Repensando o Já Pensado

Por Francikley Vito

Uma das coisas mais difíceis da vida é pensar o já pensado. Eu explico. A maioria de nós tem a tendência de quando achamos um pensamento ou conceito já pronto, seguirmos aquele princípio sem ter o trabalho de pensar ao menos se ele é correto; ou no caso dos cristãos, sem pensarmos se ele é bíblico ou não. O problema é que tais atitudes, apesar de parecer confortáveis, são, em última análise, prejudiciais. Pensemos da seguinte forma: mesmo as Escrituras são passíveis de análise, de exame (Jo 5.39); por qual motivo não podemos analisar os pensamentos ou “doutrinas” ditas inspiradas? Veja por outro prisma. Até as profecias, que são as “palavras” de Deus reveladas aos homens, é examinável (I Co 14. 3, 29-30), quem dirá outras quaisquer coisas! Uma estória servirá de ilustração para o que estou tentando dizer.

Era uma vez uma tribo pré-histórica que se alimentava de carne de tigres de dentes de sabre. A educação nesta tribo baseava-se em ensinar a caçar tigres de dentes de sabre, porque disto dependia a sobrevivência de todos. Os mais velhos eram os responsáveis pela tarefa educativa. Passado algum tempo os tigres de dentes de sabre extinguiram-se. Criou-se um impasse: o apego à tradição dos mais velhos exigia que se continuasse a ensinar a caçar tigres de dentes de sabre; os mais jovens clamavam por uma reforma no ensino. O impasse perdurou por muito tempo. Mais precisamente até um dia que, por falta de alimento, a tribo extinguiu-se também.[1]

A chamada pós-modernidade, movimento teológica-filosofico-cultural, exige de nós, os que amamos e servimos a Deus, uma resposta que não seja decorada, impensada, mas bíblica e contundente para responder às pessoas que estão carentes não de religião e costumes ocos, mas do Deus vivo (mesmo que não saibam disso). Ao repensarmos a nossa fé, e ao manifestá-la de maneira clara, damos às pessoas a oportunidade de conhecerem e seguirem a esse Deus a quem elas buscam inconscientemente; pois como já disseram “há no homem um vazio que só pode ser preenchido por Deus”. Assim, ou repensamos a nossa prática de fé, ou corremos o risco de não conseguirmos responder qual a razão da fé que há em nós (IPe 3.15), nem ao mundo, nem a nós mesmos. Repensar o já pensado é um desafio para hoje que precisa ser enfrentado sem medos ou desculpas. Disso depende a credibilidade do Evangelho anunciado por nós.

Nota
[1]BELLO, José Luiz de Paiva. Didática, Professor! Didática!. Pedagogia em Foco, Vitória, 1993.

4 comentários:

  1. Gostaríamos de parabeniza-lo pela brilhante postagem e é justamente por ela que te convidamos a dar uma passadinha no nosso ministério nos acessando em http://carvalhosdejustica.webnode.com.br ou www.quebrandocadeiasdomedo.blogspot.com

    que Jesus te abençoe, esperamos o amado lá....

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  2. Obrigado! Que O Senhor continue te abençõando. Certamente o visitarei. Um abraço.

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  3. Pb. Paulo Valadão20 de julho de 2010 07:30

    Paz Do Senhor, mestre.

    Aprendi uma idéia de um servo de Deus esses dias e creio ser relevante postar.

    Uma laranja só cresce enquanto está verde, depois de madura o proximo passo é o apodrecimento.

    Ou seja, quando um pessoa, organização, empresa ou até mesmo se sente "madura" (cheia de regras, dogmas e conceitos que não podem ser revisados) a próxima etapa é o declinio.

    Porém quando discutidos, com planos de ações visando o crecimento, expansão e resultados este avança... MAS ISSO ENQUANTO VERDES.

    Deus te abençoe!

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  4. Querido, Pb. Paulo.
    Obrigado por seu instrutivo comentário, com o qual concordo. Um abraço.

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