Responsabilidades Básicas do Professorado Cristão

Por Francikley Vito

Ao se levantar para dar a sua aula, o professor cristão se coloca – mesmo que não saiba - como um instrumento espiritual, político e social para que, por meio dele, o aluno tenha suas múltiplas necessidades atendidas: necessidades espirituais, necessidades morais e necessidades intelectuais. Como o próprio nome deixa transparecer, o professor é aquele que transmite, que professa (lat. professor,óris) suas crenças, valores e experiências de vida à sua classe; ele é também um cultivador, aquele que trabalha para que o caráter cristão seja manifesto na vida dos seus educandos. Tomando ainda a etimologia latina da palavra, podemos dizer que o professor é um profeta (profeta e professor vem da mesma raiz lingüística em latim) no sentido em que o fim último do seu labor é a aplicação das verdades bíblicas para guiar os alunos a um conhecimento experimental de Jesus, o Cristo e de fazer lembrança da palavra de Deus àqueles que querem moldar a suas vidas por meio daquela Palavra.

As Organizações Religiosas e a União Homoafetiva

Por Caramuru A. Francisco

O Supremo Tribunal Federal, no dia 5 de maio de 2011, julgou procedentes duas ações, a ação direta de inconstitucionalidade nº 4277, proposta pela Procuradoria Geral da República e a arguição de descumprimento de preceito fundamental nº 132, proposta pelo Governador do Estado do Rio de Janeiro, o sr. Sérgio Cabral, considerando como “entidade familiar” a união estável entre pessoas do mesmo sexo.

Tal decisão, que representa mais um distanciamento do direito de família brasileiro ao modelo judaico-cristão que forjou o surgimento deste direito em nosso ordenamento jurídico, traz, naturalmente, alguns questionamentos a respeito do comportamento que devem ter as organizações religiosas diante de tais uniões, uma vez que é sabido que, na sua esmagadora maioria, as religiões (cristianismo, islamismo, judaísmo, entre outras) não aceitam esta forma de união, já que contrária à própria natureza humana.

É importante frisar, desde já, que o que fez o Supremo Tribunal Federal foi atribuir a estas uniões, chamadas de “homoafetivas”, o mesmo “status” das uniões estáveis previstas no artigo 226, § 3º da Constituição da República. Neste dispositivo constitucional, é claríssimo que as uniões estáveis são reconhecidas como “entidades familiares” “para fins de proteção do Estado”.

Trata-se, portanto, de um reconhecimento que se faz única e exclusivamente para que se tenha “proteção do Estado”, o que já significa que tal reconhecimento, de forma alguma, pode avançar sobre áreas alheias ao Estado, entre as quais se encontra a atividade religiosa.

Como é sabido, o Estado brasileiro é laico, ou seja, não tem uma religião oficial, não podendo professar qualquer credo, como se vê, claramente, do disposto no artigo 19, inciso I da Constituição da República.

Assim sendo, o reconhecimento da união homoafetiva não pode, em absoluto, vincular as organizações religiosas, com as quais o Estado não pode estabelecer relações de dependência ou aliança.

Como se não bastasse isso, o Código Civil é claríssimo ao dizer que são livres a criação, organização, estruturação interna e funcionamento das organizações religiosas (artigo 44, § 1º CC), a indicar que não pode o Estado intervir nos postulados e normas internos das organizações religiosas.

Desta maneira, o fato de o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido a qualidade de “entidade familiar” às uniões homoafetivas não atinge os estatutos sociais das organizações religiosas e suas normas internas que condenam tais uniões e impedem que seus membros possam mantê-las.

Continua perfeitamente possível e não representa qualquer ilegalidade a previsão da repulsa ao homossexualismo e às uniões homoafetivas nos estatutos sociais e demais normas internas das organizações religiosas, sendo, também, perfeitamente cabível a exclusão de sua membresia de todos quantos adotarem tais maneiras de viver.

Diríamos, até, que se impõe, ante o reconhecimento do Supremo Tribunal Federal, a inclusão de tais vedações nos estatutos sociais e normas internas que ainda não os contêm, vez que, em caso de silêncio, aí sim se configuraria uma ilegalidade a exclusão de membros que adotassem tais práticas sem que houvesse prévia disposição normativa.

A própria argumentação dos autores das duas ações julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal leva a esta conclusão.

Com efeito, em ambas as ações, procurou-se mostrar ao Supremo Tribunal Federal que se impunha o reconhecimento das uniões homoafetivas em nome de alguns princípios constitucionais, entre os quais o da dignidade da pessoa humana, da liberdade, da igualdade e da segurança jurídica.

Ora, segundo os autores das duas ações, a Constituição da República adota como fundamento o princípio da dignidade da pessoa humana, segundo o qual deveria haver respeito e consideração a todos os homens.

Se assim é, não pode o Estado impor a seus cidadãos a obrigatoriedade de aceitar, sem que para tanto haja desrespeito e desconsideração, uniões que sua fé entenda serem abomináveis e desagradáveis a Deus.

Também se disse que o reconhecimento das uniões homoafetivas era uma imposição do princípio da liberdade, pois todos devem ter o direito de escolher e de manifestar com quem querem constituir família, independentemente do sexo da pessoa amada.

Se assim é, não pode o Estado, também, impedir que as pessoas entendam que somente se pode constituir família com pessoa do sexo oposto e mediante o casamento, como creem a esmagadora maioria das religiões, de forma que não podem impedir que, em suas organizações religiosas, os cidadãos brasileiros estabeleçam que tipos de família podem participar de suas comunidades, à luz de suas crenças.

A propósito, esta liberdade das pessoas religiosas foi expressamente reconhecida na sustentação oral do advogado Luís Roberto Barroso, que representou, no julgamento do Supremo Tribunal Federal, o Governador do Estado do Reio de Janeiro, o sr. Sérgio Cabral.

Também se disse que o reconhecimento de uniões homoafetivas era necessário por causa do princípio da igualdade, pois todos devem ser tratados de igual maneira, independentemente de orientação sexual.

Se assim é, o Estado também não pode impedir que as pessoas religiosas tenham o mesmo direito de dizer que tipo de família podem admitir em suas comunidades, em suas organizações, visto que são tão iguais quanto os homossexuais.

Também se disse que o reconhecimento das uniões homoafetivas era um corolário do princípio da segurança jurídica, já que se devia dar aos homossexuais a garantia de que poderiam ter os mesmos direitos dos heterossexuais em termos de direito de família, não vivendo uma insegurança quanto ao seu patrimônio jurídico uma vez inseridos neste tipo de união.

Se assim é, as organizações religiosas também têm o direito de ver resguardadas a sua independência frente ao Estado, não podendo permitir que suas crenças e sua cosmovisão sejam afetadas por um Estado que não pode se imiscuir em assuntos religiosos.

Vemos, pois, que toda a fundamentação do reconhecimento do Supremo Tribunal Federal impõe, de modo indelével, a total inaplicabilidade de tal reconhecimento à estruturação interna e ao funcionamento das organizações religiosas em nosso país.

Cumpre, por fim, observar que o reconhecimento do Supremo Tribunal Federal não equiparou as uniões homoafetivas ao casamento, mas, sim, às uniões estáveis entre homem e mulher que, pela própria disposição do artigo 226, § 3º da Constituição da República, estão em nível inferior ao casamento.

Deste modo, também, não tem qualquer fundamento a ideia de que, com o reconhecimento do Supremo Tribunal Federal, as organizações religiosas tenham qualquer obrigação de realização de cerimônias de “casamento entre pessoas do mesmo sexo”, vez que nem sequer houve reconhecimento de que possa haver casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que continua sendo vedado pelo nosso ordenamento jurídico.

É oportuno observar, aliás, que o ministro Ricardo Lewandowski, embora tenha votado a favor da união estável homoafetiva, fez questão de ressaltar que tal reconhecimento não importava em possibilidade de casamento entre pessoas do mesmo sexo, algo que não é previsto no ordenamento jurídico brasileiro.

Se não existe, pelo menos por ora, “casamento homoafetivo”, tem-se como impossível usar-se o argumento de que as organizações religiosas sejam obrigadas a qualquer tipo de celebração de tal espécie de união.

Vemos, pois, em conclusão, que referido julgamento do Supremo Tribunal Federal é totalmente inaplicável à vida interna das organizações religiosas.

* Caramuru Afonso Francisco é Doutor em Direito Civil e bacharel em Filosofia pela USP.

Decisão do STF fere a Constituição, diz Jurista

Em entrevista concedida à Rádio Novo Tempo, o jurista Ivis Gandra Martins, professor Emérito de Direito Constitucional na Universidade Presbiteriana Mackenzie e prestigiado jurista brasileiro, diz que não cabia ao Supremo Tribunal Federal legislar sobre os direitos de casais homossexuais, pois tal coisa caberia ao Congresso Federal . Segundo ele "a união estável é entre um homem e uma mulher, segundo a Constituição"; e mais: "interpreta-se a Constituição por aquilo que está escrito, e não por aquilo que eu gostaria de colocar lá". Ainda segundo o jurista: "O Supremo não pode interpretar nada senão a luz da Constituição". O Dr. Martins ainda diz que "a família é a base da sociedade [...] a união homossexual é uma união afetiva, mas é uma união diferente da união entre um homem e uma mulher".

Sobre a Decisão do STF: A Repercussão em Foco

Por Francikley Vito

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em reconhecer os direitos de casais homossexuais, causou repercussão em toda a sociedade brasileira. Aqui exemplos de como essa decisão foi vista por alguns setores da sociedade civil e da imprensa.

Reinaldo Azevedo, jornalista: Que diabo é “união homoafetiva”, de que tanto se falou no Supremo ontem? Por que os heterossexuais, quando põem aquilo naquilo, “transam”, “fazem sexo”, “copulam” — e outros verbos e substantivos que não devo usar num blog quase de família —, e os gays mantêm uma união ou relação “homoafetiva”? Por que não se diz também “união heteroafetiva”? Quando se recorre a essa linguagem de apelo eufemístico, quem é que está exercitando o preconceito? Quer dizer que a cópula celebrada segundo os meios tradicionais oferecidos pela natureza é “sexo”; já a outra é “homoafetividade”? Heterossexual tem tesão; gay tem afeto, é isso? Então vamos lá. Já que é preciso dar uma marretada na Constituição, já que é preciso ignorar o que lá vai escrito, já que é preciso fraudar a vontade, por enquanto, expressa na Constituição e, vá lá, já que a causa parece justa, então é preciso emprestar-lhe um caráter etéreo, superior, grandioso, até mesmo dessexualizado, para que a resistência ao que se pretendia ver aprovado no Supremo fosse vista como uma agressão ao Bem absoluto. “União homoafetiva” fica parecendo coisa de santos, não de gente.
(http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/%E2%80%9Cuniaohomoafetiva%E2%80%9D-e-o-escambau/)

Alberto F. Santos, leitor da Folha: O STF não prezou pelos princípios morais, éticos e religiosos. [...] A legalização da união estável para casais homossexuais, principalmente em países com formação religiosa solida, como o Brasil, não é bem aceita. Os ministros do TSF arranjaram um jeito nas brechas da lei. Lamentável. (Folha de São Paulo 09/04/11)

Percival Puggina, articulista: Quase não dormi. Embora creia que o Estado não tem por que tutelar todos os tipos de relações afetivas que se manifestem na sociedade, e que se restringe à família, por ser a instituição fundamental, o espaço reservado à sua proteção, não considero que o reconhecimento de direitos previdenciários às uniões homossexuais vá abalar os fundamentos da sociedade. O que me manteve alerta, insone, foram algumas coisas que ouvi saírem da boca dos senhores ministros do STF durante o julgamento de ontem, quando, a toda hora, alguém pegava o microfone para dizer que o STF não estava se substituindo ao Congresso Nacional. Certamente o diziam por saberem, todos, que era exatamente isso que estavam fazendo. É de tirar o sono! Sabe, leitor, como procedeu nossa corte constitucional para derrubar um preceito da Constituição? Foi nas caixinhas dos princípios, dos valores e dos direitos fundamentais. Escolheu os que desejava e os mastigou como chicletes até assumirem o formato que lhe convinha. Em palavras mais simples: fez justiça pelas próprias mãos dando um tiro na Constituição Federal.
(http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/1205qinconstitucionalidadeq-da-constituicao.html).

Ricardo Ribeiro, leitor do VOSBI: O STF não aprovou a Lei de Ficha Limpa que deveria; mas aprovou a união homoafetiva que não era de sua competência pois, acabaram criando uma Lei, e criar Lei só o Congresso pode. Rasgaram a Constituição e pisaram na Democracia, o que é muito perigoso. O que esperar, no entanto, quando quase todos os Ministros foram nomeados por Lula?
( http://vosbi.blogspot.com/2011/05/iguais-porem-diferentes-sobre-o.html).

Gunnar Vingren e a "Risada Santa"

Por Caramuru A. Francisco

Por ocasião do centenário das Assembleias de Deus, muitos voltaram suas atenções para as duas principais obras autobiográficas dos pioneiros Gunnar Vingren e Daniel Berg, que foram especialmente chamados pelo Senhor para dar início, em 1910, à pregação do evangelho pentecostal no Brasil, em Belém do Pará, enquanto que Luiz Francescon foi chamado para dar início a tal pregação na região Sul, dando início à Congregação Cristã no Brasil.

No diário de Gunnar Vingren, que v

iria a ser publicado postumamente por seu filho Ivar Vingren, há algumas referências a episódios em que o pioneiro teria presenciado e até participado de momentos de derramamento do poder do Espírito Santo em que os irmãos teriam “rido no Espírito”, episódios que são tomados, inadvertidamente, por defensores da chamada “risada santa” ou “gargalhada sagrada”, ou, ainda, “unção do riso”, também chamada “riso de Isaque”, para demonstrar que tais manifestações pertencem ao “pentecostalismo clássico” e, portanto, devem ser admitidas pelos crentes pentecostais.

Diante de tal argumentação, entendemos seja importante verificarmos se a referida “risada santa”, que alcançou seu clímax no Movimento Vineyard e que faz parte das chamadas “bênçãos de Toronto”, podem, ou não, ser admitidas como manifestações sobrenaturais provenientes do Espírito Santo por conta de sua presença no início do movimento pentecostal (como se a presença histórica fosse prova de biblicidade, o que, sabemos, não é o caso).

Não resta dúvida de que, no diário do pioneiro Gunnar Vingren, há, sim, refer

ências a manifestações que envolviam “risos” por parte de irmãos em meio a manifestações do poder de Deus. Vejamos alguns trechos, que são tirados da 5ª edição:

“…2 de maio de 1913. Deus estava perto de nós hoje no culto. Durante a oração, o Espírito Santo se manifestou poderosamente. Alguns riam debaixo do poder de Deus, outros falavam em línguas, outros profetizavam, e todos se alegraram imensamente. Nunca vi o poder de Deus derramado com tanta intensidade num culto como hoje na Vila Correia. O Espírito Santo fez, Ele mesmo, através de uma irmã, o convite para os pecadores se converterem. Uma grande multidão se reuniu para ver essa manifestação maravilhosa do poder de Deus. Durante a pregação, as bênçãos de Deus também caíram sobre os crentes! Aleluia!” (p.63)

“…Outro dia tivemos uma gloriosa experiência na casa da irmã Celina. Quando orávamos, o poder de Deus veio sobre nós. Começamos todos a rir, cheios de uma onda de gozo. Depois chegou outro irmão, e começou a alegrar-se conosco. Mas eu fiquei com medo. Não nos devemos alegrar no próprio poder, e sim em Jesus. São admiráveis as

poderosas manifestações de poder que vemos nos nossos cultos…” (p.67) [registrado entre outubro de 14 de dezembro de 1913]

“…O novo ano começou de mandeira gloriosa. Jeus batizou uma jovem irmã com o Espírito Santo. Foi no culto de vigília do Ano-novo. Duas meninas, tomadas pelo poder de Deus, riam e se alegravam tanto que eu tive medo de elas não aguentarem …” [refere-se ao ano de 1915] (p.72).

“…Tivemos um culto hoje cheio de poder de Deus e de muita alegria. Eu ri tanto debaixo do poder do Senhor, que quase perdi todas as forças. O mesmo aconteceu com outros irmãos. No princípio do culto, a irmã Nazaré viu o Céu aberto sobre ela. O teto desapareceu e ela viu uma luz fortíssima sobre a sua cabeça. Era tão forte que ela não podia fitar diretamente aquele luz…” (p.73)

“…Num culto em Malden, quando falava sobre a obra missionária, o poder de Deus veio sobre Vingren tão poderosamente que ele teve de sentar-se um pouco para rir, e depois continuar a pregação…” (p.77)

“…Em outra oportunidade, eu tive de rir o quanto pude sob o poder de Deus e depois chorar muito, enquanto orava para que Deus abençoasse os irmãos no Brasil. Depois do culto, ficamos todos ali, em pé, cheios de júbilo, regozijando-nos na presença do Senhor…” (p.79)

“…Entretanto, Deus continua a Sua própria obra. Na Escola Dominical, um menino recebeu a promessa, e de noite oramos por seis pecadores que aceitaram a Cristo. Num arrabalde, o Espírito Santo desceu sobre uma irmã durante a pregação, e ela começou a falar em novas línguas, enquanto os outros louvavam a Deus e riam muito, debaixo do poder de Deus. Que privilégio assistir a um culto assim, e sentir aquela gloriosa corrente passando por nossa alma! Glória a Deus! Ali cantamos verdadeiramente sobre a salvação…” (p.199) [testemunho referente ao ano de 1930].

Pelo que se pode perceber destes trechos, efetivamente, quando da manifestação do poder do Espírito Santo, ocorria que os crentes rissem e, ao rir, tivessem, por vezes, de parar de até de pregar (como aconteceu com Vingren pelo menos uma vez) para se recomporem e prosseguirem o que estavam a realizar no culto.

Tais manifestações, porém, em muito diferem do que se intitular de “risada santa”, “unção do riso” ou “gargalhada sagrada”, uma das manifestações disseminadas como “bênçãos de Toronto”, por se apresentarem, na década de 1990, na igreja Vineyard, na cidade canadense de Toronto.

Por primeiro, queremos aqui fazer a distinção que muito bem realizou o professor norte-americano John Hannah, do Seminaário Teológico de Dallas, nos Estados Unidos, em sua resenha sobre o livro de John A. Beverly a respeito da “Risada Santa e a Bênção de Toronto”. Diz Hannah:

“… a tensão em risada como uma manifestação da presença do Espírito não é bíblica. Aceitando como correto o que Warren Smith diz em seu “Risada Santa ou Grande Desilusão” (SPC Newsletter [19:2], pp.5,8), a palavra ‘riso’, que não é sinônima de alegria, ocorre quarenta vezes na Bíblia, trinta e quatro vezes no Antigo Testamento e apenas seis em o Novo Testamento. Das quarenta vezes no Antigo Testamento, vinte e quatro se referem a riso de zombaria, não é um fenômeno positivo. Nas dezoito restantes, sete se referem à incredulidade de Abraão e de Sara. Dos onze textos remanescentes do Antigo Testamento, Sal

omão declara que a risada é doida (Ec.2:2), que a tristeza é melhor (Ec.7:3,4), que a risada é para o tolo (Ec.7:6) e uma festa e o vinho é o tempo para ele (Ec.10:19). O mínimo que se pode dizer é que o riso não é uma manifestação de maturidade espiritual no Antigo Testamento. Das várias referências em o Novo Testamento, ele é mencionado no contexto de aviso (Lc.6:21,25 e Tg.4:9). Jesus pronuncia um ai contra o riso em Lc.6:25. Alegria e bem-aventurança nas Escrituras Sagradas não são o mesmo que riso. Aquelas são estados assentados do espírito interior refletido em Cristo; este, um estado superficial, perigoso, indicativo da rendição das faculdades mentais e um estado incontrolado.…” ( Reformation & Revival, v. 6, n.1, inverno 1997, p.160. Disponível em: http://www.biblicalstudies.org.uk/pdf/ref-rev/06-1/6-1_reviews.pdf Acesso em 06 maio 2011) (tradução nossa de texto original em inglês).

Portanto, como afirma John Hannah, não há biblicidade do riso como uma manifestação autônoma do Espírito Santo, nem como comprovação da presença do Espírito Santo no meio de Seu povo.

Em nenhuma das passagens do diário do pioneiro Gunnar Vingren vemos que ele tenha ensinado os crentes a buscar a “risada santa” ou de que esta “risada” tenha sido invocada ou querida, como fazem os seus defensores e fãs inspirados no movimento Vineyard ou na “bênção de Toronto”, como comprova o pastor Paul Gowdy, que foi um dos líderes do movimento, “in verbis”:

“…Minha experiência é de que as manifestações dos dons espirituais de 1 Coríntios 12 eram mais comuns em nossas reuniões antes de Janeiro de 1994 (quando começou a bênção de Toronto) do que durante o período da suposta visitação do Espírito Santo.

No período de 1992-1993 quando orávamos pelas pessoas experimentamos o que chamo de a verdadeira profecia, libertação e graça vindas de nosso Senhor. Depois que se iniciou a bênção de Toronto, os períodos de ministração mudaram, e as únicas orações que ouvíamos eram: “Mais, Senhor”; com gritos de “fogo!”, sacudidelas esquisitas do corpo, e expressões de “oh! uuu! iehh”.…” (O engano de Toronto. Disponível em: http://www.palavradaverdade.com/print2.php?codigo=2632 Acesso em 06 maio 2011)

O que o pioneiro do trabalho das Assembleias de Deus no Brasil faz é, dentro da sua condição de homem de Deus e, portanto, algúem que diz a verdade, o fato de, nos cultos pentecostais de que tomou parte, seja no Brasil, seja na Suécia ou nos Estados Unidos, testemunhar que, em meio à manifestação do Espírito Santo, muitos irmãos, inclusive o próprio Vingren, diante do poder de Deus, terem rido.

É evidente que, em meio à manifestação do Espírito Santo, os servos do Senhor tenha

m a sua sensibilidade aguçada. Somos seres dotados de sensibilidade e, diante da manifestação da glória do Senhor, todos têm reações as mais diversas: uns choram, outros riem, outros se prostram. É neste contexto que vemos tais manifestações. Trata-se de uma reação emocional à presença do Espírito de Deus no meio dos crentes.

Em seu livro resenhado por John Hannah, John A. Beverly, após uma acurada análise das manifestações sobrenaturais ocorridas em Toronto, chegou à conclusão que ali se estava diante de uma “bênção misturada”, porque, submetendo aquelas manifestações à Bíblia Sagrada, pôde ver cinco pontos bíblicos e cinco pontos discrepantes da Bíblia na referida igreja, a saber:


- Pontos bíblicos:

a) trinitarianismo

b) cristocentrismo

c) integridade moral

d) ortodoxia

e) cuidado pelas implicações sociais e espirituais do Evangelho

- Pontos antibíblicos:

a) pureza bíblica

b) a permissão do entendimento de que a espiritualidade tolera o orgulho e a sensação de superioridade espiritual entre os membros do corpo de Cristo

c) intolerância com opiniões diversas

d) componente profético

e) espírito anti-intelectualista

Concordamos com John Hannah quando se põe em dúvida a chamada “ortodoxia” do movimento, se não há pureza bíblica, como também não podemos entender que tenha havido “integridade moral”, máxime diante da confissão do pastor Paulo Gowdy, um dos líderes do movimento, que afirma que

“…Devoramo-nos uns aos outros com fofocas, falando mal pelas costas, com divisões, partidarismo, criticas ferrenhas uns dos outros, etc.…” (O engano de Toronto. Disponível em: http://www.palavradaverdade.com/print2.php?codigo=2632 Acesso em 06 maio 2011).

Diante disto, vemos que o referido movimento da “risada santa” limita-se, em sua “boa parte”, a um crença na Trindade, no cristocentrismo e na consciência da dimensão social e espiritual do Evangelho, o que, convenhamos, é muito pouco para dizer que tal manifestação tem base bíblica e se sustenta diante de uma análise aguçada.

Mas o mais importante é que, diante deste quadro, vemos que tal movimento nada tem que ver com as manifestações registradas por Gunnar Vingren.

Em todas as vezes em que o pioneiro fala sobre risos debaixo do poder de Deus, está a indicar, tão somente, manifestações emocionais diante da manifestação do Espírito Santo, manifestações absolutamente individuais e não queridas, invocadas ou desejadas pelos crentes e, o que é mais importante, que não desviaram, em momento algum, o foco da pregação do Evangelho, da salvação de almas e do revestimento de poder.

Ao contrário do que ocorre no “movimento de Toronto”, onde, segundo Beverly e Hannah, a liturgia destina quase 3 horas para tais manifestações e de 30 minutos a 1 hora para a pregação da Palavra, os irmãos mencionados por Vingren riam, choravam, mas nem por isso se deixava de lado a pregação da Palavra, o apelo para a salvação das almas ou a edificação da igreja por meio de profecias e de batismos com o Espírito Santo.

No primeiro caso mencionado por Vingren, o Espírito Santo fez o apelo através de uma irmã e houve salvação de almas, a demonstrar que os risos eram manifestações emocionais e individuais decorrentes da presença de Deus.

Tanto assim é que, em outra ocasião, quando o riso dos irmãos não se fez acompanhar de nenhuma outra manifestação que demonstrasse o foco da Igreja na salvação e edificação de vidas, o próprio pioneiro ficou com medo, entendendo que não se devia apenas ficar na emoção decorrente da presença de Deus e gerar uma autoestima por causa da presença do poder de Deus, mas se voltar única e inteiramente a Cristo Jesus, algo bem diferente do que ocorreu em Toronto, como nos afirma Paul Gowdy, “in verbis”:

“…Depois de três anos “inundados” orando por pessoas, sacudindo-nos, rolando no chão, rindo, rugindo, rosnando, latindo, ministrando na igreja Internacional do Aeroporto de Toronto, fazendo parte de sua equipe de oração, liderando o louvor e a adoração naquele local, praticamente vivendo ali, tornamo-nos os mais carnais, imaturos, e os crentes mais enganados que conheci.(…) Estou convencido de que os líderes das igrejas Vineyard são pessoas sérias que experimentaram um novo nascimento, amam o Senhor, mas caíram no laço do engano. Não amou o Senhor o suficiente para guardar os seus mandamentos. Fracassaram por não obedecer as escrituras e se desviaram porque anelavam algo maior e grandioso, mais empolgante e dinâmico. Eu também cometi este pecado.(…) Hoje, olhando pra trás fico me perguntando como fiquei tão cego assim? Eu via as pessoas imitando cachorros, fazendo de conta que urinavam nas colunas da Igreja do Aeroporto. Observava as pessoas agirem como animais latindo, rugindo, cacarejando, fazendo de contas que voavam, como se asas tivessem, comportando-se como bêbados, entoando cânticos “sem pé nem cabeça”, isto é, sem sentido algum. Hoje fico perplexo em pensar que eu aceitava tais coisas como manifestações do Espírito Santo. Era algo irreverente e blasfemo ao Espírito Santo da Bíblia.(…) Creio que somos como a igreja de Laodicéia; pensamos que somos ricos, prósperos e sem necessidade alguma, e, no entanto não percebemos que estamos cegos e nus. Precisamos levar a sério o conselho de Jesus comprando ouro refinado no fogo (que fala do sofrimento e não de espíritos enganadores), vestiduras brancas para cobrir nossa nudez e colírio para os olhos para poder ver outra vez. …” (O engano de Toronto, end.cit.).

Notamos, pois, que, ao contrário das pessoas de Toronto, Gunnar Vingren, ao se deparar com um culto onde houve risos e não houve salvação de almas ou manifestação de alguns dons espirituais, imediatamente percebeu que poderia ser enganado e tratou de não mais permitir apenas a exclusividade desta emoção.

Daí porque, a partir de então, sempre vemos o registro da presença de risos mas como manifestações que não perturbaram seja a pregação do Evangelho, seja a manifestação dos dons espirituais.

Pelo que podemos observar, pois, é que, embora seja fato que tanto Gunnar Vingren quanto muitos irmãos, no início da obra pentecostal das Assembleias de Deus, tenham rido debaixo do poder de Deus, este riso nada mais é que a reação emocional diante da presença do Espírito Santo, tanto quanto o choro, não havendo, pois, qualquer dom espiritual específico ou qualquer manifestação a ser pedida coletivamente ou que indique uma “superioridade espiritual”.

Muito pelo contrário, Vingren, em certa ocasião, ao notar que esta manifestação tinha tomado o centro das atenções, tratou logo de impedir que ela virasse o centro das atenções.

Destarte, não há qualquer fundamento em se dizer que Gunnar Vingren ou que o movimento pentecostal clássico adotou a “risada santa” como manifestação sobrenatural válida e bíblica, nada tendo que ver os registros de tal reação emocional à presença do Espírito Santo com uma das “bênçãos de Toronto” que, como afirma Paulo Gowdy:

“…Durante alguns anos falei da experiência de Toronto como uma bênção misturada. Penso que James A. Beverly o chamou assim em seu livro “Risada Santa” e a “Bênção de Toronto 1994”. Hoje diria que foi uma mistura de maldição, concluindo que qualquer coisa boa que alguém recebeu através desta experiência pessoal é enormemente ultrapassada pela gravidade do mal e do engano satânico. Aqui residia meu grande dilema.(…) Não quero correr o risco de admitir que a bênção de Toronto era de Deus ou de Satanás, mas creio que Satanás usou esta experiência para cegar as pessoas sobre as doutrinas históricas de Deus, em que o fruto cresce ao lado de uma vida de arrependimento, pois as pessoas não puseram a prova aquelas manifestações para saber se eram mesmo de Deus ou de espíritos enganadores, e não testaram para saber se as profecias eram mesmo de Deus.(…) Quando começamos a suspeitar de que os demônios estavam à vontade em nossos cultos, John Arnot ensinava que devíamos nos perguntar se eles estavam chegando ou saindo. Se estiver saindo deles, está bem! John defendia o caos afirmando que não devíamos ter medo de sermos enganados, pois se havíamos pedido ao Espírito Santo para nos encher; como Satanás poderia nos enganar?Isto deixaria o diabo muito forte e Deus muito fraco. Ele afirmava que precisávamos ter mais fé num grande Deus que nos protegia do que num grande diabo que nos enganaria. Tais palavras eram convincentes, mas totalmente contrárias as escrituras, pois Jesus, Paulo, Pedro e João alertaram-nos sobre o poder dos espíritos enganadores, especialmente nos últimos dias. Mesmo assim, não devotamos amor a Deus para lhe obedecer a palavra e, como consequência, abrimo-nos a ação de espíritos mentirosos. Que Deus tenha misericórdia de nós!…” (O engano de Toronto, end.cit.).

A “risada santa” nada mais é que atuação de espíritos enganadores e que levam muitos, atualmente, à apostasia (I Tm.4:1), nada tendo que ver com os risos decorrentes de pura e genuína manifestação do Espírito Santo nos primeiros anos do movimento pentecostal, risos que são reações emocionais individuais, não queridas e não desejadas e que jamais tomaram o foco da vida espiritual da Igreja.

Não confundamos, pois, “alhos com bugalhos” e estejamos atentos, pois a vinda do Senhor se aproxima. Amém!

* Caramuru Afonso Francisco é evangelista da Igreja Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede e colaborador do Portal Escola Dominical (www.portalebd.org.br).


Iguais, porém Diferentes: Sobre a Decisão do STF

Por Francikley Vito

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceram a união estável entre casais do mesmo sexo para fins legais. O processo que durou dois dias discutia se o parágrafo terceiro do artigo 226 da Constituição deveria ou não ser tomado literalmente. O texto diz que: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar”. O relator do processo, o ministro Carlos Ayres Britto, argumentou que a Constituição Federal veda qualquer discriminação em virtude de sexo, raça, cor e que, nesse sentido, ninguém pode ser diminuído ou discriminado em função de sua preferência sexual. Segundo o ministro “o sexo das pessoas, salvo disposição contrária, não se presta para desigualação jurídica”. Daí concluir o ministro que qualquer depreciação da união estável homoafetiva colide com o inciso IV do artigo 3º da Constituição Federal, em o qual sustenta-se que o objetivo fundamental da República Federativa do Brasil é: “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

Apesar de os direitos dos casais homoafetivos terem sido aprovados por unanimidade (a votação foi de 10 votos a 0); chamou a atenção a fala do ministro Ricardo Lewandowski (foto), quando, apesar de acompanhar o relator em seu voto, realça que há diferenças entre a união heterossexual e a união homossexual. O ministro esclareceu que estendia os direitos legais da união estável aos homossexuais, a não ser quanto às normas aplicáveis apenas ao relacionamento entre um homem e uma mulher. Segundo o ministro: “O casamento é exclusivo do homem e da mulher” [grifo nosso]. O pronunciamento do ministro Lewandowski deixou claro que há uma diferença não apenas semântica, mas substancial entre o casamento heterossexual e a relação estável homoafetiva. Os ministros, contudo, não detalharam até onde vão os direitos os homossexuais, a sua extensão. Segundo especialistas, a decisão do Supremo abre espaço para outras decisões do mesmo “naipe” no âmbito jurídico e legislativo.
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