Coisas Para Fazer no Novo Ano


A você que esteve conosco durante todo esse ano, ou a você que começou a caminhar conosco não faz muito tempo, os nossos agradecimento por esse período caminhando juntos e pela confiança em nosso trabalho. Desejamos aos que frequentemente acompanha o nosso trabalho e àqueles que não são tão frequentes assim boas festas e um ano em que Cristo, o Deus homem, resplandeça a Sua glória e bondade sobre você e sua família. Boas Festas! Por motivos das festividades de fim de ano, estaremos interrompendo temporariamente as novas postagens no VOSBI, voltaremos as nossas atividades normais em janeiro (salvo alguma coisa de interesse cristão aconteça). Lembre-se: O princípio da felicidade é andar nos caminhos do Senhor (Sl 1). Abraço.

Neemias: Um Líder Temente a Deus


Por Caramuru A. Francisco
É interessante observar, de início, que, já quando o povo de Israel saiu do Egito, seguindo um conselho de seu sogro Jetro, Moisés elencou quais deveriam ser as características dos líderes no meio do povo de Deus. Para liderar, era necessário que os homens fossem “capazes, tementes a Deus, homens de verdade e que aborreçam a avareza” (Ex.18:21). Neemias preencheu todos estes requisitos, o que demonstra porque foi exitoso em seu governo diante do povo de Judá.
O primeiro ponto que queremos destacar na vida de Neemias é o fato de ser “temente a Deus”, pois este é um ponto fundamental na vida de qualquer líder no meio do povo de Deus. Para que alguém possa liderar com êxito na Igreja, faz-se absolutamente necessário que, antes de mais nada, seja um liderado do Senhor, ou seja, alguém que tema a Deus, ou seja, que seja obediente e reverente ao Senhor. Neemias era extremamente temente ao Senhor, como podemos observar ao longo do livro que leva o seu nome. A narrativa mostra-nos que, antes de mais nada, Neemias era um homem de oração.
Desde o instante em que Neemias surge no livro (Ne.1:4) até o momento do término da narrativa (Ne.13:31), encontramos Neemias orando. Neemias, antes de tomar qualquer decisão, orava a Deus e, posteriormente, após ter tomado a decisão, voltava a orar a Deus. Quando alguém teme ao Senhor, tem o máximo interesse em agradar a Deus, em tudo fazer segundo a orientação divina, a fim de que tenha certeza de que está a obedecer ao Criador em todas as atitudes. Cristo deixou-nos este exemplo, sendo obediente até a morte (Fp.2:8). Ora, não há outro meio pelo qual saibamos precisamente o que Deus quer, a fim de Lhe sermos obedientes e reverentes, senão pela oração, ação pela qual nós mantemos um diálogo constante com o Senhor, passando a ter cada vez maior intimidade com Ele. O verdadeiro líder no povo de Deus tem de ser um homem de oração, um homem que tenha intimidade com o Senhor.
Samuel, o último juiz de Israel, mostra-nos a grande importância da oração na liderança, pois, tendo resignado o seu cargo, disse ao povo que não poderia deixar de interceder por ele, sob pena de vir a pecar (I Sm.12:23). A oração é tão importante para o líder que, mesmo depois de ter deixado de exercer as funções de liderança, deve continuar a orar pelo povo. O Senhor Jesus, antes de revestir de poder os Seus discípulos, de modo a que pudessem iniciar a obra da evangelização, fez-lhes orar por sete dias ininterruptos, a nos demonstrar claramente que não há como se constituir líderes na Igreja sem que se tenha uma vida de oração.
Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, muitos que se dizem líderes no meio do povo de Deus não têm uma vida de oração. Recentemente, em seu livro “De pastor para pastor”, o pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes deu notícia de uma pesquisa em que o tempo médio de oração diária dos pastores no Brasil não passa de quinze minutos, ou seja, um quarto do tempo mínimo considerado pelo próprio Senhor Jesus (Mt.26:40)! Não espanta, pois, o quadro trágico em que se encontra a Igreja em nosso país na atualidade…
Além de ser um homem de oração, Neemias também praticava o jejum. Logo no limiar da narrativa, vemos Neemias jejuando e orando a Deus (Ne.1:4), sendo certo que também participou, junto com o povo, daquele jejum coletivo que os levou ao arrependimento e confissão de pecados (Ne.9:1). O líder deve ser alguém que não só tem uma vida de oração, mas que também se consagra a Deus periodicamente, a fim de que tenha maior intimidade com o Senhor e mais poder vindo dos céus. Infelizmente, nos dias hodiernos, muitos têm trocado o jejum pela participação assídua em banquetes onde reinam os deleites cotidianos e onde recebem o galardão da injustiça (II Pe.2:13)…
Outro aspecto que nos mostra que Neemias era temente a Deus é o seu conhecimento das Escrituras, algo que, nos tempos de Neemias, não era tão simples assim, ainda mais que Neemias não era sacerdote nem escriba e, como sabemos, havia nascido na diáspora, isto é, fora da terra de Israel. Em sua oração intercessória pela situação lamentável de Jerusalém, logo no primeiro capítulo, Neemias mostra ter pleno conhecimento da história sagrada, como também da lei do Senhor (Ne.1:6-9). Ao longo da narrativa, vemos que Neemias tomava decisões em pleno acordo com o que constava tanto na lei quanto nos escritos sagrados posteriores, como, por exemplo, no episódio do despejo de Tobias (Ne.13:1,7,8) ou na designação de cantores e levitas para o templo (Ne.12:44-46), prova de que era um exímio conhecedor da revelação divina a Israel.
O conhecimento das Escrituras é um requisito “sine qua non” para que alguém possa liderar o povo de Deus. A Bíblia Sagrada é a revelação de Deus ao homem e não há como alguém que queira liderar o povo de Deus seja uma pessoa que não conheça o que Deus quer do homem. Da mesma maneira que a oração nos mantém um diálogo com o Senhor, a partir do homem, o conhecimento da Bíblia Sagrada é, também, uma forma de conhecermos a Deus e sabermos a Sua vontade, só que a partir da iniciativa do próprio Deus, que quis revelar-Se ao homem por intermédio das Escrituras. O líder tem de ser um conhecedor da Palavra de Deus, sem o que não poderá estar à frente do povo ( e é isto que significa “presidir”). Como pode alguém guiar outro na senda espiritual se não tem visão espiritual? Ora, a visão espiritual, o enxergar espiritual só é possível por intermédio da “lâmpada” e da “luz”, que é a Palavra do Senhor (Sl.119:105).
Nos dias em que vivemos, por incrível que pareça, estamos diante de uma situação lamentável, onde muitos líderes são verdadeiros “analfabetos bíblicos”. Apesar do aumento da escolaridade do povo de Deus, apesar da disseminação do ensino teológico, as Assembleias de Deus vivem um momento crítico de “analfabetismo bíblico”, a começar dos que líderes querem ser. É triste dizermos isto, mas é pura realidade: os “analfabetos” que eram obreiros no início da história de nossa denominação eram muito mais “eruditos” biblicamente falando do que os “doutores em divindade” de nossos dias. Vivemos um instante de profundo desconhecimento bíblico por parte daqueles que querem liderar que, apesar de ostentarem “diplomas” e “anéis no dedo”, nada conhecem de Bíblia, até porque a esmagadora maioria das “escolas teológicas” não passam de “balcões de vendas de diplomas”, que não deixam coisa alguma a desejar em relação ao medíocre e lastimável estado da educação secular em nosso país, que é uma das piores do mundo.
Como prova disso é que a esmagadora maioria dos que líderes se dizem ser em nosso país não são (e muitos nunca foram) alunos da Escola Bíblica Dominical e também pouco frequentam as reuniões de ensino na igreja local (salvo quando são os “ensinadores”). Como Neemias era diferente…
Como se não bastasse isso, Neemias também sempre mostrou ter interesse em que o povo conhecesse a sua história e o teor das Escrituras, tanto que mandou ler o livro das genealogias (Ne.7:5), como também a própria lei do Senhor, sempre que tinha necessidade de tomar decisões baseadas nas Escrituras (Ne.13:1), pois, como bom líder, não queria “ser rei por ter um olho em terra de cegos”, mas que o povo compreendesse a revelação divina, que o povo também fosse conhecedor da Palavra de Deus. Para tanto, Neemias não trouxe qualquer objeção, mas antes incentivou, a leitura da lei do Senhor por Esdras, leitura esta que fez o povo adquirir um novo patamar espiritual diante de Deus, o que gerou não só o avivamento e o arrependimento e confissão de pecados, mas também a própria disposição do povo em se comprometer a servir ao Senhor.
Esdras, que viera treze anos antes de Neemias, havia se dedicado à preparação dos levitas e sacerdotes na lei do Senhor, mas o governador “popularizou” esta instrução, tendo um papel fundamental para enraizar no povo judeu o zelo pela observância da lei, característica que vemos até os dias de hoje e que é responsável pela preservação da identidade judaica ao longo dos séculos. Sem esta decisão de Neemias, Judá correria o risco de ser assimilado pelos demais povos, o que seria catastrófico para a humanidade, já que a salvação vem dos judeus (Jo.4:22). O líder temente a Deus quer que todo o povo também tema ao Senhor. O líder temente a Deus sabe que o povo é de Deus e não dele, e, por isso, não quer fazer da ignorância uma arma de dominação, pois sabe que não pode dominar, mas, sim, deve apascentar este povo (I Pe.5:2,3). O líder temente a Deus faz de tudo para que haja mestres no meio do povo de Deus, incentiva-os, a fim de que o povo possa bem conduzir-se na sua vida espiritual, a fim de que a obra de Deus possa ser eficazmente realizada. O pastor, além de ser necessariamente um mestre (I Tm.3:2), tem de estimular e prestigiar os mestres que, nem sempre, necessariamente terão de ser pastores.
Nos dias em que vivemos, porém, o “espírito de dominação” paira em muitos lugares e os que líderes se dizem ser buscam, de todas as maneiras, manter os liderados sob o manto da ignorância bíblica, até porque, em alguns casos, são eles próprios ignorantes ou, o que é pior, pessoas que já abandonaram a sã doutrina e que querem agora ter pessoas à sua volta e não mais em torno de Cristo Jesus (At.20:30). São cegos que guiam outros cegos e que cairão ambos na cova da perdição (Mt.15:14). Não é de se admirar, portanto, que muitos líderes hodiernos estejam a retirar a Bíblia Sagrada das mãos dos liderados, substituindo-a por “visões”, “revelações” e tantas outras invencionices, sendo também impiedosos perseguidores dos mestres que o Senhor levanta no meio do povo, sendo desestimuladores, quando não aniquiladores de atividades como a Escola Bíblica Dominical e o culto de doutrina.
Neemias também demonstrou ser temente a Deus ao pôr Deus como prioridade em sua vida e fazer o povo assim entender. Lembremos de que ele era um governador civil e que, portanto, a princípio, sua missão era reedificar a cidade de Jerusalém e organizar a administração daquela região, algo importantíssimo num império que passou para a história como um exemplo de administração como era o Império Persa. No entanto, tudo quanto fez levava em conta o fato de que Judá era “a propriedade peculiar de Deus dentre os povos”, de forma que tinha plena consciência de que toda a administração devia estar voltada para criar condições para que o povo pudesse amar a Deus sobre todas as coisas.
Neemias, pois, assim que terminou a reconstrução dos muros e das portas de Jerusalém, tratou não só de organizar o serviço do templo, como também criar critérios seletivos para a povoação de Jerusalém, de modo que a população fosse piedosa e pusesse Deus acima de todas as coisas. Neemias, pois, sempre incentivou as iniciativas do povo de buscar adorar a Deus, de cultuá-lo, prestigiando não só a leitura da lei por Esdras, como também a celebração da Festa dos Tabernáculos e, depois, o ajuntamento espontâneo que redundou no arrependimento e confissão dos pecados e no solene compromisso de observância da lei (Ne.8-10).
Ao retornar em seu segundo mandato, Neemias, também, fez questão de dar conhecimento do teor da lei para o povo (Ne.13:1), antes de remover os abusos relacionados com a presença de Tobias na câmara grande do templo, com a profanação do sábado e com os casamentos mistos, a fim de que o povo tivesse ciência de que não estava ali o governador simplesmente a usar de seus poderes civis, mas, precipuamente, a cumprir a vontade de Deus. Como se não bastasse isso, o próprio Neemias convocou o povo para a cerimônia de dedicação dos muros de Jerusalém (Ne.12:27-43), num gesto em que, uma vez mais, mostra que a prioridade da vida do povo deveria ser a de servir a Deus e a de amá-l’O sobre todas as coisas. O líder temente a Deus deve levar o povo de Deus a pôr Deus como prioridade em suas vidas. Deve ser um incentivador e estimulador do culto ao Senhor, da adoração a Deus. O líder, a partir de sua própria vida e testemunho, deve incutir no povo de Deus aquilo que o Senhor Jesus nos ensinou, ou seja, de que devemos buscar o reino de Deus e a sua justiça primeiramente (Mt.6:33).
Hoje em dia, entretanto, muitos dos que líderes se dizem ser são os primeiros a mostrar ao povo, por meio de seu modo de viver, que se devem buscar as coisas desta vida, de que mais valem as coisas passageiras deste mundo (riquezas, fama, posição social etc., etc., etc.) do que as “coisas de cima”. Não há qualquer estímulo ao culto a Deus ou à verdadeira e genuína adoração, mas, quase sempre, há um incentivo tão somente ao entretenimento e aos “shows”. Como Neemias era diferente… Não são poucos, aliás, os líderes que acabam gerando no meio do povo de Deus uma inquietação e um incômodo quanto estão na presença do Senhor. Muitos, atualmente, chegam a afirmar que quem manda no culto é o “relógio”, porque têm pressa de sair da presença de Deus, embora sejam absolutamente negligentes no tocante ao horário de início das reuniões, porque também não têm pressa de chegar à presença do Senhor. Como Neemias era diferente, tanto que o povo chegou a ficar seis horas diárias ininterruptas ouvindo a lei do Senhor… Neemias tinha todo o interesse que o povo mantivesse um relacionamento íntimo com Deus, não só era temente ao Senhor, mas também queria que o povo também o fosse. Que bom será termos líderes assim no povo de Deus!
Por fim, por ser temente a Deus, Neemias tinha discernimento espiritual, o que o impedia de ser enganado pelo inimigo. Quem tem intimidade com o Senhor, conhece a Sua voz (Jo.10:14,27) e, por isso, quando são armadas as ciladas do adversário, ele as desbarata pela direção do Espírito Santo. Assim, Neemias não foi enganado com a falsa profecia de Semaías (Ne.6:12). A falta de discernimento espiritual na liderança atualmente no meio do povo de Deus é uma das principais causas da apostasia que grassa na esmagadora maioria das igrejas locais. Que nossos líderes sejam tementes a Deus para que possam discernir os espíritos enganadores que estão no meio da Igreja nestes últimos dias (I Tm.4:1)!
Fonte:http://www.portalebd.org.br/classes/jovens-e-adultos/item/888-4%C2%BA-trim-2011-li%C3%A7%C3%A3o-13-a-integridade-de-um-l%C3%ADder-i

Os Desafios da Igreja e a Segurança Plena de Fé

Por Os Guinness

Jornada é a mais profunda ilustração humana na busca pelo sentido da vida. Basta verificar grandes histórias de jornadas – o Êxodo, a Odisséia, a Ilíada, Dom Quixote, O Peregrino...Todas elas têm em comum a busca por significados. Eu divido a jornada em quatro fases. A primeira é a do questionamento. É a busca consciente. A segunda fase é a das respostas, e eu considero que a fé cristã é a única crença a apresentar uma resposta adequada para essa busca. A terceira etapa é a das evidências. Já que as respostas nos dão sentido, queremos então saber o que é verdade. E, por fim, a última etapa da jornada é aquela que leva ao compromisso. A noção de jornada é a mais profunda ilustração de como as pessoas vêm e se encontram na fé cristã. O problema é que a maioria dos cristãos tem uma visão errada do que os cerca. Eles têm a teologia e a filosofia corretas, mas sua visão de mundo é estática – quando as Escrituras apresentam uma dimensão do tempo, da geração do agora. E um dos exemplos positivos que temos são os homens de Isacaar, cujas ações são relatadas no livro das Crônicas. Eles liam os sinais do tempo, para que Israel soubesse o que fazer. A igreja nos seus primórdios, tinha uma pequena frase que dizia: “Toda a verdade é a verdade de Deus”. Então devemos ser os primeiros a reconhecer a verdade. É claro que se um irmão cristão estiver certo, como Kierkergaard, devemos rapidamente reconhecer seu lado certo, não focar sua fraqueza. Mas devemos fazê-lo com discernimento.

Eu já escrevi sobre a dúvida porque muitas pessoas com quem conversava se sentiam culpadas por terem dúvidas. Elas pensavam que dúvida é a mesma coisa que descrença – e não é! No grego, no hebraico e em quase todas as línguas do mundo, dúvida significa algo como o meio do caminho entre a fé e a descrença. Fé significa estar convencido de algo; descrença é não acreditar absolutamente em algo. Ora, a dúvida é o meio de caminho. A dúvida, em si, não é descrença – mas precisa ser resolvida, porque poderá se transformar em descrença. Nos meus livros, tento apresentar as diferentes maneiras pelas quais temos dúvidas e o que fazer para resolvê-las. Praticamente todo mundo tem uma dúvida em algum momento da vida; o mais importante é tornar as pessoas libertas para que compartilhem suas dúvidas. Então, devemos ser honestos sobre isso e compreender que o mais importante é saber resolver as dúvidas e voltar a ter uma segurança plena de fé.

A coisa que faz com que os não-cristãos fiquem mais enojados com a nossa fé é a hipocrisia. É a atitude daquelas pessoas que dizem uma coisa e praticam outra. Neste sentido, a hipocrisia tem sido o grande obstáculo à fé. E ninguém teve uma posição mais contrária à hipocrisia do que Jesus – então, quando nós, que dizemos ser seguidores de Cristo, somos hipócritas, estamos traindo tudo aquilo que o Mestre nos chamou a ser. Erasmo, no tempo da Renascença, disse: “Se quisermos levar os turcos para Cristo, precisamos, antes de mais nada, sermos cristãos nós mesmos”. Hoje, ocorre a mesma coisa. Toda vez que um cristão não vive no padrão de Jesus, estamos vulneráveis à acusação de hipocrisia. Há uma resistência às instituições hoje. No mundo globalizado, as nossas instituições – incluindo a família e a Igreja – estão claramente perdendo a força. Talleyrand, um político francês do século XIX, disse que, sem indivíduos, nada acontece; mas sem instituições, nada permanece. Hoje, muito se fala da fé dos sem-igreja, e isso acaba levando a uma espiritualidade muito ruim e contrária à Bíblia. Muitos cristãos, sobretudo os jovens, têm uma percepção equivocada daquilo que devem almejar. As pessoas dizem: “Posso adorar a Deus num campo de golfe da mesma maneira que na igreja”. Sem dúvida. Mas esse tipo de fé, além de não ter respaldo bíblico, não tem força – é como um cogumelo que cresce na madrugada e de manhã já desaparece. A Igreja é uma instituição da qual precisamos; porém, a Igreja institucionalizada está perdendo sua verdade. Nós precisamos de uma instituição com verdade, com vida. Precisamos, portanto, de uma reforma das instituições.

Não é que os cristãos não estejam aonde deveriam estar; o problema é que eles não são o que devem ser, exatamente onde estão. E precisamos de cristãos que saibam como aplicar o senhorio de Jesus e fazer a integração de sua fé em cada parte, em cada esfera da vida. A fé de cada um precisa ser integrar ao todo de sua vida. Os crentes devem viver de maneira cristã, devem trabalhar de maneira cristã. Quem é advogado e conhece Jesus deve exercer a advocacia de maneira cristã. Isso vale para qualquer um que professe fé no Salvador – o médico, o técnico da computação, o lixeiro. Só assim teremos chance de ser sal e luz e ganhar de volta a cultura. Infelizmente, o número de cristãos que pensam é uma minoria. Nas Escrituras, temos o mandamento de amar ao Senhor nosso Deus com todo o nosso entendimento. Mesmo assim, muitos cristãos simplesmente não pensam. Dessa forma, nunca conseguiremos ganhar o mundo moderno, a não ser que tenhamos uma geração que aprenda a pensar biblicamente e de maneira cristã. O antídoto é um entendimento biblicamente pleno da verdade, da Palavra e do Espírito. E eu espero que o colapso do pós-modernismo crie um vácuo e que a fé cristã seja suficientemente forte – cultural, intelectual e teologicamente – para ocupar esse espaço e fazer a diferença.

Nota/Fonte: O texto foi primeiro publicado em forma de entrevista. O título é do editor do blog. Entrevista em http://www.vidanova.com.br/autores.asp?codigo=226

Escatologia: O Momento Crítico da Europa

Por Caramuru A. Francisco

A Europa vive, neste ano de 2011, um momento de crise econômico-financeira que é o mais grave e intenso desde o término da Segunda Guerra Mundial. Os países da União Europeia estão a sofrer um aumento do desemprego, com gravíssimas consequências para a população, ao mesmo tempo em que os governos não têm condição alguma de enfrentar a situação com políticas sociais, como foi a tônica a partir de meados da década de 1960, quando surgiu o chamado “Welfare State”, ou seja, o Estado do bem-estar social, que garantia um freio nas gritantes desigualdades da sociedade e condições de vida dignas para a grande parte dos cidadãos.

Com efeito, os governos dos países europeus estão praticamente falidos, não têm como se endividar mais, não tendo, portanto, condições de enfrentar esta situação econômica adversa. As projeções são de que não haverá qualquer crescimento econômico no continente pelos próximos dez anos.

O fato é que a União Europeia vive uma crise de identidade, na medida em que os países não querem abrir mão de sua soberania, formando uma federação, embora 17 dos 25 países já estejam vivendo uma união monetária, com uma moeda única (o euro), o que, aliás, serviu para agravar ainda mais a crise, na medida em que os governos, embora tenham autonomia para efetuar gastos e montar seus orçamentos, não têm mais a liberdade de controlar as suas moedas.

A crise econômico-financeira de 2008, que teve seu nascedouro nos Estados Unidos, atingiu fortemente a União Europeia e as desigualdades entre os países da chamada “zona do euro” se fizeram sentir, levando, praticamente, à inadimplência os países mais pobres da união monetária, em especial, Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda, com inevitáveis repercussões na Itália e na França.

O que vemos, no enfrentamento da crise nos últimos meses, é a demonstração de uma falta de líderes capazes de movimentar suas nações para as necessárias reformas, seja a implementação de uma maior unidade entre os países da União Europeia, retomando-se o rumo da “Constituição da Europa”, que acabou sendo rejeitada no início do século, ou a redefinição da União Europeia, com a redução da integração ou a retirada de alguns países da união monetária.

A prova desta falta de lideranças está na circunstância de como se deram a substituição dos governos da Grécia e da Itália recentemente, quando políticos cederam seus lugares para técnicos que, praticamente impostos pelos “burocratas” da União Europeia, passarão a realizar duras e pesadas reformas impopulares, como verdadeiros “interventores” desta “nomenklatura” que toma conta dos órgãos da União Europeia.

Este vácuo de lideranças e a retirada dos políticos do cenário decisório, num verdadeiro triunfo da “burocracia” europeia é uma importante sinalização de que nos aproximamos do final de nossa dispensação.

É de todos sabido que esta “burocracia europeia” é fortemente anticristã, tanto que, na sua tentativa de criar uma “Constituição da Europa” tentou romper com os laços cristãos do continente, não sendo de hoje as iniciativas que tem tomado para “varrer” a tradição cristã do Velho Continente.

A maneira como está, agora, a tomar os governos europeus para os seus próprios desígnios, em verdadeiros “golpes de mercado”, como denominou o jornalista brasileiro Clóvis Rossi, mostra, claramente, que as rédeas das nações europeias passaram a ser ditados por esta ideologia anticristã, que, aliás, também está presente em outros organismos internacionais, como as Nações Unidas.

O que está a faltar para a Europa, pois, é uma liderança continental, que consiga levantar as massas e, depois do serviço realizado por estes “títeres”, mobilize os europeus para uma integração mais forte, fora dos padrões cristãos, consolidando assim a instauração deste novo regime que venha a trazer “prosperidade e bem-estar” para a Europa.

Esta liderança, a ser levantada pelos governantes títeres da União Europeia, não é nada mais, nada menos que o Anticristo, a “ponta muito pequena” da visão do profeta Daniel (Dn.8:9), que surgirá de um consenso de dez nações da União Europeia e que fará ressurgir o Império Romano, ou seja, uma Europa governada por um único líder, como, aliás, está profetizado em Dn.7:24 e Ap.13:1.

As vozes da maior parte dos políticos europeus são de que há necessidade de criação de mecanismos de maior integração, mas com a concessão de maiores poderes aos países mais representativos do bloco, até porque os países mais periféricos são considerados os responsáveis por esta crise. Tudo está a indicar, portanto, que os países mais poderosos acabarão por impor aos mais fracos a sua vontade, criando um “núcleo duro” dentro da União Europeia que passe a ditar as regras, precisamente este grupo de “dez reinos” de que falam as Escrituras Sagradas.

Entretanto, ante a crescente indignação e revolta das populações europeias, é imprescindível que este “núcleo duro” venha a se valer de uma liderança carismática, que consiga o apoio popular para o estabelecimento de uma “nova ordem”, que traga “melhores condições de vida” para a população, “nova ordem” esta que esteja definitivamente afinada com a “mentalidade anticristã” que tem caracterizado a Europa nos últimos anos, a ponto de a própria Igreja Romana, já nos tempos do Papa João Paulo II, ter chamado o estado espiritual dos europeus de “apostasia silenciosa”.

Esta liderança carismática levará, certamente, as massas a aderir de corpo e alma a este projeto de uma “nova Europa”, de um governo único capaz de ditar suas normas e seu proceder. Este roteiro foi visto por todos nós na Alemanha do período entre-guerras, quando Adolf Hitler, com sua liderança carismática, fez com que os alemães aceitassem mudar sua ordem sócio-política em nome de uma “restauração nacional”, do fim da “humilhação” que acompanhava uma situação econômica desastrosa.

O cenário apresenta-se praticamente montado, cabendo a cada um de nós que servimos a Cristo Jesus, seguir o conselho de Nosso Senhor e Salvador: …quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.” (Mt.24:33,34). Vigiemos, pois, amados irmãos, para que o Senhor Jesus não venha e nós sejamos achamos despercebidos.

Tudo Está Bem em Minha Alma!

Em 8 de outubro de 1871, o Grande incêndio de Chicago devastou a cidade. Horatio era um advogado de grande sucesso e havia investido fortemente no mercado imobiliário daquela cidade. O incêndio destruiu quase todas as suas posses adquiridas com seu trabalho. Dois anos depois, Spafford resolveu mandar sua família passar as férias na Inglaterra, sabendo que seu amigo Moody estaria pregando na região durante aquele outono. Por estar envolvido com seus negócios, enviou primeiramente sua família: a esposa (Anna Tubena Larsen) e suas quatro filhas Anna (Annie), Margaret (Maggie), Elizabeth (Bessie), and Tanetta.

Em 21 de novembro de 1873, enquanto elas atravessavam o Atlântico no navio a vapor Ville du Havre, foram atingidas por uma embarcação de ferro levando o Ville du Havre a pique e tirando a vida de 226 pessoas que estavam a bordo, incluindo todas as suas filhas. Spafford recebeu a fatídica notícia quando sua esposa (que sobreviveu à tragédia), ao chegar a salvo à Inglaterra, enviou-lhe um telegrama com a mensagem "Saved alone" ("salva sozinha", indicando assim que havia sido a única sobrevivente da família).

A Canção. Após ficar sabendo do ocorrido Spafford então viajou à Inglaterra, passando pelo local da morte de suas filhas. De acordo com Bertha Spafford (filha nascida após a tragédia), foi exatamente durante a viagem que Sparfford teve a inspiração para escrever a poesia que mais tarde seria arranjada em melodia e harmonia.

A música, que até agora não revelei intitula-se "It Is Well with My Soul", mais conhecida no Brasil como "Sou Feliz com Jesus" e faz parte dos hinários de muitas igrejas cristãs brasileiras e que com certeza você deve conhecer. A profundidade da letra deixa claro o sofrimento padecido por este servo de Deus, que em momentos algum durante seu sofrimento deixou de confiar em Jesus, sabendo que o seu Salvador era tudo o que possuía, muito além das riquezas conquistadas e mesmo dos próprios filhos que acabara de perder e que esperava que seu Senhor iria lhe daria um alento que se não se compara as agruras presentes.

O manuscrito original possui apenas quatro versos, mas, segundo a filha de Horatio o quarto verso foi adicionado depois, e a linha final ligeiramente modificada. Vale destaque para a a melodia, composta por Philip Bliss em 1876, que foi intitulada Villa du Havre, o mesmo nome do navio do acidente.

O Legado. Após o naufrágio do Ville du Havre, Anna deu à luz mais duas flhas e um filho. Em 11 de fevereiro de 1880, seu único filho, também chamado Horatio, morreu com quatro anos de idade, por escarlatina. Em agosto de 1881, os Spafford rumaram a Jerusalem liderando um grupo de treze adutos e três crianças, para fundar uma sociedade utópica nomeada Colônia Americana. Membros da colônia, juntos com cristãos suecos que posteriormente se uniram a eles, iniciaram um trabalho filantrópico entre o povo de Jerusalém, independentemente de religião, sem proselitismo. Com isso ganharam a confiança de comunidades muçulmanas, judias e cristãs do local. Durante e logo após a Primeira Guerra Mundial, a Colônia Americana (localizada na área da frente oriental da guerra) teve um papel fundamental no apoio a estas comunidades, trabalhando em hospitais, orfanatos e preparando refeições, dentre outras obras de caridade.

Spafford faleceu em 16 de outubro de 1888, por malária, tendo sido enterrado em Jerusalém, mas seu legado perdura após sua morte. A poesia de sua vida e tragédia foi perpetuada em forma de canção e toca os corações mundo afora, mostrando através da música que "viver é Cristo e o morrer é lucro" Fl 1:21.


Fonte:http://www.blogdoibrahim.com/2011/10/esta-bem-sua-alma-uma-odevidacrista.html.


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