O Ministério Apostólico 6/10

Por Caramuru A. Francisco

Ora, um tal trabalho se esgotou com a morte do apóstolo João que, pela tradição e por inferências das Escrituras (Jo.21:22,23), foi o último dos doze a morrer, tendo sido concluído o Novo Testamento com ele, com a redação de suas cartas, do seu evangelho e do Apocalipse. Temos, então, que não há como se admitir que haja novos apóstolos depois dos doze, pois o trabalho deles era específico, concernente à conclusão do alicerce da Igreja, algo que se encerrou com João, quando se complementou a revelação de Deus por Cristo Jesus.

É, neste sentido, que, ao falar sobre os dons dados à Igreja, o apóstolo Paulo que o Senhor Jesus deu, primeiramente, à Igreja, apóstolos (I Co.12:28) e, posteriormente, os demais dons, a mostrar que havia uma precedência, não só de autoridade, mas de tarefa na edificação da Igreja, porque a eles cumpria complementar o alicerce do “edifício de Deus”. Por isso, é dito que os crentes, logo após o início da igreja, perseveravam “na doutrina dos apóstolos”, o primeiro fator da “koinonia” característica da igreja primitiva (At.2:42).

Esta circunstância, ademais, é confirmada na visão que João teve da Jerusalém celestial, a morada dos salvos. Ali, as portas são doze, cada uma com o nome de uma das tribos de Israel, que é o povo de Deus (Ap.21:12; Rm.11:17,18). Mas, além das portas, a cidade celeste tem um muro que tem doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro (Ap.21:14). Por que doze? Porque depois destes doze, não houve mais nenhum apóstolo!

Por isso é dito que a Igreja é “apostólica”, ou seja, está baseada no ensino dos apóstolos, que testificavam o cumprimento das Escrituras hebraicas na pessoa de Cristo Jesus. Pertencemos, sim, a uma igreja “apostólica”, porque perseveramos na doutrina dos apóstolos, que nada mais é que a Palavra de Deus, o testemunho de Cristo Jesus.

Dirão alguns que o próprio Novo Testamento chama de “apóstolos” a outros que não os doze e Paulo, como é o caso de Barnabé (At.14:14). No entanto, aqui “apóstolo” tem o significado de “enviado”, porque tanto Barnabé quanto Paulo haviam sido “enviados” pela igreja de Antioquia (At.13:2,3). “Apóstolo” aqui está empregado no seu significado primitivo, algo mais próximo ao que atualmente chamamos de “missionário”.

A propósito, na história da Igreja, passou-se a chamar de “apóstolo” aquele que “enviado” por uma igreja ou até mesmo por um chamado divino, implantava igrejas em regiões até então não evangelizadas, como é o caso de Bonifácio (672-754 ou 755), que iniciou a evangelização da Alemanha (primeiramente, por conta própria, depois como “enviado” do Papa Gregório II) e, por isso, é intitulado “Apóstolo dos Germanos” ou, mesmo de José de Anchieta (1534-1597), que é chamado pelos católicos romanos de “Apóstolo do Brasil”, por ter sido um dos principais responsáveis pela catequização dos índios no início da colonização portuguesa em nosso país. Trata-se, pois, de um costume disseminado pela Igreja Romana e que, portanto, não deve ser acolhido por quem cristão se diz ser e não aceita o romanismo, como é o nosso caso.

2 comentários:

  1. Graça e paz
    Gostei muito do seu blog fala sobre temas atuais
    o post é bem interessante, já que hoje a religiosidade é tão grande que os títulos são mais importante do que a própria palavra de Deus.
    Eu nao sou contra o título Apostolo, Missionário e etc , eu sou contra sim quando as pessoas que tem esse título se acha um elite espiritual se o véu do templo foi rasgado e todo mundo tem acesso a Glória de Deus e o manifestar da Sua Glória através de nós é tão simple e fácil pq não precisamos de títulos , lugar , evento ou sei lá o que . É só deixar a glória de Deus fluir naturalmente.
    Irmão estou te seguindo e aproveita para me visitar também : http://jcbguerreiros.blogspot.com/

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  2. Querido ñós somos gratos a Deus por tudo que Ele tem feito, e agradeçemos também aos irmãos que tem acessado este blog; é muito bom ouvir o comentário do irmão a respeito de um assunto tão importante nos dias de hoje. um abraço.

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