O Ministério Profético Após o Arrebatamento 2/3

Por Caramuru A. Francisco

As duas testemunhas profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, ou seja, três anos e meio, vestidas de saco (Ap.11:3), ou seja, transmitirão uma mensagem de arrependimento e confissão dos pecados, indicando o juízo divino, que não tardará. Sua pregação se dará num momento extremamente difícil para que se dê crédito à pregação, pois se estará num período de aparente paz no mundo, inclusive com o judaísmo a todo vapor, diante do restabelecimento do templo em Jerusalém.
OBS: “…Estas passagens bíblicas [I Ts.5:3; Ap.6:2, observações nossas] falam da paz e prosperidade que a terra experimentará no princípio do governo centralizado da Besta (Dn.11.36). Ela convencerá o mundo de que acaba de rariar a era da paz e do progresso com que a humanidade sonhava. A política, a religião, a economia e a ciência serão suas metas principais. A ciência atingirá um ponto nunca alcançado. Todo esse progresso será falso, porque será superficial e porque durará pouco. Logo depois, a Besta revelará seu verdadeiro caráter maligno, ao mesmo tempo em que os juízos desencadeados do Céu, sob os selos, trombetas e as taças do Apocalipse, capítulos 6 a 18, porão tudo a descoberto, mostrando que as multidões foram totalmente iludidas…” (HERMEL, João Maria. op.cit., p.61).

Verdade é que esta “aparente paz” é enganosa, visto que as Escrituras nos mostram que, mesmo durante o primeiro período da Grande Tribulação, teremos a intensificação de todas as mazelas que hoje já vivemos, no chamado “princípio das dores”, consoante nos mostram os selos do capítulo 6 do livro do Apocalipse.

Estes profetas serão levantados por Deus com grande poder, pois terão de enfrentar o Anticristo e o Falso Profeta, desmascarando-lhes. São chamados de “as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante de Deus na Terra”(Ap.11:4), razão pela qual há estudiosos que entendem tratar-se de Enoque e de Elias, dois profetas que não provaram a morte e que estariam sendo preservados pelo Senhor para esta missão do final dos tempos. Sem adentrar em especulações quanto à identidade de tais profetas, o certo é que, como afirma o pastor José Serafim de Oliveira, “…Deus enviará duas testemunhas durante o governo do anticristo para confortar o Seu povo, os judeus. Estas duas testemunhas serão dois homens cheios do Espírito Santo, que Deus levantará nesta ocasião para resistirem o anticristo e pregarem a Palavra de Deus, cujos ministérios serão semelhantes aos ministérios de Moisés e de Elias.…” (SERAFIM, José. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.68).

Durante o período de ministério destes homens, eles não conseguirão ser vencidos pelos seus adversários. Todos quantos se levantarem contra ele serão mortos (Ap.11:5) e terão eles a autoridade do Espírito Santo em suas mensagens. Além da autoridade do Espírito, que levará muitos à conversão, também farão sinais e prodígios, inclusive impondo, a exemplo de Elias, seca no período de sua profecia e poder para converter a água em sangue, a exemplo de Moisés, podendo, também, ferir a terra com tantas pragas quantas quiserem (Ap.11:6).

Notamos, pois, que, ao contrário do que ocorre na atualidade, o Espírito Santo não será derramado entre o povo de Deus. Durante o tempo da profecia destas duas testemunhas, terão eles o Espírito Santo, serão eles os propagadores da mensagem do Evangelho, o veículo para a comunicação de Deus com o homem. Voltamos, assim, ao que havia antes da Igreja, quando, em Israel, Deus Se comunicava com o Seu povo através dos profetas. Exceção serão apenas os 144.000 assinalados, as primícias do remanescente fiel de Israel.

Embora nada lhes possa fazer mal durante o tempo de seus ministérios, as duas testemunhas não poderão impedir o martírio dos “santos do Altíssimo”, daqueles que crerem em suas mensagens ou da dos 144.000 assinalados e se converterem a Cristo Jesus. Todos estes serão vencidos pelo Anticristo e mortos (Ap.13:10). Não serão salvos, como bem explica o pastor José Serafim, pela sua morte, pois a morte não traz salvação alguma, mas serão mortos por terem sido salvos pela graça, por terem crido em Jesus.
OBS: “…Foram perseguidos e mortos pelo anticristo por não negarem a sua fé. Lavaram as vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Não foram salvos pelo seu próprio sangue, como alguns ensinam. Foram salvos pela graça. Só o sangue de Jesus purifica e torna o pecador apto para entrar na presença de Deus.…” (SERAFIM, José. op.cit., p.53).

Terminado, porém, o tempo do seu ministério (três anos e meio), o Anticristo coroará a sua vitória sobre os santos matando as duas testemunhas (Ap.11:7). Este seu ato, que se seguirá à sua “falsa ressurreição” (Ap.13:3), confirmará, aos olhos de toda a terra, de que o Anticristo é um deus e que merece ser adorado. O Falso Profeta, que também fará sinais, fazendo até descer fogo do céu (muito provavelmente para se contrapor aos sinais das duas testemunhas, que, como Elias, haviam fechado o céu para que não chovesse), também levará o povo a reconhecer o Anticristo como “deus”, instituindo, assim, o culto ao Anticristo, para o que convergirão todas as religiões até então existentes, salvo o judaísmo, que com isto não concordará (Ap.13:13-15).

Com a morte das duas testemunhas pelo Anticristo, são calados estes dois profetas, que passam a ser “troféus” das duas bestas, tendo seus corpos expostos em Jerusalém, que se tornará a sede do culto ao Anticristo (Ap.11:8-10), diante da profanação do templo por ele, que se dará concomitantemente (Dn.9:27; 11:31; Mt.24:15). Estarão ali para “provar” a deidade do Anticristo e a circunstância de que o Falso Profeta proclama a “religião verdadeira”.
OBS: É interessante anotar que, na escatologia islâmica, há a crença de, pouco antes do dia do julgamento, haverá três profetas. Um deles, falso, chamado de “Al-Dajjal“, que será desmascarado por “Mahdi”, um profeta que, juntamente com “Isa” (que é Jesus), que retornará, vencerá “Al-Dajjal” numa batalha.

Estes profetas, porém, ressuscitarão, ao final do período da Grande Tribulação, ou seja, três anos e meio depois de sua morte, num grande sinal e prodígio que testemunhará a iminência da derrota do Anticristo e do Falso Profeta, encontrando-se com o Senhor nos ares, quando este, acompanhado da Igreja, retornar das bodas do Cordeiro para a batalha do Armagedom (Ap.11:11-13; 19:11-21), retorno, aliás, que foi profetizado pelo primeiro profeta, Enoque (Jd.14).

Após a morte das duas testemunhas, inicia-se o pior período da Grande Tribulação, onde os juízos divinos serão derramados sobre a Terra, com a preservação tão só do remanescente fiel de Israel.

Mas, diante da cessação do ministério profético das duas testemunhas e da circunstância de que o Israel fiel ir para o deserto, acuado, sem condição alguma de propagar a mensagem do Evangelho (Ap.12:12-17), teremos a cessação da atividade profética durante a segunda metade da Grande Tribulação, numa situação similar ao “silêncio profético” entre Malaquias e João Batista?

A resposta é negativa. Em Ap.14:6-11, é dito que três anjos trarão mensagens aos homens, a respeito do juízo de Deus, conclamando-os a temer a Deus e lhe darem glória e a recusarem o sinal da besta para que não sofressem os juízos divinos. Vemos, pois, que a comunicação de Deus com os homens não cessará, não haverá novo “silêncio profético”. Deus calou-Se porque estava para vir a salvação, mas, agora, que está para vir o juízo, a destruição, Sua misericórdia e amor O impedem de ficar calado. Aliás, foi esta a mensagem deixada pelo último profeta antes do “silêncio profético interbíblico”, Malaquias: “Eis que vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor; e converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que Eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml.4:5,6). Ou seja: Deus sempre abre uma oportunidade antes do juízo. Aleluia!

Assim como antes do dilúvio, levantou Noé para pregoar a justiça (II Pe.2:5); antes da destruição do reino de Israel (o reino das dez tribos do norte), levantou Oseias para mostrar o Seu amor para com Israel (Os.1) e, antes da destruição do templo e de Jerusalém, levantou Jeremias em Judá (Jr.1), também anunciará uma mensagem às nações antes que desfira o golpe final de juízo sobre os impenitentes da Grande Tribulação.
OBS: Segundo alguns estudiosos, aliás, os 144.000 assinalados estarão em pleno trabalho de evangelização neste período, o que, também, afasta a hipótese de “silêncio profético” nessa época.

Muito se discute se se trata aqui de anjos, que pregariam esta mensagem, ou, então, se tais anjos são mensageiros humanos, novos profetas que serão levantados neste período. Os estudiosos dividem-se. O pastor José Serafim entende tratar-se de mensageiros celestiais, o que faz sentido, diante da inexistência de pessoas que sirvam a Deus fora do remanescente fiel de Israel, grande parte deles encurralado nos montes do deserto da Judeia. Será esta mensagem, porém, que levará ou ajudará a levar algumas nações a não se voltarem contra Israel, o que lhes permitirá a entrada no reino milenial de Cristo (Mt.25:31-46).

2 comentários:

  1. Excelente esse estudo. Tenho essa mesma linha de pensamento Escatológico.

    Graças a Deus que não vamos passar por tudo isso. E Graças a Deus que toda essa profecia é real e vai se cumprir.

    Ora vem Senhor Jesus!

    Em Cristo,
    Elton Morais

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  2. Elton, a Paz de Cristo!
    Obrigado por nos acompanhar e pelo seu comentário; continue nos visitando, será uma alegria. Um abraço.

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