"Deus me Livre de Ser Feliz"

Por Francikley Vito

Ouvimos com frequência uma frase que, de tão repetida, temos a sensação de que é uma necessidade primária. A frase é: Eu quero ser feliz! Mas quando desejamos ser feliz, o que realmente queremos dizer? Para muitos, a felicidade consiste em adquirir bens materiais, ter um trabalho bem-remunerado ou ser reconhecido por seus talentos, possuir uma família harmoniosa e gozar de boa saúde, etc.. Se assim fosse, não haveria aqueles que apesar de não ter a maioria dessas coisas (leia-se dinheiro e fama) quando perguntadas se são felizes, respondem com um sonoro e retumbante sim. Qual o motivo de algumas pessoas conseguirem ser feliz sem ter praticamente nada, enquanto outros, mesmos tendo tudo, vivem a procura de uma felicidade que parece nunca chegar? O que é a tão desejada e não encontrada felicidade? É possível ser feliz?

Em um artigo publicado no carnaval (um tempo em que a maioria das pessoas se enxergam como estando vivendo o auge da felicidade possível), o filosofo Luiz Felipe Pondé deu a um dos seus artigos o curioso título de “Deus me Livre de Ser Feliz”; uma provocação criativa e mordaz àqueles que se entendiam felizes. Segundo ele, o tipo de euforia que eram experimentadas naqueles dias de festa, era tudo o que ele não queria como modelo de felicidade. As festas carnavalescas no Brasil são dias em que as pessoas tendem a extravasar suas emoções e desejos em nome da “liberdade” que dizem desfrutar. Essas emoções são vistas pelo filósofo, não como algo bom, mas como algo trabalhoso, penoso, ruim. Daí a ambiguidade no título do seu artigo.

O pensador cristão C. S. Lewis, em carta escrita ao seu irmão que era alcoólatra, escreve: “Começo a suspeitar que o mundo não se divide em pessoas felizes e pessoas infelizes, mas em pessoas que gostam da felicidade e nas que, por estranho que pareça, dela não gostam”. Ao lermos essa colocação, somos tentados a pensar, erradamente, que o problema esteja em buscar a felicidade em si, mas isso não é verdade; a dificuldade ocorre quando não sabemos, ou não nos importamos em saber, o que é a verdadeira felicidade, ou a felicidade segundo Deus, para usar um termo comum. São esclarecedoras as palavras do teólogo e pregador D. M. Lloyd-Jones sobre o conceito de felicidade. Diz ele que “o grande alvo que a humanidade busca é a felicidade. O mundo inteiro anela obter a felicidade, e quão trágico é observar como as pessoas a estão procurando. A vasta maioria, infelizmente, busca-a de tal modo que essa busca só produz o infortúnio. Qualquer coisa que, mediante a evasão das dificuldades, meramente torne as pessoas felizes por curto prazo, em última análise só tende por intensificar a miséria e os problemas que eles enfrentam. É aí que entra o caráter totalmente enganador do pecado – sempre oferecendo felicidade, mas sempre conduzindo à infelicidade e ao infortúnio e à condenação final.”[1]

Segundo o pregador, por causa do pecado as pessoas são enganadas com algo que parece felicidade; paliativos que, ao invés de ajudá-las, acabam por aumentar o seu estado de miséria e que no final acabará por levá-las para a condenação final, longe de Deus.

Quando nos voltamos para as Escrituras, principalmente os escritos do Antigo Testamento, a felicidade aparece vinculada com o temer do Senhor, com obedecer aos Seus mandamentos e com a busca constante de Deus e de Sua Palavra; e se formos um pouco mais adiante nos Escritos bíblicos, veremos que no Novo Testamento a ideia de felicidade tem a ver com ser pobre de espírito, ter necessidade de justiça, ser pacificador, ser perseguido e coisas deste tipo (Mt 5). Se isso for o que um cristão pode chamar de verdadeira felicidade, ou de felicidade no sentido bíblico, será que teríamos coragem de pedir a Deus para sermos felizes, ou diríamos como o filósofo “Deus me livre de ser feliz”? Em que categoria de pessoas estaríamos inseridos, daquelas que gostam da felicidade ou daquelas que dela não gostam? A busca da felicidade é um fato; encontrar a verdadeira felicidade uma escolha que depende de nós.

Nota: [1]D. M. Lloyd-Jones. Estudos no Sermão do Monte. São José dos Campos: Fiel, 1999.

Da Paixão de Cristo à Paixão Amorosa

Por Sérigio Rodrigues

Sempre me intrigou, desde criança, a Sexta-Feira da Paixão. Por que o martírio de Cristo levava o nome que usamos para designar uma emoção intensa, quase sempre amorosa, e que pode ser até violenta e perturbadora, mas normalmente tem valor positivo? Quem não gosta de se apaixonar?

Essa amplitude semântica me parecia excessiva, difícil de abarcar. Mas o percurso não é tão inusitado quanto parece à primeira vista. A paixão amorosa nasceu, sim, marcada pela ideia de sofrimento: o gozo só viria mais tarde. Mas para começo de conversa é preciso compreender que a paixão foi suplício físico muitos séculos antes de ser arrebatamento afetivo ou sexual.

Do latim tardio passio, passionis, ela surgiu com o sentido de padecimento atroz, em especial o de Jesus Cristo e o dos primeiros mártires da Igreja Católica. Ligada ao radical pati, é parente de palavras como passivo e paciente, e deixa entrever o apaixonado como aquele que suporta a dor. Foi com esse sentido religioso que paixão desembarcou em português no século 13, quando era grafada como “paixon” ou “paxon”.

Em latim, uma ampliação semântica tinha se dado já nos primeiros séculos da era cristã, quando autores influentes passaram a usar passio como tradução do grego phátos, para designar doenças do corpo e perturbações morais em geral. Mas o significado de desejo intenso, de sentimento de atração que está acima da razão, só chegaria ao português e ao inglês no século 14, por provável influência – o que não deixa de ser previsível – do francês, língua em que se começou a falar já no século 13 de passion d’amour (sofrimento amoroso).

Coube aos falantes dos séculos seguintes dissociar gradualmente a palavra da ideia de dor, fixando-se no arrebatamento e na entrega emocional. A sombra da doença, porém, nunca abandonou por completo a paixão. O que, pensando bem, faz sentido

Fonte:http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/palavra-da-semana/da-paixao-de-cristo-a-paixao-amorosa/

Revendo o Nosso Conceito de Educação

Por Gilbert Keith Chesterton

Quão estranho é, então, que tão constantemente pensemos que a educação tenha algo a ver com tais coisas como ler e escrever! Ora! educação real consiste em não ter nada a ver com coisas como ler e escrever. Ela consiste, no mínino, em ser independente delas. A educação real consiste no fato de que vemos além de símbolos e de meros mecanismos da época em que nos encontramos: a educação consiste precisamente na percepção de uma simplicidade permanente que sobrevive por trás de todas as civilizações; a vida que é mais que alimento; o corpo que é mais que vestuário. O único objetivo da educação é fazer-nos ignorar os meros esquemas de educação. Sem educação estamos num perigo horrível e mortal de levar a sério as pessoas instruídas. A última das modas da cultura, o último dos sofismas do anarquismo nos arrebatarão se não formos educados: não saberemos quão antigas são as novas ideias. Pensaremos que a ciência cristã; é realmente todo o cristianismo e toda a ciência. Pensaremos que as cores artísticas são apenas as cores da arte. O homem deseducado sempre se importará excessivamente com complicações, com novidades, com a moda, com a coisa mais recente. O homem deseducado será sempre um dândi intelectual. Mas o negócio da educação é nos contar a respeito de todas as diversas complicações, de toda a estonteante beleza do passado. A educação impõe-nos conhecer, como disse Arnold, todas as melhores literaturas, todas as mais belas artes, todas as melhores filosofias nacionais. A educação nos impõe conhecê-las todas para que possamos passar sem todas elas.

Nota/Fonte: Parte do texto “Educação Através dos Contos de Fadas”. Disponível em http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/26/artigo190502-2.asp (o título é do editor do blog).

O Apóstolo Paulo: Sua Missão e Evangelho

Por Daniel Marguerat

Paulo é um homem de colaboração, de equipes, de redes. Com freqüência é imaginado só, mas não é o caso! Ignora-se, freqüentemente, que sua rede missionária, feita de múltiplas colaborações, é o vetor de evangelização mais eficiente que tenha conhecido toda a Antigüidade!

Mas, acima de tudo, Paulo é o homem de duas culturas, a cultura hebraica e a cultura greco-latina. É um fariseu que pertence a uma ala intransigente do judaísmo no pensamento, na exegese da Tora e na aplicação do ritual à vida individual. É também um homem plenamente possuidor da dialética e da retórica greco-romanas, que seguramente aprendeu na escola estóica de Tarso, a maior escola estóica do Leste do Mediterrâneo. Paulo encontra-se dentro de uma encruzilhada cultural: é por isso que seu pensamento permitirá ao cristianismo o abandono da órbita originária do judaísmo, para abrir-se à universalidade do mundo.

Toda a primeira pregação de Paulo é difícil de captar, porque os seus escritos datam do último período de sua vida. Não dispomos da primeira pregação, mas em certa medida da segunda. Todavia, o que se pode ver em suas cartas, é que Paulo apresenta uma teologia de ruptura. Pratica o choque de pensamento. Exemplo: anuncia a cruz como “escândalo” para os judeus e “loucura” para os pagãos.

A cruz é escândalo por apresenta um Messias frágil, inaceitável para a tradição judaica. É também loucura para os pagãos: Paulo se refere à busca de sabedoria da filosofia grega, uma busca simultaneamente filosófica e religiosa, que se refere aos princípios de estruturação do mundo. Por esta sabedoria, a racionalidade fazia parte da busca de Deus: precisava mostrar de que modo Deus se identifica com a ordem do mundo.

Ora, neste contexto, anunciar que Deus se revela num corpo pregado numa cruz é ao mesmo tempo irracional e absurdo. Assim, Paulo chega a exprimir muito bem, na linguagem das duas culturas, como o Deus que se manifesta sobre a cruz é um Deus que escapa à busca, à expectativa, ao imaginário de toda investigação religiosa.

Há nele um grande pudor. Paulo não é um exibicionista religioso. Ele jamais negou o fato de sua conversão, nem o seu passado de perseguidor da Igreja, nem a convicção que sua vida foi reencaminhada pelo próprio Cristo. Se o recorda, não é jamais para pôr em destaque o seu “eu”, mas sempre para manifestar o agir de Deus nele e através dele. Paulo faz uma leitura teológica da mudança radical de sua vida pessoal. Sua teologia é uma teologia de ruptura, que corresponde à ruptura do seu percurso de vida. Se Paulo pode, com força, anunciar o fim da Tora como caminho de salvação e a revelação de um Deus que revoluciona ou subverte a nossa imagem do divino, é porque estas duas afirmações correspondem ao que ele próprio experimentou.

O que se aproxima à situação de Paulo é a descoberta que o cristianismo constitui hoje uma minoria na sociedade do mercado religioso concorrencial e aberto, e que o cristianismo deve justificar sua própria razão de ser. Neste contexto, Paulo nos ensina a formular a identidade cristã como uma identidade aberta. O coração de sua teologia reside na convicção de que o acesso a Deus não depende mais da pertença a uma etnia, não depende mais da história, do sexo ou da performance religiosa: é o que se chama de justificação pela fé. A acolhida que Deus nos reserva é sem condições. Paulo, desde então, edificará comunidades que refletem aquilo em que ele crê: comunidade onde homens e mulheres, patrões e escravos, judeus e gregos se reconhecem como partícipes de uma mesma identidade, “o Corpo de Cristo”, cada um com igualdade de direitos, de responsabilidades e de vocação. São uma “comunidade de discípulos iguais”, segundo a expressão de Elisabeth Schüssler-Fiorenza. Por isso, fazer de Paulo um antifeminista, como se repetiu com freqüência, não é só cometer um anacronismo, é, sobretudo, lê-lo mal... Mas, Paulo com freqüência foi lido mal!

Acrescento que os escritos de Paulo recordam que a diversidade está no coração do cristianismo. Mostram que o cristianismo nasceu plural, e que esta pluralidade é uma vocação originária.

Paulo, por certo, pode ser confiscado. O que faz a diferença é o diálogo aberto de Paulo com a cultura. As comunidades de identidade fechada têm uma visão negativa em confronto com o mundo, pessimista em confronto com a cultura; e com freqüência um olhar catastrofista sobre a história. Estas comunidades se constituem na recusa da modernidade e na estranheza do mundo. Paulo prega a diferença perante a sociedade, uma diferença que se joga na qualidade das relações humanas e nos valores dos quais os cristãos podem ser portadores. Mas, jamais demoniza o mundo e sua cultura. Entra sempre em debate. Paulo não pode ser a bandeira de movimentos sectários ou integristas.

Paradoxalmente, o que mais aprecio nele é o seu humorismo. Ler as cartas de Paulo não é, todavia, um exercício particularmente hilariante. O que chamo de humorismo é a capacidade de tomar distância daquilo que se vive. Exemplo: quando Paulo, em Corinto, é acusado de ser um pregador medíocre, dotado de um dote carismático antes mísero, reage com humorismo e responde: “Tendes plenamente razão. No fundo, a única coisa de que posso vangloriar-me, é a ladainha das minhas desventuras: tenho sido preso, flagelado, naufraguei várias vezes... Mas, se posso dizer que me vanglorio, é porque é Deus que, cada vez, me salvou destes perigos. O fato de ter atravessado estas provas é o sinal de que uma graça de Deus age através de minha pessoa”.

Paulo chega a mostrar que, o que lhe é censurado – o cheque-mate – é precisamente o que funda a autenticidade de sua vocação! Eis o humorismo evangélico: mostrar como, na fragilidade e na irrisão, se manifesta o secreto poder do Deus da cruz. O Evangelho de Paulo rompe definitivamente com uma ideologia da eficiência.

Fonte:http://www.ihu.unisinos.br/index.phpoption=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=15076 (essa é uma adaptação do texto original, que foi publicado em forma de entrevista)

O que a Religião não faz e o Cristianismo faz

Por John Charles Ryle

Uma simples religião de domingo não é o suficiente. Algo que colocamos e tiramos com nossas roupas de domingo é impotente. Os homens sabem que há sete dias na semana, e que a vida não é feita só de domingos. A ronda diária de formalidades e cerimônias nos edifícios consagrados não é o bastante. Os homens espertos lembram que há um mundo de obrigações e aflições fora das paredes da igreja, no qual eles devem exercer o seu papel. Eles querem algo que possam levar consigo neste mundo.

Uma religião monástica nunca conseguiria. Uma fé que não pode florescer fora de uma estufa eclesiástica, uma fé que não pode encarar o ar frio dos negócios do mundo, e frutificar, exceto se for por trás do muro do isolamento e do asceticismo – tal fé é uma planta que o nosso Pai Celestial não plantou, e ela não leva nenhum fruto à perfeição.

Uma religião de entusiasmo espasmódico e histérico não consegue. Ela pode servir para mentes fracas e sentimentais por um tempo; mas ela raramente dura, e não satisfaz a vontade de muitos. Ela enfraquece ossos e músculos, e geralmente termina em morte, pela força da reação. Não é o vento, nem o fogo, nem o terremoto, mas a voz, ainda que pequena, que mostra a real presença do Espírito Santo.

O Cristianismo que o mundo requer, e que a Palavra de Deus revela, é de um tipo bem diferente. É uma religião útil para todos os dias. É uma planta saudável, forte e viril, a qual pode viver em qualquer posição, e florescer em qualquer atmosfera, exceto a do pecado. É uma religião que o homem pode levar com ele aonde ele for, e nunca precisa deixar para trás. No Exército ou na Marinha, na escola pública ou na faculdade, no anfiteatro de um grande hospital ou no bar, na fazenda ou na cidade, no mercado ou nas trocas, no parlamento ou na corte, o Cristianismo puro e verdadeiro viverá e não morrerá. Ele vai durar, permanecer e prosperar em qualquer clima, no inverno e no verão, no calor e no frio. Tal religião encontra os desejos do homem.

Fonte: http://bisporyle.blogspot.com/2011/02/o-que-religiao-nao-faz-e-o-cristianismo.html

Violência Desafia Governos e Educadores

Por Luciano Máximo e Sérgio Bueno

Simples busca na internet descortina dezenas de casos ocorridos nos últimos anos envolvendo pessoas portando armas de fogo dentro dos muros das escolas em todo o país, sejam elas públicas ou particulares. O Valor procurou os educadores envolvidos em alguns destes casos e os relatos mostram a dificuldade em lidar com a violência quando ela entra no ambiente escolar.

"No cotidiano, nem o governo nem as escolas sabem como agir diante da violência. Deveria existir um plano maior, de prevenção e esclarecimento, principalmente com a participação de pais e da comunidade", avalia Volmer Pianca, diretor do Sindicato de Especialistas em Educação do Magistério do Estado de São Paulo (Udemo).

Em um universo de 496 escolas estaduais que participaram de pesquisa da entidade, 84% registraram ocorrências relacionadas à violência em 2009. Constam do levantamento ameaça a professores, arrombamentos, explosão de bombas, uso de drogas e porte de armas. Mais de 200 escolas disseram ter problemas com drogas e mais de 90, com porte de armas.

Em nota, o secretário Estadual de Educação de São Paulo, Herman Voorwald, informou que "o processo de universalização do ensino trouxe a sociedade para dentro da escola pública e incorporou muitos problemas sociais, antes estranhos ao ambiente escolar".

As escolas paulistas contam com o apoio de 23 mil agentes que, entre outras funções, coordenam a entrada e saída dos estudantes, também vigiados pela ronda escolar da Polícia Militar. Em 2009, a Secretaria criou o Sistema de Proteção Escolar para combater a violência, com a difusão de práticas para identificar, prevenir e mediar conflitos nas escolas. São 1,2 mil professores-mediadores, em mil escolas da rede estadual. O Estado tem 5 milhões de alunos, 220 mil professores e 5,3 mil escolas.

Há menos de uma semana, o ex-marido de uma professora da Escola Estadual Gonçalo Antunes Bezerra, em Alagoinha, interior de Pernambuco, invadiu uma escola e atirou em dois alunos, que sobreviveram ao ataque. No mês passado, um funcionário da Escola Estadual Armando Nogueira, em Rio Branco, no Acre, foi ferido nas dependências da unidade. "Houve investigação, pegaram um dos rapazes envolvidos, e depois do que aconteceu, os vigias passaram a trabalhar armados", relatou o professor Luiz Rodomilson.

Em 2009, o estudante Eduardo Lucas da Silva foi atingido por um tiro enquanto participava da aula de educação física na Escola Estadual Governador Milton Campos, em Belo Horizonte. A secretaria do colégio informou que, desde então, até quatro policiais militares fazem ronda dentro da escola durante o intervalo.

A diretora da Escola Estadual Agalvira Pinto, em Araucária (PR), Gislene Busch, teve de lidar com a morte de um aluno de 15 anos, baleado na quadra da escola por um morador da comunidade, que levou um revólver para exibir aos amigos. "Não tínhamos controle do acesso à quadra, porque os portões foram arrancados. O policiamento perto da escola aumentou, mas os portões ainda não foram colocados por causa de burocracia na liberação de recursos", conta.

Em Teresina, no Piauí, o diretor da Unidade Escolar Monsenhor Cícero Portela Nunes, Carlos Fortes, afirma que o pelotão escolar, unidade da Polícia Militar responsável por fazer a ronda escolar no Estado, "tem número baixo de soldados e demora para chegar quando acionado". Em 2009, um funcionário da escola foi baleado. Procuramos fazer o possível para manter a segurança: impedimos que alunos fiquem na frente da escola, abolimos a entrada no segundo horário e nem mesmo pais de alunos têm acesso às classes", diz Fortes.

Para o educador e psicólogo Marcos Meier, as políticas governamentais devem focar o professor. "A formação profissional hoje é muito focada em conteúdo, num momento em que o professor está perdendo autoridade diante do aluno. Isso não ocorre só na escola, vem de casa, da ausência de autoridade dos próprios pais. A formação deve reforçar o relacionamento social e as escolas devem estar mais perto das famílias", opina ele.

Apesar da falta de estatísticas específicas sobre o assunto, o aumento da violência escolar é perceptível em Porto Alegre, segundo professores e autoridades. O delegado do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), Andrei Vivian, diz que há casos de estudantes flagrados com armas em escolas da rede pública e privada. Até agora, não há registro de assassinatos na capital gaúcha, mas em maio de 2010 um estudante de 15 anos foi morto com um tiro por outro adolescente de 14 anos logo após descer de um ônibus. Na época, a mãe da vítima relatou que há dois anos o filho era alvo de "bullying", porque era gordo. O assassino disse ser amigo dos colegas que assediavam a vítima.

Preconceito, tráfico de drogas, desemprego, desagregação social e desavenças pessoais são os motivos mais frequentes para a violência, na visão do delegado. Segundo ele, as escolas não conseguem se isolar do ambiente violento que as rodeiam e acabam refletindo o aumento dos índices gerais de criminalidade. A situação não é mais grave, diz, porque as escolas estaduais contam com policiamento da Brigada Militar. "Não temos como blindar as escolas, mas podemos reduzir a violência", diz o diretor do departamento de articulações com municípios da Secretaria da Educação do Estado, Glauber Lima. Segundo ele, 484 dos 2,6 mil colégios estaduais têm policiais "residentes", que moram no local.

Fonte: Jornal Valor, 08/04/2011. Divulgação: http://www.ihu.unisinos.br/index.phpoption=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=42210

Tiririca Faz Escola: Pode, Sim, Ficar Pior!

Por Luiz Alberto Weber

Matriculado numa afamada escola de maus costumes políticos do Brasil, Tiririca aprendeu rápido. Em menos de dois meses na Câmara dos Deputados, o palhaço, acusado pelo Ministério Público de ser analfabeto - o que quase ameaçou sua posse -, pós-graduou-se em malfeitorias parlamentares. Boletim hipotético registraria assim o desempenho de Tiririca no Congresso: nota 10 na disciplina Contratação de Fantasmas, aprovado com louvor em Uso de Dinheiro Público para Fins Privados e summa cum laudae [com a maior das honras] em Compadrio.

Neste curto período em Brasília, o parlamentar que se elegeu embalado pelo bordão "Você sabe o que um deputado federal faz? Nem eu, mas vota em mim que eu te conto" tornou-se um veterano. A full immersion [total, completa imersão] brasiliense foi tão eficaz que até mesmo o compromisso selado com seu 1,353 milhão de eleitores foi esquecido: Tiririca manteve em discreto sigilo a nomeação para cargos públicos de seus ex-assessores de campanha e amigos de programas humorísticos.

O deputado nada contou até agora sobre o que faz um congressista. O rompimento contratual com o eleitorado, aliás, indica o manuseio de bacharel que Tiririca já faz das artimanhas da política eleitoral. Com pouca afeição ao vernáculo, Tiririca não discursou nem assinou projetos de lei. Mas aplicou sua garatuja a CPI do DPVAT. Assinar e retirar assinaturas de CPIs é uma das moedas de troca do comércio político no Congresso e sinal de que o parlamentar novato já domina a linguagem sibilina dos salões da Casa.

Cenário de escândalos variados, como o mensalão, o mensalinho do ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti, os anões do Orçamento nos anos 90, a fraude dos sanguessugas e a compra e venda de mandatos, o Congresso possui mestres em áreas censuráveis. Novidade nas eleições de 2010, o artista aclimatou-se à capital federal e hoje, sem sua peruca loura e de terno, mistura-se aos mais antigos da Casa, aprimorando dia a dia sua performance de deputado e aplicação de aluno CDF.

Os primeiros capítulos de lições de má política - ainda pecados veniais se comparados ao prontuário de alguns integrantes mais escolados da Câmara dos Deputados - mostram que o palhaço não está de brincadeira.

Fonte/Nota:http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,analise-tiririca-fez-escola-em-malfeitorias-parlamentares,700127,0.htm?p=1. O título é do editor do blog.

A Violência Bíblica Volta à Moda Entre Ateus

Voltam à cena as manifestações de ateus que afirmam que a religião promove a violência e a injustiça, baseando-se em passagens do Antigo Testamento que contrastam bastante com os valores contemporâneos. Paul Copan responde a estas acusações num livro de recente publicação, Is God a Moral Monster? Making Sense of the Old Testament God (Deus é um monstro moral? O sentido do Deus do Antigo Testamento), da Baker Books.

O título do livro vem de um ataque do ateu militante Richard Dawkins, que chama Deus de "monstro moral". Dawkins acusa Deus de ser ciumento, mesquinho, injusto e vingativo, observa Copan. O também ateu Christopher Hitchens afirma que o Antigo Testamento fornece justificativas para o tráfico de seres humanos, para a escravidão e para os massacres. Daniel Dennet, por sua vez, apresenta Deus como insaciável de louvores, por dizer que criou os seres humanos à sua imagem e com isto revelar a sua vaidade.

Copan responde que, ao criar os seres humanos, Deus exprime a sua amabilidade e os deixa livres para se relacionarem com Ele, além de dotá-los de pensamento racional e de criatividade. "Isto é um privilegio, não escravidão", exclama. Longe de manifestar egoísmo, o desejo divino da nossa adoração reflete que Deus gostaria que o homem não se afastasse da realidade suprema, explica Copan. Adorando a Deus, mostramos que sabemos qual é o nosso verdadeiro lugar.

A nossa adoração flui naturalmente quando desfrutamos de Deus. Adorar a Deus provém da nossa alegria pela sua presença e da consciência do que é mais valioso na nossa vida. Copan observa também que podemos ver a humildade de Deus na encarnação de Cristo, que assumiu a nossa natureza humana e morreu na cruz por nós.

Fonte: http://www.zenit.org/article-27418?l=portuguese

Tchau, Teologia! Vai com Deus...

Por Magno Maganelli

Jesus respondeu: “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!”

A história da Igreja ensina que as diferenças de opinião sobre modos de interpretação (abordagens) e doutrinas (posicionamentos) sempre ocorreram. A novidade nos últimos anos é que os cristãos não mais divergem sobre abordagens nem sobre posicionamentos, porque nada sabem sobre a Bíblia nem sobre teologia. A maioria dos cristãos não considera a teologia e suas doutrinas algo importante, relevante e nem de aplicação prática em suas vidas.

Nas igrejas (e reuniões informais dos “sem-igreja”), no entanto, todos querem acertar o alvo e se darem bem. Mas como isso acontecerá, se não conhecem a proposta bíblica? O clímax da afirmação acima, feita por Jesus, é que nós “erramos”, e ele dá o motivo: por falta de conhecimento. Vincent Cheung em sua obra diz que “não há propósito maior para o homem senão o de conhecer a Deus”, e, “visto que Deus se revelou através da Escritura, conhecer a Escritura é conhecê-lo, e isto significa estudar teologia”. Isso não significa, necessariamente, matricular-se numa escola de teologia.

Até para servir a Deus em nossas “igrejas de bairro” necessitamos, ao menos, de uma teologia “funcional”, formulações para que nosso serviço seja feito de acordo a Palavra de Deus. Nada pode ser realizado na vida espiritual cristã sem a mínima noção de teologia:não podemos crer, não podemos evangelizar, não podemos pregar, não podemos ensinar, não podemos nem orar sem conhecimento teológico!

Em Romanos 10.13-15a há, por exemplo, uma proposição teológica: “Porque ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?” (NVI). Em outras palavras, é preciso aprender a verdade de Deus para pregá-la e levar outros a crer.

Alguém pode não gostar de teologia sistemática (Cristologia, Harmatiologia, Escatologia), mas precisa ao menos da teologia bíblica (do Antigo Testamento ou do Novo Testamento, ou a dos apóstolos – João, Lucas, Paulo, Pedro). A Teologia, portanto, é inevitável. A questão então se torna: Sua Teologia é correta?

A Teologia equivocada leva inevitavelmente ao desastre espiritual (e a outros desastres também!). Há grupos que, por não formularem corretamente uma teologia básica, chegam a negar a existência de Deus. Outros formulam conceitos errados sobre Jesus e sua divindade, e assim invalidam a sua obra eficaz. Também há formulações erradas sobre o Espírito Santo e sobre as Escrituras, como Jesus advertiu no versículo acima.

Há exemplos clássicos de erros por causa do desconhecimento das Escrituras e da Teologia:

- Jesus nunca disse: “De mil passarás, a dois mil não chegarás”, como alguns dizem
- A reencarnação não existe, mas sim a ressurreição
- Jesus também nunca disse: “Não cai uma folha de uma árvore sem que Deus não saiba”
- Jesus nunca disse aos perdidos: “Eis que estou à porta e bato...”. Ele disse isso à Igreja (a cristãos!).

Há uma lista que poderia ser relacionada aqui. Uma lista não, algumas boas páginas!

Diante da necessidade do estudo das Escrituras e visto que estudar as Escrituras é procurar conhecer a Deus para servi-lo melhor e sem erros, a Teologia é a maneira mais segura de preparar nossa vida espiritual para que seja uma vida de acertos constantes. Você pode programar-se para o estudo da Palavra de Deus se sentir em seu coração que ama o Senhor e quer melhorar o seu conhecimento a respeito dele e o seu relacionamento pessoal com o Senhor Jesus. Mas negar-se a conhecê-lo melhor e conhecer a Palavra que testifica a seu respeito é garantia de erros e afastamento. Quem dá adeus ao estudo das Escrituras não vai com Deus...

Fonte: http://neoprotestante.blogspot.com/2010/06/tchau-teologia-vai-com-deus.html

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