Coisas Para Fazer no Novo Ano


A você que esteve conosco durante todo esse ano, ou a você que começou a caminhar conosco não faz muito tempo, os nossos agradecimento por esse período caminhando juntos e pela confiança em nosso trabalho. Desejamos aos que frequentemente acompanha o nosso trabalho e àqueles que não são tão frequentes assim boas festas e um ano em que Cristo, o Deus homem, resplandeça a Sua glória e bondade sobre você e sua família. Boas Festas! Por motivos das festividades de fim de ano, estaremos interrompendo temporariamente as novas postagens no VOSBI, voltaremos as nossas atividades normais em janeiro (salvo alguma coisa de interesse cristão aconteça). Lembre-se: O princípio da felicidade é andar nos caminhos do Senhor (Sl 1). Abraço.

Neemias: Um Líder Temente a Deus


Por Caramuru A. Francisco
É interessante observar, de início, que, já quando o povo de Israel saiu do Egito, seguindo um conselho de seu sogro Jetro, Moisés elencou quais deveriam ser as características dos líderes no meio do povo de Deus. Para liderar, era necessário que os homens fossem “capazes, tementes a Deus, homens de verdade e que aborreçam a avareza” (Ex.18:21). Neemias preencheu todos estes requisitos, o que demonstra porque foi exitoso em seu governo diante do povo de Judá.
O primeiro ponto que queremos destacar na vida de Neemias é o fato de ser “temente a Deus”, pois este é um ponto fundamental na vida de qualquer líder no meio do povo de Deus. Para que alguém possa liderar com êxito na Igreja, faz-se absolutamente necessário que, antes de mais nada, seja um liderado do Senhor, ou seja, alguém que tema a Deus, ou seja, que seja obediente e reverente ao Senhor. Neemias era extremamente temente ao Senhor, como podemos observar ao longo do livro que leva o seu nome. A narrativa mostra-nos que, antes de mais nada, Neemias era um homem de oração.
Desde o instante em que Neemias surge no livro (Ne.1:4) até o momento do término da narrativa (Ne.13:31), encontramos Neemias orando. Neemias, antes de tomar qualquer decisão, orava a Deus e, posteriormente, após ter tomado a decisão, voltava a orar a Deus. Quando alguém teme ao Senhor, tem o máximo interesse em agradar a Deus, em tudo fazer segundo a orientação divina, a fim de que tenha certeza de que está a obedecer ao Criador em todas as atitudes. Cristo deixou-nos este exemplo, sendo obediente até a morte (Fp.2:8). Ora, não há outro meio pelo qual saibamos precisamente o que Deus quer, a fim de Lhe sermos obedientes e reverentes, senão pela oração, ação pela qual nós mantemos um diálogo constante com o Senhor, passando a ter cada vez maior intimidade com Ele. O verdadeiro líder no povo de Deus tem de ser um homem de oração, um homem que tenha intimidade com o Senhor.
Samuel, o último juiz de Israel, mostra-nos a grande importância da oração na liderança, pois, tendo resignado o seu cargo, disse ao povo que não poderia deixar de interceder por ele, sob pena de vir a pecar (I Sm.12:23). A oração é tão importante para o líder que, mesmo depois de ter deixado de exercer as funções de liderança, deve continuar a orar pelo povo. O Senhor Jesus, antes de revestir de poder os Seus discípulos, de modo a que pudessem iniciar a obra da evangelização, fez-lhes orar por sete dias ininterruptos, a nos demonstrar claramente que não há como se constituir líderes na Igreja sem que se tenha uma vida de oração.
Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, muitos que se dizem líderes no meio do povo de Deus não têm uma vida de oração. Recentemente, em seu livro “De pastor para pastor”, o pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes deu notícia de uma pesquisa em que o tempo médio de oração diária dos pastores no Brasil não passa de quinze minutos, ou seja, um quarto do tempo mínimo considerado pelo próprio Senhor Jesus (Mt.26:40)! Não espanta, pois, o quadro trágico em que se encontra a Igreja em nosso país na atualidade…
Além de ser um homem de oração, Neemias também praticava o jejum. Logo no limiar da narrativa, vemos Neemias jejuando e orando a Deus (Ne.1:4), sendo certo que também participou, junto com o povo, daquele jejum coletivo que os levou ao arrependimento e confissão de pecados (Ne.9:1). O líder deve ser alguém que não só tem uma vida de oração, mas que também se consagra a Deus periodicamente, a fim de que tenha maior intimidade com o Senhor e mais poder vindo dos céus. Infelizmente, nos dias hodiernos, muitos têm trocado o jejum pela participação assídua em banquetes onde reinam os deleites cotidianos e onde recebem o galardão da injustiça (II Pe.2:13)…
Outro aspecto que nos mostra que Neemias era temente a Deus é o seu conhecimento das Escrituras, algo que, nos tempos de Neemias, não era tão simples assim, ainda mais que Neemias não era sacerdote nem escriba e, como sabemos, havia nascido na diáspora, isto é, fora da terra de Israel. Em sua oração intercessória pela situação lamentável de Jerusalém, logo no primeiro capítulo, Neemias mostra ter pleno conhecimento da história sagrada, como também da lei do Senhor (Ne.1:6-9). Ao longo da narrativa, vemos que Neemias tomava decisões em pleno acordo com o que constava tanto na lei quanto nos escritos sagrados posteriores, como, por exemplo, no episódio do despejo de Tobias (Ne.13:1,7,8) ou na designação de cantores e levitas para o templo (Ne.12:44-46), prova de que era um exímio conhecedor da revelação divina a Israel.
O conhecimento das Escrituras é um requisito “sine qua non” para que alguém possa liderar o povo de Deus. A Bíblia Sagrada é a revelação de Deus ao homem e não há como alguém que queira liderar o povo de Deus seja uma pessoa que não conheça o que Deus quer do homem. Da mesma maneira que a oração nos mantém um diálogo com o Senhor, a partir do homem, o conhecimento da Bíblia Sagrada é, também, uma forma de conhecermos a Deus e sabermos a Sua vontade, só que a partir da iniciativa do próprio Deus, que quis revelar-Se ao homem por intermédio das Escrituras. O líder tem de ser um conhecedor da Palavra de Deus, sem o que não poderá estar à frente do povo ( e é isto que significa “presidir”). Como pode alguém guiar outro na senda espiritual se não tem visão espiritual? Ora, a visão espiritual, o enxergar espiritual só é possível por intermédio da “lâmpada” e da “luz”, que é a Palavra do Senhor (Sl.119:105).
Nos dias em que vivemos, por incrível que pareça, estamos diante de uma situação lamentável, onde muitos líderes são verdadeiros “analfabetos bíblicos”. Apesar do aumento da escolaridade do povo de Deus, apesar da disseminação do ensino teológico, as Assembleias de Deus vivem um momento crítico de “analfabetismo bíblico”, a começar dos que líderes querem ser. É triste dizermos isto, mas é pura realidade: os “analfabetos” que eram obreiros no início da história de nossa denominação eram muito mais “eruditos” biblicamente falando do que os “doutores em divindade” de nossos dias. Vivemos um instante de profundo desconhecimento bíblico por parte daqueles que querem liderar que, apesar de ostentarem “diplomas” e “anéis no dedo”, nada conhecem de Bíblia, até porque a esmagadora maioria das “escolas teológicas” não passam de “balcões de vendas de diplomas”, que não deixam coisa alguma a desejar em relação ao medíocre e lastimável estado da educação secular em nosso país, que é uma das piores do mundo.
Como prova disso é que a esmagadora maioria dos que líderes se dizem ser em nosso país não são (e muitos nunca foram) alunos da Escola Bíblica Dominical e também pouco frequentam as reuniões de ensino na igreja local (salvo quando são os “ensinadores”). Como Neemias era diferente…
Como se não bastasse isso, Neemias também sempre mostrou ter interesse em que o povo conhecesse a sua história e o teor das Escrituras, tanto que mandou ler o livro das genealogias (Ne.7:5), como também a própria lei do Senhor, sempre que tinha necessidade de tomar decisões baseadas nas Escrituras (Ne.13:1), pois, como bom líder, não queria “ser rei por ter um olho em terra de cegos”, mas que o povo compreendesse a revelação divina, que o povo também fosse conhecedor da Palavra de Deus. Para tanto, Neemias não trouxe qualquer objeção, mas antes incentivou, a leitura da lei do Senhor por Esdras, leitura esta que fez o povo adquirir um novo patamar espiritual diante de Deus, o que gerou não só o avivamento e o arrependimento e confissão de pecados, mas também a própria disposição do povo em se comprometer a servir ao Senhor.
Esdras, que viera treze anos antes de Neemias, havia se dedicado à preparação dos levitas e sacerdotes na lei do Senhor, mas o governador “popularizou” esta instrução, tendo um papel fundamental para enraizar no povo judeu o zelo pela observância da lei, característica que vemos até os dias de hoje e que é responsável pela preservação da identidade judaica ao longo dos séculos. Sem esta decisão de Neemias, Judá correria o risco de ser assimilado pelos demais povos, o que seria catastrófico para a humanidade, já que a salvação vem dos judeus (Jo.4:22). O líder temente a Deus quer que todo o povo também tema ao Senhor. O líder temente a Deus sabe que o povo é de Deus e não dele, e, por isso, não quer fazer da ignorância uma arma de dominação, pois sabe que não pode dominar, mas, sim, deve apascentar este povo (I Pe.5:2,3). O líder temente a Deus faz de tudo para que haja mestres no meio do povo de Deus, incentiva-os, a fim de que o povo possa bem conduzir-se na sua vida espiritual, a fim de que a obra de Deus possa ser eficazmente realizada. O pastor, além de ser necessariamente um mestre (I Tm.3:2), tem de estimular e prestigiar os mestres que, nem sempre, necessariamente terão de ser pastores.
Nos dias em que vivemos, porém, o “espírito de dominação” paira em muitos lugares e os que líderes se dizem ser buscam, de todas as maneiras, manter os liderados sob o manto da ignorância bíblica, até porque, em alguns casos, são eles próprios ignorantes ou, o que é pior, pessoas que já abandonaram a sã doutrina e que querem agora ter pessoas à sua volta e não mais em torno de Cristo Jesus (At.20:30). São cegos que guiam outros cegos e que cairão ambos na cova da perdição (Mt.15:14). Não é de se admirar, portanto, que muitos líderes hodiernos estejam a retirar a Bíblia Sagrada das mãos dos liderados, substituindo-a por “visões”, “revelações” e tantas outras invencionices, sendo também impiedosos perseguidores dos mestres que o Senhor levanta no meio do povo, sendo desestimuladores, quando não aniquiladores de atividades como a Escola Bíblica Dominical e o culto de doutrina.
Neemias também demonstrou ser temente a Deus ao pôr Deus como prioridade em sua vida e fazer o povo assim entender. Lembremos de que ele era um governador civil e que, portanto, a princípio, sua missão era reedificar a cidade de Jerusalém e organizar a administração daquela região, algo importantíssimo num império que passou para a história como um exemplo de administração como era o Império Persa. No entanto, tudo quanto fez levava em conta o fato de que Judá era “a propriedade peculiar de Deus dentre os povos”, de forma que tinha plena consciência de que toda a administração devia estar voltada para criar condições para que o povo pudesse amar a Deus sobre todas as coisas.
Neemias, pois, assim que terminou a reconstrução dos muros e das portas de Jerusalém, tratou não só de organizar o serviço do templo, como também criar critérios seletivos para a povoação de Jerusalém, de modo que a população fosse piedosa e pusesse Deus acima de todas as coisas. Neemias, pois, sempre incentivou as iniciativas do povo de buscar adorar a Deus, de cultuá-lo, prestigiando não só a leitura da lei por Esdras, como também a celebração da Festa dos Tabernáculos e, depois, o ajuntamento espontâneo que redundou no arrependimento e confissão dos pecados e no solene compromisso de observância da lei (Ne.8-10).
Ao retornar em seu segundo mandato, Neemias, também, fez questão de dar conhecimento do teor da lei para o povo (Ne.13:1), antes de remover os abusos relacionados com a presença de Tobias na câmara grande do templo, com a profanação do sábado e com os casamentos mistos, a fim de que o povo tivesse ciência de que não estava ali o governador simplesmente a usar de seus poderes civis, mas, precipuamente, a cumprir a vontade de Deus. Como se não bastasse isso, o próprio Neemias convocou o povo para a cerimônia de dedicação dos muros de Jerusalém (Ne.12:27-43), num gesto em que, uma vez mais, mostra que a prioridade da vida do povo deveria ser a de servir a Deus e a de amá-l’O sobre todas as coisas. O líder temente a Deus deve levar o povo de Deus a pôr Deus como prioridade em suas vidas. Deve ser um incentivador e estimulador do culto ao Senhor, da adoração a Deus. O líder, a partir de sua própria vida e testemunho, deve incutir no povo de Deus aquilo que o Senhor Jesus nos ensinou, ou seja, de que devemos buscar o reino de Deus e a sua justiça primeiramente (Mt.6:33).
Hoje em dia, entretanto, muitos dos que líderes se dizem ser são os primeiros a mostrar ao povo, por meio de seu modo de viver, que se devem buscar as coisas desta vida, de que mais valem as coisas passageiras deste mundo (riquezas, fama, posição social etc., etc., etc.) do que as “coisas de cima”. Não há qualquer estímulo ao culto a Deus ou à verdadeira e genuína adoração, mas, quase sempre, há um incentivo tão somente ao entretenimento e aos “shows”. Como Neemias era diferente… Não são poucos, aliás, os líderes que acabam gerando no meio do povo de Deus uma inquietação e um incômodo quanto estão na presença do Senhor. Muitos, atualmente, chegam a afirmar que quem manda no culto é o “relógio”, porque têm pressa de sair da presença de Deus, embora sejam absolutamente negligentes no tocante ao horário de início das reuniões, porque também não têm pressa de chegar à presença do Senhor. Como Neemias era diferente, tanto que o povo chegou a ficar seis horas diárias ininterruptas ouvindo a lei do Senhor… Neemias tinha todo o interesse que o povo mantivesse um relacionamento íntimo com Deus, não só era temente ao Senhor, mas também queria que o povo também o fosse. Que bom será termos líderes assim no povo de Deus!
Por fim, por ser temente a Deus, Neemias tinha discernimento espiritual, o que o impedia de ser enganado pelo inimigo. Quem tem intimidade com o Senhor, conhece a Sua voz (Jo.10:14,27) e, por isso, quando são armadas as ciladas do adversário, ele as desbarata pela direção do Espírito Santo. Assim, Neemias não foi enganado com a falsa profecia de Semaías (Ne.6:12). A falta de discernimento espiritual na liderança atualmente no meio do povo de Deus é uma das principais causas da apostasia que grassa na esmagadora maioria das igrejas locais. Que nossos líderes sejam tementes a Deus para que possam discernir os espíritos enganadores que estão no meio da Igreja nestes últimos dias (I Tm.4:1)!
Fonte:http://www.portalebd.org.br/classes/jovens-e-adultos/item/888-4%C2%BA-trim-2011-li%C3%A7%C3%A3o-13-a-integridade-de-um-l%C3%ADder-i

Os Desafios da Igreja e a Segurança Plena de Fé

Por Os Guinness

Jornada é a mais profunda ilustração humana na busca pelo sentido da vida. Basta verificar grandes histórias de jornadas – o Êxodo, a Odisséia, a Ilíada, Dom Quixote, O Peregrino...Todas elas têm em comum a busca por significados. Eu divido a jornada em quatro fases. A primeira é a do questionamento. É a busca consciente. A segunda fase é a das respostas, e eu considero que a fé cristã é a única crença a apresentar uma resposta adequada para essa busca. A terceira etapa é a das evidências. Já que as respostas nos dão sentido, queremos então saber o que é verdade. E, por fim, a última etapa da jornada é aquela que leva ao compromisso. A noção de jornada é a mais profunda ilustração de como as pessoas vêm e se encontram na fé cristã. O problema é que a maioria dos cristãos tem uma visão errada do que os cerca. Eles têm a teologia e a filosofia corretas, mas sua visão de mundo é estática – quando as Escrituras apresentam uma dimensão do tempo, da geração do agora. E um dos exemplos positivos que temos são os homens de Isacaar, cujas ações são relatadas no livro das Crônicas. Eles liam os sinais do tempo, para que Israel soubesse o que fazer. A igreja nos seus primórdios, tinha uma pequena frase que dizia: “Toda a verdade é a verdade de Deus”. Então devemos ser os primeiros a reconhecer a verdade. É claro que se um irmão cristão estiver certo, como Kierkergaard, devemos rapidamente reconhecer seu lado certo, não focar sua fraqueza. Mas devemos fazê-lo com discernimento.

Eu já escrevi sobre a dúvida porque muitas pessoas com quem conversava se sentiam culpadas por terem dúvidas. Elas pensavam que dúvida é a mesma coisa que descrença – e não é! No grego, no hebraico e em quase todas as línguas do mundo, dúvida significa algo como o meio do caminho entre a fé e a descrença. Fé significa estar convencido de algo; descrença é não acreditar absolutamente em algo. Ora, a dúvida é o meio de caminho. A dúvida, em si, não é descrença – mas precisa ser resolvida, porque poderá se transformar em descrença. Nos meus livros, tento apresentar as diferentes maneiras pelas quais temos dúvidas e o que fazer para resolvê-las. Praticamente todo mundo tem uma dúvida em algum momento da vida; o mais importante é tornar as pessoas libertas para que compartilhem suas dúvidas. Então, devemos ser honestos sobre isso e compreender que o mais importante é saber resolver as dúvidas e voltar a ter uma segurança plena de fé.

A coisa que faz com que os não-cristãos fiquem mais enojados com a nossa fé é a hipocrisia. É a atitude daquelas pessoas que dizem uma coisa e praticam outra. Neste sentido, a hipocrisia tem sido o grande obstáculo à fé. E ninguém teve uma posição mais contrária à hipocrisia do que Jesus – então, quando nós, que dizemos ser seguidores de Cristo, somos hipócritas, estamos traindo tudo aquilo que o Mestre nos chamou a ser. Erasmo, no tempo da Renascença, disse: “Se quisermos levar os turcos para Cristo, precisamos, antes de mais nada, sermos cristãos nós mesmos”. Hoje, ocorre a mesma coisa. Toda vez que um cristão não vive no padrão de Jesus, estamos vulneráveis à acusação de hipocrisia. Há uma resistência às instituições hoje. No mundo globalizado, as nossas instituições – incluindo a família e a Igreja – estão claramente perdendo a força. Talleyrand, um político francês do século XIX, disse que, sem indivíduos, nada acontece; mas sem instituições, nada permanece. Hoje, muito se fala da fé dos sem-igreja, e isso acaba levando a uma espiritualidade muito ruim e contrária à Bíblia. Muitos cristãos, sobretudo os jovens, têm uma percepção equivocada daquilo que devem almejar. As pessoas dizem: “Posso adorar a Deus num campo de golfe da mesma maneira que na igreja”. Sem dúvida. Mas esse tipo de fé, além de não ter respaldo bíblico, não tem força – é como um cogumelo que cresce na madrugada e de manhã já desaparece. A Igreja é uma instituição da qual precisamos; porém, a Igreja institucionalizada está perdendo sua verdade. Nós precisamos de uma instituição com verdade, com vida. Precisamos, portanto, de uma reforma das instituições.

Não é que os cristãos não estejam aonde deveriam estar; o problema é que eles não são o que devem ser, exatamente onde estão. E precisamos de cristãos que saibam como aplicar o senhorio de Jesus e fazer a integração de sua fé em cada parte, em cada esfera da vida. A fé de cada um precisa ser integrar ao todo de sua vida. Os crentes devem viver de maneira cristã, devem trabalhar de maneira cristã. Quem é advogado e conhece Jesus deve exercer a advocacia de maneira cristã. Isso vale para qualquer um que professe fé no Salvador – o médico, o técnico da computação, o lixeiro. Só assim teremos chance de ser sal e luz e ganhar de volta a cultura. Infelizmente, o número de cristãos que pensam é uma minoria. Nas Escrituras, temos o mandamento de amar ao Senhor nosso Deus com todo o nosso entendimento. Mesmo assim, muitos cristãos simplesmente não pensam. Dessa forma, nunca conseguiremos ganhar o mundo moderno, a não ser que tenhamos uma geração que aprenda a pensar biblicamente e de maneira cristã. O antídoto é um entendimento biblicamente pleno da verdade, da Palavra e do Espírito. E eu espero que o colapso do pós-modernismo crie um vácuo e que a fé cristã seja suficientemente forte – cultural, intelectual e teologicamente – para ocupar esse espaço e fazer a diferença.

Nota/Fonte: O texto foi primeiro publicado em forma de entrevista. O título é do editor do blog. Entrevista em http://www.vidanova.com.br/autores.asp?codigo=226

Escatologia: O Momento Crítico da Europa

Por Caramuru A. Francisco

A Europa vive, neste ano de 2011, um momento de crise econômico-financeira que é o mais grave e intenso desde o término da Segunda Guerra Mundial. Os países da União Europeia estão a sofrer um aumento do desemprego, com gravíssimas consequências para a população, ao mesmo tempo em que os governos não têm condição alguma de enfrentar a situação com políticas sociais, como foi a tônica a partir de meados da década de 1960, quando surgiu o chamado “Welfare State”, ou seja, o Estado do bem-estar social, que garantia um freio nas gritantes desigualdades da sociedade e condições de vida dignas para a grande parte dos cidadãos.

Com efeito, os governos dos países europeus estão praticamente falidos, não têm como se endividar mais, não tendo, portanto, condições de enfrentar esta situação econômica adversa. As projeções são de que não haverá qualquer crescimento econômico no continente pelos próximos dez anos.

O fato é que a União Europeia vive uma crise de identidade, na medida em que os países não querem abrir mão de sua soberania, formando uma federação, embora 17 dos 25 países já estejam vivendo uma união monetária, com uma moeda única (o euro), o que, aliás, serviu para agravar ainda mais a crise, na medida em que os governos, embora tenham autonomia para efetuar gastos e montar seus orçamentos, não têm mais a liberdade de controlar as suas moedas.

A crise econômico-financeira de 2008, que teve seu nascedouro nos Estados Unidos, atingiu fortemente a União Europeia e as desigualdades entre os países da chamada “zona do euro” se fizeram sentir, levando, praticamente, à inadimplência os países mais pobres da união monetária, em especial, Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda, com inevitáveis repercussões na Itália e na França.

O que vemos, no enfrentamento da crise nos últimos meses, é a demonstração de uma falta de líderes capazes de movimentar suas nações para as necessárias reformas, seja a implementação de uma maior unidade entre os países da União Europeia, retomando-se o rumo da “Constituição da Europa”, que acabou sendo rejeitada no início do século, ou a redefinição da União Europeia, com a redução da integração ou a retirada de alguns países da união monetária.

A prova desta falta de lideranças está na circunstância de como se deram a substituição dos governos da Grécia e da Itália recentemente, quando políticos cederam seus lugares para técnicos que, praticamente impostos pelos “burocratas” da União Europeia, passarão a realizar duras e pesadas reformas impopulares, como verdadeiros “interventores” desta “nomenklatura” que toma conta dos órgãos da União Europeia.

Este vácuo de lideranças e a retirada dos políticos do cenário decisório, num verdadeiro triunfo da “burocracia” europeia é uma importante sinalização de que nos aproximamos do final de nossa dispensação.

É de todos sabido que esta “burocracia europeia” é fortemente anticristã, tanto que, na sua tentativa de criar uma “Constituição da Europa” tentou romper com os laços cristãos do continente, não sendo de hoje as iniciativas que tem tomado para “varrer” a tradição cristã do Velho Continente.

A maneira como está, agora, a tomar os governos europeus para os seus próprios desígnios, em verdadeiros “golpes de mercado”, como denominou o jornalista brasileiro Clóvis Rossi, mostra, claramente, que as rédeas das nações europeias passaram a ser ditados por esta ideologia anticristã, que, aliás, também está presente em outros organismos internacionais, como as Nações Unidas.

O que está a faltar para a Europa, pois, é uma liderança continental, que consiga levantar as massas e, depois do serviço realizado por estes “títeres”, mobilize os europeus para uma integração mais forte, fora dos padrões cristãos, consolidando assim a instauração deste novo regime que venha a trazer “prosperidade e bem-estar” para a Europa.

Esta liderança, a ser levantada pelos governantes títeres da União Europeia, não é nada mais, nada menos que o Anticristo, a “ponta muito pequena” da visão do profeta Daniel (Dn.8:9), que surgirá de um consenso de dez nações da União Europeia e que fará ressurgir o Império Romano, ou seja, uma Europa governada por um único líder, como, aliás, está profetizado em Dn.7:24 e Ap.13:1.

As vozes da maior parte dos políticos europeus são de que há necessidade de criação de mecanismos de maior integração, mas com a concessão de maiores poderes aos países mais representativos do bloco, até porque os países mais periféricos são considerados os responsáveis por esta crise. Tudo está a indicar, portanto, que os países mais poderosos acabarão por impor aos mais fracos a sua vontade, criando um “núcleo duro” dentro da União Europeia que passe a ditar as regras, precisamente este grupo de “dez reinos” de que falam as Escrituras Sagradas.

Entretanto, ante a crescente indignação e revolta das populações europeias, é imprescindível que este “núcleo duro” venha a se valer de uma liderança carismática, que consiga o apoio popular para o estabelecimento de uma “nova ordem”, que traga “melhores condições de vida” para a população, “nova ordem” esta que esteja definitivamente afinada com a “mentalidade anticristã” que tem caracterizado a Europa nos últimos anos, a ponto de a própria Igreja Romana, já nos tempos do Papa João Paulo II, ter chamado o estado espiritual dos europeus de “apostasia silenciosa”.

Esta liderança carismática levará, certamente, as massas a aderir de corpo e alma a este projeto de uma “nova Europa”, de um governo único capaz de ditar suas normas e seu proceder. Este roteiro foi visto por todos nós na Alemanha do período entre-guerras, quando Adolf Hitler, com sua liderança carismática, fez com que os alemães aceitassem mudar sua ordem sócio-política em nome de uma “restauração nacional”, do fim da “humilhação” que acompanhava uma situação econômica desastrosa.

O cenário apresenta-se praticamente montado, cabendo a cada um de nós que servimos a Cristo Jesus, seguir o conselho de Nosso Senhor e Salvador: …quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.” (Mt.24:33,34). Vigiemos, pois, amados irmãos, para que o Senhor Jesus não venha e nós sejamos achamos despercebidos.

Tudo Está Bem em Minha Alma!

Em 8 de outubro de 1871, o Grande incêndio de Chicago devastou a cidade. Horatio era um advogado de grande sucesso e havia investido fortemente no mercado imobiliário daquela cidade. O incêndio destruiu quase todas as suas posses adquiridas com seu trabalho. Dois anos depois, Spafford resolveu mandar sua família passar as férias na Inglaterra, sabendo que seu amigo Moody estaria pregando na região durante aquele outono. Por estar envolvido com seus negócios, enviou primeiramente sua família: a esposa (Anna Tubena Larsen) e suas quatro filhas Anna (Annie), Margaret (Maggie), Elizabeth (Bessie), and Tanetta.

Em 21 de novembro de 1873, enquanto elas atravessavam o Atlântico no navio a vapor Ville du Havre, foram atingidas por uma embarcação de ferro levando o Ville du Havre a pique e tirando a vida de 226 pessoas que estavam a bordo, incluindo todas as suas filhas. Spafford recebeu a fatídica notícia quando sua esposa (que sobreviveu à tragédia), ao chegar a salvo à Inglaterra, enviou-lhe um telegrama com a mensagem "Saved alone" ("salva sozinha", indicando assim que havia sido a única sobrevivente da família).

A Canção. Após ficar sabendo do ocorrido Spafford então viajou à Inglaterra, passando pelo local da morte de suas filhas. De acordo com Bertha Spafford (filha nascida após a tragédia), foi exatamente durante a viagem que Sparfford teve a inspiração para escrever a poesia que mais tarde seria arranjada em melodia e harmonia.

A música, que até agora não revelei intitula-se "It Is Well with My Soul", mais conhecida no Brasil como "Sou Feliz com Jesus" e faz parte dos hinários de muitas igrejas cristãs brasileiras e que com certeza você deve conhecer. A profundidade da letra deixa claro o sofrimento padecido por este servo de Deus, que em momentos algum durante seu sofrimento deixou de confiar em Jesus, sabendo que o seu Salvador era tudo o que possuía, muito além das riquezas conquistadas e mesmo dos próprios filhos que acabara de perder e que esperava que seu Senhor iria lhe daria um alento que se não se compara as agruras presentes.

O manuscrito original possui apenas quatro versos, mas, segundo a filha de Horatio o quarto verso foi adicionado depois, e a linha final ligeiramente modificada. Vale destaque para a a melodia, composta por Philip Bliss em 1876, que foi intitulada Villa du Havre, o mesmo nome do navio do acidente.

O Legado. Após o naufrágio do Ville du Havre, Anna deu à luz mais duas flhas e um filho. Em 11 de fevereiro de 1880, seu único filho, também chamado Horatio, morreu com quatro anos de idade, por escarlatina. Em agosto de 1881, os Spafford rumaram a Jerusalem liderando um grupo de treze adutos e três crianças, para fundar uma sociedade utópica nomeada Colônia Americana. Membros da colônia, juntos com cristãos suecos que posteriormente se uniram a eles, iniciaram um trabalho filantrópico entre o povo de Jerusalém, independentemente de religião, sem proselitismo. Com isso ganharam a confiança de comunidades muçulmanas, judias e cristãs do local. Durante e logo após a Primeira Guerra Mundial, a Colônia Americana (localizada na área da frente oriental da guerra) teve um papel fundamental no apoio a estas comunidades, trabalhando em hospitais, orfanatos e preparando refeições, dentre outras obras de caridade.

Spafford faleceu em 16 de outubro de 1888, por malária, tendo sido enterrado em Jerusalém, mas seu legado perdura após sua morte. A poesia de sua vida e tragédia foi perpetuada em forma de canção e toca os corações mundo afora, mostrando através da música que "viver é Cristo e o morrer é lucro" Fl 1:21.


Fonte:http://www.blogdoibrahim.com/2011/10/esta-bem-sua-alma-uma-odevidacrista.html.


A Saga Crepúsculo "é Doutrina do Mal"?

No primeiro final de semana de estreia o filme Amanhecer – Parte 1 arrecadou US$ 283,5 milhões em bilheterias de vários países do mundo, se tornando o quinto maior lançamento dos Estados Unidos e Canadá, países onde ele arrecadou US$ 139,5 milhões. Essa é a primeira parte de duas que contam a sequência final da série que já teve outros três filmes. O público deste longa-metragem é de 80% formado por mulheres, geralmente adolescentes que se encantaram com o triângulo amoroso entre uma humana, um vampiro e um lobisomem.

Os personagens místicos e a história bastante improvável que apresenta o vampiro como um personagem dócil e apaixonante desperta atenção em muitos cristãos, o pastor Armando Taranto Neto chega a dizer que esse filme engana os incautos que são atraídos pelo que ele chama de “doutrinas de demônios”. “A parte final da saga Crepúsculo, intitulado ‘Amanhecer’, chega arrebatando a atenção e os corações de milhões de incautos que, infelizmente, à semelhança do povo de Nínive, não sabem discernir a mão esquerda da direita. Esta é uma prova cabal de que as doutrinas de demônios estão ativas e influenciando jovens e adultos em todo o mundo”, diz. O pastor que também é teólogo compara o enredo do filme com a vontade de satanás de destruir o homem, feito a imagem de Deus. ” Bella, a protagonista, se casa com o vampiro Edward, dando início a uma improvável família. Bella se adapta, tanto que engravida de um “vampirinho” que agora a consome por dentro e tenta matá-la. Sabe, admiro como satanás não tem mais o interesse de deixar suas intenções ocultas nos porões subliminares, não senhores, agora ele faz questão de deixar claro seus ardis”, diz. Para ele o que acontece com a personagem assemelha-se com o que acontece quando uma pessoa deixa o pecado entrar e então o “daimonion” começa a consumir a pessoa por dentro, destruindo até levá-la à morte. “Tal qual a Bella do “Amanhecer”; e como a protagonista, que corria perigo de morte, assim também todos os que estão envolvidos com essas doutrinas ocultistas.”

O pastor explica que no conceito filosófico platônico demônio (δαιμονιον = daimonion) significa um estado de pensamento constante em que o homem pode ser envolvido, acorrentado, enlaçado, uma idéia fixa, que pode levá-lo até a matar por ela. Com esse conceito de Platão, o teólogo Taranto Neto concluiu que os jovens estão insensíveis às coisas de Deus e estão “‘grávidos’ das doutrinas de demônios que vêm assolando este mundo, onde a saga Crepúsculo é apenas mais uma”. “Estão endemoniados, acorrentados, enlaçados por todas as consequências nefastas provenientes do envolvimento com esse ocultismo, vampirismo, movimento ‘Emo’, ‘Gótico’ e afins”, diz ele que ainda conclui que o “cristão fiel, que tem prazer na Lei do Senhor e que é dirigido pelo Espírito Santo de Deus, não se sentirá atraído por filmes ocultistas ou mesmo de terror, não sentirá jamais atração por vampiros e, quando os vir, discernirá imediatamente a origem e o “daimonion” por trás dele.”

Fonte: http://www.creio.com.br/2008/noticias01.asp?noticia=16144. Título do editor do blog.

Neemias: As Necessárias Cautelas para Estruturação do Povo de Deus 2/2

Por Caramuru A. Francisco

II – NEEMIAS RESOLVE REPOVOAR JERUSALÉM

Estabelecido um sistema de segurança para Jerusalém, como também reorganizado o serviço do templo naquilo que havia sido interrompido pela falta de segurança, Neemias percebeu que a cidade era larga de espaço e grande, mas havia pouco povo dentro dela, além do que as casas ainda não estavam edificadas (Ne.7:4).

Neemias, como um verdadeiro e autêntico homem de Deus, dava prioridade ao ser humano, entendia que o homem foi posto como coroa da criação terrena e, como tal, ocupa o primeiro lugar na preocupação da obra do Senhor. De que adiantaria uma cidade grande, agora segura e murada, vazia? Era necessário que as pessoas desfrutassem dos benefícios da reedificação dos muros e das portas de Jerusalém. Ele não poderia se contentar com os espaços vazios de Jerusalém. Será que nossos líderes têm esta mesma preocupação nos dias hodiernos? Será que, assim como o Senhor, querem que as “moradas celestes” sejam ocupadas por salvos e remidos pelo sangue de Cristo? Ou estão felizes com o “punhadinho” que está a ocupar os templos, uma vez que já lhes permitem viver regaladamente nesta Terra?

Jerusalém estava com uma pequena população como decorrência da própria situação de insegurança que existia. Quem se atreveria a morar numa cidade com muros fendidos e portas queimadas a fogo? Quem poderia morar em uma cidade que não tinha sequer casas edificadas?

Entretanto, esta situação se alterara e, portanto, não havia mais motivo para que Jerusalém se tornasse uma cidade larga de espaço e grande mas com pouco povo. Temos esta mesma consciência? Será que estamos a pensar como Neemias, ou já abrimos mão de encher as nossas igrejas locais e nos contentamos com o “pouco povo”? As estatísticas, infelizmente, denunciam que o ritmo de evangelização tem diminuído consideravelmente e que muitos que cristãos se dizem ser estão “satisfeitos” com os megatemplos, com os templos grandiosos, com as “grandes catedrais” que, porém, a exemplo dos grandes templos da Igreja Romana, em muitos lugares, encontram-se como simples monumentos, locais de visitação turística, mas com muito pouco povo. Acordemos, irmãos, pois não é esta a vontade de Deus!

Este inconformismo de Neemias não era algo de seu coração, provinha de Deus, tanto que é o próprio Neemias quem afirma que Deus lhe pôs no coração que reunisse todo o povo e tomasse a deliberação de povoar Jerusalém.

O desejo de Jesus não é diferente do de Neemias. Ao contar a parábola da grande ceia (Lc.14:15-24), Nosso Senhor mostra-nos que o seu desejo é que Seus servos saiam pelos caminhos e valados e os force a entrar, para que a Sua casa se encha. Temos tido esta atitude de insistência e de zelo e dedicação para que a casa do Senhor se encha? Temos o mesmo denodo e preocupação manifestados por Neemias ao ver Jerusalém grande, segura, mas vazia?

Diante do desejo que o próprio Deus pôs em seu coração, Neemias convocou os nobres, os magistrados e o povo. Temos aqui mais um belo exemplo, já mencionado em capítulos anteriores, de que Neemias sempre procurava legitimar suas decisões com a participação do povo . Embora fosse ele o governador e tivesse a autoridade dada pelo rei de Pérsia para tomar as decisões que precisavam ser tomadas, embora tivesse ele sentido da parte de Deus a orientação para o repovoamento de Jerusalém, Neemias não se furtou a chamar uma assembleia e a compartilhar com o povo o seu desejo.

A participação do povo nas deliberações é algo muito importante para que tenhamos a legitimidade das decisões, para que consigamos o comprometimento de todos na obra do Senhor. Como diz um caro irmão que conosco participa do estudo dos professores de EBD, ultimamente os crentes só são chamados para participar na hora de contribuir, sendo verdadeiras “vaquinhas de presépio” no restante. Talvez resida aí um dos principais fatores para a falta de comprometimento de muitos com a obra do Senhor. Aprendamos com Neemias!

Neemias queria povoar Jerusalém, queria que a cidade se enchesse, mas este desejo do governador nada tinha que ver com a “numerolatria”, esta fixação no crescimento quantitativo que hoje orienta e dirige os vários métodos e estratégias de “crescimento de igrejas” que proliferam no meio do povo de Deus. Neemias queria encher Jerusalém, mas não queria fazê-lo apenas com números. Para habitar a “cidade santa”, era preciso que se fosse, igualmente, santo, ou seja, que se estivessem diante de legítimos integrantes do povo de Judá.

Por isso, ao desejo de povoar a cidade, correspondia outro desejo proveniente de Deus, o de se consultarem as genealogias, a fim de se verificar quem era o verdadeiro povo judeu, quem era verdadeiramente judeu, quem tinha vindo com Zorobabel para Canaã depois do final do cativeiro da Babilônia. Por isso, Neemias foi consultar o “livro da genealogia dos que subiram primeiro”.

Este livro continha a relação de todos que haviam subido com Zorobabel para Canaã depois do decreto do rei persa Ciro que pusera fim ao cativeiro da Babilônia (Ed.2) e era a prova da legitimidade da ascendência judaica do povo. Neemias queria repovoar Jerusalém mas deveria fazê-lo apenas com os judeus legítimos e autênticos, aqueles que eram descendência de Abraão, Isaque e Jacó.

Nos dias de Neemias, estávamos diante de um povo dotado de uma etnia, de uma ascendência biológica, o que não se dá com a Igreja, que é uma nação espiritual. No entanto, esta mesma preocupação genealógica deve existir quando tratarmos de “encher a casa de Deus”. A casa do Senhor somente pode ser cheia e habitada pelos que constam do “livro da genealogia”, que não é o livro que estava guardado no templo há mais ou menos 80 (oitenta) anos na Jerusalém de Neemias, mas é “o livro da vida do Cordeiro” (Ap.21:27), onde estão escritos os nomes daqueles que foram “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”, gerados de novo pelo Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a Sua grande misericórdia para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para eles (I Pe.1:2,3).

Somente podemos povoar nossas igrejas locais com aqueles que também poderão entrar na Jerusalém celestial. Assim, para que alguém venha a pertencer à igreja local, precisa dar frutos dignos de arrependimento, precisar mostrar, pela sua maneira de viver, que realmente foi “gerado de novo”, que morreu para o mundo e agora vive para Deus. Por isso, o batismo nas águas, que é o ato pelo qual alguém se incorpora à igreja local, deve ser realizado apenas quando se tem esta demonstração inequívoca da salvação na pessoa de Jesus Cristo.

Muitos, no entanto, não estão mais buscando o “livro da genealogia” e estão a pôr dentro da igreja local qualquer um, sem qualquer objetivo senão o de “fazer quantidade”, “fazer número”. Não é este, porém, o propósito de Deus, já que não foi assim que o Senhor procedeu com Neemias e, como sabemos todos, Deus não muda (Ml.3:6).

Neemias consultou o livro e, no capítulo 7, segue uma longa lista, que corresponde a Ed.2 (pois se trata da mesma lista), onde são registradas as genealogias de todo o povo judeu que retornara do cativeiro babilônico. Esta extensa lista mostra-nos que, apesar de constituir um povo, os judeus não eram indistintamente tomados, não eram tratados pelo Senhor como “massa”, como, lamentavelmente, agem muitos dos líderes de hoje em dia, mas que cada um tinha o seu próprio local e a sua própria individualidade diante de Deus.

Na igreja não é diferente. Deus tem-nos como um povo, um povo que é um corpo e no qual cada um vive em função do outro (I Co.12:12-31), no qual é preciso que todos se ajustem segundo a justa operação de cada parte para que haja a edificação em amor (Ef.4:15,16), mas onde cada um é tratado como indivíduo, com uma particularidade e intimidade com Deus, individualidade e intimidade que, inclusive, perdurarão por toda a eternidade (Ap.2:17). Lembremo-nos disto em nosso relacionamento com os irmãos, que não podem ser tratados como “massa”, muito menos como “números”.

Neste livro, achou-se que alguns que haviam subido com os judeus para Canaã não puderam comprovar a sua genealogia, a saber, os filhos de Delaías, os filhos de Tobias e os filhos de Necoda, num total de seiscentos e quarenta e dois (Ne.7:62), como também alguns sacerdotes, a saber, os filhos de Hobaías, os filhos de Coz, os filhos de Barzilai, o gileadita, que tomara uma mulher das filhas de Barzilai e se chamou do seu nome (Ne.7:63). Como estes sacerdotes não puderam comprovar a sua origem sacerdotal, como que imundos, foram excluídos do sacerdócio (Ne.7:64).

Este episódio, ocorrido ainda nos dias de Zorobabel, mostra-nos claramente que, no meio do povo de Deus, como o Senhor Jesus deixou claro nas parábolas do reino dos céus (Mt.13), sempre haverá “infiltrados”, pessoas que se introduzirão no meio do povo sem que a ele pertençam. Havia até “sacerdotes” que não eram sacerdotes, visto que não pertenciam à família de Arão, inclusive os “filhos de Barzilai”, que assim se denominavam desde os dias de Davi, ou seja, antes mesmo da construção do templo por Salomão e que, portanto, por mais de quinhentos anos, intitulavam-se sacerdotes sem o ser!

No entanto, ainda que tenha demorado tanto tempo, um dia foram eles revelados e, como não puderam provar a sua genealogia, foram excluídos do sacerdócio, tidos como imundos. Assim ocorre, também, no meio da Igreja: muitos, aproveitando-se do adormecer dos servos de Deus (Mt.13:25), são semeados no meio do povo pelo inimigo.

No entanto, como afirmou o Senhor Jesus, nada do que é oculto assim permanecerá e, a seu tempo, será revelado (Lc.12:2). No momento aprazado pelo Senhor, o “livro da genealogia” será consultado e o que deve ser feito é que, constatada e revelada a “imundícia”, imperioso que se exclua o imundo do sacerdócio, ou seja, que ele seja retirado da comunhão da Igreja.

Temos aqui, ademais, uma preciosa lição sobre a necessidade de se continuar a exercer a disciplina na Igreja, o que, infelizmente, já não tem sido realizado por muitos sob uma falsa doutrina de que “quem disciplina é o Espírito Santo”. No episódio narrado por Neemias e constante do “livro da genealogia”, é claríssimo que, após a revelação dada por Deus, incumbe ao povo promover a exclusão do sacerdócio, ou seja, vindo a revelação da imundícia, faz-se preciso que a própria igreja promova a exclusão.

Também se encontrou “no livro da genealogia”, que o governador (que era, então Zorobabel) contribuiu para o tesouro em ouro, com oito quilos, cinquenta bacias e quinhentas e trinta vestes sacerdotais, tendo, também, os maiorais do povo dado para o tesouro da obra, em ouro, cento e sessenta quilos e, em prata, mil e trezentos e vinte quilos, enquanto o restante do povo dera cento e sessenta quilos de ouro, duzentos quilos de prata e sessenta e sete vestes sacerdotais, tendo, então, cada um ido habitar em suas cidades (Ne.7:70-73).

Neemias, então, faz questão de mostrar ao povo que, além de termos cuidado em quem deveria habitar no meio do povo, ou seja, somente os que tinham genealogia, somente com o comprometimento de todos se poderia fazer a obra do Senhor e se ter o culto a Deus, fundamental para a sobrevivência de Judá, “propriedade peculiar de Deus entre os povos”.

A começar do governador, passando pelos maiorais e, por fim, todo o povo tinha de contribuir para a sustentação do trabalho do Senhor e, consequentemente, para a sobrevivência do povo de Deus. Por isso, Neemias a todos convocou, para que participassem das deliberações e, também, da sustentação do serviço da casa do Senhor. Este nível de compromisso ainda hoje é necessário, sem o que não se realizará a obra de Deus. Mas, como já dissemos supra, não apenas na contribuição, na doação de recursos financeiros, mas também nas deliberações. Aprendamos com Neemias!

Só pode haver comprometimento, porém, quando todos são irmãos, ou seja, quando todos forem verdadeiros e genuínos “filhos de Deus”. A presença de “infiltrados” impede que o compromisso surja do modo mais eficaz na obra de Deus. Por isso, precisamos sempre ter em mente a “consulta ao livro da genealogia”, a observação rigorosa e com discernimento espiritual daqueles que realmente pertencem ao povo de Deus. Vigiemos, amados irmãos!

A consulta ao “livro da genealogia” mostra-nos, ainda, o cuidado que Neemias tinha com a história do povo. Precisamos incutir em nossas mentes que todo povo tem de zelar pela sua história, precisa ter memória, pois, “um povo sem memória não tem futuro”. O cuidado de Deus para que Seu povo não perca a memória é tão grande que muitos dos livros das Escrituras são históricos, sem falar na circunstância de que uma das ordenanças que nos foram deixadas pelo Senhor Jesus é precisamente a “ceia do Senhor”, que é, entre outras coisas, um “memorial”.

Torna-se preciso sempre que os líderes reafirmem a história do povo de Deus e como ela reflete a fidelidade do Senhor para conosco. Neemias consultou o livro da genealogia e o revelou a todo o povo para que estes pudessem, antes de mais nada, ter noção da sua própria origem, do início da reocupação de Canaã depois do cativeiro para que, à luz desta história, pudessem devidamente deliberar. No ano do centenário das Assembleias de Deus no Brasil, resgatemos a nossa história!

Após ter lido o “livro da genealogia”, Neemias não determinou o imediato repovoamento de Jerusalém. Havia sido dado o primeiro momento para isto, que era o resgate da história, o resgate da memória, mas isto ainda era insuficiente. Faziam-se necessários, ainda, alguns outros momentos, a saber, o avivamento, o arrependimento e a organização do serviço religioso, consoante se vê nos capítulos 8, 9 e 10 de Neemias, a serem estudados nas lições próprias

Oração de Nietzsche ao “Deus Desconhecido”

Por Jonathan Menezes

Friedrich Wilhelm Nietzsche foi um filósofo e filólogo alemão, nascido em 15 de Outubro de 1844 em Röcken, uma localidade próxima de Leipzig. Ele era filho e neto de pastores (“pastores alemães”), portanto, nasceu no seio do protestantismo. Quando criança, seus colegas de escola o chamavam de “pequeno pastor”, devido a esse legado. Na juventude, ele se especializou em grego, alemão, latim, em estudos bíblicos, até que foi se dedicar aos estudos de teologia e filosofia, em Bonn. Porém, influenciado por seu dileto professor Ritschl, foi para Leipzig e resolveu largar essa formação e partir para os estudos em filologia (sua principal formação). Considerava a filologia não apenas como história e estudo das formas literárias, mas como estudo das instituições e das idéias ou pensamento.

O afastamento de seu berço original (o protestantismo) se evidenciou na vida de Nietzsche como “ruptura” por meio da leitura de filósofos como Fichte e Arthur Schopenhauer, e de poetas como Hölderlin e Lord Byron. A partir de então, ele começa a encontrar asilo no ateísmo e numa leitura da existência como tragédia (coisa que teve a ver também com sua leitura dos gregos. Ao longo de seus 66 anos de existência, até sua morte em 1900, Nietzsche escreveu muitas obras, poemas e cartas [...]. Há uma oração, traduzida por Leonardo Boff no livro Tempo de Transcendência (2000), cuja autoria é supostamente atribuída a Nietzsche, já no fim de sua vida. Seu título é “Oração ao Deus desconhecido” [...]:

“Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para frente uma vez mais, elevo só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo. A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar. Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: “Ao Deus desconhecido”. Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos. Seu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo. Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo. Eu quero Te conhecer, desconhecido. Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida. Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer, quero servir só a Ti.” - Friedrich Nietzsche.

Nota/Fonte: Do texto “Dialógo com um decepcionado: Nietzsche, Deus e a religião” em http://www.ftl.org.br/index.php?view=article&catid=35%3Aartigos-online&id=56%3Adialogo-com-um-decepcionado-n-ietzsche-deus-e-a-religiao&option=com_content&Itemid=75. O título do post é do editor do blog.

Faxina Ét(n)ica

Por GIBEÁ*

Em menos de um ano de governo, a presidente Dilma Roussef já teve cinco baixas em seu ministério em virtude de denúncias de corrupção.

O fato de ter a presidente, ao contrário de seu antecessor, “lavado suas mãos” e deixado que o ministro acusado de irregularidades lutasse com suas próprias forças para se manter no cargo, o que, invariavelmente, não ocorreu, foi definido por alguns como sendo uma “faxina ética”, expressão que fez, inclusive, com que a popularidade da presidente voltasse a subir.

Estaria a presidente da República dando uma inflexão na costumeira política de leniência com a corrupção que tem caracterizado o chamado “presidencialismo de coalizão” em nosso país? Estaríamos iniciando um ciclo de honestidade na Administração Pública Federal?

Apesar de ser este o desejo que gostaríamos de sentir num país que, aliás, está, ainda que timidamente, voltando a se manifestar em termos de instauração da moralidade nos assuntos públicos, como provam as marchas contra a corrupção que têm sido promovidas pelas redes sociais da internet, num início de uma “primavera tupiniquim”, infelizmente não é isto que estamos a ver nos episódios de demissões de ministros no governo Dilma. Senão vejamos.

Por primeiro, é interessante observar que os ministros que se demitiram, com exceção do primeiro a cair, que foi Antonio Palocci, são todos de “partidos da base aliada”, ou seja, não pertenciam ao Partido dos Trabalhadores (PT), o partido da presidenta e o real governante do país.

Por segundo, todas as denúncias “surgiram” na imprensa a partir de dados que são “vazados” de órgãos governamentais ou de processos que se encontram no Tribunal de Contas da União com relatórios encaminhados aos órgãos do Poder Executivo.

Por terceiro, todos os ministros que se demitiram são “coincidentemente”, ministros que foram mantidos do governo anterior, sem exceção, ou seja, ministros que teriam sido “impostos” pelo ex-presidente Lula em suas negociações políticas antes, durante e após as eleições presidenciais de 2010.

Tais fatores mostram que as denúncias surgiram de “vazamentos” vindos do próprio governo, a mostrar, portanto, que são movimentos nascidos do próprio Poder Executivo, com interesses que não são propriamente de “faxina ética”, mas de “luta de poderes”, de “combate por espaços” dentro do governo, situação que, também não por acaso, surgiu após alguns difíceis embates do governo no Congresso Nacional para a aprovação de suas medidas, como, por exemplo, a discussão a respeito do Código Florestal ou a questão dos “royalties” do pré-sal, apesar da ampla maioria parlamentar, a mais ampla em toda a história do país desde a redemocratização.

O que se nota é que, em vez de uma “faxina ética”, o que existe é uma “faxina étnica”, ou seja, há uma demonstração clarevidente da retirada de poder de segmentos políticos que não pertencem ao Partido dos Trabalhadores, de retirada de poder dos chamados “partidos da base aliada”, numa nova configuração do Executivo em que não há mais “porteiras fechadas” impenetráveis em favor dos “partidos aliados”, como começou a ocorrer notadamente no segundo governo Lula.

O que se percebe é que o PT volta a querer dominar parcela significativa do Poder Executivo, como se fez no primeiro governo Lula, tentando, de alguma maneira, inclusive, fazer isto debaixo de uma “postura ética”, imagem que o partido gozava até o escândalo do “mensalão”, quando, então, fragilizado, teve de ceder “nacos de poder” para alguns grupos políticos que, agora, com as denúncias, são cada vez mais desmoralizados e obrigados a aceitar a redução de sua participação nos núcleos decisórios do país.

Ao mesmo tempo, conhecida como centralizadora, a presidente Dilma aproveita a situação para, também, “livrar-se” de ministros “incômodos”, que foram “herdados” do governo anterior, a fim de ter maior controle sobre os ministérios e, assim, efetuar um governo mais conforme às suas características pessoais de administração, como, aliás, demonstrou quando chefiava a Casa Civil da Presidência da República, o que, aliás, lhe deu amplas condições de conhecer “por dentro” toda a máquina governamental.

O que se percebe é que o PT prossegue com sua política de instituição de hegemonia em nosso país, querendo, sem sombra de dúvida, reduzir sobremaneira o poder dos “partidos da base aliada”, tornando-os meros caudatários do poder, meros instrumentos auxiliares para impor a sua vontade dentro de um país que, como bem disse o filósofo Olavo de Carvalho, não vive uma “democracia normal”, mas, sim, uma “democracia patológica”, em que há uma aparente e formal liberdade de expressão e de manifestação, mas onde não se pode, mais, ter uma “alternância efetiva de poder”, vez que não há como se modificar a linha de atuação e ideológica imprimida pelo governo atual.

Uma verdadeira “faxina ética” não se circunscreveria apenas a ministérios de “partidos da base aliada”, mas também alcançariam os ministérios dirigidos pelo PT, onde as mazelas são as mesmas, pois tudo é resultado do aparelhamento da máquina estatal para angariar fundos para as campanhas eleitorais, algo criado e forjado precisamente pelo PT, o que deveria ser feito numa reforma política, que não se tem interesse algum em fazer.

Uma verdadeira “faxina ética” não se preocuparia em tão somente inviabilizar ministros para forçá-los a pedir demissão, mas, por primeiro, seria caso de demissões antes de qualquer pedido, como também de modificação das estruturas e dos modos de se administrar, o que também não foi feito.

Tudo, pois, não passa de uma “retomada de espaço” do PT no governo, com uma tentativa de retomada de “imagem ética”, ou seja, é tão somente uma tentativa de retorno da situação vivida pelo PT antes do escândalo do “mensalão”, uma tentativa de retomada do projeto de poder que visa instituir no Brasil uma “democracia petista”, como já tinha sido planejado e o “escândalo do mensalão” prejudicou sobremaneira.

* Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises (GIBEÁ), um grupo de estudos informal de estudos das Escrituras e análises com base na Bíblia Sagrada.

Neemias: As Necessárias Cautelas para Estruturação do Povo de Deus 1/2

Por Caramuru A. Francisco

Texto Áureo

“Então o meu Deus me pôs no coração que ajuntasse os nobres, e os magistrados, e o povo, para registrar as genealogias. E achei o livro da genealogia dos que subiram primeiro e assim achei escrito nele: ” (Ne.7:5)


I - NEEMIAS ESTABELECE UM SISTEMA DE SEGURANÇA PARA JERUSALÉM E REORGANIZA O SERVIÇO DO TEMPLO

O capítulo 7 do livro de Neemias começa com a afirmação do governador de que, após a finalização da reconstrução dos muros, mesmo diante da ação dos falsos profetas e dos que haviam se mancomunado com Sambalate, Tobas e Gesem para tentar atemorizar o governador, as portas foram levantadas (Ne.7:1).

É interessante verificarmos que, primeiro, Neemias teve de reedificar os muros, muros que não podiam ter qualquer brecha (Ne.6:1), para só então, colocar as portas nos portais. A edificação tem a sua ordem, que não pode ser alterada.

Assim, também, ocorre na vida espiritual. Primeiramente, temos de edificar os muros sem brecha alguma, ou seja, alicerçados sobre a rocha, que é Cristo Jesus (Mt.7:24; I Co.10:4), crescermos na doutrina, em amor, para que não venhamos a ser enganados pelo inimigo e seus agentes (Ef.4:14-16). Somente depois é que teremos condição de entrarmos em contato com o mundo, a fim de cumprirmos a tarefa da evangelização, visto que é necessário antes sabermos qual é a esperança que temos para podermos levá-la aos outros (I Pe.3:15).

Muitos, nos dias em que vivemos, têm subvertido esta ordem com grande prejuízo tanto para si mesmos quanto para a obra de Deus. Sem terem ainda tido a necessária edificação, lançam-se, inadvertidamente, a tarefas de evangelização, fracassando por não terem o devido preparo, não só não conquistando almas para Cristo como perdendo a si mesmos. Tomemos cuidado e sigamos o exemplo de Neemias que, primeiro reconstruiu os muros, sem brecha alguma, para depois levantar as portas.

Após ter levantado as portas, Neemias tomou outra importante providência: estabeleceu porteiros, cantores e levitas (Ne.7:2). De nada adiantaria ter muros sem brecha alguma e portas levantadas, se não houvesse pessoas prontas a efetuar os serviços e tornar operante toda a estrutura que, com a mão de Deus, havia sido construída em apenas cinquenta e dois. A obra de Deus é feita por homens e os homens devem ter prioridade. A estrutura é boa, mas sem pessoas de nada isto valerá. Lamentavelmente, muitos não têm agido deste modo, com grave prejuízo para a extensão do reino de Deus em nossos dias.

Levantadas as portas, Neemias estabeleceu porteiros. Os porteiros eram absolutamente necessários para que as portas fossem abertas e fechadas nos dias e horários certos, para que a entrada e saída de pessoas e animais fosse devidamente organizada, para que as portas, enfim, tivessem alguma funcionalidade. De que adiantaria todo o esforço para a construção e levantamento de portas, se não houvesse porteiros que tornassem as portas úteis? Por isso, assim que as portas foram levantadas, Neemias tratou de pôr porteiros para que a edificação desse os resultados esperados.

De igual maneira, precisamos ter “porteiros” em nossa vida espiritual, ou seja, necessitamos ser vigilantes em nosso contato com o mundo, visto que, embora a ele não mais pertençamos, ainda estamos nele e temos de conviver com ele inclusive para cumprirmos com a tarefa de sermos luz do mundo e sal da terra (Jo.17:11,16). Vigiar foi a ordem dada por Nosso Senhor (Mc.13:37).

Um dos principais “porteiros” que temos são os nossos olhos, porta de entrada de tudo quanto temos à nossa volta, em especial nos dias em que vivemos em que a principal comunicação é audiovisual. Temos de ter muito cuidado com os olhos, pois estes são órgãos que podem comprometer toda a nossa comunhão com Deus. Cristo nos ensina que eles são “a candeia do corpo” e se eles forem bons, todo o nosso corpo terá luz, se, porém, os teus olhos forem maus, o nosso corpo será tenebroso (Mt.6:23). Será que, a exemplo de Jó, fizemos um concerto com nossos olhos (Jó 31:1)?

Este cuidado de Neemias, também, remete-nos para a escolha dos porteiros em nossas igrejas locais. Esta função, que muitos vêm com desprezo, é importantíssima e até o descuido de alguns na escolha dos porteiros é um dos principais fatores para a situação lamentável da evangelização em muitos lugares. Os porteiros, em nossas igrejas locais, devem ser pessoas muito preparadas, revestidas do poder de Deus, que possam não só persuadir os transeuntes a adentrar em nossos templos para assistir aos cultos, mas serem gentis, dóceis e solícitos , de modo a serem verdadeiros “cartões de visita” de nossas igrejas locais. De nada adianta toda uma estrutura para se servir a Deus se não houver “porteiros” que tornem tudo funcional e útil. Aprendamos com Neemias e tenhamos este mesmo cuidado, líderes na casa do Senhor!

Ao apontar os porteiros, Neemias deu-lhes a ordem para que não se abrissem as portas de Jerusalém até que o sol se aquecesse, devendo as portas ser fechadas e trancadas, devendo ser, ainda, postos guardas dos moradores de Jerusalém, cada um na sua guarda, e cada diante da sua casa (Ne.7:3).

As portas de Jerusalém tinham de se manter fechadas durante a noite. Temos aqui uma linda lição espiritual: nossas portas devem se fechar quando as trevas comparecerem. Não podemos permitir que o pecado, representado pela escuridão, tenha entrada em nossa vida. Por isso, o apóstolo Paulo nos adverte para que não demos lugar ao diabo (Ef.4:27).

As portas tinham de ser fechadas e trancadas. Não bastava “encostar” a porta, mas elas deviam devidamente trancadas. Não podemos ser negligentes, mas zelosos em servir a Deus, tomando todo o cuidado para que não permitamos a entrada do mal em nossas vidas. Por isso, o autor da epístola aos hebreus recomenda-nos para que não só deixemos o pecado, como também o embaraço, coisas que não são em si pecaminosas mas que podem nos levar ao pecado (Hb.12:1). Não basta fechar, é preciso, também, trancar as portas!

A vigilância é reforçada na ordem de Neemias. Além de fechar e trancar as portas, deviam ser postos guardas dos moradores de Jerusalém, cada um na sua guarda e cada um diante da sua casa. A vigilância das portas, tarefa do governo da cidade, era feita, mas cada morador devia também fazer a vigilância diante de sua casa. Que linda lição para cada crente, principalmente para aqueles que acham que só os ministros e responsáveis pelo governo da igreja devam se preocupar com a vigilância. Esta é uma tarefa de cada um de nós: todos nós devemos ser zelosos, cada um tem de ter cuidado de si mesmo para, então, poder contribuir com o cuidado de todos (I Tm.4:16).

Temos posto guardas diante de nossas casas? Como está a vigilância em nossos lares, em nossas famílias? Temos, como cônjuges, como pais, como filhos, cuidado para que o inimigo não tenha entrada em nossas casas? Ou será que as mensagens satânicas têm pleno acesso através dos meios de comunicação de massa, da internet e de tantas outras coisas tenebrosas que o inimigo têm lançado contra os servos do Senhor? Será que nossas casas têm “guardas”?

Neemias, além de pôr porteiros e guardas, também tratou de estabelecer cantores. Pode parecer estranho que Neemias tenha procurado pôr cantores depois da conclusão da obra de reedificação. Esta estranheza é resultado de um pensamento precipitado de que os cantores teriam sido postos nas portas de Jerusalém ou nos muros. Entretanto, não é isto que o texto sagrado nos revela.

Ao estabelecer cantores, Neemias mostra-nos que, em virtude da situação de grande miséria e desprezo que vivia Jerusalém, o serviço de louvor do templo não estava a funcionar. A situação era de tanta tristeza e miséria, que não havia como se manter o serviço do louvor no templo, não só diante da insegurança reinante, mas também pela própria situação emocional e espiritual adversa a qualquer manifestação de alegria, que é o que representa o cântico (Tg.5:13).

Superada a insegurança, concluída a obra pela benignidade divina, Neemias logo entendeu que se devia restabelecer o serviço de louvor do templo e, por isso, designou cantores. Neemias não podia admitir uma situação de restauração, de renovo sem que houvesse o perfeito louvor.

O louvor deve acompanhar a adoração ao Senhor. Não pode o povo de Deus, edificado e salvo pela graça e misericórdia de Deus, calar-se e deixar de louvar ao Senhor. É com tristeza que vemos, nos dias hodiernos, muitos que cristãos se dizem ser desprezarem, por completo, o cântico e o louvor, tanto que chegam atrasados aos cultos, depois do momento litúrgico do louvor. Aprendamos com Neemias e não permitamos que deixe de haver em nossas vidas espirituais os cantores que completam a obra de nossa edificação espiritual.

Neemias, também, estabeleceu levitas, que eram auxiliares dos sacerdotes no serviço do templo. Observemos, aliás, que, ao contrário do que se costuma dizer hoje em dia, “levita” não se confunde com o músico. Os levitas eram os descendentes de Levi, a tribo que havia sido designada para o serviço do templo. Os filhos de Arão eram sacerdotes e todos os demais levitas foram encarregados dos mais diversos e variados serviços no tabernáculo e, posteriormente, no templo, inclusive a parte musical. Portanto, não confundamos “levita” com “músico”.

O cuidado de Neemias de estabelecer levitas reflete a sua preocupação em que nada ficasse por fazer no serviço do templo. Neemias não se preocupava apenas em ter muros e portas, mas queria que a segurança trazida por estes muros e portas pudesse restaurar todos os serviços do templo. Os líderes precisam ter este mesmo zelo, de fazer com que todas as tarefas, todos os serviços necessários para a igreja local sejam realizados a contento. Não basta apenas termos edificação espiritual, mas é preciso que esta edificação se traduza em serviço eficaz, até porque a Igreja, como corpo de Cristo, veio para servir e não para ser servida.

Após estabelecer porteiros, cantores e levitas, Neemias nomeou seu irmão Hanani e a Hananias como maiorais da fortaleza sobre Jerusalém, porque era como homem fiel e temente a Deus, mais do que muitos (Ne.7:2).

A nomeação de Hanani como maioral da fortaleza, seu irmão, pode trazer a Neemias a acusação de “nepotismo”, ou seja, “favoritismo para com parentes”, mal que infesta a Administração Pública em nosso país e que, infelizmente, também já encontrou guarida na administração eclesiástica. Muitos, aliás, buscam nesta passagem bíblica até uma “fundamentação” para suas práticas pouco ou nada recomendáveis nas igrejas locais.

Contudo, quando vemos o próprio texto sagrado, contemplamos em Neemias mais uma virtude como líder e governante (como, aliás, já visto no apêndice 1). Hanani foi nomeado não por ser seu irmão, mas porque “era homem fiel e temente a Deus, mais do que muitos”. O parentesco aqui era apenas um acidente, que não foi considerado na nomeação. Não nos esqueçamos, aliás, que Hanani fora até Jerusalém e, ao ver a situação, levou alguns de Judá para falar com Neemias a respeito da situação de Jerusalém. Era uma pessoa que tinha história na obra do Senhor e que, portanto, fazia jus àquela nomeação, independentemente do parentesco que tinha com o governador.

Neemias faz questão de dizer que nomeara o seu irmão por causa do temor dele a Deus, que superava o de muitos. Um critério para pormos alguém à testa da obra do Senhor é, precisamente, o seu temor a Deus, que deverá ser superior ao dos demais. Como é diferente o critério de Neemias do que temos visto em nossas igrejas locais! Aprendamos com Neemias!

Neemias, em mais uma demonstração de transparência, não deixou que Hanani, apesar de suas qualidades, estivesse sozinho como maioral da fortaleza. Ao seu lado, pôs Hananias nesta função. Deste modo, não deixou qualquer suspeita com relação ao fato de Hanani ser seu irmão, como também nos dá uma amostra da própria criteriologia que seria adotada pelo Senhor Jesus na evangelização do povo judeu, durante Seu ministério público, ou seja, o de sempre chamar de dois em dois, para que o serviço seja eficaz (Lc.10:1). É sempre importante, nas tarefas da igreja, serem indicados dois, para que um ao outro possa ajudar.

Eu Finalmente Vi!

O nosso blog trata primordialmente de vida cristã e cristianismo, porém algumas coisas valem a pena ser vistas pelo maior número possível de pessoas. Me surpreendi enquanto lia uma reportagem, na verdade uma entrevista, na ISTO É em que um deputado fazia algo até bem pouco tempo impensado. Já tinha visto algumas ações parecidas do mesmo deputado, enquanto ocupava um outro cargo público, mas essa foi realmente interessante. Veja a nota na integra:

Aos 38 anos, o economista José Antônio Reguffe (PDT-DF) foi eleito deputado federal com a maior votação proporcional do País – 18,95% dos votos válidos (266.465 mil) no Distrito Federal. Caiu no gosto do eleitorado graças às posturas éticas adotadas como deputado distrital. Seus futuros colegas na Câmara dos Deputados que se preparem. Na Câmara Legislativa de Brasília, o político desagradou aos próprios pares ao abrir mão dos salários extras, de 14 dos 23 assessores e da verba indenizatória, economizando cerca de R$ 3 milhões em quatro anos. A partir de 2011, Reguffe pretende repetir a dose, mesmo ciente de que seu exemplo saneador vai contrariar a maioria dos 513 deputados federais. Promete não usar um único centavo da cota de passagens, dispensar o 14º e 15º salários, o auxílio-moradia e reduzir de R$ 13 mil para R$ 10 mil a cota de gabinete. “O mau político vai me odiar. Eu sei que é difícil trabalhar num lugar onde a maioria o odeia. Quero provar que é possível exercer o mandato parlamentar desperdiçando menos dinheiro dos cofres públicos”, disse em entrevista à ISTOÉ.

Esperançoso torço por continuar tendo surpresas dessa natureza.

Fonte: http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/104706_UM+HOMEM+FICHA+LIMPA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

Martinho Lutero: O Profeta da Reforma

Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. O evento marca o início da Reforma Protestante, e representa um marco e um ponto de partida para a recuperação das sãs doutrinas. Veja abaixo meditações do “profeta da reforma”.

PAZ SOB A CRUZ

"Deixo-vos a paz, a minha paz eu vos dou; não vo-la dou com o dá o mundo. Não se turbe o vosso coração nem se atemorize". João 14.27

Aqui vemos o ministério do Espírito Santo: ele é dado somente àqueles que estão atolados em sofrimento e miséria. Pois o sentido das palavras é este: "Vocês não devem pensar que eu vos dou uma paz como a dá o mundo". O mundo afirma que a pessoa tem paz quando o mal é arrancado e afastado dela. Por exemplo: Se alguém é pobre e acha que essa pobreza lhe traz grande inquietação, procura uma maneira de se livrar dela, julgando que, no momento em que eliminar a pobreza, terá paz e desfrutará riquezas. Outro exemplo: Quando alguém está por morrer e a morte o assedia, põe-se a pensar: se eu pudesse afastar a morte, teria paz e continuaria a viver. Agora, uma tal paz, Cristo não nos dá. Ao contrário, ele permite que o mal persista, oprimindo as pessoas. Ele não o remove. Agora, ele usa outro expediente: transforma a pessoa e afasta a pessoa do mal, não o mal da pessoa. Isso se dá da seguinte maneira: Se você está sofrendo, Cristo o afasta do sofrimento e lhe dá um ânimo tal que você chega até a pensar que está num jardim de rosas. Assim, em meio à morte há vida, e em meio à inquietação, paz e alegria. Eis porque essa é uma paz que excede todo o entendimento, como Paulo escreve em Filipenses 4.7.

A PARÁBOLA DA ALEGRIA

"A mulher que está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora é chegada; mas, depois de nascido o menino, já não se lembra da aflição, pelo prazer que tem de Ter nascido ao mundo um homem". João 16.21

Devemos examinar esse exemplo com todo cuidado. Porque tal como acontece neste caso, sucede também na tentação e, especialmente, na angústia da morte. Veja como Deus trata com uma mulher que está para dar à luz. Ninguém a ajuda nessa hora de dor. Também, ninguém pode fazê-lo. Sim, criatura alguma pode livrá-la dessa situação, pois depende unicamente do poder de Deus. A parteira e outros que se acham à sua volta podem, é claro, consolá-la, mas não podem afastar as dores do parto. Ela tem de passar por isso e arriscar a sua vida. Pode tanto morrer como pode dar à luz uma criança. Ela se encontra realmente em meio à angústia de morte e está completamente rodeada de morte.

O mesmo acontece quando as consciências se angustiam ou se deparam com a morte: razão, criatura ou obra nenhuma pode nos ajudar, e não importa de que espécie seja. Não resta nenhum consolo, a ponto de você pensar que está abandonado por Deus e por todas as criaturas, sim, que Deus e todas as criaturas se voltaram contra você. Nessa hora, você tem de ficar tranqüilo e apegar-se unicamente a Deus. Ele deve livrá-lo dessa situação e nenhuma outra criatura, seja do céu, seja da terra, poderá fazê-lo. E Deus ajuda no momento que ele julga apropriado, assim como faz com a mulher, dando-lhe um rosto sorridente, assim que não se lembra mais das dores. E se, antes, tudo que havia era morte e miséria, agora não há senão vida e alegria. Assim também acontece conosco: em meio às tentações e à angústia de morte, Deus, e somente ele, nos torna felizes e nos dá paz e alegria onde antes não havia senão desgraça e angústia.

Fonte: http://www.luteranos.com.br/categories/Servi%E7os%252dIECLB/Recursos/Mensagens/Mensagens-de-Martim-Lutero/

O Padre já Sabe, e Nós?


Em resumo: A Teologia da prosperidade é a inversão do próprio cristianismo. É a atualização da mentalidade pagã que coloca a divindade a serviço dos seus próprios interesses." (Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr.)

Steve Jobs: A Morte é a Melhor Invenção da Vida

"Lembrar-se de que eu vou morrer em breve é a ferramenta mais importante que já reuni para fazer grandes escolhas na vida"[Tra. livre]. Estas são as palavras que Steve Jobs entregou em 12 de junho de 2005 em um famoso discurso aos formandos de Stanford. Esse "discurso de formatura" foi uma oportunidade única, como se falasse a si mesmo. Reler o discurso no dia em que Steve Jobs deixou esta terra é, provavelmente, uma boa maneira de homenageá-lo. Eu não sei se Jobs era um crente. Não é essa a discussão. Aqui ele simplesmente vai falar da disposição interior para fazer escolhas significativas na vida, se concentrar no que importa. Nenhum homem crente ou descrente pode fazer escolhas na vida pensando em si mesmo como imortal. Disse Jobs:


Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa. Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.


Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas.Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.


Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade. O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.


Nota/Fonte: O texto completo,Steve Jobs & Ignazio di Loyola”, em italiano, pode ser lido em http://www.cyberteologia.it/2011/10/steve-jobs-e-ignazio-di-loyola/

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