Profetas Anteriores, ou Não Escritores 5/5

Por Caramuru A. Francisco



V – PROFETAS ORAIS POSTERIORES A ELISEU

Jeú destruiu o culto organizado de Baal e Asera que havia sido instituído por Jezabel e, assim, Israel se livrou do risco de se tornar uma “nação de Baal”, embora, lamentavelmente, não se livrasse do “pecado de Jeroboão”, que foi mantido por Jeú, motivo por que o Senhor disse a Jeú (muito provavelmente por meio de um profeta) que a sua dinastia duraria somente até a quarta geração (II Rs.10:30).

Deve-se, também, observar que Eliseu, já doente da doença de que iria morrer (numa prova bíblica de que pessoas fiéis a Deus não são imunes à doença como defende a falsa teologia da confissão positiva), ainda profetizouao rei Jeoás, filho de Jeú, dizendo-lhe que, por três vezes, venceria o rei da Síria, mas não o destruiria por falta de fé (II Rs.13:14-19).

Em Judá, após a dura repreensão que Jeú, filho de Hanani (não confundir com o rei Jeú) havia dado a Josafá, como já dissemos, um escrito do profeta Elias chega a conhecimento de Jeorão, que sucedera a Josafá, dando-lhe notícia de seu trágico fim. Judá também sofreria com o culto a Baal e Asera trazidos por Jezabel, pois Josafá havia se casado com Atalia, filha de Acabe, que, inclusive, subiria ao trono, depois das mortes de seus dois filhos, Jeorão e Acazias (II Rs.11:1-3).

O sumo sacerdote Jeoiada foi usado por Deus para restaurar o culto ao Senhor e para exterminar a casa de Acabe e o culto a Baal em Judá, tendo entronizado a Joás, o único filho de Josafá que havia sobrevivido à matança efetuada por Atalia. Durante os dias de Jeoiada, Joás serviu ao Senhor e, por isso, profetas não se levantaram. No entanto, após a morte do sumo sacerdote, Joás se desviou e Deus começou a levantar profetas para exortar o rei e o povo (II Cr.24:19), em especial a Zacarias, filho de Jeoiada, que, por ter profetizado contra o rei, foi morto no pátio da casa do Senhor (II Cr.24:20-22), sendo o o último relato de uma morte por causa do nome do Senhor no Antigo Testamento, na ordem estabelecida no cânon judaico, motivo por que é ele mencionado como o rastro final da “linha de sangue de martírio” mencionada por Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Mt.23:35).

Nota-se, pois, uma acelerada apostasia por parte tanto de Israel quanto de Judá, o que tornou necessária a redução a escrito das mensagens proféticas, para que fossem conhecidas das gerações vindouras, diante do estado de calamidade espiritual que se começava a viver e que levaria, primeiro o reino de Israel e, depois, o reino de Judá, à perda da Terra e, no caso do reino de Israel, à própria destruição como nação.

Assim, já no reinado de Jeroboão II, o terceiro rei da casa de Jeú, vemos a atuação de “profetas literários”, a começar por Jonas, filho de outro profeta, Amitai, que havia profetizado, em profecia que não foi reduzida a escrito (prova de que estamos diante de um período de transição), a respeito do restabelecimento das fronteiras de Israel por parte desse rei (II Rs.14:25). Jonas teria iniciado seu ministério assim que Eliseu encerrou o seu e a tradição judaica entende que Jonas seja o filho da viúva de Zarefate que Elias teria ressuscitado.

Depois de Jeroboão II, a situação espiritual piora sobremaneira. A casa de Jeú é substituída por uma sequência de reis que não são constituídos pela vontade do Senhor (Os.8:4), grassando também a injustiça e a corrupção, tudo relatado pelos “profetas literários” que são levantados nesse tempo: Jonas, Oseias, Joel, Amós, Miqueias, Naum e Obadias.

Em Judá, um profeta se levantou nos dias do rei Amazias, filho de Joás, que o exortou a não lutar juntamente com o exército de Israel, diante da rejeição divina às dez tribos, tendo o rei atendido a esta exortação e sido bem sucedido por conta disto (II Cr.25:7-13).

Entretanto, Amazias também se desviou dos caminhos do Senhor, tendo, então, sido morto e substituído por seu filho Uzias. A partir de Uzias, também Judá passa a ter “profetas literários”, como Isaías, que era da corte de Uzias, provavelmente seu parente e Miqueias. Nesse tempo, o reino de Israel é destruído e passamos a ter profetas apenas no reino de Judá.

Em Judá, durante o período dos “profetas literários” (aos dois já mencionados acresça-se Jeremias, Habacuque e Sofonias), existiram também “profetas orais”, como a profetisa Hulda, que teve o auge de seu ministério no reinado de Josias (II Cr.34:22-28), que profetizou o cativeiro da Babilônia e a morte de Josias antes que isso acontecesse e os profetas Jigdalias e Urias, ambos mencionados como contemporâneos de Jeremias (Jr.35:4 e 26:20,21 respectivamente).

A coexistência entre “profetas literários” e “profetas orais” pode ser explicada pelo fato de que Deus tinha muito interesse em que o povo se arrependesse de seus pecados (Jr.25:4-7), sendo certo que, em virtude da situação de apostasia vivida pelo povo judaíta, havia uma proliferação de falsos profetas nos dias finais do reino de Judá.

Com o cativeiro, porém, não há notícia de que tenha havido “profetas orais” no meio do povo. Os profetas no cativeiro e após ele são todos “profetas literários” (Daniel, Ezequiel, Ageu, Zacarias e Malaquias). Somente com João Batista, após o “silêncio profético”, teríamos, novamente, um “profeta oral”, aquele que, aliás, seria o maior de todos os profetas do Antigo Pacto.- Lembremos, por fim, que o próprio Senhor Jesus foi um “profeta oral”, vez que nada escreveu.

Um comentário:

  1. muito interresente!!!! gostei muito!!! continue assim

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