O Ministério Profético Após o Arrebatamento 1/3

Por Caramuru A. Francisco

Texto áureo – “E ele me disse: Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas, e reis” (Ap.10:11).

INTRODUÇÃO

A atividade profética prosseguirá mesmo após o arrebatamento da Igreja. A retirada da Igreja do mundo não representará o término do ministério profético. Na Grande Tribulação, haverá profetas, como também no reino milenial de Cristo, quando Israel se tornará o reino sacerdotal planejado pelo Senhor desde a entrega da lei no Sinai.

I – O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO PERÍODO DA GRANDE TRIBULAÇÃO

Temos visto que a atividade profética se iniciou como uma resposta divina à invocação ao nome do Senhor, gesto feito por Sete ao ter seu primeiro filho, Enos (Gn.4:26), tanto que o primeiro profeta que as Escrituras nos registram é Enoque (Jd.14), o sétimo depois de Adão.

A profecia é a comunicação de Deus aos homens e, deste modo, é uma atividade que, embora tenha por assunto a salvação, a revelação do plano de Deus à humanidade, não se esgotou com a consumação da obra redentora no Calvário.

Tanto é assim que, mesmo depois da morte e ressurreição de Jesus, continuamos a ter a atividade profética, agora exercida pela Igreja, que foi edificada pelo Senhor Jesus (Mt.16:18), Igreja esta que tem uma missão profética, visto que é a agência do reino de Deus na Terra.

A profecia, pois, não depende da Igreja para continuar a existir, visto que já existia antes de a Igreja surgir. Por isso, quando a Igreja for arrebatada, dando fim à dispensação da graça, a atividade profética não cessará, pois ela é independente da Igreja, embora, na atualidade, seja ela exercida pela Igreja e tão somente por ela.

Uma das demonstrações que temos de que a atividade profética não se esgota com a Igreja é a circunstância de ainda haver profecias do Antigo Testamento que ainda não foram cumpridas, o que é suficiente para mostrar que a atividade profética suplanta o período da Igreja ou a própria Igreja. A profecia não apenas falava da salvação do homem, mas, também, da restauração de todas as coisas (At.3:21), algo que ainda não ocorreu e que ainda está para vir.

Por isso, no dia em que Jesus vier arrebatar a Sua Igreja, pondo fim à graça, a atividade profética não será eliminada da face da Terra, prosseguirá existindo, mas, tendo em vista a retirada da Igreja, assumirá um novo perfil.

Com o arrebatamento da Igreja, o Espírito Santo, que é a Pessoa divina que promove a comunicação de Deus com o homem, deixará de atuar de forma indiscriminada como tem sucedido desde o dia de Pentecostes. A Igreja, sobre quem foi derramado o Espírito Santo, subirá ao encontro do Senhor nos ares (I Ts.4:16,17), guiada pelo Espírito Santo, que, assim como a Igreja, anela a chegada daquele dia (Ap.22:17). Temos uma figura desta realidade na passagem bíblica do casamento de Isaque e Rebeca, pois esta foi levada ao encontro daquele por Eliezer, tipo do Espírito Santo (Gn.24:58-67).

No entanto, o Espírito Santo não abandonará a Terra, como até alguns equivocadamente ensinam. Por primeiro, por ser Deus, Ele é onipresente e, portanto, não poderia deixar de estar na Terra. Por segundo, como a atividade profética não cessará, mesmo durante a Grande Tribulação, mister se faz que o Espírito atue, ainda que não mais indiscriminadamente, como agia na época da Igreja.

Após o arrebatamento da Igreja, as Escrituras nos indicam que Israel conseguirá reconstruir o seu templo em Jerusalém, mediante um acordo que fará com uma grande liderança política, surgida do reerguimento do antigo Império Romano (Dn.9:26,27), acordo este que se tornará possível por causa de dois importantes fatos que alterarão a geopolítica internacional: uma grande vitória militar de Israel contra uma aliança de países liderada pela Rússia, Irã, Líbia e Turquia (Ez.38,39) e a conquista do poder no Ocidente por esta grande liderança política, neste Império Romano redivivo.

Com a reconstrução do templo, começa a última semana das setenta semanas profetizadas por Daniel (Dn.9:24-27), bem como o período descrito em diversas passagens bíblicas, mas notadamente nos capítulos 6 a 19 de Apocalipse, conhecido como “Grande Tribulação”, um período de juízo divino sobre a Terra, que será entregue nas mãos do Anticristo e do Falso Profeta.

Enquanto o poder político, econômico e religioso do mundo cai nas mãos da “trindade satânica” (diabo, anticristo e falso profeta), Deus providenciará que surjam profetas, cheios do Espírito Santo, que pregarão a verdade e conclamarão a humanidade ao arrependimento de seus pecados, apesar de toda a eficácia e poderio que se permitirão ao Anticristo e ao Falso Profeta (Dn.7:19-25; II Ts.2:8-12; Ap.13).

Mesmo diante de um quadro desolador, o Senhor terá, no meio da humanidade, o Seu povo, aqueles que crerão em Jesus e alcançarão a salvação, como sendo a respiga da colheita (Lv.19:10: 23:22; Rt.2:3,15-17). O primeiro grupo mencionado é o dos cento e quarenta e quatro mil assinalados dentre as doze tribos dos filhos de Israel, israelitas que se converterão ao Senhor Jesus, muito provavelmente por causa da atividade profética que se desencadeará neste período. Estes israelitas, mencionados em Ap.7:1-8 e 14:1-5, servirão ao Senhor Jesus e se tornarão Sua propriedade, sendo as “primícias de Deus e do Cordeiro” do remanescente salvo de Israel. Estes, por terem sido assinalados pelo Senhor, parecem ser os únicos que sobreviverão ao Anticristo, já que fazem parte do Israel fiel, que será preservado (Rm.11:25,26; Ap.12:14-17).

Boa parte dos estudiosos entende que são estes cento e quarenta e quatro mil assinalados que promoverão a pregação do evangelho do reino de que fala Mt.24:14, o que os torna profetas diante do Senhor, vez que levarão a mensagem salvadora do Evangelho, substituindo, assim, a Igreja nesta tarefa. Segundo estes estudiosos, é o trabalho destes assinalados que permitirá que nações não se dobrem ao Anticristo e possam adentrar no reino milenial de Cristo.
OBS: “…Entre os judeus salvos haverá 144.000 selados. O selo certamente é o mencionado em Ap.14:1. São representantes das tribos de Israel. Certamente dentre eles sairão missionários que levarão ao mundo a Palavra de Deus (Is.66:19). Eles substituirão a Igreja na obra de testemunhar. Deus nunca ficou sem testemunho, nem mesmo durante a apostasia de Israel (I RS.19:18,19; Rm.11:5)…” (HERMEL, João Maria.Escatologia. In: Apostila da 62ª EBO da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém, 2008. p.62).

O segundo grupo é o dos “santos do Altíssimo”, aqueles que crerão em Jesus na Grande Tribulação, mas não pertencem ao remanescente de Israel e que, por isso, mesmo tendo crido em Jesus, acabarão sendo vencidos pelo Anticristo e mortos como mártires (Dn.7:25; Ap.6:2,9-11; 7:14-17).

Mas, como se formará este povo que serve e crê em Jesus, se a Igreja foi arrebatada e não se pode ter salvação a não ser crendo em Jesus Cristo (At.4:12), fé esta que vem pelo ouvir pela palavra de Deus (Rm.10:17) e pelo convencimento do Espírito Santo (Jo.16:8)?

Porque, após o arrebatamento da Igreja, Deus levantará duas testemunhas, dois profetas que, por três anos e meio, durante a primeira parte da Grande Tribulação, serão os porta-vozes de Deus sobre a face da Terra, anunciando que Jesus arrebatou a Igreja e que se está diante de um período de juízo sobre a humanidade que, se não se arrepender, será destruída. Estas duas testemunhas são mencionadas em Ap.11:1-14.

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