristo, levantar os pavimentos, os andares, isto é, “ajustar-se e crescer para templo santo do Senhor, para morada de Deus em Espírito” (Ef.2:21,22), “ajustar-se bem e ligar-se pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, para fazer o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Ef.4:16); “para edificação da casa espiritual e sacerdócio santo, para oferta de sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (I Pe.2:5).

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