Vale a Pena Voltar à Cabana?

Por Francikley Vito

“Sou um seguidor de Jesus, é certo, mas não sou uma pessoa religiosa”. São essa as palavras que o autor de A Cabana, William Paul Young, usa para descrever a si mesmo. Hoje, famoso, o autor conta que escreveu a sua história para seus seis filhos, para que eles soubessem o que o pai pensava “sobre Deus, a dor e o sofrimento, sobre a nossa grande tristeza e o processo de cura. Quis que os meus filhos se apaixonassem pelo Deus que eu encontrei; Pai, Filho e Espírito Santo”. Ainda segundo o autor, seu livro é uma “expressão de cura”.

O livro A Cabana foi publicado nos Estados Unidos sem grandes pretensões por uma pequena editora, e, por causa do entusiasmo e indicação de leitores, tornou-se um grande sucesso de vendas, um Best-seller, com mais de dose (12) milhões de exemplares vendidas pelo mundo; desses três (3) milhões só no Brasil. Embalada pelo sucesso estrondoso que o livro alcançou a editora que tem os direitos autorais do título no Brasil, anunciou que em breve lançará o “De Volta à Cabana”; que pretende ser uma espécie de “A Cabana 2”. Mas, como a própria editora informa, o livro será para aqueles que “desejam entender melhor” as lições d’A Cabana. Escrito por C. Baxter Kruger, o novo livro terá um capítulo introdutório escrito por William P. Young, uma participação diz a editora.

O livro A Cabana, desde o seu lançamento, tem suscitada acalorados debates entre teólogos e especialistas sobre as imagens que usam para descrever a Trindade e o relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Para alguns o livro tem sido de grande ajuda e conforto; para outro tem despertado grandes controvérsias; em principalmente os teólogos que dizem que sua visão de Deus apresentada pelo autor não é ortodoxa, e sim um tipo de modalismo. Para o cantor e compositor Michael W. Smith, por exemplo, a história “deve ser lida como se fosse uma oração – a melhor forma de oração, cheia de ternura, amor, transparência e surpresas.” Já para Albert Mohler, a teologia apresentada no livro de Young é “inconvencional e indubitavelmente herética”.

E completa: A Cabana é uma obra de ficção. Mas é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Um grande número de romances e obras de literatura notáveis contém aberrações teológicas e até heresias. A questão crucial é se a aberração doutrinária é apenas parte da história, ou é a mensagem da obra propriamente dita. Quando se fala em A Cabana, o fato mais perturbante é que muitos leitores são atraídos pela mensagem teológica do livro, e não enxergam como ela é conflitante com a Bíblia em tantos pontos cruciais. Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico” (Ipródigo, 2010).

O livro é problemático quanto a sua narrativa e quanto a sua teologia. Em sua narrativa ele não pode ser considerado “uma grande história”; e em sua teologia é tido como “uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica”. Sabemos que o novo livro não é escrito pelo autor original de A Cabana, mas o autor do novo livro se propõe a fazer o leitor entender melhor aquela história que a tantos emocionou. Assim a pergunta torna-se inevitável: Vale a pena voltar à cabana?

6 comentários:

  1. NÃO SABIA DA POLÊMICA À RESPEITO DESSE LIVRO.
    ESTAMOS SEMPRE EM BUSCA DE LITERATURA TEOLÓGICA DE QUALIDADE E NÃO DE HERESIAS.
    OBRIGADO PELO CONSELHO.

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  2. Obrigado, você, por sua visita ao nosso blog. Volte sempre. Um abraço.

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  3. Li o livro antes das "polêmicas teológicas". gostei muito, recomendei, dei de presente, etc. Após ler várias opiniões, decidi ler novamente.Eu teria deixado passar algo? Meu filho de 16 leu também, conversamos a respeito... A mensagem é até bem simples. A parte alegórica sim,é a mais discutível, porém, vista pelo prisma de que é apenas uma obra de ficção, o há de negativo? Temos mesmo que polemizar tudo?

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  4. Oi Eliene, não diria que temos que polemizar tudo; penso, porém, que temos que olhar tudo de forma crítica para sabermos "o que é bom para edificação". Esse é o desafio. Ler o livro não é de todo errado - também o li - fazer dele uma verdade teológica para a vida, isto sim, penso que seria um erro. Um abraço.

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  5. É difícil quando criamos ou até tentamos personificar o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Pior ainda quando difundimos o que ACHAMOS. Principalmente, quando seus princípios ou caráter vêm de encontro aos nossos ideais, visto que isto acontece nós, então, o representamos da maneira que queremos ou entendemos. Fundamentada nas palavras do autor, - Sou seguidor... - percebo aí, certa incompatibilidade em seus conceitos. Porque dentre tantas as explicações que este verbo nos oferece, podemos separar a que chega mais perto de seu sentido real, e esta pressupõe que SEGUIDOR é aquele que SEGUE, IMITA. Se isto for real, logo quero imitar meu MENTOR e, consequentemente, ser fiel ao representá-lo e ao difundir suas ideias.
    Então pergunto: como posso adulterar os princípios ou caráter de quem sigo?
    Entendo que não Vale a Pena Voltar à Cabana.
    Célia Lima

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  6. Profª Célia, a Paz de Cristo.
    É uma alegria para nós receber um comentário seu nesse espaço. Um abraço.

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