Por que Participo da Igreja?

Por Carlo Carretto

Quanto tu és contestável, Igreja, porém, quanto te amo! Quanto me fizeste sofrer, porém, quanto devo a ti! Gostaria de te ver destruída, porém, tenho necessidade da tua presença. Deste-me tantos escândalos, porém, me fizeste entender a santidade! Nada vi no mundo de mais obscurantista, mais comprometido, mais falso, e nada toquei de mais duro, de mais generoso, de mais belo.

Quantas vezes tive vontade de bater na tua face a porta da minha alma e quantas vezes [orei] para poder morrer entre os teus braços seguros.

Não, não posso me livrar de ti, porque eu sou tu, mesmo não sendo completamente tu.

E depois aonde iria? Construir uma outra Igreja?

Mas não poderei construí-la senão com os mesmos defeitos, porque são os meus que trago dentro. E se a construir, será a Minha Igreja, não mais aquela de Cristo.
[...]

Nenhum de nós é confiável enquanto estiver sobre esta terra. São Francisco gritava: "Tu acreditas que sou santo e não sabes que ainda posso ter filhos com uma prostituta, se Cristo não me sustentar".

A credibilidade não é dos homens, é só de Deus e do Cristo. Dos homens é a fraqueza e talvez a boa vontade de fazer alguma coisa de bom com a ajuda da graça que brota das veias invisíveis da Igreja visível.

Talvez a Igreja de ontem era melhor do que a de hoje? Talvez a Igreja de Jerusalém era mais confiável do que a de Roma?

[...]

Mas depois há ainda uma outra coisa que é talvez mais bela. O Espírito Santo, que é o Amor, é capaz de nos ver santos, imaculados, belos, mesmo se vestidos como canalhas e adúlteros.

O perdão de Deus, quando nos toca, faz com que Zaqueu, o publicano, se torne transparente, e a pecadora Madalena, imaculada.

É como se o mal não pudesse tocar a profundidade metafísica do homem. É como se o Amor impedisse que a alma distante do Amor apodrecesse. "Eu coloquei os teus pecados atrás das minhas costas", diz Deus a qualquer um de nós, e continua: "Amei-te com amor eterno, por isso te reservei a minha bondade. Edificar-te-ei de novo, e tu serás reedificada, virgem Israel" (Jr 31.3-4).

Eis, ele nos chama "virgens" mesmo quando estamos retornando da enésima prostituição no corpo e no espírito e no coração.

Nisso, Deus é verdadeiramente Deus, isto é, o único capaz de fazer as "coisas novas".

Porque não me importa que Ele faça os céus e a terra novos, é mais necessário que ele faça "novos" os nossos corações.

E esse é o trabalho de Cristo.

E esse é o trabalho divino da Igreja.

Vocês gostariam de impedir esse "fazer novos os corações", expulsando alguém da assembleia do povo de Deus?

Ou vocês gostariam, procurando outro lugar mais seguro, de se colocar em perigo de perder o seu Espírito?

Fonte:http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=30704

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