Os Reality Shows e o Crescimento Evangélico

Por Francikley Vito

Já disseram que não adianta ler, é preciso entender o que se está lendo. Fomos informados recentemente que a população evangélica no Brasil chegará em 2011 ao expressivo número de 57,4 milhões de fieis e para 2020 a expectativa e que esse número aumente para algo em torno dos 109,3 milhões, 52, 2% da população naquele ano. No mesmo texto somos lembrado de que esse crescimento “não se trata de avivamento”, pois segundo o pesquisador Luis André Bruneto, autor da pesquisa, o verdadeiro avivamento se reflete, “na conversão em massa das pessoas, mas também em profundas mudanças no pensamento da sociedade, direcionada pela influência dos cristãos redimidos.”[1] Ainda segundo Bruneto, um dos maiores problemas deste crescimento é que a maioria dos líderes no Brasil é “carente de direção na teologia, eclesiologia e missiologia”; o que logicamente reflete na educação cristã-teologica de seus liderados.

De modo um tanto simplista, poderíamos dizer que temos um crescimento sem amadurecimento. Neste sentido:“O que muda na sociedade com tanta gente nas Igrejas?”

Para uma visão mais ampla do que estamos mostrando, basta ver a posição da CNBB em relação em relação aos chamados reality shows; enquanto muitos dentre nós engrossas as audiências desses programas “que atentam contra a dignidade de pessoa humana, tanto de seus participantes, fascinados por um prêmio em dinheiro ou por fugaz celebridade, quanto do público receptor que é a família brasileira”, a igreja Romana, por conta da sua clara posição doutrinária, rechaça como prejudicial a influencia desses programas na vida social Brasileira. Segundo uma nota dos Bispos Brasileiros, divulgada na imprensa, eles, conscientes de sua missão e responsabilidade evangelizadoras, “exortamos a todos no sentido de se buscar um esforço comum pela superação desse mal na sociedade, sempre no respeito à legítima liberdade de expressão, que não assegura a ninguém o direito de agressão impune aos valores morais que sustentam a Sociedade.[...] Aos pais, mães e educadores, atentos a sua responsabilidade na formação moral dos filhos e alunos, sugerimos que busquem através do diálogo formar neles o senso crítico indispensável e capaz de protegê-los contra essa exploração abusiva e imoral”[2]. Como visto, saber em que crê é saber o que se quer.

A minha pergunta então é a seguinte: Será que os evangélicos, que daqui a pouquíssimo tempo será a metade da população desse país, sabe diferenciar aquilo que é mau daquilo que é bom (Is 5.20)? Será que o nosso povo está sendo ensinado nas divinas Letras a ponto de saber conservar o modelo de santidade exigido por Deus (II Tm 1. 13-14)? Será que temos, como ensinadores cristãos, consciência de que devemos ensinar o que recebemos do Senhor (I Co 11.23)? Temos verdadeiramente sido condutores à Verdade?

O crescimento que hoje experimentamos será verdadeira benção quando vier acompanhado do crescimento no “conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”, quando formos verdadeiros “sal da terra e luz do mundo”. A importância da “população evangélica” não pode ser medida por números – como um nicho comercial ou eleitoral – ela tem que ser medido pelas nossas ações, éticas, morais e evangelísticas. Se não for assim o que teremos será inchaço e não crescimento, doença e não cura.

Nota: [1] http://portuguese.christianpost.com/noticias/20110215/populacao-evangelica-no-brasil-atingira-574-milhoes-em-2011-nao-e-avivamento-diz-missionario-da-sepal/index.html[2]http://www.cnbb.org.br/site/publicacoes/notas-e-declaracoes-da-cnbb/5854-cnbb-divulga-nota-sobre-etica-e-programas-de-tv

4 comentários:

  1. De acordo com o último parágrafo percebo que o importante, para muitos líderes, é que seus templos estejam repletos de membros. E isso é bom. No entanto, esse crescimento não deve ser acompanhado por simples emoção, mas pelo poder transformador do evangelho segundo Paulo – Romanos 1:16. Daí a necessidade de se examinar as escrituras porque nos revelam verdades eternas; e não somente examinar essas verdades, mas colocá-las em prática.
    Na realidade tal crescimento é preocupante, pois certos comportamentos podem prejudicar a credibilidade do evangelho, porém cabe aos líderes apascentar seu rebanho e guiá-los no verdadeiro e genuíno evangelho.

    Célia Lima

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  2. Célia, a Paz de Cristo!
    É uma alegria recebê-la aqui neste nosso espaço; que o Senhor possa te abençoar. Quanto ao seu comentário: Concordo. Um abraço.

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  3. As noticias sobre o crescimento de evangélicos no Brasil correm o mundo, e chamam a atenção de muitos lideres, e alguns sem conhecer o que esta acontecende de fato, chegam a dizer que existe nesse momento um avivamento no Brasil (Alguém me fale onde?)


    A midia (Christian Post...) tem divulgado que em 2020 o Brasil vai ter cerca de 109 milhões de evangélicos, mas existem alguns problemas nessa previsão, que é para da que 9 anos.

    É que as informações seguras que todo mundo tem sobre o numero de evangélicos no Brasil é com base em um senso do ano de 2000 (ha dez anos atras).

    No ano passado o IBGE fez outro senso (senso de 2010), mas as informações sobre religião ainda não estão disponíveis (deve ser disponivel só em 2012). Mesmo assim existem diversos "profetas" que com base na "revelação da projeção" estão dizendo que em 2020 o Brasil vai ter 55% de evangélicos, eu considero esse numero apenas uma especulação (que pode ou não ser), acredito que deveriamos esperar o senso de 2010.

    Mas mesmo que o senso de 2010 aponte para essa curva ascendente do numeros de evangélicos temos que concordar que esse crescimento é no minimo questionado.

    Pois a mola propulsora dele é neopetecostalismo, e o que temos visto agora é uma multidão de evangélicos nominais. Os "não praticantes" que só existiam na igreja católica, agora já existem na igreja evangélica também.

    Alguns, bem poucos são "não praticantes" porque já receberam o seu milagre e voltaram para a vida comum.

    Outros milhares de milhares são "não praticantes" porque receberam a promessa de uma vida financeira abençoada mas continuam tendo que viver com menos de 600 reais por mês, então saíram das igrejas que lhes prometeu o céu na terra.

    O Dr. Paulo Romeiro os chama de decepcionados com a graça.

    Se esse crescimento evangélico fosse de verdadeiras conversões, porque que os números de evangélicos não cresce na mesma proporção em cidades pequenas, pobres, afastadas das capitais?

    Por que não cresce o numero de evangélicos no vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais ?

    Por que não cresce na mesma proporção o numero de evangélicos no município de Lagoinha, quem tem menos de 3% de evangélicos, mesmo estando localizado a menos de 200 km de São Paulo?

    Não cresce porque esse evangelho da prosperidade não consegue atingir cidades onde pessoas não tem condições financeira de contribuir com dizimo altos e muito menos com “tridizimo”.

    Não cresce porque essas cidades não oferecem retorno financeiros para as mega empresas da fé.

    Esse crescimento evangélico que temos ouvido a mídia divulgar só alegra a indústria do mercado gospel, e alguns crentes que agora não tem mais vergonha de dizer que é evangélico porque de cada 10 pessoas é normal ter 3 ou 4 pessoas que se dizem também ser evangélico.

    Em quanto isso as igrejas históricas que estão comprometidas com a pregação do evangelho e a missão integral, estão tendo a enorme tarefa de anunciar Jesus para quem já pertenceu a uma igreja, estão tendo que explicar o plano da salvação para quem já até se batizou.

    Alguns teólogos chegam a dizer que agora alem de termos que ir por todo mundo pregando o evangelho é necessário também irmos por todas as igrejas evangélicas, outros pregadores se dizem até cansado de pregar para a igreja evangélica e não ver ninguém se converter.

    Crescemos mesmo ou só recebemos um "fermento do faz de conta"?

    Alan Corrêa

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  4. Alan, a Paz de Cristo. Obrigado pelo seu maravilhoso comentário. Peço a você a permissão para publicá-lo em nosso blog, em breve. Um abraço.

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