O Ministério Apostólico 8/10

Por Caramuru A. Francisco

O “concílio de Jerusalém” é outro exemplo de que como a “autoridade apostólica” não é “exercício de poder ou de mando”, mas, sim, algo bem diverso. Os apóstolos, diante da difícil questão a respeito da submissão dos crentes gentios à lei de Moisés, recorreram, em primeiro lugar, a uma reunião onde também estiveram presentes os anciãos, ou seja, os dirigentes das igrejas locais, prova de que os apóstolos não se consideravam hierarquicamente superiores a estes ministros do Evangelho (At.15:6). Como se não bastasse isso, foram buscar a direção e orientação do Espírito Santo (At.15:28), a quem reconheceram como sendo superior na Igreja. Que diferença para com os que se autointitulam “apóstolos” em nossos dias!

Os apóstolos haviam aprendido com o Senhor Jesus que a posição que ocupavam na Igreja os fazia “servidores de todos os demais crentes” (Mc.9:35). Paulo, o abortivo, também aprendeu esta lição, tanto que se denominou para os coríntios como “hyperetes” (I Co.4:1), ou seja, o escravo remador das trirremes romanas, como, e como se encontra no brilhante estudo do presbítero Saulo Gurgel, “Hiperetes: ministro ou escravo”, cuja leitura, uma vez mais, recomendamos (Disponível em: http://sglima.blogspot.com/2009/12/hiperetes-ministro-ou-escravo.html Acesso em 06 fev. 2010).

João, ao escrever o último livro da Bíblia Sagrada, apresentou-se como “vosso irmão e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo” (Ap.1:9), expressão que foi assim comentada pelo pastor José Serafim de Oliveira: “…Isto quer dizer que a mesma aflição que os crentes estavam passando, ele estava também. Não tinha privilégios. Estava na mesma situação, no mesmo patamar, e todos, tanto o apóstolo como os crentes, tinham a plena certeza, plena convicção de que estavam sofrendo pela causa da justiça, pelo Reino de Deus.…” (Desvendando o Apocalipse: o livro da revelação. São Paulo: Pr. José Serafim, 2009, p.13).

Percebe-se, portanto, que a “autoridade apostólica” não advém de uma posição hierárquica, não é uma questão de mando, mas era fruto da presença do poder de Deus na vida daqueles homens que haviam sido escolhidos para anunciar, com ousadia e poder, a Palavra de Deus, para testemunhar o cumprimento das Escrituras na pessoa de Cristo Jesus.

Neste sentido, também, a Igreja é apostólica, pois deve seguir os passos dos apóstolos, deve prosseguir fazendo o que os apóstolos faziam, sendo este o motivo pelo qual Paulo pedia aos coríntios para que fossem seus imitadores, como ele era de Cristo (I Co.11:1).

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