O Ministério Apostólico 7/10

Por Caramuru A. Francisco
III – A AUTORIDADE APOSTÓLICA

O que mais impressiona os “apóstolos do século XXI” é a “autoridade apostólica”, que foi defendida por Paulo na segunda carta canônica aos coríntios. Muitos hoje querem se intitular “apóstolos” precisamente porque querem ter a “autoridade espiritual” que tinham os apóstolos na igreja primitiva. Quando vemos no texto bíblico, percebemos que os apóstolos tinham uma precedência sobre pastores, bispos, presbíteros e decorre daí, dentro desta ideia de “hierarquia ministerial” que tem tomado conta das mentes das igrejas e denominações, a necessidade de se dar ao “líder” o título maior, considerado como sendo o de “apóstolo”.

Não resta dúvida de que os apóstolos, em seu tempo, eram revestidos de uma autoridade respeitada e que se sobrepunha aos dos demais ministros existentes nas igrejas locais. Esta autoridade decorria do fato de que haviam sido chamados diretamente pelo Senhor Jesus e que a eles incumbia o ministério da Palavra e da oração. Evidentemente que uma tal posição lhes punha num patamar diferenciado diante dos demais crentes, seja porque os crentes haviam se convertido por causa da pregação dos apóstolos (At.4:33; 5:12,42), seja porque, mesmo entre aqueles que haviam acompanhado o Senhor Jesus em Seu ministério terreno, era sabido que os doze desfrutaram de um convívio mais íntimo com Cristo.

Contudo, esta autoridade não se traduzia em domínio sobre a fé dos crentes, como tencionam os “apóstolos pós-modernos”. Bem ao contrário, vemos que os apóstolos não eram “ditadores” nem “tiranos”, mas que, mesmo tendo uma posição diferenciada por vontade de Deus, jamais ousavam se considerar superiores aos demais crentes.

No episódio da instituição do diaconato, embora tenham decidido criar esta nova função na Igreja, sem consultar os crentes, participaram sua decisão a todos os crentes e deixaram que o povo mesmo escolhesse os diáconos, mostrando, assim, que não estavam a transformar os crentes em meras “vaquinhas de presépio”, mas em pessoas participantes do governo da Igreja. De igual modo, Paulo, no final de sua primeira viagem missionária, fez com que os próprios crentes escolhessem anciãos que ficassem à frente das igrejas locais (At.14:23).

Os apóstolos não se consideravam superiores aos outros crentes, nem estavam preocupados em “exercer o poder”. Sua autoridade não se manifestava em termos de domínio, mas em demonstração do poder de Deus. Assim, demonstravam sua posição diferenciada, seu chamado específico, não dando ordens aos crentes, nem exigindo que estes lhe obedecessem, mas, bem ao contrário, dando sinais de seu apostolado que, desde seu chamado no ministério terreno de Cristo, eram bem diferentes do “mandonismo” que caracteriza os “apóstolos do século XXI”, mas que era o poder de curar enfermidades, expulsar demônios e fazer sinais, prodígios e maravilhas no meio do povo (At.5:12), mas também o de ter como mensagem a pregação do Evangelho, ou seja, do cumprimento das Escrituras na pessoa de Cristo (At.4:33; 5:42), e, por isso, o de sofrerem, inclusive fisicamente, por causa desta ousadia no testemunho da Palavra de Deus (At.4:23-31; 5:40,41).

Precisamente, porque os apóstolos não dominavam sobre a fé dos demais crentes, como fazem muitos dos “apóstolos pós-modernos” na atualidade, a Igreja não teve qualquer solução de continuidade quando os crentes foram dispersos por ordem dos líderes religiosos judeus, tendo os apóstolos sido mantidos em Jerusalém (At.8:1). Esta atitude somente serviu para que os crentes disseminassem a pregação do Evangelho e fossem constituídas igrejas em outras localidades, passando-se, assim, a cumprir o propósito de Jesus para a Igreja (At.9:31).

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