Vídeo: Por um Ano de Bençãos




A você que esteve conosco durante este anos, agradeço sua visita, comentário e divulgação do nosso trabalho. Estamos encerrando as nossas atividades por esse anos, mas gostaria de encontrar você aqui no próximo ano. E a você que nos está visitando pela primeira vez seja bem vindo. Boas festas e até janeiro de 2013!

Pr. Antônio Gilberto Fala de Ordenação de Mulheres e Pós-modernidade


Ex-cientista da NASA, a agência espacial americana, o pastor Antônio Gilberto é consultor doutrinário da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, mestre em Teologia, graduado em Psicologia, Pedagogia e Letras, membro da diretoria da Global University nos Estados Unidos e autor dos livros “Mensagens, Estudos e Explanações em 1 Coríntios”, “O Calendário da Profecia”, “O Fruto do Espírito”, “A Bíblia: o livro, a mensagem e a história”, “A Prática do Evangelismo Pessoal”, “Verdades Pentecostais”, “A Bíblia através de séculos”, “Crescimento em Cristo” e “Manual de Escola Dominical”, sendo este último o seu maior best-seller, com mais de 200 mil exemplares vendidos. Em outubro de 1997, ele recebeu da Abec (Associação Brasileira de Editores Cristãos) o prêmio Personalidade Literária. É uma das maiores personalidades da literatura no Brasil.

Seara News - Um assunto polêmico, cujo debate já dura por décadas, é o ministério pastoral feminino. Hoje algumas Assembleias de Deus já reconhecem a ordenação de mulheres. Existe respaldo bíblico-doutrinário para isso?

Pr. Antônio Gilberto - Não, não e outra vez não! Não existe! Ordenação… Mulheres no Santo Ministério, tanto venham. Inclusive muitas vezes elas fazem o trabalho melhor do que os homens. Mas ordenar para o Santo Ministério, não tem base nas Escrituras. E como é que isso está acontecendo? É a igreja a culpada e a igreja vai prestar conta disso. A igreja que eu digo não é a igreja o prédio, os responsáveis vão prestar conta disso. Jesus nunca ordenou mulheres. O apóstolo Paulo que é um paradigma, não separou, nunca ordenou mulheres. Agora, mulheres trabalharem no Santo Ministério, tanto venham. Cantoras, professoras de escola dominical e etc. Mas irmão Gilberto, e diaconisa? Lá no livro de Romanos o apóstolo Paulo disse que aquela irmã era diaconisa na igreja de Cencréia. Onde está isso no original? Não existe! Sim, mas o comentário que eu li diz que era diaconisa. Conversa! No grego está na forma masculina, ou seja, Paulo deixou aquela mulher ali provisoriamente, ou então o trabalho era novinho e não tinha homem nenhum para exercer o diaconato, ele disse vem cá “fulana” (Febe), faz o trabalho aqui, a obra de Deus não pode parar por causa de problema humano. Está no masculino.

Uma vez um pastor presidente de uma grande e renomada convenção, nós estávamos juntos em Goiânia ministrando, e ele no hotel conversando comigo, disse: “estou agora na presidência, vou incentivar, irmão Gilberto, o diaconato das mulheres que está praticamente parado. O que o irmão diz?”

- Eu prefiro primeiro que o senhor que é o chefe, me dê alguma coisa.

Ele disse: “eu me baseio lá em Rm 16, Febe, aquela irmã que era um tesouro na igreja de Cencréia (inclusive quando os irmãos forem a Grécia visitem as ruínas de Cencréia. Eu fui lá visitar, só tem ruínas, e eu fiquei pensando onde é que ficaria aqui a casa dela, porque tudo indica que era uma mulher de muito dinheiro. Paulo disse: “ela me hospedou muitas vezes, e hospedou a muitos”), que era diaconisa, a Bíblia em português diz: que serve ao Senhor na igreja de Cencréia, outra versão que eu tenho diz que ela servia como diaconisa”. Eu me calei, e ele disse: “uma segunda passagem, irmão Gilberto, que eu tenho em mente é lá em Timóteo quando a Bíblia diz: e as mulheres…”

Eu disse: Pastor, a passagem de Romanos no original está no masculino, pode pegar qualquer manuscrito bíblico. Ou seja, ou o trabalho era novinho e não tinha homens habilitados, e o apóstolo Paulo um homem cheio do Espírito Santo, a obra de Deus não ia parar por causa de problema humano. Vem cá, Febe, exerce aqui enquanto não se prepara um homem, ou então não sei a razão, a Bíblia não explica, mas está no masculino.
“E lá em Timóteo?”

Pode pegar o termo original que a oração no grego pára, e quando diz as mulheres, são as esposas dos obreiros. Ele parou, e parou até hoje.
Voltando a pergunta, o que o irmão diz disso? É anti-bíblico. E o que fazer? Quem estiver fazendo vai prestar conta a Deus. Mas infelizmente não é só ordenação de mulheres, é muita coisa que a igreja decide por ela. Eu podia fazer menção aqui, não vou, não há necessidade. Para ninguém pensar que é só esse fato: São várias coisas que a igreja faz sem ter… Por exemplo, há igrejas que só separam (consagram) obreiros para o diaconato se forem casados, não estou criticando a igreja local, há igreja que só separa (consagra) casados, porque o escândalo está sendo grande de obreiros solteiros. Enfim, a igreja que tomou a decisão, não é a Bíblia.

Batismo em águas: tem igreja que a pessoa se entregou pra Jesus, foi perdoada ali mesmo, foi convertida, batiza na água. Tem igreja que diz: “Não, aqui pra ser batizado tem que fazer um cursinho”. Lá na minha igreja, por exemplo, tem um cursinho de três meses, onde está isso na Bíblia? Lugar nenhum. É a igreja que decide!

Realização de matrimônio, esse caso é mais um, só que este é grave.

Então, em resumo, não tem base na Escritura, nem no Antigo, nem no Novo Testamento. Deus quer a mulher no ministério, quanto mais, melhor, para muita tarefa. Mas ordenação para cuidar do rebanho Deus reservou para o homem. De modo que esse negócio está dando problema. E os que estão na Assembleia de Deus? Vão prestar conta a Deus! Vamos brigar com eles? Deixa pra lá, vão prestar conta a Deus! Esse é que é o problema, a Bíblia diz cada um de nós. Eu vou dar conta e os irmãos vão dar conta também. Se o Tribunal de Cristo fosse coletivo…, mas a Bíblia diz cada um. Então nós temos que pensar nisso.

Seara News - Qual o posicionamento do pastor diante das mudanças dos crentes na conjuntura sociológica na pós-modernidade?

Pr. Antônio Gilberto - Em primeiro lugar, o que é pós-modernidade, no sentido bem popular? É o predomínio do humanismo, (não estou falando de humanitarismo, estou falando de humanismo). E o que é humanismo em filosofia? É o homem ser o centro e Deus jogado fora. É isso que o mundo, inclusive o Brasil vive. E como começou isso? Começou há décadas, logo depois da Segunda Guerra Mundial. Então não é o humanitarismo, porque este é uma coisa maravilhosa, eu estou falando de humanismo. E o que é humanismo, onde está na Bíblia? 2 Timóteo 3, está bem claro isso lá, como sinal da vinda de Cristo. O homem passa a ser o centro de tudo e Deus na periferia jogado fora. E pode ver, a sociedade chegou nesse ponto. Nem na igreja Católica, eles vão à missa só pra marcar ponto, nem sabem quem é o vigário, acabou. A igreja Católica hoje vive somente de forma.

Então qual o posicionamento do pastor diante das mudanças dos crentes na conjuntura sociológica na pós-modernidade? Pós-modernidade é um movimento filosófico de inspiração satânica que começou logo depois da Segunda Guerra Mundial, por volta do ano de 1947.
E qual é a filosofia? O homem é o centro de tudo. Pode-se ver, colégio, faculdade, fábrica e tudo. E Deus? Jogado fora, nem é mencionado.

E no passado? Não, no passado pelo menos em teoria, hoje nem em teoria. E o que é que diz a Bíblia lá nas epístolas? Moralmente o mundo irá de mal a pior. Tecnicamente não. Quem é que não sabe que tecnicamente o mundo está se tornando uma maravilha? São satélites, computadores, é uma benção. Mas moralmente, irmãos queridos, não vai mudar, vai piorar. Mas essa nova geração, e escola, e programas do governo, as associações? Não dá em nada, a Bíblia diz, irá de mal a pior. Em que sentido? Moralmente. Graças a Deus que a igreja está na terra pregando o Evangelho, só que a igreja tem que tomar cuidado pra se manter renovada, e isso custa um preço porque o humanismo, ou seja, o pós-modernismo tomou conta da sociedade e principalmente da juventude. Deus tenha misericórdia da juventude! O irmão Edenin Pontes Neto tem 22 anos, essa idade é difícil. Então um jovem como o irmão, na igreja, devemos levantar as mãos não sei quantas vezes para o céu e louvar a Deus.

Quando eu estive na Escandinávia, pouco tempo em viagem de pesquisa, mas ninguém sabia, os irmãos sabem que foi a Escandinávia que evangelizou a América do Sul, muita gente pensa que foi só o Brasil, na época eles mandaram missionários também para a Argentina, Peru, Chile, Colômbia, nós somos brasileiros destacamos o Brasil. Os irmãos sabem disso, que vieram da Escandinávia, da Suécia, da Finlândia, da Noruega. E vejam, claro que eu estou repartindo isso porque os irmãos são obreiros, se fossem novos convertidos eu não compartilharia isso. Na nossa despedida lá, o pastor da Igreja Filadélfia, pastor Scott, nome bem difícil dele, um pastor ainda bem jovem, disse:
- “irmão Antônio Gilberto, eu gostaria de saber como será sua volta”.
Eu disse: “eu tenho que pegar um vôo às 16 horas para Berlim e preciso estar liberado, enfim, até a hora do almoço”.

Ele disse: “Olha, eu vou convocar hoje à noite, domingo, o ministério pra uma despedida, com um café, uma palavra da parte do irmão”.
Eu falo um pouquinho de sueco, era pra falar melhor, mas a gente perde o controle. O sueco é muito parecido com o inglês, o finlandês é mais parecido ainda. Bom, veja só o que aconteceu: no momento certo eu estava numa sala muito bonita, aproximadamente uns 60 homens e mulheres, diáconos, etc. Eu compartilhei um texto bíblico, ele apresentou os obreiros que eram obreiros-chave, logo em seguida ele disse:
- “Meus irmãos, o irmão Gilberto ele precisa se organizar para viajar, agradeço os irmãos por terem vindo, tiramos foto, agora eu dispenso os irmãos, por favor, deixem o recinto calmamente”.
Ele chegou pra mim e disse:

- “Irmão Gilberto, eu preciso, eu e minha esposa que está aqui, ficar alguns minutos com o irmão antes do irmão ir para o hotel”.
Então os obreiros se despediram, nos abraçamos ali, tiramos fotos e foram embora. Logo que saíram, ele disse:

- “Vamos para o meu gabinete”.

E quando chegamos lá no gabinete ele disse:

- “Olha irmão Gilberto, fomos nós”. Ele disse isso com os olhos lacrimejando e com a voz embargada.
- “Irmão Gilberto, o irmão bem sabe que fomos nós que no século passado, a Escandinávia, principalmente a Suécia, que Deus abalou o país, batizou com o Espírito Santo levantou aquela igreja poderosa e uma das primeiras coisas foi mandar missionários, e missionários para o Brasil, Daniel Berg e Gunnar Vingren e dezenas de outros”. Deus os abençoou que levantaram aquela obra no Brasil e depois vieram os missionários americanos, enfim. Aquilo me doeu. De fato nós estamos pecando.
Ele disse isso comovido:

- “A gente nota irmão Antônio Gilberto, ida e volta de obreiros do Brasil pra América, para o Canadá e nós aqui abandonados”. Então com lágrimas nos olhos ele disse: “Venham nos socorrer!”
Aquilo me doeu, eu não agüentei e chorei também. “Venham nos socorrer!” Mas, meu irmão em que sentido?

Ele disse: “Jejuem por nós, jejuem por nós, morram por nós num certo sentido”.
Está difícil a situação na Escandinávia. Agora o pós-modernismo está uma maravilha lá, entre aspas. Então, irmãos, significa que Jesus está voltando. Isso serve para gente botar as barbas de molho [...]  

A Entrevista completa pode ser lida no link:

Os Assembleianos e a Leitura da Bíblia de Estudo Pentecostal


Por João Cesário Leonel Ferreira 

Os protestantes brasileiros, desde sua inserção no Brasil em meados do século XIX até início dos anos 1980, praticavam não apenas a leitura da Bíblia, mas também tinham à disposição interpretações particulares segundo os vários segmentos denominacionais mediante sermões ouvidos ou lidos, livros de interpretação bíblica ou mesmo de obras biográficas nas quais os protagonistas demonstravam, em seu exemplo de vida, a interpretação prática de textos da Bíblia.

Do ponto de vista da leitura, o leitor relacionavase com um texto aberto, o bíblico, diante do qual buscava sentidos a partir de suas vivências e contexto religioso. A interpretação específica da denominação era externa ao texto, e, dessa forma, a distância permitia maior liberdade de análise ao leitor. Com o surgimento das bíblias de estudo, a situação começa a mudar. Agora o texto bíblico traz junto de si paratextos que procuram direcionar seu sentido. Do ponto de vista teórico e prático, o leitor é alvo de coerção sob uma leitura que é voltada a determinados fins. No caso da BEP, o alvo é tornálo conhecedor e praticante dos conteúdos bíblicos que definem e orientam o cristão pentecostal assembleiano.


Nota: O título desta postagem é do editor do blog e as palavras contidas no corpo é parte das “considerações finais” do artigo original. 

Liderança Cristã e Comunicação

Por Francikley Vito 


A liderança cristã tem sido apreciada, em anos recentes, graças a homens como John R. Mott (1865-1955). Alguns estudiosos chegam a considerar que Mott era o líder cristão mais respeitado mundialmente em seu tempo. No ano de 1946 o trabalho de John Mott foi coroado com o Prêmio Nobel da Paz, como reconhecimento por seus esforços. Cristão metodista, Mott dizia que um “líder é o homem que conhece o caminho e sabe manter-se à frente, trazendo outros após si”. Quando consideramos as palavras do líder americano, percebemos que não é qualquer pessoa que pode ser chamada de líder, pois um verdadeiro líder é aquele que traz as pessoas “após si” para que essas pessoas, e ele mesmo, possam alcançar determinado objetivo. Sendo assim, não se pode elevar qualquer pessoa a uma posição de liderança; pois, se o fizermos, corremos o risco de não chegarmos a objetivo algum. Um líder que não sabe para onde está indo e nem como chegar a determinado lugar, pode ser tido como um condutor cego (Mt 15.14).

Para ser um líder que recebe, em seu ministério, o reconhecimento do povo, o respeito da Igreja e a aprovação de Deus, o indivíduo precisa, em sua caminhada, cultivar algumas características indispensáveis para seu crescimento pessoas e para ser bem quisto daqueles que estão com ele, a saber: Compromisso, com Deus e com Sua Palavra; autodomínio, ser senhor de suas emoções; caráter, agir na presença de outrem como se estivesse na presença do próprio Deus; amabilidade, demonstrar amor e respeito aos seus liderados, ete. Existe, contudo, uma característica que é absolutamente indispensável para aquele que quer se desenvolver como um grande líder, sendo ele cristão ou não, ou seja: A boa comunicação. Não há como liderar sem ter uma boa comunicação; assim como não há como determinar o que é possível fazer quando se conhece o poder de uma comunicação eficaz. Pelo uso da retórica, homens sem o mínimo de caráter se tornaram grandes vultos na história; pelo discurso, reinos foram destruídos sem necessidade de espadas ou quaisquer outras armas e pela eficácia da comunicação, guerras foram declaradas baseadas em ameaças que nunca foram comprovadas. Pela boa comunicação uns se tornam condutores, outros são conduzidos.

A capacidade que todo ser humano tem de se comunicar com o seu semelhante é um dom, um presente, que deve ser recebido e aperfeiçoado no percurso do exercício da liderança. Pela comunicação as pessoas compartilham suas experiências, sentimentos, pensamentos e, principalmente, suas crenças; “sem a comunicação cada pessoa seria um mundo em si mesmo” (Bordenave, O que é comunicação, p.36). Se considerarmos que só é possível melhorar o que se conhece, cabe a nós saber o que é comunicação e como ela pode ajudar no exercício de uma boa liderança, em especial a liderança cristã.

Se usarmos um bom dicionário de língua portuguesa, veremos que são inúmeras as definições possíveis para o substantivo comunicação em seus vários usos; desde “o ato de comunicar” até um “processo que envolve a transmissão e a recepção de mensagens entre uma fonte emissora e um destinatário receptor, no qual as informações, transmitidas por intermédio de recursos físicos (fala, audição, visão etc.) ou de aparelhos e dispositivos técnicos, são codificadas na fonte e decodificadas no destino com o uso de sistemas convencionados de signos ou símbolos sonoros, escritos, iconográficos, gestuais etc.” (Houaiss, 2011). Para aquilo que nos propomos a mostrar, entendemos que a melhor definição para comunicação é aquela que vem do étimo da palavra em latim (communicatìo,ónis), isto é,  “tornar comum, partilhar”. Portanto, comunicação é o ato de tornar conhecido, ou comum, ao outro aquilo que alguém sabia, ou aquilo que só era crido (conhecido) por um número reduzido de pessoas. É partilhar suas crenças e valores com alguém que não as tinha ou não queria tê-las. É fazer com que outros acreditem naquilo que é realidade para um. Daí o porquê diz os escritos cristãos que “a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17). É pela comunicação que aprendemos hábitos, valores e crenças. Essa é a razão pela qual a mensagem que os cristãos pregavam foi comumente chamada, em anos posteriores, de evangelho, cujo significado é boa notícia.

O líder que pretende ser reconhecido como tal, precisa entender que a comunicação é um instrumento para modificar os significados que cada pessoa atribui a determinada coisa, crença ou comportamento. O homem é um ser social e, para melhor conviver no meio em que vive, ele precisa se comunicar com o seu semelhante; sem essa comunicação não haveria aprendizado e, consequentemente, não haveria crescimento. O líder deve se esforçar para melhor se comunicar; honrando, assim, a si mesmo e aqueles que são seus liderados. Como bem disse o escritor cristão Dennis F. Kinlaw: “O chamado que nós, os pregadores, recebemos não é o de trabalhar para Deus, mas trabalhar com Deus” (Pregação no Espírito, p. 38). Essa verdade de que o cristão trabalha com Deus, deve ser aplicada não só a pregadores, mas a todos os cristãos e, principalmente, àqueles que desempenham o ato de liderança cristã. O líder deve ser, em todas as coisas, exemplo para os seus liderados, inclusive no modo como se comunica, como fala (Tt 2.8). Portanto, aperfeiçoar a sua liderança depende em grande medida do aperfeiçoamento da sua comunicação, do seu falar. Comunicar-se melhor é falar melhor. Isso, porém, não é o mesmo que falar muito; falar melhor é saber o que se fala e quando se deve falar. Todos tem a dádiva da comunicação, mas são poucos os que sabem usar desse dom de maneira clara e eficiente. A boa liderança depende da boa comunicação, sem a segunda não haverá a primeira. 

Seria a Preguiça Biblicamente um Pecado?

Uma das coisas que sempre me preocupou na vida cristã é a ideia de que a preguiça é apontada nas Escrituras como um pecado, principalmente no escritos sapienciais. Lembro-me que, de vez em quando, ouvia alguns irmãos lerem (com certo grau de orgulho) as passagens bíblicas que falavam dos males que a preguiça pode acarretar a vida daqueles que se deixam dominar por ele. O que ninguém parecia ter vontade de explicar era o que é preguiça, talvez pelo fato de pensar, erradamente, que todo mundo no auditório tinha uma ideia clara sobre o que era e de como a preguiça se manifestava. Para ajudar aqueles que, como eu, querem entender o sentido real desta palavra tão obscura, posto esse áudio; que é uma explicação enriquecedora sobre o que é e qual as mazelas do pecado da preguiça na vida cristã. O professor é o Pe. Paulo Ricardo, apresentador do programa Respostas Católicas.
 

Sobre Profetas e Professores

Por Francikley Vito 

O ensino e a aprendizagem não são ações apenas racionais e mecânicas, são atos que, para serem levados a efeito, exigem daqueles que os praticam uma entrega total e constante; essa verdade se mostra ainda mais contundente quando consideramos a ação educativa do âmbito cristão, com suas peculiaridades e desafios. Não trataremos aqui da segunda ação (a aprendizagem), mas tão somente da primeira (o ensino). Já dissemos, em texto anterior, que, quando o professor se levanta para dar sua aula, ele se coloca como um instrumento de transformação que atua nas múltiplas áreas de formação do aluno (Vito, 2011); nesta mesma oportunidade, traçamos as primeiras reflexões quanto ao assunto que será alvo do nosso pensar neste texto, a saber, as similaridades entre a pessoa do profeta veterotestamentário (do Antigo Testamento) e a ação do professor cristão na contemporaneidade. Ali dissemos que o professor se assemelha ao profeta, em um primeiro momento, etimologicamente, visto que os dois substantivos derivam da mesma raiz linguística latina (professor,óri). Assim, o professor, da mesma forma que o profeta, é alguém que transmite, que professa, suas crenças, valores e experiências de vida à sua classe. Porém a similaridade entre um e outro vão muito além das já expressas naquele trabalho. E é isso que intentamos mostrar no decorrer deste artigo; à luz da vida de um dos profetas mais conhecidos do Antigo Testamento, Jeremias.

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Fé na Ciência e Fé em Um Deus Criador


Por Henry F. Schaefer

[...] As leis da natureza parecem como se tivessem sido selecionadas como os princípios mais simples e elegantes de mudanças inteligíveis do universo que apontam para um Deus criador soberano. Acreditar na inteligibilidade da natureza fortemente sugere a existência de uma mente cósmica, a qual pode construir a natureza de acordo com leis racionais. Dr. Keith Ward, professor régio da Oxford University, expôs bem em Abril de 1999:

“Portanto apelar a inteligibilidade geral da natureza, sua estruturação de acordo com princípios matemáticos os quais podem ser compreendidos pela mente humana, sugerem a existência de uma mente criativa, uma mente de vasta sabedoria e poder. A ciência não é verossímil iniciar se se pensa que o universo é somente um caos de eventos arbitrários, ou se se pensa que há diversos deuses competindo, ou talvez um deus que não está preocupado com elegância ou estrutura racional. Se se acredita nessas coisas, não se deve esperar encontrar leis gerais racionais, e assim provavelmente não se procurará por elas. Talvez não seja acidente que a ciência moderna realmente iniciou com a clara compreensão que o Deus cristão foi um criador racional, não um agente pessoal arbitrário.”

Eu necessito ser claro que não são somente pessoas simpatizantes com cristãos que reconhecem a notável inteligibilidade do universo. Por exemplo, Sheldon Glashow (prêmio nobel em Física, 1979) afirmou em 1990: “Muitos cientistas são profundamente religiosos de uma forma ou outra, mas todos eles possuem antes uma fé peculiar – eles possuem uma fé na simplicidade básica da natureza; uma crença que a natureza é, afinal de contas, compreensível e que deve-se empenhar-se para entende-la tanto quanto pudermos.” Entretanto, sem uma crença no Deus soberano do universo, pode-se projetar tais observações gerais em direções questionáveis. Por exemplo, Glashow continua: “Agora esta fé na simplicidade, que há regras simples – algumas partículas elementares, algumas regras quânticas para explicar a estrutura do mundo – é completamente irracional e completamente injustificável.”

Fonte: http://www.origemedestino.org.br/blog/johannesjanzen/?post=272 Título do editor do Blog.

Direito, Literatura e História

Por Marcus Boeira

Ultimamente, inúmeros juristas têm dedicado especial atenção à literatura. Tal situação se deve ao fato de que a ciência jurídica e o campo literário possuem diversas conexões possíveis, desde a temática da hermenêutica até o campo dos juízos e valores morais na sociedade humana.

Porém, há um ponto que unifica as duas áreas de maneira singular: trata-se do problema inerente ao ato humano. Ou seja, as atitudes humanas constituem o repertório que dá sentido ao amplexo normativo dos códigos e diplomas legislativos, como também confere unidade à pluralidade de experiências humanas retratadas nas obras de literatura.

Enquanto a história trata da memória viva do passado, ampliando progressivamente o rol dos fatos e experiências concretas sucedidas ao longo dos tempos, a literatura reflete as experiências humanas possíveis, desde a lógica da potencialidade. A saber, ao passo que a história procura explicar a realidade a partir da coleta dos fatos e sua interpretação e investigação posterior, a literatura produz ficção e, a partir dela, se mergulha na consciência e nas causas da atividade humana. A literatura, por assim dizer, retrata a diversidade inerente as tensões existenciais, produzindo formas descritivas de compreensão do homem na história. A história é o ato, a literatura a potência. A história é a memória dos povos. A literatura, a consciência dos atos humanos.

Da perspectiva do jurista, a interpretação das normas pressupõe que o interprete mergulhe na realidade para compreendê-las mais profundamente. Ora, sendo a realidade complexa e seu conhecimento de difícil decifração, é mister que o hermeneuta procure no Direito um modo de entendimento sobre o mundo. A partir das normas jurídicas, se quer conhecer o sentido do dever ser, quer-se, antes de tudo, conhecer o destino dos atos humanos e reconhecer suas causas e consequências.

Enquanto a história preenche o rol dos fatos e situações compartilhadas na experiência social por séculos e gerações, a literatura retrata o conjunto das possibilidades do futuro, antecipando atitudes humanas a partir de uma investigação quanto à consciência do mesmo, como também suas reações e ações perante situações concretas. A literatura, mutatis mutandis, trás o futuro para o presente e viabiliza ao jurista interpretar a história de forma atual. A atualidade do Direito, assim, exige a conexão entre a história e a literatura, entre o que já ocorreu e o que pode ocorrer.

Por exemplo, quando lemos uma obra como Os Demônios, de Fiodor Dostoievski, datada de 1872, percebemos o quanto de profético há na textura apresentada, cujos personagens imbuídos de atitudes revolucionárias demonstram de forma viva o que viria a ocorrer na Revolução Russa de 17. De certo modo, a maneira toda singular de entender o marxismo e demais ideologias revolucionárias, mesmo o romantismo, do ponto de vista da literatura russa, nos mostra que os russos possuem uma característica bastante especial: a de importar certas categorias do pensamento revolucionário e interpretá-las segundo uma visão de mundo própria e particularizada, por vezes contrária à cosmovisão ocidental. Nesse caso, a literatura profetiza sobre a história, justamente por apresentar um pano de fundo comum às experiências humanas universais. A linguagem do possível antecipa a atualidade da história. Em suma, a apresentação da consciência revolucionária permite vislumbrar que, em pleno século XIX, já era possível detectar o que viria a suceder poucos anos depois no conjunto de fatos ocorridos em meio à revolução bolchevique.

A ciência jurídica, ocupada em discernir o justo em concreto, não encontra outro meio senão reconhecer e investigar os motivos das atitudes humanas, das tensões existenciais, enfim, dos dilemas humanos básicos apresentados pela literatura e atualizados pela história. A história viva da ciência jurídica perpassa a cultura humana mediante a literatura jurídica, composta por aquilo que representa a finalidade do Direito de modo mais elementar: normatizar e orientar os atos do ser humano.

Fonte:http://www.midiasemmascara.org/artigos/direito/13276-direito-literatura-ehistoria.html

Qual a Relação Entre Música e Espiritualidade?


Por Yara Caznok

Desde que o homem registrou sua presença e suas formas de vida [...], a música o acompanha. A expressão sonora faz parte de nossa maneira de pensar e de sentir, e isso se verifica em todas as culturas – não há sociedade sem música. O som, por ser um fenômeno vibratório, uma energia que não tem concretude material e visual, muitas vezes é tomado como sendo a manifestação do mundo inominável da incorporeidade, do invisível e, por extensão, do sagrado.

Para muitas culturas, os sons, quando transformados em música, são capazes de dar forma e de exteriorizar essa dimensão imaterial da vida humana que, por meio de outros conhecimentos, se torna quase inacessível. Já na Grécia antiga, os poderes encantatórios da música podem ser encontrados no mito de Orfeu, o músico-poeta que transformava o cosmos interior dos seres – animais, humanos, vegetais, minerais – por meio de sua música. Seja como percepção da manifestação de uma divindade ou como possibilidade de comunicação com ela, a música foi e ainda é considerada o veículo mais apropriado para dar forma aos conteúdos espirituais. No mundo cristão, desde os primeiros registros que se tem dos cantos monódicos – século I – até às composições contemporâneas, a ligação da música com a espiritualidade tem se firmado e se constituído em um terreno fértil, de mútuo apoio e legitimação [...].

Um dos princípios da música cantada – tirar o texto de sua imobilidade e dar-lhe vida – guiou a produção musical durante muitos séculos, desenvolvendo-se tanto no repertório sacro como no profano. Podemos avaliar esse poder quando eliminamos a melodia de uma canção e apenas declamamos sua letra – fica “sem graça, sem élan” e esta é uma das primeiras experiências que aprendemos desde crianças. No caso da música religiosa, é a voz da divindade que, quando entoada, coloca em movimento a energia afetivo-espiritual de seu conteúdo, fazendo-nos vivê-la integralmente.

É possível ter essa vivência com Johann Sebastian Bach , por exemplo, um dos mais fervorosos compositores luteranos do século XVIII. Sua capacidade de fazer o Verbo se tornar realidade vivida – emocional, espiritual e física, inclusive – o coloca entre os mais poderosos e inspirados compositores do gênero “concertos para a alma” ou, “concertos espirituais”, que a história da música ocidental até hoje conhece. No século XIX, quando a música instrumental já havia conquistado sua autonomia, a escuta musical se torna uma verdadeira vivência mística: a fala da e com a interioridade, o encontro com a contemplação e o diálogo sem palavras com Deus. Contemporaneamente, há uma gama infinita de combinações e aproximações entre música (s) e espiritualidade (s), nem todas elas bem sucedidas... De qualquer forma, há que se acercar do tema com o critério inegociável da qualidade musical e com a crença que a estesia, a capacidade de perceber a beleza e de se deixar envolver por ela, é um convite que a música nos oferece para momentos de transcendência e de encontro com os inefáveis mistérios que a vida encerra.

Fonte: http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4656&secao=403

Da Expressão à Liberdade

Por Francikley Vito 

O homem é um ser que tem em sua essência a necessidade de comunicação. Desde os primeiros tempos o ser humano tem tentado se comunicar com sua geração e com as gerações subsequentes, e por causa dessa necessidade intrínseca ele desenha, rabisca, escreve; tornando comum a outros de seus semelhantes o seu pensamentos, medos e reflexões por meio das artes em geral. É por causa dessa sua necessidade que o homem escreve, noticia e noticia-se. Tornando a si, e aos seus, eterno.


Se olharmos a história da humanidade, veremos que desde as narrativas desenhadas em cavernas, passando pelos contos mitológicos e chegando às histórias da Bíblia judaico-cristã, veremos que o ser humano é primordialmente comunicativo. Ele vive para se tornar comum ao outro, para se fazer conhecido no outro, para se projetar no outro com o intuito de preservar a si e a história dos seus pares, os outros seres humanos. O homem não se faz sozinho, ele se faz com e no outro. Daí o porquê de não ser bom “que o homem esteja só”, pois ele, o homem, se completa com o outro. Talvez venha desta característica humana a sua constante necessidade de ouvir histórias e de contar histórias, de se expressar. Como disse o poeta João Cabral de Melo Neto, O galo sozinho não tece um amanhã/ Ele precisa sempre de outros galos./ De um que apanhe esse grito [...]/E o lance a outro; de um outro galo [...]/Pra que o amanhã, desde uma teia tênue,/ Se vá tecendo, entre todos os galos.” (A Educação pela Pedra, 1996). Nas palavras do poeta pernambucano, o homem é como um galo que solta o seu grito e que precisa de outros galos para construir o futuro, futuro esse que é costurado em conjunto como uma teia, por um e com todos. É por esse motivo que dizemos que a liberdade de comunicação é uma necessidade primordial da criatura chamada homem.

Sendo assim, furtar do homem a sua liberdade de comunicar-se com seus pares é não apenas um crime, mas uma tentativa de ir contra uma das suas necessidades mais nobres e pungentes. É importante esclarecer que em plena vigência do Estado Democrático de Direito, ao tornar conhecidas suas opiniões e idéias, o homem exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando que os referidos textos constitucionais são claros em dizer que: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal da comunicação por quaisquer meios também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em apreço, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença".

O home é livre para sua expressão, pautando-se sempre na pureza de consciência e verdade, seja de fatos seja de suas crenças. A propósito: crença e comunicação estão intimamente ligados, pois um depende do outro. Não há crença sem comunicação. Não há futuro sem comunicação. Não há homem que não se comunique. Não há homem sem comunicação. 

Nota: Publicado originalmente em Jornal local.

Deus e o Mal: Respostas Cristãs ao Sofrimento


O sofrimento tem potencialmente o poder de transformar nossa fé em afirmações vazias, ao invés de certezas baseadas nas revelações das Escrituras; quando isso acontece, corremos o risco de vivermos em um paganismo que, cedo ou tarde, resultará em uma decepção cujo alvo é Deus.

É, pois, com muita alegria que colocamos a disposição dos leitores deste blog o nosso livro Deus e o Mal: Respostas cristãs ao problema do sofrimento. Esse trabalho conta com o prefácio do Pr. Severino Pedro da Silva e apresentação do Dr. Caramuru Afonso Francisco.

Formato: 15 x 21 cm
Páginas: 80 pg.
Preço: R$ 17,00 (incluindo despesas de correio)

Abaixo apresentação do Prof. Dr. Caramuru A. Francisco:

“Nesta obra, o professor Francikley Vito enfrenta um dos grandes questionamentos que acompanha a doutrina cristã ao longo de toda a história da Igreja: o problema do mal. De forma simples, mas sem deixar de ser profunda, o autor mostra como o problema do mal foi enfrentado, ao longo dos séculos, pelos pensadores cristãos, mostrando que não há qualquer incompatibilidade entre se crer num Deus único, infinitamente bom e amoroso e, mesmo assim, sofrer ao longo da existência terrena. Esta obra, certamente, elucidará questionamentos que sempre são trazidos pelos inimigos da sã doutrina a respeito do sofrimento e fortalecerá, sem dúvida, a fé de todos os leitores.”

Pr. Dr. Caramuru A. Francisco é graduado em Filosofia e Direito pela USP, onde obteve seu doutorado em Direito Civil. É escritor, articulista e colaborador do Portal Escola Dominical.

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na Rua Conselheiro Cotegipe, 273 - Belenzinho

O Problema do Mal na História das Ideias 2/2

Por Caramuru A. Francisco 


III -  As correntes de pensamento no tratamento do problema do mal: o monismo e as respostas ateístas e similares

O dualismo é a resposta mais imediata que se pode ter diante do problema do mal. Ao ver que, no mundo, existem tanto o bem quanto o mal, é até claro entender-se que bem e mal são forças existentes desde sempre no universo e que deverão assim existir ou, como defende a maior parte dos dualistas, uma das forças triunfará no término da história ou acabará havendo uma conciliação entre elas, com grandes e radicais transformações na ordem do universo. Entretanto, quando se pensa sob a perspectiva do dualismo, chega-se, também, a uma inevitável conclusão: Deus, se for considerado como a fonte do bem, não seria um ser onipotente, muito menos onipresente. Se temos duas forças contrárias, que se digladiam no universo, elas são da mesma natureza e grandeza, tanto assim que os zoroastristas, embora defendam a superioridade de Ahura Mazda em relação a Ahriman, não deixam de reconhecer nestas duas figuras dois deuses, exatamente porque, ao considerarem que há dois princípios, não podem reconhecer exista um único Deus. É, precisamente, esta a grande e insuperável dificuldade com que se enfrentarão os pensadores monoteístas ao analisarem o problema do mal, notadamente a partir do contacto do pensamento religioso judaico seja com o zoroastrismo, seja com a filosofia grega, a partir do domínio persa e helenístico, ou seja, depois do cativeiro babilônico e da própria conclusão da produção das Escrituras hebraicas. Se o mal existe, então Deus não seria o Ser perfeito, onipotente, onipresente que é revelado nas Escrituras ? Como conciliar a existência do mal com o caráter absoluto da divindade, que é solenemente proclamado na introdução aos dez mandamentos (cfr.Dt.6:4) ? A propósito, conhecida é a afirmação do filósofo grego  Epicuro (341-270 a.C.), que, apesar de materialista e ateu, como ninguém sintetizou a perplexidade que movimenta a mente dos pensadores monoteístas a respeito, que vale a pena transcrever : " Ou Deus deseja remover o mal deste mundo, mas não pode fazê-lo; ou Ele pode fazê-lo, mas não o quer; ou não tem nem a capacidade e nem a vontade de fazê-lo; ou, finalmente, ele tem tanto a capacidade como a vontade de fazê-lo. Ora, se Ele tem a vontade, mas não a capacidade de fazê-lo, então isso mostra fraqueza, o que é contrário à natureza de Deus. Se ele tem a capacidade, mas não a vontade de fazê-lo, então Deus é mau, e isso não é menos contrário à natureza. Se Ele não tem nem a capacidade, nem a vontade de fazê-lo, então Deus é ao mesmo tempo impotente e mau e, conseqüentemente, não pode ser Deus. Mas se ele tem tanto a capacidade como a vontade de remover o mal do mundo (a única posição coerente com a natureza de Deus), de onde procede o mal (unde malum ?), e por que Deus não o impede ? " (apud R.N. CHAMPLIN, op.cit., v.5, p.407).

Eis a questão que irá incomodar os filósofos e teólogos a partir do século II a.C. e, num certo sentido, até os dias de hoje. Não houve quem, precipitadamente, diante deste aparente paradoxo, não tenha preferido ver aí uma prova da inexistência de Deus. Assim, diante da constatação de que o mal existe, preferiram estes pensadores afirmar que, diante da existência do mal, Deus não existe. Segundo estes pensadores, pois, não há que se falar em bem ou mal, porquanto tais conceitos não passariam de invenções mentais, não havendo, assim, nem bem, nem mal no universo. Um dos principais defensores deste pensamento foi o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), para o qual " bem ou mal, noções imutáveis, não existem", já que o mal seria apenas a " afirmação da vida", que teria sempre sido negada e sufocada na sociedade humana, mormente pelos valores adotados pelo Cristianismo. Para quem, como Nietzsche, " Deus havia morrido", nada mais natural que entender que bem ou mal não existiriam e que se deveria buscar um sistema ético que estivesse " para além do bem e do mal", como diz o título de um de seus livros. Este pensamento (que, aliás, tem sido acolhido e entusiasticamente defendido por alguns nos nossos dias) não resolve o problema, mas, antes, representa uma fuga dele, já que, sendo ou não "afirmação da vida", o fato é que o mal existe e precisamos dar conta de sua origem.

Alguns outros, embora não tenham chegado à afirmação de que Deus não existe, assumiram uma posição muito similar, preferindo dizer que o mundo não é uma ordem, mas fruto do acaso e da probabilidade, de forma que o bem e o mal são resultados acidentais do anárquico movimento das forças cósmicas. Um pensamento desta natureza, denominado pelos estudiosos de "tiquismo" (do grego "tyche", chance, aposta) , não deixa de ser uma variante da corrente de pensamento atéia, porquanto, ao se negar a existência de uma ordem no mundo, está-se, em outras palavras, negando-se a existência de Deus, ou, pelo menos, dizendo-se que Deus não é onipotente, já que não é capaz de estabelecer uma ordem na criação. Há aqueles, ainda que, embora não questionem a existência de Deus, entendem ser impossível dizer se Ele é bom ou não. Indignado e revoltado com o terremoto que destruiu Lisboa em 1º de novembro de 1775, o filósofo francês Voltaire (1694-1778) preferiu afirmar que Deus era um ser existente mas absolutamente indiferente diante de tudo, de forma que não se poderia afirmar se Deus era bom ou mau, de tal maneira que o problema do mal deveria ser considerado uma questão insolúvel e que deveria ser deixada de lado. Tal postura não deixa, também, de ser uma fuga do problema e que, como já dissera Epicuro, não consegue explicar como admitir-se a existência de um Deus que não seja o Sumo Bem. Do mesmo defeito é a posição que foi tomada pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), segundo o qual Deus não seria um ser benévolo, de forma que a existência do mal pode ser resultado até do próprio exercício da vontade divina, uma vez que Deus não estaria vinculado ao bem. Aqui, também, não explica o filósofo como pode haver um Deus que não seja bom.
                                  
IV -  As correntes de pensamento no tratamento do problema do mal: o monismo e as respostas monoteístas

Visto as respostas que foram dadas pelos pensadores que não se vinculam ao pensamento monoteísta, vejamos como o problema do mal foi enfrentado por parte dos pensadores que não negaram sua fé e procuraram, de uma forma racional, superar este intrincado problema. O primeiro teólogo cristão que buscou sistematizar a sua produção foi Orígenes de Alexandria (185-255), cujo conhecimento da filosofia grega permitiu-lhe construir uma obra em que buscava, ao mesmo tempo, explicar as Escrituras e defender a fé cristã das críticas duras que os filósofos começavam a fazer. Ao tratar do problema do mal, Orígenes tinha em mente, principalmente, combater os gnósticos e seu dualismo. Orígenes vê a solução do problema do mal no livre-arbítrio que Deus concedeu ao homem na criação. Empenha-se, portanto, em provar que o livre-arbítrio existe e foi criado por Deus, a fim de demonstrar que, diante da liberdade que foi dada tanto ao homem quanto aos seres angelicais, puderam estes seres distanciar-se ou aproximar-se de Deus. O mal, portanto, nada mais seria do que o abandono ou a perda da bondade: "…O mal é a privação ou ausência da bondade; é um não-ser, e como tal, é o oposto do ser e do bem. Na proporção em que o homem se aparta do bem, ele perde sua perfeição e cresce no mal." (apud Philotheus BOEHNER e Etienne GILSON. História da filosofia cristã, p.68)

Considerar o mal como um não-ser, apenas como um distanciamento operado pela vontade entre Deus e os seres criados dotados de livre-arbítrio será a primeira solução que se dará para o problema do mal, portanto. Esta solução resolve, a um só tempo, vários aspectos do problema do mal. Senão vejamos.
Quando dizemos que o mal é um não-ser, ou seja, algo que não existe, não mais precisamos explicar como Deus, que, por definição, é o Criador de todas as coisas, poderia ter criado, a um só tempo, criou o mal, pois o mal é algo que não existe e, portanto, não foi criado.
Quando dizemos que o mal é um não-ser, também não precisamos explicar como Deus, sendo um ser infinitamente bom, poderia ter criado o mal, o que O tornaria um ser contraditório. Como o mal não é, ou seja, não existe, não faz parte daquilo que não foi criado.

Por fim, quando dizemos que o mal é um não-ser, é apenas a perda ou abandono da bondade, conseguimos explicar como ele surgiu, apesar de Deus ser o Sumo Bem, bem como entendemos porque o bem, apesar da presença do mal, não deixa de ser soberano. Daí, ao explicarmos o problema do mal, também acabamos por compreender que haverá um tempo em que este distanciamento se desfará, em que haverá uma restauração universal, "quando Deus for tudo em todas as coisas, já não haverá lugar para o mal" (apud op.cit., p.74). Diante de tamanha força, a solução dada por Orígenes influenciará decididamente todos os pensadores que se seguirão na filosofia e teologia cristãs, com algumas nuanças.

Gregório de Nissa (335-394), ao tratar do tema do problema do mal, adota a postura de Orígenes, considerando o mal como um não-ser. Para este pensador, o pecado é a inexistência de algo que deveria existir, ou seja, o ser humano, criatura que é de Deus, deveria, ao receber o livre-arbítrio, decidir-se por obedecer a Deus, mas não o fez, de modo que o mal surge, exatamente, do fato de não existir uma decisão por Deus que deveria ter existido. O pecado, assim, diz Gregório, " não é nada de positivo, nada de criado por Deus, mas, sim, algo de privativo, uma carência, um verdadeiro nada." (op.cit., p.102).

Dionísio Pseudo-areopagita (séc. V ou VI) explicita, como ninguém, o pensamento de Orígenes: "… Donde se origina, então o mal, uma vez que é impossível negar-se-lhe a existência manifesta ?". O mal, enquanto tal, não tem ser; tampouco ocupa um lugar nas coisas onde existe. De forma que o mal não se encontra nem nos anjos, nem nos demônios; não está na alma, nem nos animais, nem na natureza, nem nos corpos; não se encontra nem mesmo na matéria.(…). Em suma, o mal é uma fraqueza e uma omissão do bem." (op.cit., p.119). Agostinho de Hipona (354-430), o grande sistematizador da filosofia e da teologia cristã dos três primeiros séculos e cuja influência se faz sentir até o presente no pensamento da Cristandade, também neste tema teria uma importância fundamental. Agostinho conta, em seu livro Confissões, onde narra toda a sua trajetória até sua conversão ao Cristianismo, que teve de enfrentar o problema do mal quando já estava às portas da conversão. Já tendo sido evangelizado por Ambrósio, bispo de Milão, Agostinho se debatia com o questionamento a respeito do mal: ".se todas as coisas foram criadas pela bondade divina, que as penetra da maneira acima descrita, elas devem ser boas em sua totalidade. E assim parece não haver lugar para o mal. Entretanto, é inegável a existência do mal físico e moral; o mal não pode ser um puro nada, visto ser objeto de temor e causa dos sofrimentos. Por outro lado, ele não pode ter a Deus por autor. Que é, pois, o mal ? " (Confissões, VII, 5,7 apud op. cit., p.145). Agostinho, porém, ao se debruçar sobre este questionamento, percebe que, na verdade, a resposta de Orígenes não poderia ser descartada. Agostinho percebe que o fato de haver sofrimentos e temor no mundo não é resultado do mal, mas, antes, do fato de que todas as coisas devem sua existência a Deus e que, portanto, o fato de haver imperfeições e de as coisas deixarem de existir é fruto desta situação, pois somente Deus não tem princípio nem fim. Agostinho, também, percebeu que todas as coisas que existem são boas, porque têm sua fonte em Deus e que, portanto, o mal não pode ser senão uma lacuna, um defeito, uma ausência de algo que deveria estar presente. Assim, Agostinho acaba por concordar com Orígenes e a enxergar que o temor e o sofrimento existentes no mundo não decorrem do mal, mas, antes, é conseqüência da imperfeição das criaturas. Deste modo, o posicionamento de Orígenes é confirmado pelo grande filósofo e teólogo, que, além do mais, lança por terra a objeção de que a solução seria contrária à evidência dos fatos e à realidade do sofrimento existente no mundo.

Depois de Agostinho, quem dissertará longamente sobre o tema será Tomás de Aquino (1224/1225-1274), o grande sistematizador da filosofia cristã na Idade Média, para quem "…a essência do mal consiste na deficiência de um determinado grau de perfeição e, por conseguinte, na privação de um determinado bem. De sorte que a mesma existência de seres transitórios implica a existência do mal.…" (apud op.cit., p.466). Assim, ainda que mantenha o posicionamento cristão já clássico e tradicional, de considerar o mal como um não-ser, o Tomás de Aquino vai mais além, ao afirmar que o mal chega, mesmo, a ser uma necessidade, na medida em que existem seres imperfeitos. Para o Aquinate, portanto, onde há imperfeição, há mal e, por ser o homem um ser imperfeito, a existência do mal é uma inevitabilidade. Tal entendimento é decorrência da influência do pensamento do filósofo e teólogo judeu espanhol Maimônides(1135-1204) sobre a obra de Tomás de Aquino. Maimônides, em seu livro " Guia dos Perplexos"  defendeu a tese de que o mal pode ser explicado ora pela limitação necessariamente inerente à criatura, ora pelas desordens provocadas pelas próprias criaturas no exercício da sua liberdade. Maimônides será o grande filósofo judeu da Idade Média e é a demonstração de que o problema do mal não apenas incomodou os cristãos, mas todos os monoteístas. Pensando desta maneira, Tomás de Aquino acaba por nos trazer a noção do "substrato positivo do mal".  Para o teólogo-filósofo oficial da Igreja Romana,embora o mal seja um não ser, o fato é que o mal tem um substrato, ou seja, para que possamos dizer o que é o mal, temos de dizer que ele não é uma substância, que ele não é algo que existe. 

Ora, se o mal só pode ser definido e conhecido através do ser, temos que a própria definição do bem exige que nós saibamos o que é o bem, ou seja, o mal é somente concebível a partir do bem, daí porque dizermos que o substrato do mal é o bem. Entretanto, diz Tomás de Aquino, o bem não é a causa do mal, é apenas concebível a partir da noção do mal, de forma que Deus não é nem pode ser a causa do mal, pois Deus só causa o ser e tudo o que é, como dizem as Escrituras, é bom (cfr. Gn.1:31). René Descartes (1596-1650), filósofo francês considerado como um dos iniciadores do racionalismo e um dos principais responsáveis pela superação da filosofia medieval, também enfrentou o problema do mal em sua obra. Para Descartes, o problema do mal estaria no fato de que a vontade do homem é livre e, como tal, como é da natureza das coisas finitas, como o homem, errarem, o erro advém naturalmente ao homem, de forma que daí exsurge o mal, que nada mais é que o erro. O erro, diz Descartes, implica em sofrimento e, por isso, teríamos a presença do sofrimento apesar de o erro ser, a rigor, um não-ser, vez que não proveniente de Deus, que é, por definição, perfeito e bom. Deste modo, mais uma vez, a exemplo do que fizera Agostinho, busca-se explicar porque, apesar de ser um nada, o mal consegue causar tantos males e sofrimentos neste mundo em que vivemos. Foi, precisamente, para fugir a esta crítica que sempre permeou a solução cristã para o problema do mal, qual seja, a constatação de que, embora seja um não-ser, o mal traz efeitos e conseqüências sentidas por todos os homens, o que não parece apropriado para algo que é dito não existir, que o filósofo alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) apresentou a sua tese do " melhor de todos os mundos possíveis".

Para Leibniz, somente Deus é perfeito e, portanto, todos os demais seres são imperfeitos. Desta imperfeição, surgem as circunstâncias adversas, que nada mais são que o mal, que é, como já dissera Tomás de Aquino, uma necessidade, já que o mal deve ser considerado como uma programação estabelecida por Deus. Com efeito, estas imperfeições existem exatamente para que sejam entendidas em toda a sua excelência as perfeições, ou seja, pelo contraste entre as adversidades, entre os males e os bens, pela comparação entre a existência e a falta de existência, é que compreenderemos o que é o bem e como devemos enaltecê-lo e reconhecer nele a perfeição divina. Por isso, o mal, numa perspectiva da própria criação, é um bem, na medida em que, somente através do mal é que poderemos vislumbrar o bem enquanto tal. Deste modo, o universo em que vivemos é o melhor de todos os mundos possíveis, uma vez que foi feito de tal maneira que possamos contemplar a perfeição divina. Dizer, portanto, que o sofrimento, que os efeitos causados pelo mal no mundo são uma demonstração de que o mal não é uma ilusão, como diz a solução monoteísta, não parece ser uma correta afirmação, pois são estes sofrimentos e conseqüências funestas que nos permitem perceber o que é o bem e, como tal, tomar consciência de que estamos no melhor dos mundos possíveis.

Para o teólogo norte-americano radicado no Brasil, R.N. Champlin, exatamente por não poder enfrentar a contento a objeção de que o mundo está repleto de sofrimento e de efeitos causados pelo mal, a solução que aqui estamos chamando de monoteísta, "…não pode explicar muitas de suas formas [do mal]; e nem as mentes não-filosóficas, ou mesmo filosóficas, se satisfazem inteiramente com esta explanação. Após exame, tudo se reduz a um ponto de vista ' simplório'  sobre a existência do mal(…) uma posição criada para aliviar Deus de haver criado ou de estar permitindo o mal(…). Eliminar a existência do mal deste mundo, mediante alguma explicação racionalizadora, não dá solução ao problema, mas tão-somente oculta cruamente o mesmo, não passando tudo de um truque filosófico." (R.N. CHAMPLIN. Problema do mal. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.5, p.408-9). Entretanto, esta crítica parece não levar em conta a postura de Leibniz e que, ao nosso ver, parece ter bem respondido a esta objeção. Dizer que o mundo está repleto de sofrimento e de efeitos causados pelo mal e que, por isso, não se pode acolher a idéia de que o mal seja uma ilusão, como bem argumentou Leibniz, é considerar que possa existir um mundo melhor do que este. É este, aliás, o argumento apresentado por Jaime Quintas em seu artigo "O problema do mal" , onde, textualmente, assim afirma o filósofo português: "… Quando afirmamos que a quantidade de mal existente no mundo é incompatível com a existência de Deus estamos a afirmar duas coisas simultaneamente: 1) Há demasiado mal no mundo; 2) É possível a existência de um mundo melhor. Caso 2 seja falsa, Deus, mesmo sendo omnipotente, terá criado o melhor dos mundos, pelo que o argumento do mal perde a sua força.…"
(O problema do mal. google.com/search?q=cache:hX8JJ1GR_awJcriticanarede.com/fil_mal.html Acesso em 16 out.2003).

Ora, como bem observou o filósofo Quintas, uma coisa é dizermos que entendemos, sob o nosso ponto-de-vista, que o mundo existente possa ser melhor; outra é a constatação de que sempre acharemos que o mundo onde estamos, que sempre será imperfeito, pode melhorar. Nas palavras de Quintas: "… a existência de um mundo considerado bom pelos seus habitantes é logicamente impossível, pelo que um mundo considerado mau pelos seus habitantes não se torna incompatível com Deus. O nosso mundo é considerado mau pelos seus habitantes; mas daí não se segue que é incompatível com Deus.…" (op.cit). Vemos, portanto, que a crítica apresentada à solução monoteísta não se sustenta, uma vez que não é pela simples impressão que se tenha do mundo que poderemos concluir que o mal seja algo existente e que desafie a própria existência de Deus tal como a concebe um monoteísta.

Mas não bastasse isso, também não deixamos de ter de considerar que cabe à filosofia tentar refletir sobre o problema do mal e, à luz da razão, explicá-lo de forma convincente e lógica e não trazer soluções para que o mal seja eliminado do mundo. A solução monoteísta, que tem suas raízes em Orígenes, dá bem conta das objeções apresentadas por Epicuro e que se apresentavam como desafiadoras para quem tinha uma fé monoteísta, como os judeus e, posteriormente, os cristãos e os muçulmanos.

À evidência que a explicação fornecida não elimina o mal nem suas conseqüências, até porque não é tarefa da filosofia esta eliminação. Desta maneira, exigir-se do filósofo ou do teólogo que seja dada uma solução a este problema, em termos concretos, é algo que não nos parece razoável. Ademais, se se fosse perguntar a qualquer destes pensadores qual seria a solução para o mal, certamente que apresentariam a sua fé, pois o mal só poderá ser solucionado, segundo este grupo de pensadores, se a pessoa aceitar, por fé, a crença que professam.

BIBLIOGRAFIA

AUSUBEL, Nathan. Conhecimento Judaico. Trad. de Eva Schechtman Jurkiewicz. In: A.
        KOOGAN (ed.). JUDAICA. Rio de Janeiro: Koogan, 1989. v.5 e 6. 915p.

BOEHNER, Philotheus e GILSON, Etienne. História da filosofia cristã: desde as origens
         até Nicolau de Cusa. 3.ed. Trad. de Raimundo Vier, O.F.M. Petrópolis: Vozes, 1985.
         582p.

CHAMPLIN, Russel N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo: Hagnos,
         2001, 6v.

JAPIASSU, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. Rio de
        Janeiro: Jorge Zahar, 1989. 265p.

QUINTAS, Jaime. O problema do mal. http://www.google.com/search?q= cache:hX8JJ1GR_awJ:www.criticanarede.com/fil_mal.html+problema+do+mal&hl=pt-BR&ie=UTF-8. Acesso em 16 out.2003.

De Olho no Voto: AD Quer Eleger Mais de Cinco Mil Vereadores nas Próximas Eleições


Igreja que mais cresce no Brasil e com a maior representação na bancada evangélica do Congresso Nacional, a Assembleia de Deus prepara a sua ofensiva para as eleições municipais. A expectativa da liderança deste grupo do movimento pentecostal é ter um vereador em cada uma das 5.565 cidades brasileiras. Para alcançar o resultado, a igreja aposta em números revelados no recém-divulgado Censo 2010.

Dos 42 milhões evangélicos identificados pela pesquisa, 12 milhões são fiéis da Assembleia de Deus, que registrou um aumento de 4 milhões de pessoas em relação ao levantamento anterior do IBGE, de 2000. A parcela populacional já encontrou ressonância política. Dos 76 deputados federais da Frente Parlamentar Evangélica, 24 são pastores, bispos ou seguidores engajados da Assembleia de Deus.
"Temos igrejas em 95% dos municípios e isso favorece a divulgação dos candidatos. Nosso projeto é ter um vereador em cada cidade do país", revela o pastor Lélis Washington Marinhos, presidente do conselho político nacional da Convenção Geral das Igrejas Assembleia de Deus no Brasil (CGIADB).

"No Estado de São Paulo, monitoramos 250 candidatos a vereador. Mas, além deles, muitos outros membros da igreja entraram na disputa sem o nosso conhecimento, por iniciativa própria."
As ações dos mais de 100 mil pastores da Assembleia de Deus espalhados pelo país estão subordinadas a duas organizações: a CGIADB, com sede em São Paulo, e a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (Conamad), conhecida como Ministério de Madureira. Este último nome é uma referência ao bairro da zona norte do Rio onde surgiu a igreja de Manoel Ferreira, presidente da convenção.

As duas entidades seguem a mesma doutrina religiosa. Na política, adotam estratégias eleitorais separadas, mas atuam em um só bloco no Congresso. O investimento em campanhas eleitorais é parte de uma transição em curso na Assembleia de Deus. "A mentalidade mudou nos últimos 20 anos. Antigamente, ouvir rádio ou ver TV era considerado pecado. Hoje entendemos que são dois veículos extraordinários para a pregação do evangelho", avalia o pastor Abner Ferreira, um dos líderes da Convenção Nacional.

PAUTA
Com a mudança, concessões de TV e rádio entraram na pauta dos parlamentares da bancada evangélica. Outra prioridade é a militância contra os temas criticados pela doutrina, como o aborto. "A Assembleia de Deus atrai fiéis com o discurso da austeridade, a defesa da família, enquanto outras igrejas pentecostais apostam na teologia da prosperidade, a promessa de melhoria de vida", diz o cientista político Cesar Romero Jacob, autor do "Atlas da Filiação Religiosa".

Na avaliação do especialista, a abordagem vai ao encontro da situação econômica dos seguidores da igreja, concentrados nas regiões mais pobres do país. "Na ausência do Estado, onde a população não tem acesso à educação ou saúde, vivendo amedrontada pela violência, a igreja é o espaço que oferece um tipo de segurança a essas famílias", acrescenta Jacob.

O êxito deste grupo evangélico nas urnas também está associado ao perfil heterogêneo de seus candidatos. Os políticos da Assembleia estão filiados aos mais variados partidos. "Nos cargos legislativos, principalmente, nós temos o interesse de eleger um número máximo de evangélicos para representar a nossa comunidade", ressalta o pastor Abner. O líder da Convenção Nacional afirma desconhecer o número total exato de candidatos associados a sua organização na disputa das próximas eleições. Mas ressalta que a autonomia dos fiéis explica o crescimento da Assembleia de Deus em relação as suas concorrentes.
"Nós não temos apenas um líder. A igreja não é centralizada na figura de uma só pessoa. O objetivo é formar líderes para chegar onde o povo está. Por isso em qualquer gueto tem um templo da Assembleia de Deus."

Fonte de Texto e Imagem: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1123910-assembleia-de-deus-fala-em-eleger-mais-de-5500-vereadores.shtml
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