Programas Religiosos Serão Extintos da TV Brasil

O Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), mantenedora da TV Brasil e oito emissoras de rádio de caráter público, decidiu banir de sua grade programas religiosos específicos, vinculados a igrejas ou instituições religiosas.

A notícia é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 27-03-2011. A TV Brasil conta com três programas religiosos em sua grade, dois católicos – A Santa Missa e Palavra de Vida, transmitidos aos domingos - e um evangélico –Reencontro, aos sábados -, que deverão sair do ar em seis meses. Eles darão lugar a programas que mostrem todas as vertentes religiosas presentes no país.

Foram oito meses de discussão e realização de Consulta Pública sobre o tema, de 4 de agosto a 19 de outubro de 2010, até o Conselho Curador tomar a decisão. A EBC vai formular uma política de produção e distribuição de conteúdos de cunho religioso. Apenas 2% das denominações religiosas que atuam no país têm espaço em meios de comunicação.

A presidente da EBC, jornalista Tereza Cruvinel, apresentara proposta para que todas as religiões tivessem espaço na TV Brasil. “Acho que é mais condizente ter a pluralidade do que proibi-las”, disse Cruvinel.

Fonte:http://www.ihu.unisinos.br/index.phpoption=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=41816

A Meditação na Vida Cristã 4/4

Por Caramuru A. Francisco

Não resta dúvida de que Deus está acima do homem e que um contato com o Senhor nunca poderá passar pelo entendimento humano, ultrapassa-o. O apóstolo Paulo, mesmo, disse que, num contato extraordinário tido com o Senhor, em sua experiência do arrebatamento ao terceiro céu, teve experiências que são inefáveis, ou seja, não há como exprimi-las na pobre linguagem humana (II Co.12:4).

Os chamados “padres do deserto”, como João Cassiano (370-485) e o autor da obra “A nuvem do não saber” (anônimo, provavelmente no século XIV) apenas reforçaram o caráter sobrenatural do contato entre Deus e o homem, que vai além do nosso entendimento, algo, aliás, que o apóstolo Paulo registra num instante de grande espiritualidade ao término do capítulo 11 da epístola aos romanos. Isto não autoriza, em absoluto, defendermos que a meditação é prática que deve nos fazer inconscientes ou de “mente vazia”. Fujamos destes ensinos, que nada tem de bíblicos e nada mais são que aplicação dos falsos ensinamentos da Nova Era a uma prática das mais sublimes e profundas da espiritualidade cristã.

“…O vazio de que Deus precisa é o da renúncia ao próprio egoísmo, não necessariamente o da renúncia às coisas criadas que Ele nos deu e no meio das quais nos colocou. Não há dúvida que na oração nos devemos concentrar inteiramente em Deus e afastar o mais possível aquelas coisas deste mundo que nos prendem ao nosso egoísmo.…” (SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. op.cit., n.19). A contemplação de Deus exige de cada um de nós a prévia limpeza de coração (Mt.5:8), o que, aliás, também é uma exigência feita ao orante (Jo.9:31). Por isso, em vez de nos desprendermos, devemos, na meditação, começar refletindo sobre nossos pecados e pedindo perdão por eles a Deus. É o chamado primeiro estágio da meditação, a “purificação”.

OBS: Tomás de Kempis (1379 ou 1380-1471), em sua obra A imitação de Cristo, que teve grande influência entre os líderes da Reforma Protestante, afirmava o seguinte: “…Por que muitos santos foram tão perfeitos e contemplativos? É que eles procuraram mortificar-se inteiramente em todos os desejos terrenos, e assim puderam, no íntimo de seu coração, unir-se a Deus e atender livremente a si mesmos. Nós, porém, nos ocupamos demasiadamente das próprias paixões e cuidados com excesso das coisas transitórias. Raro é vencermos sequer um vício perfeitamente; não nos inflamamos no desejo de progredir cada dia; daí a frieza e tibieza em que ficamos. Se estivéssemos perfeitamente mortos a nós mesmos e interiormente desimpedidos, poderíamos criar gosto pelas coisas divinas e algo experimentar das doçuras da celeste contemplação. O que principalmente e mais nos impede é o não estarmos ainda livres das nossas paixões e concupiscências, nem nos esforçamos por trilhar o caminho perfeito dos santos. Basta pequeno contratempo para desalentarmos completamente e voltarmos a procurar consolações humanas. Se nos esforçássemos por ficar firmes no combate, como soldados valentes, por certo veríamos descer sobre nós o socorro de Deus. Pois ele está sempre pronto a auxiliar os combatentes confiados em sua graça: Aquele que nos proporciona ocasiões de peleja para que logremos a vitória. Se fizermos consistir nosso aproveitamento espiritual tão somente nas observâncias exteriores, nossa devoção será de curta duração. Metamos, pois, o machado à raiz, para que, livre das paixões, goze paz nossa alma. Se cada ano extirpássemos um só vício em breve seríamos perfeitos. Mas agora, pelo contrário, muitas vezes experimentamos que éramos melhores, e nossa vida mais pura, no princípio da nossa conversão que depois de muitos anos de profissão. O nosso fervor e aproveitamento deveriam crescer, cada dia; mas, agora, considera-se grande coisa poder alguém conservar parte do primitivo fervor. Se no princípio fizéramos algum esforço, tudo poderíamos, em seguida, fazer com facilidade e gosto. Custoso é deixar nossos costumes; mais custoso, porém, contrariar a própria vontade. Mas, se não vences obstáculos pequenos e leves, como triunfarás dos maiores? Resiste no princípio à tua inclinação e rompe com o mau costume, para que te não metas pouco a pouco em maiores dificuldades. Oh! Se bem considerasses quanta paz gozarias e quanto prazer darias aos outros, se vivesses bem, de certo cuidarias mais do teu adiantamento espiritual. …” (A imitação de Cristo, I, 11. Disponível em: http://www.culturabrasil.org/imitacao.htm Acesso em 23 out. 2010). E há ainda hoje quem ache que os maus costumes não inibem o avanço espiritual dos crentes…

Também aqui devemos tomar cuidado com a obsessão que estes “arautos da meditação” estão a fazer com relação à postura física para a meditação, algo que é essencial na “meditação esotérica”, já que deve haver um “desprendimento do corpo”, sua “aniquilação” e a postura física traz, inegavelmente, uma influência na criação deste estado psicológico de desprendimento. Assim como não há uma postura física que se impõe à oração, não pode haver, também, posturas físicas impostas para a meditação.

Não se nega que a meditação exige uma certa postura física, um ambiente em que não haja distração, mas a obsessão que se tem com relação a este aspecto é mais um indicador da influência alheia à Palavra de Deus que possuem tais técnicas de meditação. Ademais, como bem ponderou o já mencionado documento romanista, “…Viver no âmbito da oração toda a realidade do próprio corpo como símbolo, é ainda mais difícil: pode degenerar em culto do corpo e levar a identificar subrepticiamente todas as suas sensações com experiências espirituais. Alguns exercícios físicos produzem automaticamente sensações de repouso e de distensão, que são sentimentos gratificantes; podem talvez até produzir fenômenos de luz e de calor, que se assemelham a um bem-estar espiritual. Trocá-los, porém, por autênticas consolações do Espírito Santo, seria um modo totalmente errôneo de conceber o caminho espiritual. Atribuir-lhes significados simbólicos típicos da experiência mística, quando o comportamento moral do praticante não está à sua altura, representaria uma espécie de esquizofrenia mental, o que pode conduzir até a perturbações psíquicas e, em certos casos, a aberrações morais.…( SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. op.cit., nn.27 e 28).

OBS: Elucidativas são as palavras do monge beneditino D. Estevão Bittencourt (1919-2008) a respeito: “…Os hinduístas, especialmente os budistas, é que cultivam exercícios corporais para praticar a meditação. Nisto são inspirados por sua mentalidade panteísta, que identifica entre si a Divindade e o homem; este seria uma centelha da Divindade apoucada ou encarcerada pela matéria. Os exercícios físicos ttêm a função de fazer que a centelha divina (existente no íntimo do homem) se emancipe das limitações da matéria e entre em sintonia com a divindade existente fora do homem; as posturas físicas, o ritmo respiratório, a dieta alimentícia desempenham assim papel Importante, porque, segundo esta concepção, contribuem para libertar o núcleo central do homem.(…) Nos últimos anos alguns autores católicos têm procurado adaptar a metodologia hinduísta à prática cristã da oração, recomendando exercícios físicos diversos para se conseguir chegar à mais profunda união com Deus.(…) É possível, sim, que os exercícios corporais proporcionem certo bem-estar físico, facilitando a respiração e o metabolismo; todavia esse bem-estar ou essas condições higiênicas não é oração, nem são necessariamente a melhor preparação ou o melhor o concomitante da oração .(…) Quem muito valoriza os exercícios corporais para rezar, corre o risco de identificar oração e bem-estar higiêniCO, ou também o risco de identificar gestos corpóreos e valores éticos espirituais(…) (O mantra na espiritualidade cristã. Pergunte e responderemos, n. 408, ano 1996, p.209. Disponível em: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:WzfR5pSNdFwJ:www.cleofas.com.br/virtual/texto.php%3Fdoc%3DESTEVAO%26id%3Ddeb0115+medita%C3%A7%C3%A3o,+felipe+de+aquino,+estev%C3%A2o+bettencourt&cd=6&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Acesso em 21 out. 2010)

Depois de termos sido lavados e purificados no sangue de Cristo (I Jo.1:7), temos condição de prosseguir na meditação, fazendo lembrança de Suas obras (Sl.63:6), refletindo e meditando em Sua Palavra (Sl.119:148), aguardando, em silêncio, a presença do Senhor. Este processo é chamado pelos estudiosos de “iluminação”, porque é nesta reflexão a respeito do Senhor que o Espírito Santo nos faz conhecer a Sua Palavra, abre nossas mentes para as realidades espirituais, o que já é o início do diálogo com o Senhor, que, pela Sua Palavra ou por Suas obras, começa a falar com o nosso homem interior. O Espírito Santo nos guia em toda a verdade neste instante da meditação.

Por fim, temos o terceiro estágio da meditação, conhecido como “união”, uma experiência particular que depende da vontade de Deus. Esta união é um “mistério”, algo que é de impossível descrição, em que desfrutamos de um compartilhamento todo especial com Deus, de uma intimidade, de uma manifestação da Sua glória. Por isso mesmo, como bem afirma o documento católico romano a que nos referimos já algumas vezes, não é possível criar-se uma “técnica” para se chegar à “união mística”, pois isto independe do homem, mas única e exclusivamente de Deus. “…A mística cristã autêntica não tem nada a ver com a técnica: é sempre um dom de Deus, do qual se sente indigno quem dele se beneficia…” (SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. op.cit., n.23).

Esta experiência, ademais, é particular, relacionada com a intimidade entre aquele que medita e o Senhor, algo que não poderá ser, por isso, pretendido nem copiado por outra pessoa. Tem-se aqui uma manifestação espiritual peculiar, que jamais poderá se tornar em uma doutrina, aplicável a todos os servos de Deus. Devemos nunca nos esquecer disto, para que não busquemos o que não nos é oferecido, como também não julguemos os outros pelo que tenhamos nós experimentado com o Senhor em nossa intimidade espiritual.

“… A meditação é um dever que precisamos praticar, se desejamos o nosso próprio bem-estar espiritual. A meditação deveria ser deliberada, intensa e contínua (ver Sl.1:2; 119:97). Os assuntos em torno dos quais a mente do crente mais deveria ocupar-se são as seguintes: as obras da criação (Sl.19); as perfeições de Deus (Dt.32:4); o ofício e as operações do Espírito Santo (Jo. 15 e 16); a dispensação da providência divina (Sl.97:1,2); os preceitos e promessas existentes na Palavra de Deus (Sl.119); o valor dos poderes da alma e sua imortalidade (Mc.8:36) e, finalmente, a depravação de nossa própria natureza, e a graça de Deus, em nossa salvação etc.” (CHAMPLIN, Russell Norman. Meditação. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. v.4, p.200) (destaques originais).

“…Meditação na Palavra dirigirá nossos pensamentos ao Senhor Jesus, e na mais doce comunhão com o Senhor nós pensaremos em Sua Pessoa, caráter, obra, glórias e muito mais, até que as nossas almas estejam ocupadas com Ele Mesmo e nossos corações se derramem em adoração a Ele. Lembre-se de meditar nas obras de Deus (leia Salmo 143:5- 6). Talvez Davi pensasse acerca de Deus preservando-o quando ele matou o leão e o urso, ou quando ele matou Golias. Não pensava ele das grandezas da Criação e dos maravilhosos feitos de Deus em relação a Israel? Meditar nas obras de Deus fazia-lhe ter sede de Deus e orar a Ele. Assim, quanto a nós mesmos, ao invés de nos afligirmos acerca dos nossos problemas, deveríamos pensar nas grandes coisas que Deus tem feito por nós, como Deus tem nos salvado, disciplinado, guiado e preservado. Eu tenho temido coisas que nunca aconteceram e tenho frequentemente esquecido de agradecer a Deus pelas bênçãos recebidas. Não se esqueça de meditar (‘pensar’, King James Version) nos lindos assuntos de Filipenses 4:8. Fazer isso nos fará perceber quão longe nós podemos chegar em pouco tempo. Nós deveríamos ver neste verso um retrato do Senhor Jesus. Se nossas mentes estão cheias destas coisas, não haverá lugar para pensamentos que desagradam ao Senhor.” ((NORRIS, John. A importância da meditação na vida do crente. Truth and tidigns, maio 1995, Trad. e adapt. por Claudinei Benedito. Disponível em: http://www.exame.diario.nom.br/a-import.pdf Acesso em 21 out. 2010).

Dia Internacional das Mulheres: Muito o que Fazer(3)

Estudo diz Que Sexo na Mídia Estimula Violência Contra Mulher

O relatório Sexualização dos Jovens, da psicóloga Linda Papadopoulos, encomendado pelo Ministério do Interior britânico, diz que os jovens estão cada vez mais expostos a conteúdo relacionado à sexualidade por meio de revistas, televisão, internet e aparelhos de celular, sem que os pais consigam controlar isso.

Segundo ela, esse conteúdo está “legitimando a ideia de que as mulheres existem para serem usadas e de que os homens existem para usá-las”. Nesse contexto, a pesquisadora entende que a posição da mulher como alvo de violência doméstica acaba virando comum e até aceitável.

Da sexualidade à violência. O estudo diz que as crianças estão sendo cada vez mais retratadas como adultos, enquanto adultos são infantilizados, o que confunde as noções de maturidade e imaturidade sexual. Além disso, tanto mulheres quanto homens são levados pela mídia a buscar um ideal de aparência física "fora da realidade”, o que resulta em “insatisfação com o próprio corpo, um reconhecido fator de risco para a autoestima, para depressão e distúrbios alimentares”.

“Um tema dominante em revistas parece ser a necessidade das garotas de se apresentarem como sexualmente desejáveis para atrair a atenção masculina”, diz o estudo.

Seguindo esse mesmo raciocínio de subserviência feminina, a violência contra as mulheres acaba sendo banalizada. O relatório aponta que, desde 2004, a exibição na TV de cenas de violência contra a mulher cresceu 120%, enquanto as de agressão contra adolescentes aumentou 400% no período. Além disso, no cinema, 75% dos personagens e 83% dos narradores são homens.

Papel dos pais e da escola. Papadopoulos entende que essa lógica explica os resultados de uma pesquisa do Ministério do Interior britânico divulgada neste mês. A análise revelou que 36% dos britânicos acreditam que, em caso de estupro, a mulher deve ser parcialmente responsabilizada se estiver bêbada, e 26% pensam assim no caso de a vítima estar usando roupas sensuais. A psicóloga cita ainda o dado de que uma em cada três garotas britânicas entre 13 e 17 anos já teve de fazer sexo contra a sua vontade, enquanto 25% delas já sofreram algum tipo de violência física.

Para reverter esse quadro, o relatório defende que os pais acompanhem mais de perto como seus filhos usam a internet e seus celulares e que o Estado tome medidas para coibir a banalização da sexualidade. A pesquisadora também recomenda que as escolas tragam essa discussão sobre a igualdade de gênero para as salas de aula.

Fonte/Imagem: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/02/100226_estudo_sexualidade_adolescentes_vdm.shtml

A Meditação na Vida Cristã 3/4

Por Caramuru A. Francisco

II – A PRÁTICA DA MEDITAÇÃO E EQUÍVOCOS QUE SE DEVEM EVITAR

Nos dias atribulados em que vivemos, onde já é difícil orar, que dirá meditar. A meditação envolve um total desprendimento de nossos pensamentos, sentimentos e vontade, um “esvaziamento completo”, para que venhamos a ouvir a voz do Senhor. Na meditação, este “esvaziamento” se deve dar mediante a concentração da mente nas obras do Senhor, na exaltação do Seu nome, a exemplo do que fez o salmista no Salmo 104, que é um modelo de como se meditar.

OBS: “…A atitude contemplativa é oposta àquela que adotamos diante dos meios, pelos quais só nos interessamos na medida em que servem para alcançar nossos objetivos. Pela contemplação, nos aplicamos a um objeto como tal, penetramos em sua essência. O objeto tem um valor intrínseco, e atrai nosso coração com seu conteúdo. Não vivemos aquela tensão para o futuro, à qual nos referíamos, típica da ação, mas nos demoramos no presente. Somos receptivos ao objeto e nos aplicamos a ele plenamente sem divisão; repousamos no objeto.…” (BELLO, Joathas. O lugar da contemplação na vida cristã. 14. out. 2006. Disponível em: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:HbsK1UYg6h8J:www.veritatis.com.br/article/3935+medita%C3%A7%C3%A3o+crist%C3%A3&cd=96&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Acesso em 21 out. 2010)

Quem ora corretamente, não terá dificuldade em meditar. A meditação seguir-se-á à oração, visto que este silêncio exigido para a meditação nada mais é que um preâmbulo para que Deus venha conosco dialogar. A meditação não ser praticada desprendida da oração e é mais um reforço à oração que uma atividade que se deva praticar separadamente.

OBS: Para o Catecismo da Igreja Romana, aliás, a meditação nada mais é que uma das expressões da oração. A oração comportaria três expressões: a oração vocal, que é a oração propriamente dita; a meditação e a oração mental (que é a contemplação, o estágio final da meditação). “… 2721. A tradição cristã compreende três expressões maiores da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a oração mental. Estas têm em comum o recolhimento do coração. 2722 A oração vocal, fundada na união do corpo e do espírito na natureza humana, associa o corpo à oração interior do coração, a exemplo de Cristo, que reza a seu Pai e ensina o "Pai-Nosso" a seus discípulos. 2723 A meditação é uma busca orante que põe em ação o pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo. Tem por finalidade a apropriação crente do assunto meditado, confrontado com a realidade de nossa vida. 2724 A oração mental é a expressão simples do mistério da oração. E um olhar de fé fito em Jesus, uma escuta da Palavra de Deus, um silencioso amor. Realiza a união à oração de Cristo na medida em que nos faz participar de seu Mistério.”

Já temos dito, no estudo sobre a oração, que os que cristãos se dizem ser têm, lamentavelmente, distorcido o conceito de oração, deixando de fazê-la um diálogo com Deus, para ser tão somente um monólogo a Deus. A meditação tem, entre suas principais, senão a principal tarefa, fazer-nos aprender a ouvir a voz do Senhor, fazendo com que nossa oração se torne um diálogo verdadeiro.

Esta circunstância é importante, porque a correta meditação depende de uma correta oração. A influência que a prática da meditação entre os cristãos tem recebido de falsas religiões na atualidade, religiões estas que têm sido propagandeadas e disseminadas pela Nova Era (movimento que congrega diversos segmentos que têm defendido a mistura de todas as religiões com raízes de ensinamento de religiões orientais, em especial o hinduísmo, o budismo e o taoísmo e que se apresenta como o verdadeiro movimento espiritual preparatório do Anticristo), resulta de erros no entendimento do que seja a oração, erros estes que, como tudo que é trazido pelo mundo, não é novo.

O primeiro equívoco a respeito do conceito de oração é o que se denomina de “pseudo-gnose”, entendimento de que a meditação é uma forma de aumento do conhecimento, uma demonstração da evolução espiritual porque se trata de um “desprendimento da matéria”. A prática da meditação no hinduísmo, como no ioga, parte desta pressuposição, qual seja, a de que a meditação nos faz libertar do corpo e, por isso, nos aproximamos de Deus. Este pensamento cedo tumultuou a Igreja, pois já os apóstolos atacam o “gnosticismo”, que é precisamente este pensamento, como se vê no escrito de Paulo aos colossenses ou nas epístolas de João.

Tal pensamento é completamente equivocado, pois o corpo não é um mal em si, pois é obra de Deus e, como tal, algo que não só é bom, mas muito bom (Gn.1:31). Ademais, o corpo do salvo é templo do Espírito Santo e pertence a Deus (I Co.6:19,20).

Como se não bastasse isso, não se pode pensar que este “desprendimento da matéria” possa nos levar a um “conhecimento superior”. “…a meditação oriental (esotérica) tem dois passos: o primeiro é esvaziar a mente da pessoa, e o segundo é direcionar essa mente vazia e desprotegida para uma busca de um suposto ‘Eu Superior’ introvertido. Trata-se da busca de uma suposta deidade interior. É o ser humano supostamente sentindo-se ‘um com deus’.…” (COSTA, Samuel. Seduzidos pela meditação. Disponível em: http://www.chamada.com.br/mensagens/meditacao.html Acesso em 21 out. 2010).

Um dos princípios da Nova Era é, precisamente, o fazer crer que cada ser humano é um “deus”. É a divinização do homem, a mais antiga das mentiras de Satanás, já anunciada ao primeiro casal no Éden (Gn.3:4,5). A meditação, feita nestes termos, portanto, é um dos instrumentos para esta suposta divinização.

Outro equívoco do conceito de oração que faz com que se tenha um conceito errôneo da meditação é o que se denomina de “messalianismo”, doutrina surgida entre alguns monges orientais por volta do século IV segundo a qual a graça do Espírito Santo se confundia com a experiência psicológica da Sua presença na alma, ou seja, somente a oração incessante poderia exorcizar o demônio que se mantinha na vida daquele que se convertia a Cristo.

A oração é um meio de santificação e a santificação deve ser seguida até o fim para que se complete o processo da salvação, mas não afugentamos o inimigo tão somente enquanto estamos orando. Considerar a oração como um meio de salvação é um erro e a meditação como uma forma de libertação do mal, que é a consequência deste pensamento, também um equívoco, que não deve ser adotado.

Considerar que a oração ou a meditação é um meio de salvação é diminuir o poder da salvação pela fé em Cristo Jesus e entender que as obras humanas podem salvar, o que é um absurdo do ponto-de-vista bíblico. Tem-se aqui, uma vez mais, a influência dos pensamentos orientais a respeito da meditação, que é uma das formas pelas quais entendem eles, o homem obtém o seu desenvolvimento espiritual, ou seja, a sua salvação.

OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui trecho de documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé da Igreja Romana, a antiga Inquisição, quando discorreu sobre o tema da meditação, no tempo em que era dirigida pelo cardeal Joseph Ratzinger, que veio a ser o Papa Bento XVI: “…Ambas estas formas de erros [pseudo-gnose e messalianismo, observação nossa] continuam a constituir uma tentação para o homem pecador. Instigam-no, de facto, a procurar ultrapassar a distância que separa a criatura do Criador, como coisa que não deveria existir; levam-no a considerar o caminho de Cristo na terra, mediante o qual Ele quer conduzir-nos ao Pai, como realidade « superada »; induzem também a rebaixar o que é concedido como pura graça, ao nível de psicologia natural, como « conhecimento superior » ou como « experiência ». Reaparecidas de vez em quando na história à margem da oração da Igreja, tais formas erróneas parecem impressionar hoje novamente muitos cristãos, apresentando-se-lhes como remédio quer psicológico quer espiritual, e como processo rápido para encontrar a Deus.…” (Carta aos bispos da Igreja Católica acerca de alguns aspectos da meditação cristã, n.10. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19891015_meditazione-cristiana_po.html Acesso em 21 out. 2010)

A meditação nada mais é que um momento de silêncio em que, refletindo sobre a Palavra de Deus ou outros meios de revelação divina, esperamos “escutar a voz do Senhor”. Assim, bem ao contrário de nos anularmos e cairmos no “nada”, como dizem os budistas, ou chegarmos ao “Eu-divino”, como afirmam os hinduístas, temos a certeza de que encontraremos o Senhor de todas as coisas, o nosso Pai, cujas obras contemplamos em nossas mentes, em nosso homem interior no momento da meditação.

OBS: “…« Deus é amor » (1 Jo. 4, 8): esta afirmação profundamente cristã pode conciliar a união perfeita com a alteridade entre o amante e o amado, em eterna « quase-troca » e eterno diálogo. Deus mesmo constitui este eterno diálogo, e nós podemos, com plena verdade, tornar-nos participantes de Cristo, como « filhos adoptivos », e gritar com o Filho no Espírito Santo: « Abbá, Pai ». Neste sentido, os Padres têm totalmente razão quando falam da divinização do homem, o qual, incorporado em Cristo, Filho de Deus por natureza, se torna participante, pela sua graça, da natureza divina, « filho no Filho ». O cristão, recebendo o Espírito Santo, glorifica o Pai e participa realmente da Vida Trinitária de Deus.…” (Carta aos bispos da Igreja Católica acerca de alguns aspectos da meditação cristã, n.15. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19891015_meditazione-cristiana_po.html Acesso em 21 out. 2010) (destaques originais)

Por isso mesmo, ao meditarmos e centrarmos nossa atenção em Deus e em Suas obras, não temos como deixar de refletir sobre o amor de Deus, pois Deus é amor (I Jo.4:8). Neste sentido é dito que o amor de Deus é o único objeto da contemplação cristã. À medida que meditamos, não teremos senão que reconhecer que sempre seremos inferiores ao amor de Deus, amor este que se evidencia na própria vinda de Deus para nos falar em nosso silêncio, “…pela misericórdia de Deus Pai, mediante o Espírito Santo enviado aos nossos corações, nos é dado em Cristo, gratuitamente, um reflexo sensível deste amor divino, e nos sentimos como atraídos pela verdade e pela beleza do Senhor.…” (SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. op.cit., n.31).

“…A meditação esotérica, motivada por Satanás, é passiva. A meditação cristã é ativa.

Na meditação bíblica, o indivíduo deve não apenas ler a Bíblia, mas principalmente decorá-la e aplicá-la à sua vida, além de falar com Deus através da oração e do louvor. O reverendo Bob Larson, em seu livro Larson’s New Book of Cults, afirma: ‘A raiz da palavra meditação implica um processo ruminativo de uma digestão vagarosa das verdades de Deus. Isso envolve um pensamento concentrativo, dirigido, que medita nas leis, obras, preceitos, palavra e pessoa de Deus. ‘Medite n’Ele’, é a mensagem da Escritura. [...] A meditação mística cultua o próprio ser como uma manifestação interior de Deus. A meditação bíblica estende-se ao exterior para um Deus transcendental que nos levanta acima da nossa natureza interna pecaminosa para comungar com Ele através do sangue do Seu Filho’.[ Larson’s New Book of Cults. Tyndale House Publishers Inc., Wheaton, Illinois, USA, 1994, páginas 55-56] …”(COSTA, Samuel. end. cit.).

Por isso, não se podem adotar, como muitos têm feito, conceitos advindos do budismo ou do hinduísmo para a prática de uma suposta “meditação cristã”. Técnicas como a da “comunidade mundial da meditação cristã”, criada pelo monge beneditino John Main (1926-1982), onde, dizendo ter base nos chamados “padres do deserto” (os primeiros monges cristãos), desenvolveu toda uma técnica com base no “mantra”, que é uma concentração mental em torno de uma palavra para completo esvaziamento da mente, exatamente o que fazem os budistas e hinduístas, praticamente a mesma técnica conhecida como “oração centrante”, esta desenvolvida pelo monge trapista Thomas Keating (1923- ), devem ser repudiadas, pois não é este o pressuposto de uma meditação cristã.

OBS: “…Como podem ver, a Oração Centrante e a Meditação Cristã sao ‘meio-irmãs’. A diferença básica é que na Oração Centrante o ‘Mantra’ chama-se ‘Palavra Sagrada’ ou ‘Palavra de Amor’ e NÃO é repetida incessantemente, como na Meditação Cristã. Repetimos a Palavra Sagrada quando nos percebemos com nossa atenção em alguma coisa, que não seja a Presença de Deus. Então voltamos a ela para reafirmar nossa INTENÇÃO de permanecer diante do Senhor. Ela também representa nosso CONSENTIMENTO à SUA ação em nós. Enquanto a Oração Centrante é receptiva, a Meditação Cristã é uma forma ativa de meditar.…” (Oração centrante e lectio divina. Disponível em: http://www.oracaocentrante.org/meditcrista.htm Acesso em 21 out. 2010). Percebe-se, pelas próprias palavras de seus praticantes, como há nítida influência hinduísta-budista nestas práticas meditativas.

Também merece referência aqui os escritos de Richard Foster, um ministro quaker, que tem encontrado grande aceitação no meio evangélico, cujos métodos de meditação estão presentes na obra “Celebração da disciplina”, que acolhe os discutíveis ensinos da completa passividade na meditação (SCHULTZE, Mary. O perigo da meditação e da oração comtemplativa. 28 dez. 2006. Disponível em: http://www.cpr.org.br/O-Perigo-da-meditacao.htm Acesso em 21 out. 2010)

Este “esvaziamento da mente” defendido pelos cultores deste tipo de meditação leva, inevitavelmente, a um controle da pessoa por forças espirituais ocultas, que não são o Espírito Santo. Como afirma Samuel Costa, …o objetivo final da meditação esotérica é o controle total das mentes dos praticantes por forças ocultas anticristãs. Do outro lado, o alvo da meditação cristã é o cultivo constante de um relacionamento de amor e dependência do homem limitado com o seu único Deus – Maravilhoso, Criador, Onipresente, Onipotente, Onisciente e Ilimitado.…” (end.cit.).

OBS: “…Meditação, para o hinduísta, não é o mesmo que para nós, cristãos; não significa reflexão, aprofundamento de um tema que leve à oração. Meditação, para o hinduísta, é o esvaziamento da mente; é fazer da mente uma folha branca ou uma tábua rasa. Assim pensa o yógui se libertar do reboliço do mundo sensível e entrar em repouso, identificando-se mais e mais com a divindade.…” (BETTENCOURT, Estêvão. : Yoga, o que é? Pergunte e responderemos, .459, ano 2000, p.459. Disponível em: http://www.cleofas.com.br/ver_conteudo.aspx?m=doc&cat=119&scat=182&id=454 Acesso em 21 out. 2010).

Este relacionamento amoroso com o Senhor, pois a consequência da meditação cristã é a abertura de um diálogo com Deus, que é amor, jamais passará pela nossa inconsciência, pela nossa anulação. Deus não age desta maneira, mas respeita a dignidade do homem que criou.

O Portal Escola Dominical Voltou ao Ar!

O estudo da Palavra de Deus tem sido um instrumento de grande ajuda na luta contra falsos ensinos que tendem a se alastrar como pragas que devoram a fé e a boa vontade daqueles menos preparados nas Verdades fundamentais da fé. É, pois, com muita satisfação e oração que acompanhamos o trabalho de grande servos de Deus na preocupação de ensinar as Verdades da fé cristã de maneira clara e simples. Foi com esse intuito que surgiu o Portal Escola Dominical, idealizado pelo Pr. Sérgio Paulo Gomes de Abreu. O portal, que por algum tempo ficou fora do ar, volta agora às suas atividades.

Assim, com muita alegria, convidamos o leitor deste blog a visitar o novo Portal Escola Dominical e aprender os princípios e verdades para uma vida cristã mais voltada à Palavra de Deus. Como o próprio nome diz o Portal Escola Dominical é uma rica ferramenta não só para o professor de Escola Dominical, mas para todos os que amam a Palavra de Deus. O portal entrará no ar hoje (sábado 19/03/11) às 19h00 e a primeira lição será disponibilizada na integra. Aproveite!

Acesse o link abaixo:

www.portalebd.org.br

A Meditação na Vida Cristã 2/4

Por Caramuru A. Francisco

Em o Novo Testamento, na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra “meditar” aparece uma única vez, em I Tm.4:15, a palavra grega “meletao” (μελετάω), palavra cujo significado é “ponderar”, “imaginar”, “premeditar”, palavra que era utilizada tanto para se referir aos pensamentos dos filósofos antes de lançar seus argumentos, como para os retóricos, ou seja, aqueles que vivam de argumentar por meio de discursos.

No texto de I Tm.4:15, Paulo exorta seu filho na fé Timóteo a que “meditasse nestas coisas e se ocupasse nelas”. Que coisas? O exercício da piedade, a palavra, o trato, a caridade (i.e., o amor), o espírito, a fé, a pureza e a persistência em ler, exortar e ensinar (I Tm.4:12,13). Completando o pensamento, Paulo mostra que a meditação envolve o cuidado de si mesmo e da doutrina, a fim de que não só se alcance a própria salvação quanto a salvação dos que nos ouvem (I Tm.4:15,16).

Notamos, pois, que o apóstolo Paulo manda que Timóteo, a fim de que bem cumprisse o seu ministério, fosse cauteloso (e isto é mais um dos sentidos de “meletao”), buscando, a exemplo dos grandes oradores de seu tempo (e Timóteo era filho de grego e bem sabia do que Paulo estava a falar), fosse bem cuidadoso em suas palavras e em suas ações, sempre parando para refletir e bem ponderar como era sua conduta à luz da Palavra de Deus, da revelação do Evangelho.

Vemos, pois, que a meditação não se restringe a tão somente recitarmos, decorarmos ou ficarmos a pensar e refletir passagens bíblicas, mas também é uma atitude de interiorização, de reflexão, de autoexame que temos de fazer, desprendendo-nos de tudo quanto possa nos distrair para que, em silêncio, em reverência ao Senhor, escutamos, no fundo de nosso homem interior, a voz do Senhor, para que, deste modo, venhamos a avançar espiritualmente.

Afigura-nos, pois, exagerada a postura daqueles que, diante dos grandes equívocos que o assunto da meditação tem causado no meio cristão, buscam erradicar a meditação da vida cristã. Segundo este pensamento, “…Meditação Cristã verdadeira é um processo ativo de pensamento (pensando, resolvendo), pelo qual nos entregamos ao estudo da Palavra de Deus em oração e pedimos a Deus para nos dar entendimento através do Espírito. Ele habita no coração de todo crente e tem prometido nos guiar em ‘toda a verdade’ (João 16:13). Devemos então colocar o que aprendemos em prática, fazendo um compromisso com as Escrituras de que só elas serão a regra completa para as nossas vidas e para a prática das nossas atividades diárias. Isso causa crescimento espiritual e maturidade nas coisas de Deus à medida que somos ensinados pelo Espírito Santo.” (GOTQUESTIONS? ORG. O que é meditação cristã? Disponível em: http://www.gotquestions.org/portugues/meditacao-Crista.html Acesso em 21 out. 2010).

A meditação não se resume apenas ao estudo da Palavra de Deus e a oração para que o Espírito Santo nos esclareça o texto sagrado, embora também a envolva. A meditação vai além, na medida em que se trata de uma atitude de interiorização, de um silêncio de nosso homem interior, à luz da Palavra, para que possamos ouvir a voz do Senhor e, com isto, melhorarmos nossos caminhos.

Tanto é assim que, ao disciplinar a ceia do Senhor, o apóstolo Paulo foi claro ao dizer que, antes de participarmos do corpo e do sangue de Cristo, devemos fazer um exame introspectivo, a fim de avaliarmos se estamos, ou não, em comunhão com o Senhor e com a Sua Igreja (I Co.11:28). Este autoxame comporta uma meditação, uma ponderação, embora não seja só isto, já que o termo grego correspondente “dokimazo” (δοκιμάξω) envolve também a experiência e o julgamento.

A meditação cristã encontrou guarida nos movimentos monásticos que se iniciam no século II. O monge cartuxo Guigo II (?-1193) estabeleceu quatro estágios para a meditação, a saber:

a) a “lectio divina”, que é a leitura orante das Escrituras, a leitura devocional da Bíblia, início de toda meditação.

b) a “meditatio”, que é a reflexão, a ponderação, a análise do texto sagrado, em que se pede ao Espírito Santo a compreensão do significado e a aplicação do texto sagrado a nossas vidas.

c) a “oratio”, que é uma oração em que externamos nossos sentimentos diante da compreensão das Escrituras, pedindo ao Senhor que nos dê graças para agirmos conforme a Sua vontade, conforme o que foi ensinado na Palavra.

d) a “contemplatio”, que é a nossa entrega nas mãos do Senhor, amando-O de todo o nosso coração, nossa alma, nossa fé e nosso entendimento (Lc.10:27), instante em que, se o Senhor quiser, poderá fazer com que desfrutemos e experimentemos da Divindade de forma sobrenatural (a chamada “contemplação em sentido estrito”), o grau máximo da meditação.

A meditação cristã terá grande desenvolvimento entre os cristãos orientais, que se congregarão, após o Cisma do Oriente, na Igreja Ortodoxa. Lá, desenvolve-se toda uma prática meditativa que tem suporte num livro chamado “Filocalia” (em grego, “amor à beleza”), onde há a reunião de uma série de ensinos a respeito da meditação, baseada na chamada “oração de Jesus” ou “oração do coração”, uma frase repetida incessantemente durante a meditação: “Senhor Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador”.

Entre os judeus, a meditação iniciou sua guarida a partir da reflexão e compreensão da chamada passagem da “Merkavah” (carruagem), as visões da glória de Deus descritas pelo profeta Ezequiel, a que teriam se dedicado os grandes nomes que compilaram a “lei oral” nos séculos I e II, logo após a destruição do templo pelos romanos.

Este estudo acabou criando a meditação mística, denominada de “hitbonenut”, esta, sim, que procurava a “contemplação das questões divinas”, que se distanciavam do texto bíblico. A “Cabala”, o misticismo judaico, desenvolverá, a partir do século XVIII, toda uma “doutrina da meditação”, em que se busca meditar sobre os Nomes Sagrados de Deus, sobre o alfabeto hebraico e que tem tido grande influência no mundo judaico da atualidade, sendo, também, um elemento explorado pela Nova Era.

Entre os muçulmanos, não é diferente. O Alcorão, certamente seguindo os passos de judeus e cristãos, põe a meditação com base no livro sagrado. “…’Eis o Livro que te revelamos, para que os sensatos recordem seus versículos e neles meditem.’(38ª Surata, versículo 29) Disse mais: ‘Não meditam, acaso, no Alcorão? Se fosse de outra origem que não de Deus, haveria nele muitas discrepâncias.’(4ª Surata, versículo 82) E disse ainda: ‘Não meditam, acaso, no Alcorão, ou é que seus corações são insensíveis?’(47ª Surata, versículo 24.). Sua explicação nada mais é do que o resultado de meditação e de deliberação…” (HAYEK, Samir El. Introdução ao Alcorão Sagrado. Disponível em: http://www.islam.com.br/quoran/introducao.htm Acesso em 22 out. 2010). Entre os islâmicos, uma corrente, chamada de “sufi” ou “sufista” foi a que mais se dedicou à meditação como forma de expressão da espiritualidade, prática que é chamada de “dhikr”, reportando-se à própria vida ascética de Maomé que teria recebido a revelação do Alcorão num de seus períodos de jejum e de meditação.

Vemos, pois, claramente que, conquanto seja atitude recomendada pela Palavra de Deus e que se apresenta como importante elemento da vida espiritual, cedo a meditação foi, como tudo que diz respeito a Deus, misturada com conceitos antibíblicos, com o fim de desviar a espiritualidade do gênero humano, desvios estes que encontraram guarida dentro da Igreja e que pululam e dominam esta prática nas falsas religiões.

Dia Internacional das Mulheres: Muito o que Fazer(2)

IGREJA QUE AFASTOU PASTORA ESTUPRADA É CONDENADA A PAGAR DANO MORAL

Os responsáveis por uma igreja dispensaram uma pastora sob a acusação de “conduta imoral” por ter sido estuprada por um fiel e, segundo eles, não ter reagido. A pastora nega. Ela foi afastada de todas as atividades da igreja, incluindo sua participação em um grupo de capelões de um hospital.

A pastora recorreu à Justiça do Trabalho com o pedido de uma retratação e o pagamento de indenização por danos morais.

À Justiça, um representante da igreja confirmou que o motivo da dispensa foi o estupro. Argumentou que, se a mulher dele fosse atacada, ela gritaria e chutaria o estuprador, “como qualquer outra mulher faria”, conforme consta nos autos do processo.

A primeira instância decretou que a ação da pastora é improcedente, e ela recorreu ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, com sede em Campinas (SP).

O TRT reformou a sentença e determinou que a igreja pague uma indenização. Como a ação corre em segredo de justiça, não há informação sobre o valor da indenização nem sobre o nome da igreja. Ainda cabe recurso.

Para o escritório de advocacia Cremasco, de Campinas, a igreja "não poderia praticar o linchamento moral da pastora", execrando-a publicamente. "Ela deveria ter oferecido apoio moral à vítima."

Fonte: http://www.paulopes.com.br/2011/03/igreja-pune-pastora-por-conduta-imoral.html

A Questão do Ensino Religioso nas Escolas

Por Caramuru A. Francisco

Alguns setores da mídia têm, ultimamente, voltado a debater a questão do ensino religioso nas escolas, notadamente nas escolas públicas, questão que se põe na medida em que o Estado brasileiro é laico, ou seja, não tem uma religião oficial, mas, também, em virtude do recente acordo firmado com o Vaticano, que garante a ministração do ensino religioso nas escolas públicas para os católicos romanos, algo que também deve ser estendido às demais religiões, se for aprovado o Estatuto das Religiões, que se encontra em tramitação no Senado Federal, depois de já ter sido aprovado na Câmara dos Deputados.

Além do mais, em virtude de toda a discussão a respeito da liberdade religioso na campanha presidencial de 2010, a questão também volta à tona, até porque a Presidenta da República fez questão, seja em seu discurso de vitória, seja em seu discurso de posse, em se comprometer com a plena liberdade de culto e de crença em nosso país.

A Constituição da República é claríssima ao incluir o ensino religioso nas escolas. O artigo 210, § 1º da Constituição diz que “o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.

Nota-se, portanto, que o legislador constituinte manteve a tradição dos textos constitucionais brasileiros, permitindo o ensino religioso, desde que facultativo, o que é uma disposição que nada mais é que aplicação, a este tema, da índole democrática imprimida ao Estado brasileiro com a “Constituição cidadã”.

A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (lei 9.394/1996) praticamente repetiu o texto constitucional, no seu artigo 33, apenas fixando que as referidas aulas não seriam feitas às custas dos cofres públicos, se dando tanto de forma confessional, a partir de orientadores religiosos preparados e credenciados pelas próprias organizações religiosas, ou interconfessional, dentro de um programa que fosse feito por conjuntos de entidades religiosas.

A Lei 9.475/1997, porém, alterou o artigo 33 e transformou o ensino religioso em “parte integrante da formação básica do cidadão”, vedando quaisquer formas de “proselitismo” e assegurando “respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil”, deixando aos sistemas de ensino a fixação de procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e normas de habilitação e admissão de professores.

Esta nova disposição, que afronta a Constituição da República, inviabilizou o ensino religioso confessional, permitindo uma indevida intromissão do Estado na elaboração dos conteúdos desta disciplina, até porque passou a ter como objetivo “a formação básica do cidadão”, pondo como freio “o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil”.

Na verdade, a lei veio criar um “ensino religioso civil”, impôs parâmetros e limites para a veiculação de conteúdos, tudo sob o argumento de que, como os cofres públicos iriam arcar com estes professores, poderia e deveria impor limites à ação destes mesmos professores, a fim de manter a “laicidade” do Estado.

A referida lei foi uma importante vitória do “laicismo”, que não se confunde com a “laicidade”. “…Laicidade, corretamente entendida, significa que o Estado deve proteger amplamente a liberdade religiosa tanto em sua dimensão pessoal como social, e não impor, por meio de leis e decretos, nenhuma verdade especificamente religiosa ou filosófica, mas elaborar as leis com base nas verdades morais naturais. O fundamento do direito à liberdade religiosa se encontra na própria dignidade da pessoa humana. Infelizmente, mesmo em países de profundas raízes cristãs, como a Espanha, este laicismo radical e anticristão é notado com clareza. Um Estado que tenta impedir a vivência religiosa do povo, especialmente o Cristianismo, com uma ação hostil ao fenômeno religioso e a tentativa de encerrá-lo unicamente na esfera privada (…) o laicismo que hoje vemos é o do Estado que caminha para se tornar um Estado com religião oficial e não um Estado laico: um Estado totalitário ateu, que quer eliminar Deus e a religião e que investe fortemente contra a liberdade religiosa. Um Estado cujo deus é o individualismo, o hedonismo, o prazer material e a “liberdade” para aprovar tudo que desejar, sem restrições morais..…” (AQUINO, Felipe. Estado laico ou laicista. Disponível em: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2011/02/02/estado-laico-ou-laicista/ Acesso em 11 mar. 2011).

A educação é direito de todos e dever do Estado e da família promovida e incentivada com a colaboração da sociedade (artigo 205 da Constituição da República). Portanto, a ação educacional deve se dar de forma integrada entre Estado, família e a sociedade civil, incluindo-se, aí, naturalmente, as organizações religiosas, que podem e devem cooperar com o Estado, nos exatos termos do artigo 19, inciso I da Carta Magna, que manda que haja “colaboração de interesse público” entre Estado e organizações religiosas.

Ora, a educação busca, segundo o mesmo artigo 205 da Constituição da República, o “pleno desenvolvimento da pessoa”, o que inclui a dimensão espiritual da pessoa, dimensão esta que o Estado brasileiro, por ser um Estado Democrático de Direito, que, inclusive, garante a liberdade de culto e de crença, tem de considerar e reconhecer.

Deste modo, não se vê qualquer obstáculo para que se tenha o ensino religioso nas escolas, ensino confessional, sustentado e patrocinado pelas organizações religiosas, permitida a possibilidade de interconfessionalidade, mediante iniciativa das mesmas entidades religiosas.

O Estado não pode impedir que os pais solicitem que as escolas disponibilizem horário e local para a ministração de aulas de ensino religioso por parte de orientadores religiosos devidamente credenciados e preparados pelas organizações religiosas, em matrícula facultativa e no mesmo horário das demais aulas. É direito garantido constitucionalmente e exercício legítimo da liberdade religiosa.

A educação religiosa não está confinada ao espaço privado dos lares, nem tampouco às organizações religiosas, pois é algo de notável interesse público e que contribui para “o pleno desenvolvimento da pessoa”.

O Estado não é “dono” do espaço da escola, pois a escola é um ambiente onde Estado, família e sociedade cooperam entre si e colaboram para que haja “a formação básica do cidadão”, formação esta que tem de ter, também, a dimensão religiosa.

O Estado brasileiro não é antirreligioso. Esta concepção, como bem diz o grande jurista brasileiro, Ives Gandra da Silva Martins, é “…uma visão deturpada do Estado Laico, que não é UM ESTADO SEM DEUS, mas um Estado em que a liberdade de pensar é plena e não pode reputar-se ameaçada pelo respeito às tradições do povo e do País…” (A ditadura do laicismo. Revista Jus vigilantibus . Disponível em: http://jusvi.com/colunas/42669 Acesso em 11mar. 2011).

Ao mesmo tempo em que o Estado brasileiro não quer permitir que os pais optem para que seus filhos tenham um ensinamento, na escola, de orientadores de sua confissão religiosa, quer impor aos filhos uma educação sexual segundo seus pontos-de-vista. Não seria a educação sexual uma matéria também da esfera privada?

Por que podem ser instaladas máquinas de “camisinha” nas escolas e não se podem ensinar os valores religiosos por orientadores devidamente credenciados, de forma opcional, de pessoas de sua confissão religiosa?

Notamos, aqui, que, por detrás deste “laicismo” está o que as Escrituras denominam de “mistério da injustiça” (II Ts.2:7) ou “espírito do anticristo” (I Jo.4:3), que resiste a tudo quanto diz respeito a Deus (II Ts.2:4): a atuação maligna para afastar o homem de Deus cada vez mais.

A este movimento anticristão, nós, como servos do Senhor, em que está o Espírito Santo (Jo.14:17), devemos resistir, assim como o Espírito de Deus o faz (II Ts.2:6,7), resistência esta que se dará mediante a sujeição a Deus (Tg.4:7) e ao legítimo exercício de nossos direitos civis e políticos, garantidos pela nossa Constituição da República, entre os quais o da liberdade religiosa e da garantia do ensino religioso em nossas escolas.

Dr. Caramuru Afonso Francisco é bacharel em Filosofia, bacharel e doutor em Direito pela USP, Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém e colaborador do Portal Escola Dominical.

Dia Internacional das Mulheres: Muito o que Fazer!

Uma em cinco mulheres no mundo diz ter sofrido abuso sexual antes dos 15 anos de idade, alertou nesta quinta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em pronunciamento pelo Dia Internacional da Mulher, a diretora da OMS, Margaret Chan, disse que a data deveria servir para "pôr fim à impunidade" contra as mulheres e meninas.

"Sabemos que a violência doméstica é a principal forma de violência contra a mulher, muito mais freqüente que as agressões por desconhecidos", ela declarou.

"A violência física e sexual por parte do parceiro tem conseqüências terríveis para a saúde da mulher."

A diretora da OMS afirmou que as más condições de trabalho reservadas ao sexo feminino, a pobreza e a discriminação trazem riscos para as mulheres.

A cada ano, mais de meio milhão de mulheres morre por complicações no parto – um número que está estagnado há 20 anos, afirmou Margaret Chan.

Além disso, no ano passado, as mulheres foram 74% das pessoas infectadas pelo vírus HIV na África subsaariana.

"A pobreza é responsável pela maior parte das mortes por causas evitáveis. Às vezes a situação se vê complicada por normas sociais que impedem a igualdade de oportunidades e a liberdade de manifestação", disse Chan.

"(As mulheres) são a coluna vertebral de todas as nossas sociedades: como líderes, como responsáveis pela família e como mães. Investir na mulher e em sua saúde é investir no progresso da humanidade."

Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/03/070308_mulher_oms_pu.shtml

A Meditação na Vida Cristã 1/4

Por Caramuru A. Francisco

Texto áureo

“Antes tem o seu prazer na lei do Senhor e na Sua lei medita de dia e de noite.” (Sl.1:2)

I – A MEDITAÇÃO NA BÍBLIA SAGRADA

A questão da meditação deve ser bem analisada, visto que, por meio dela, a Nova Era tem conseguido se imiscuir na vida espiritual de muitos. Na verdade, a meditação, entre os cristãos, máxime entre os evangélicos, não é assunto muito abordado, já que a se trata de prática que encontrou guarida seja entre os cristãos do Oriente, seja entre os católicos romanos, sendo, mesmo, a base dos chamados “místicos”, em sua grande maioria, pessoas que se dedicaram à vida monástica, ou seja, à vida em mosteiros e conventos, prática que foi descartada pelos que seguiram a Reforma Protestante.

No entanto, a partir do século XIX, com uma nova busca da espiritualidade, após o desencanto com o racionalismo iniciado a partir do século XV no Ocidente, busca esta, inclusive, que deu origem ao movimento pentecostal entre os evangélicos, a meditação, como prática devocional, voltou a encontrar guarida na vida cristã, como também a ser difundida pela Nova Era, com o resgate das crenças orientais, notadamente o hinduísmo e suas variações e o budismo.

O resultado disto é que a questão da meditação voltou à tona, e como a Bíblia Sagrada fala dela, torna-se necessário verificar qual é o seu lugar na vida espiritual do cristão e um estudo sobre a doutrina bíblica da oração se apresenta como ocasião propícia para falarmos deste assunto, até porque o silêncio a respeito do tema entre os estudiosos da Palavra tem reforçado a influência deletéria que o movimento Nova Era, arauto do Anticristo, tem promovido entre muitos que cristãos se dizem ser.

“Meditar” é, precisamente, dizem-nos os lexicógrafos (aqueles que escrevem dicionários), o ato de “refletir, pensar longamente, ocupar-se, estudar, praticar e fazer”. A palavra hebraica empregada para “meditar” é “hagah” (הגה), cujo significado é “refletir, gemer, resmungar, ponderar, planejar, maquinar”. “…Hagah representa algo tranquilo, diferente do sentido de ‘meditação’ enquanto exercício mental. No pensamento hebraico, meditar nas Escrituras é repeti-las calmamente em som suave e baixo, abandonando interiormente as distrações exteriores.…” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Palavra-chave: medita. Sl.1:2, p.537).

A palavra “meditar” é, em princípio, utilizada, pelas Escrituras, para indicar a leitura devocional da Bíblia, como se vê, por exemplo, em Js.1:8, onde o próprio Senhor, ao orientar Josué, após a morte de Moisés, manda que o novo líder de Israel meditasse no livro da lei de dia e de noite. Ora, o livro da lei, àquela altura, era tudo quanto havia das Escrituras Sagradas e, ao determinar que Josué, para que tivesse êxito em sua missão, não apartasse da sua boca a lei e nela meditasse de dia e de noite, o Senhor estava determinando que Josué não cessasse de refletir, pensar longamente, ocupar-se daquilo que estava escrito no livro.

A repetição do texto sagrado, a voz pequena, como um verdadeiro resmungo, com nítido objetivo de reflexão, de ponderação, com a finalidade de fazer com que a mente analise e aplique os preceitos constantes da Bíblia Sagrada no cotidiano de cada um é o sentido de “meditar” na maior parte das vezes em que as Escrituras falam em meditação, como podemos observar no Salmo 119, onde a palavra aparece diversas vezes (Sl.119:15,23,48,78,97,99,148), sempre relacionada com a leitura devocional da Palavra de Deus.

Esta meditação, conforme determinada por Deus a Josué, era uma meditação contínua. A expressão bíblica é “de dia e de noite”, ou seja, a qualquer hora do dia, a qualquer momento, em outras palavras, sempre. Assim como há um mandamento bíblico para orarmos ininterruptamente, também existe uma determinação do Senhor para que jamais deixemos de pensar e de refletir sobre as Escrituras Sagradas. O salmista diz que meditava todo o dia (Sl.119:97). Mas por que deveria Josué meditar de dia e de noite no livro da lei? O próprio Deus responde: “para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito, porque então farás prosperar o teu caminho e então prudentemente te conduzirás” (Js.1:8). Estas palavras, a propósito, são repetidas pelo salmista (Sl.1).

A leitura devocional da Bíblia, por ser feita com apego, isto é, com meditação, com envolvimento mental e longa reflexão a respeito do que é lido, produz em cada leitor o cuidado necessário para que pratiquemos as ações corretas, para que ajamos segundo a vontade de Deus, que está expressa no texto sagrado, a fim de que tenhamos uma vida espiritual bem sucedida e que adquiramos a prudência, que é nada mais, nada menos que a ciência do Santo (Pv.9:10). Para que sejamos vitoriosos nas lutas diárias que temos na vida com Cristo nesta Terra, para que saibamos o que o Senhor Jesus, que é o Santo, quer de cada um de nós, é indispensável, são palavras do próprio Deus, que estejamos a meditar de dia e de noite na Palavra do Senhor.

Mas, além da palavra “hagah”, também é traduzido por “meditar” na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra hebraica “shiyach”(שיח), cujo significado é “conversar consigo mesmo”, “refletir”, “ponderar”. Este termo é encontrado, v.g., no Sl.77:6, quando o salmista Asafe, num instante de angústia e aflição, ficou a arrazoar no seu coração o seu estado presente e o que Deus já havia feito em prol do Seu povo, pensando se Deus haveria de rejeitá-lo para sempre ou se tornaria a ser-lhe favorável. Mas, à luz da lembrança dos feitos do Senhor, o salmista viu que estava enfermo espiritualmente e afastou de si aquela sensação de incredulidade, de dúvida quanto à fidelidade do Senhor.

Notamos, pois, que, neste sentido, a “meditação” envolve não a lembrança literal do texto sagrado, mas é uma reflexão da mente a respeito das obras do Senhor, do caráter do Senhor, lembrança baseada, sem dúvida, na revelação divina nas Escrituras, mas que prescinde da leitura do texto bíblico ou de sua recitação a voz pequena. Foi o que fez o salmista no Salmo 104, quando, depois de observar a natureza e todas as obras do Senhor que a formam, diz que tudo quanto observou e analisou tinha sido “sua meditação a respeito do Senhor” (Sl.104:34).

Este significado de meditação, quase sempre presente na ideia de “meditação no coração”, também é apresentado pela palavra “hagah”, em textos como Sl.5:1, 63:6; 77:13; 19:14; 39:3 ; 49:13 e 143:5; Pv.15:28 e 24:2.

Notamos, portanto, que a meditação, no Antigo Testamento, não se apresenta apenas como uma reflexão mediante a recitação nas Escrituras, mas é também uma atividade de reflexão “no coração”, ou seja, uma reflexão baseada nas obras do Senhor, reflexão esta que, conquanto baseada na revelação escriturística, não depende do texto bíblico para se realizar.

OBS: “…Acerca do homem bem-aventurado do Salmo 1, é dito: ‘Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na Sua lei medita de dia e de noite’ (A. G. Clarke diz: ‘A lei do Senhor aqui é praticamente sinônimo da Palavra do Senhor, toda a revelação divina’). Em primeiro lugar, ele se deleita na lei do Senhor, então ele medita nela. Meditação bíblica envolve o uso da mente no estudo da Palavra de Deus, ‘mastigando-a’ , assimilando- a, e então agindo com base no que tem sido aprendido.(…) Você meditará em Deus como você medita na Palavra. No Salmo 119, o salmista falou da Palavra em tudo, exceto em dois versos; ele se referiu à meditação sete vezes e se referiu a Deus em cada verso. Enquanto o salmista se deleitava na Palavra e meditava nela, pensamentos de Deus enchiam sua mente; assim será conosco.…” (NORRIS, John. A importância da meditação na vida do crente. Truth and tidigns, maio 1995, Trad. e adapt. por Claudinei Benedito Benedito. Disponível em: http://www.exame.diario.nom.br Acesso em 21 out. 2010).

Daí porque ter sido traduzida por “medita”, a palavra “shama’” (שמע), que significa “ouvir”, mas que, “in casu”, na fala de Elifaz, é um convite para que Jó refletisse sobre tudo quanto seu amigo lhe havia dito a respeito de Deus para, então, tomar uma atitude que o pudesse livrar daquela aflitiva situação em que se encontrava.

A meditação apresenta-se, pois, como uma concentração mental, mas não um mero exercício da razão, mas uma espécie de “balanço” no qual se volta para o interior e se verifica a sua situação diante de Deus e diante da situação em que se está. A “meditação” é uma atitude de interiorização, em que o salvo deverá refletir a respeito da revelação divina, buscará, num instante de silêncio e de falta de atividade, “escutar a voz do Senhor”, revelação esta que não se dá apenas nas Escrituras, mas também na natureza (Sl.19:1-3; Rm.1:20).

Vale a Pena Ver, Ouvir e Louvar!



Nesta semana em que completo mais um ano de vida, gostaria de engrandecer a Deus, o meu Senhor, por tudo o que Ele por Seu amor tem feito em minha vida. E, me parece, não há forma melhor de louvá-Lo em gratidão que por meio de uma bela canção. Assim, compartilho com você deste tributo à bondade e graça de Deus que se revela em nossas vidas a cada manhã. A você seguidor e leitor deste blog meu muito obrigado e que o Senhor te cubra de Suas misericórdias. Sempre! Não há maior privilégio de que ser usado por Deus e para Sua glória.
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