O Jejum Como Reforço à Oração 1/4

Por Caramuru A. Francisco

Texto áureo

“Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e, então, naqueles dias, jejuarão” (Lc.5:35)


INTRODUÇÃO

O jejum é uma prática presente em diversas religiões durante todos os tempos da história da humanidade, prática que foi exercida por Jesus que, ao contrário de falsos mestres de nosso dias, recomendou-a, sim, para a Sua Igreja. Assim, traremos um breve estudo sobre o jejum, uma prática muito salutar que se deve adicionar à oração.


O jejum, desde as mais remotas épocas, sempre foi uma prática presente na vida religiosa da humanidade. No entanto, este fato não nos autoriza, em absoluto, a dizer que o jejum não deva ser praticado pelos cristãos. Muito pelo contrário, a Bíblia e, em especial, o próprio Jesus ensina a Sua Igreja que devemos jejuar e que, até mesmo, em certas ocasiões, o jejum é necessário para a vitória do crente.

I - O O QUE É JEJUM

O jejum é a abstenção total ou parcial de alimentação com a finalidade de aprimoramento do exercício da oração e da meditação. É uma prática encontrada nas mais antigas religiões da humanidade, em todos os lugares e nos mais variados estágios da civilização. Assim, tanto foram encontrados sacerdotes de tribos nos mais distantes continentes que jejuavam para ter maior contacto com as divindades ou os espíritos dos antepassados, como também, como o jejum tem sido prática regular em todas as grandes religiões da atualidade (islâmicos, hinduístas, budistas, judeus e, por fim, os próprios cristãos).

Por trás do jejum, existe a crença (que é válida) de que a mortificação do corpo, o sacrifício faz com que o homem se aproxime mais da divindade, porquanto revela seu desapego aos prazeres e às coisas materiais mais importantes, que são as referentes à sobrevivência, com o intuito de melhor perceber a vontade de Deus e de melhor agradá-l’O. Verdade é que não podemos entender o jejum, como muitos que assim fazem nas outras religiões, como um necessário desprendimento do corpo, como se o corpo fosse um mal em si e, portanto, um obstáculo para que tenhamos uma vida espiritual. Esta ideia, não corresponde ao ensino bíblico a respeito do assunto, pois Deus fez o homem corpo, alma e espírito (Gn.2:7, I Ts.5:23) e a Bíblia infirma que tudo quanto Deus fez foi por Ele considerado bom (Gn.1:31), o que inclui o nosso corpo.
OBS: "…Dentro de certas escolas filosóficas greco-romanas e fraternidades religiosas jejuar, como um aspecto de ascese, foi aproximado à convicção de que a humanidade tinha experimentado um estado primordial de perfeição que foi perdida por uma transgressão original. Por várias práticas ascéticas como jejuar, praticar a pobreza voluntária e a penitência, o indivíduo poderia ser restabelecido a um estado onde a comunicação e a união com o divino foram tornadas possíveis novamente. Consequentemente, em várias tradições religiosas, um retorno a um estado primordial de inocência ou felicidade ativou várias práticas de ascese julgadas necessárias ou vantajosas, provocando tal retorno. Para tal se agrupa a suposição subjacente básica de que aquele jejum era, de algum modo, propício para iniciar ou manter contato com Deus. Em alguns grupos religiosos (por exemplo, Judaísmo, Cristianismo e Islã) jejuar, gradualmente, se tornou um modo de expressar devoção e adoração a um ser divino específico.Além da suposição subjacente básica de que jejuar é uma preparação essencial para revelação divina ou para algum tipo de comunhão com o espiritual ou o sobrenatural, muitas culturas acreditam que o jejum é um prelúdio em tempos importantes na vida de uma pessoa. Purifica ou prepara a pessoa (ou grupo) para maior receptividade em comunhão com o espiritual.…" (BINGEMER, Maria Clara Lucchetti. Jejum e fome zero: elementos quaresmais. Disponível em: www.google.com.br/search?q=cache:2JwR9lGw40MJ:www.adital.org.br/asp2/noticia.asp%3Fidioma%3DPT%26noticia%3D6706+jejum&hl=pt-BR&ie=UTF-8)

É por isso que a Bíblia não considera o jejum como uma penitência ou um sacrifício necessário para o desenvolvimento espiritual, pois devemos também ter o nosso corpo envolvido no anúncio da salvação, tanto que Deus o tornou templo do Espírito Santo (I Co.6:19). O jejum é uma prática recomendada, mas é um método para reforço da oração, não algo que possa trazer algum mérito ou que demonstre haver algum merecimento na vida de algum homem, pois tudo o que recebemos de Deus é fruto da Sua imensa misericórdia e graça (Lm.3:22). Este errôneo conceito de jejum próprio dos gentios, foi o motivo da reprovação da prática farisaica, como vemos no sermão do monte (Mt.6:16). Assim, ao contrário do que argumentam alguns falsos mestres nos nossos dias, Jesus não reprovou o jejum mas, sim, este errado conceito de jejum.
OBS: A ideia do jejum como penitência está difundida em muitos credos religiosos. Entre os muçulmanos, o jejum, ao lado de ser uma forma de agradecimento a Deus pela revelação do Alcorão durante o mês de Ramadã, que é um dos pilares da fé islâmica, também é prescrito como penalidade em virtude de algumas faltas. Assim, por exemplo, um muçulmano que mata outro acidentalmente e não tem condições de pagar uma indenização à família da vítima, deve jejuar dois meses consecutivos como pena(Alcorão, 4:92). Entre os católicos romanos, também, o jejum é considerado uma prática obrigatória durante o tempo de penitência (cânon 1249 do Código Canônico). O Catecismo da Igreja Romana afirma que uma das formas de penitência é o jejum (artigo 1434), que corresponderia à penitência interior consigo mesmo, baseando-se, para tanto, no escrito do livro apócrifo de Tobias que diz : "…vale mais a oração com jejum e a esmola com justiça do que a riqueza adquirida com a injustiça…" (mias uma vez vemos um livro apócrifo dar base a um pensamento da doutrina romanista). O Papa João Paulo II (1978-2005) reforçou este entendimento romanista a respeito do jejum ao afirmar que o jejum é "…prática penitencial que exige um esforço espiritual mais profundo, isto é, a conversão do coração com a firme decisão de se afastar do mal e do pecado, para se predispor melhor à realização da vontade de Deus. Com o jejum físico, e ainda mais interior, o cristão prepara-se assim para seguir Cristo e ser sua fiel testemunha em qualquer circunstância. Além disso, o jejum ajuda a compreender melhor as dificuldades e os sofrimentos de tantos irmãos nossos, oprimidos pela fome, pela miséria e pela guerra. Ele estimula também a um movimento concreto de solidariedade e de partilha com quem se encontra em necessidade." (Angelus de 2 de março de 2003. Disponível em: www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/angelus/2003/documents/hf_jp-ii_ang_20030302_po.htm).


Um dos pais da Igreja (nome que recebiam os grandes nomes da Igreja depois dos apóstolos até a Idade Média), o italiano Pedro Crisólogo (380 ou 406-451), que foi bispo de Ravena, afirmou: “…Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente. O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha os seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.(…). Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam elas para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.…” (CRISÓLOGO, Pedro. A oração, o jejum e a misericórdia. Disponível em: http://reporterdecristo.com/a-oracao-o-jejum-e-a-misericordia Acesso em 01 out. 2010). Em outro sermão, o mesmo Pedro Crisólogo diz que “…O jejum é paz do corpo, força dos espíritos e vigor das almas( Sermo VII: de ieiunio 3 apud JOÃO PAULO II. Audiência geral de 21 de março de 1979. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19790321_po.htl Acesso em 01 out. 2010).

7 comentários:

  1. amem
    que Deus continue abençoando o querido irmao continue nessa força Deus e contigo

    helio costa

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  2. Irmão Hélio, a Paz de Cristo.
    É uma alegria para nós recebê-lo neste espaço, continue nos visitando. Um abraço.

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  3. André Brito Iziquiel17 de novembro de 2010 08:48

    Parabéns Vito pelas matérias muito instrutivas que sempre são postadas no seu blog. A forma com que são escritas, sempre com citações contextualizadas, informações do original, argumentações bem pautadas, traz um mundo novo de informações e formas diferentes de enxergar o assunto.

    Abraço

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  4. Irmão André, a Paz de Cristo!
    Que alegria receber os seus belíssimos comentários neste nosso espaço. Continue nos visitando. Um abraço.

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  5. Muito Bom!!!
    Pena, que só descobri hoje esse espaço. Fico entusiasmado ao saber que ainda há em nossos dias, na sociedade materialista em que vivemos, pessoas como tu, que se atém com o nosso sustento espiritual, não só apenas quando estamos cultuando...
    Parabéns meu querido!

    Daniel Zelio

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  6. Daniel, obrigado por suas palavras a respeito do nosso blog. Se quiser você pode ser um seguidor do nosso blog. Abraço.

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  7. Realmente muito bom !!! Confesso que eu tinha alguns conceitos errados a respeito do jejum ,mas ao ler esta matéria entendi o verdadeiro significado do mesmo...DEUS abençoe. Elaine Vieira de Jesus

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