Por Uma Corda Melhor: Um Convite ao Amor de Deus!

Por Francikley Vito

Durante a última semana, os brasileiros tiveram a oportunidade de presenciar duas grandes manifestações de fé popular em nosso país. A primeira foi o chamado “Círio de Nazaré”, que é considerada a maior concentração católica do mundo (acontece desde 1793 em Belém do Pará, e é celebrado de ano em ano no segundo domingo de outubro); a segunda foi a “Romaria à Aparecida” (que acontece em São Paulo desde meados de 1717); ambas foram amplamente divulgadas pela imprensa nacional como demonstração da força do catolicismo brasileiro (apesar do Papa já haver demonstrado certa preocupação sobre este fato). Ao acompanhar as notícias sobre as duas “grandes concentrações de fé”, dois fatos me chamaram a atenção; um menos e outro mais relevante, espiritualmente falando.

O primeiro fato que me deixou de “orelha em pé” foram os números da migração à Aparecida, em São Paulo. Segundo um grande portal de notícia, a expectativa era que a cidade recebesse cerca de 330 mil romeiros que iriam prestar a sua homenagem “à padroeira do Brasil”; contudo, apesar dos esforços do Vaticano [1], esse número não parece ter ultrapassado os 145 mil romeiro durante todo o dia [2]. Número inferior ao esperado.

Neste espaça já fizemos esse mesmo exercício em relação a chamada “Marcha para Jesus”. Em relação à Marcha, os erros são sempre para baixo; no que diz respeito à Romaria os erros foram para cima. Por que será? Será que tem alguns querendo que nós entendamos algo diferente da “verdade dos fatos”? Seja como for, eis aqui o meu grifo.

O segundo fato, de maior importância espiritual para mim, foi o choro desesperado de uma fiel no Círio de Nazaré, no Pará, que queria a todo o custo segurar “a corda” que conduzia o carro que levava “a santa”(sic) para a igreja em que seria celebrada a missa solene. Explico. Segundo a tradição aquele que tem a oportunidade de agarrar a corda tem maiores chances de alcançar a “graça” desejada. Segundo a fiel, o esforço era para que alcançasse uma benção para a sua mão, que sofria de câncer. Ao ver aquela cena fique meio perturbado; afinal, qual o poder de uma corda? Em isso faria diferença para a doença da mãe?
Fui obrigado a pensar em outra corda: “As cordas de amor” (Os 11.4).

Se pudesse falar com aquela fiel, lhe diria que o nosso Deus tem uma corda melhor, uma corda de amor, que a pode trazer para mais perto de Deus, o Todo Poderoso; e uma vez envolvidos por essas cordas podemos ter a certeza de que Ele nos ajudará “em tempo oportuno”, e que a cada dia, por está perto Dele, Ele prende o Seu coração às nossas misérias. Assim, ficamos “esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (Judas 1:21); afinal “as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são a cada manhã”(Lm 3.22). E isso é uma verdade universal que serve para todos nós, cristãos ou não.

Porém, eu não posso falar dessas coisas para aquela senhora, não diretamente; mais posso falar essas mesmas verdades a todo aquele que, pelas dificuldades da existência humana, procuram desesperadamente uma corda, uma corda de amor.


Nota
[1] http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/09/vaticano-inclui-o-brasil-na-rota-do-turismo-religioso.html.
[2] http://www1.folha.uol.com.br/poder/813770-aparecida-recebe-cerca-de-150-mil-fieis-no-dia-da-padroeira.shtml

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