Jürgen Moltmann Fala de Genes e Livre Arbítrio

Determinismo ou livre arbítrio? Esse antigo debate volta hoje à atualidade na pesquisa genética e na pesquisa sobre os neurônios. Somos gerados pelos nossos genes? Os genes existem na sua peculiaridade antes que a nossa consciência surja? Pilotam o nosso eu nos seus comportamentos? Determinam assim o curso das nossas vida e explicam por que nos tornamos como somos?

O conhecido jornalista norte-americano David Brooks escreveu em 2007 (Herald Tribune): "A partir do conteúdo dos nossos genes, da natureza dos nossos neurônios e da lição da biologia evolucionista, tornou-se claro que a natureza é constituída por competições e conflitos de interesses. A humanidade não surgiu antes das lutas pela sua própria afirmação. As lutas pela afirmação estão profundamente radicadas nas relações humanas".

Disso, ele tirava como consequência a natural disposição à competitividade do capitalismo e uma "visão do mundo trágica": "Assim como a natureza humana está predisposta tão agressivamente à luta pelo poder, precisamos de um Estado forte, de uma educação dura e de uma visão do mundo trágica". Trata-se do resultado de uma busca ou do interesse de uma ideologia? Eu acredito que se trate de pura ideologia naturalista, porque se fundamenta na redução do imprevisível sistema "homem" aos seus genes e neurônios previsíveis.Assim, surge a fatal impressão de viver em um mundo fechado na sua causalidade, como se a nossa liberdade, que também percebemos no "tormento das escolhas", fosse uma ilusão. Se fosse assim, qualquer criminoso diante de um tribunal deveria apelar à incapacidade de entender e de querer, para depois ser absolvido enquanto não imputável.

A imagem da competitividade do gene egoísta, delineada por Richard Dawkins em 1978, é influenciada pelo darwinismo social. Os genes, de fato, são mais flexíveis do que os corpos sólidos, "ativam-se e desativam-se" e reagem aos influxos ambientais. As nossas experiências e as nossas relações com as outras pessoas, nas quais fazemos a experiência de acolhida ou de rejeição, influenciam também o funcionamento dos nossos genes. O médico alemão Joachim Bauer, que se ocupa da psicossomática, afirma, assim: "Os genes não pilotam apenas, são também pilotados" (Princípio Humanidade, 2006). Nas pesquisas sobre a inteligência, também são consideradas hoje mais as condições de vida do que as predisposições genéticas.Chego ao resultado segundo o qual o determinismo genético e neurológico não é capaz de abolir a nossa liberdade, a nossa responsabilidade, nem a nossa imputabilidade. Pode-se aprovar ou rejeitar isso, mas as ideologias não explicam só os resultados de algumas pesquisas, sempre representam também os interesses de uma parte. Quem hoje tem interesse em abolir a nossa liberdade e de tornar os homens manipuláveis?

Fonte
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=36255

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