Havia, Querido José, uma Pedra no Meio do Caminho!

Por Francikley Vito
Preciso confessar uma coisa: Eu gosto dos textos de José Saramago! E já que estou confessando, preciso fazer mais uma confissão: os seus textos, ao invés de inspirar em mim descrença, me levavam a crença; na verdade, eles fortaleciam a minha fé.

Em pesquisas que fazia para o meu trabalho de pós-graduação, me chamou a atenção o número de cristãos que estudavam as obras de Saramago, principalmente “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Eu me perguntava o que fazia com que tantos crentes se preocupassem com um autor confessadamente ateu e comunista, isso realmente me intrigava. Com o tempo fui percebendo que o fascínio que a maioria deles tinham, não era em relação ao autor do romance, mas em relação à personagem que dava título ao seu romance, Jesus Cristo.

É sem dúvida inegável o talento literário do autor português, prova disso é o seu Prêmio Nobel de Literatura, o único escritor de língua portuguesa a alcançar esse feito. Apesar de ser acusado de seu um autor que prioriza suas idéias em detrimento da narrativa, ou de um velho lunático que não fez outra coisa que não atacar a religião, penso que ele fez mais pela narrativa dos Evangelhos do que se possa imaginar (discordar disso é absolutamente possível, porém, pense um pouco antes de fazê-lo).

O grande problema de José, o Saramago, é que, assim como aconteceu com o José do poema de Carlos Drummond de Andrade, “havia uma pedra no meio do caminho”, e essa pedra não era outro senão o próprio Cristo, que ele fazia questão de citar. Certo é, e disso não tenho dúvida, que a verdade prevaleceu; tanto aqui quanto na eternidade, pois Cristo é também A Verdade. E como disse o escritor de “Caim” em “Levantado do Chão”:

Todos os dias têm a sua história, um só minuto levaria anos a contar, o mínimo gesto, o descasque miudinho duma palavra, duma sílaba, dum som, para já não falar dos pensamentos, que é coisa de muito estofo, pensar no que se pensa, ou pensou, ou está pensando, e que pensamento é esse que pensa o outro pensamento, não acabaríamos nunca mais.

Nota
http://caderno.josesaramago.org/page/3/

2 comentários:

  1. A Paz, Prof. Vito.
    Maravilhoso esse seu texto falando a respeito de José Saramago. Realmente ele falava a respeito do que o incomodava. Essa pedra (Deus) que insistia em atravessar o seu caminho, creio que tenha se revelado integralmente no seu leito de morte, pois a misericórdia e o amor de Deus são imensuráveis para, deixar passar uma oportunidade dessas de revelar-se diretamente a esse escritor que, a vida toda, inconscientemente, esteve procurando Deus.
    Acima de tudo DEUS É AMOR!!!
    Sonia Costa

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  2. A Paz do Senhor, Sonia.
    Que o Senhor nosso Deus nos ajude a todos, e que nós assim como Deus não tenhamos prazer na morte do ímpio. Continue nos visitando. Um abraço.

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