De Olho no Voto: O Voto Evangélico e o Aborto

Por Gedeon Freire de Alencar
Os evangélicos sempre viveram na marginalidade em quase todos os aspectos. Entramos quase pela porta dos fundos na política e agora, plagiando uma expressão, “nunca na história desse país” se falou tanto em religião na época de eleição. Segundo as pesquisas e analistas, a questão religiosa foi fundamental, principalmente, em função de o pleito ter chegado ao segundo turno. Agora, eu queria que fosse realizada uma pesquisa mais específica sobre essa questão do voto dos pobres e da religião, porque não estou muito convencido de que obrigatoriamente o pessoal vota ou não vota naquele candidato por alguma razão religiosa. Sei que, quanto mais escolarizadas, as pessoas têm mais informação e o voto se torna mais complexo. Eu presumo que nas classes mais baixas, o voto se dá de forma muito instrumental e pelo meu interesse imediato. Nesse caso, a votação da Dilma na periferia se deu basicamente em função das necessidades imediatas que estavam sendo alcançadas, inclusive pelo Bolsa Família.
Nesse caso, como vai continuar a questão da eleição? A questão do aborto, ou do moralismo do aborto, esteve muito presente nessas eleições e isso pesou muito na decisão dos evangélicos. Porém, segundo tenho visto nos jornais, foi um fenômeno de internet. E poucas pessoas das classes C e D têm acesso à internet. As classes A e B do Brasil já têm acesso 100% à internet. Eu tenho minhas dúvidas em relação ao fato de as classes C e D estarem formando suas opiniões em função da discussão de internet. Tem algumas coisas que precisam ficar mais claras em relação a isso.

Apesar de todos os males e problemas do “talismã gospel” que existe por aí, eu acho muito interessante porque, antes, exercitávamos o nosso evangelho dentro de quatro paredes e as questões do mundo não diziam respeito a nossa espiritualidade. Os pessimistas diziam que estava sendo algo muito confuso, muito ridículo essa relação entre religião e política, mas acho muito válido. Isso porque mal ou bem as igrejas começaram a discutir a eleição, mal ou bem os pastores se envolveram e as novas gerações começam a discutir esse negócio [de política]. O voto do evangélico, na média, é conservador. Nessa altura do campeonato, portanto, o PT está sofrendo do mal do veneno que plantou. O PT expulsou deputado que é contra o aborto e colocou isso no projeto de governo, o que é uma bobagem porque poderia ter deixado a questão para ser discutida depois. Isso não é projeto de governo.
Eu não sou a favor do aborto, e, teoricamente, creio que ninguém é a favor disso. Mas precisamos discutir isso porque aborto ainda é uma questão de pobre nesse país. Os ricos continuam abortando e não morrem, porque fazem em clínicas bem aparelhadas. Meninas da periferia abusadas e mulheres pobres vão fazer aborto em clínicas que estão mais para açougues e morrem, mas morte de pobre em periferia não importa. Nesse momento, estão deturpando essa questão fazendo um “samba do teólogo doido” em cima de um assunto muito sério.

Fonte
Parte da Entrevista concedida a IHU. A Íntegra está disponível em http://www.ihu.unisinos.br/index.phpoption=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=37253

Um comentário:

  1. Também concordo com você Gedeon. Ninguém pode ser a favor disso. Como cristã eu defendo a vida. Mas eu acho que precisamos levar esse tipo de conversa para um outro nível, a política. Uma pessoa que pode conversar com você sobre isso tranquilamente é o pastor Everaldo Pereira. Veja o link do facebook dele: www.facebook.com/everaldopereira20.

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