Farei Casamento Gay Quando a Lei Permitir, diz Reverendo


Em uma edição especial sobre casamento, a revista São Paulo, do jornal Folha de São Paulo (26/02/12), analisou o casamento sobre muitos e variados aspectos. 

Para não fugir ao costumeiro, a revista publicou uma curta entrevista com o reverendo Aldo Quintão, de 49 anos, que ficou conhecido por suas declarações pouco convencionais a respeito do casamento e por ser celebrante de casamentos de famosos, responsável pela Catedral Anglicana em Santo Amaro, São Paulo. Segundo a introdução da entrevista, o reverendo, que é natural de Brasília, está trabalhando na capital paulista a quase vinte e oito anos e tem conquistado fiéis “com um discurso sem restrições”. 

Em determinado ponto da entrevista, o reverendo Aldo diz que na sua igreja “todos são bem vindos. Inclusive gays assumidos, divorciados e fiéis desiludidos com outras religiões. O mundo moderno é marcado por uma sociedade plural. Na minha leitura do evangelho, todo mundo tem o direito de ser feliz. Aqui, as pessoas sentem que as diferenças são respeitadas” (grifo nosso), completa o religioso. Ao ser perguntado sobre sua posição em relação ao ‘casamento gay’, Quintão admite que os fará assim que a lei permitir, em uma clara disposição de revelar a sua posição naquilo que ele chama de o “mundo contemporâneo”.

Carta a Um Universitário Cristão


Por Alderi Souza de Matos

Caro irmão em Cristo,

Você tem o privilégio de freqüentar um curso superior, algo que não está disponível para muitos brasileiros como você. Todavia, esse privilégio implica em muitas responsabilidades e em alguns desafios especiais. Um desses desafios diz respeito a como conciliar a sua fé com determinados ensinos e conceitos que lhe têm sido transmitidos na vida acadêmica. 

Até ingressar na universidade, você viveu nos círculos protegidos do lar e da igreja. Nunca a sua fé havia sido diretamente questionada. Talvez por vezes você tenha se sentido um tanto desconfortável com certas coisas lidas em livros e revistas, com opiniões emitidas na televisão ou com alguns comentários de amigos e conhecidos. Porém, de um modo geral, você se sentia seguro quanto às suas convicções, ainda que nunca tivesse refletido sobre elas de modo mais aprofundado.

Agora, no ambiente secularizado e muitas vezes abertamente incrédulo da universidade, você tem ficado exposto a idéias e teorias que se chocam frontalmente com a sua fé até então singela, talvez ingênua, da infância e da adolescência. Os professores, os livros, as aulas e as conversas com os colegas têm mostrado outras perspectivas sobre vários assuntos, as quais parecem racionais, científicas, evoluídas. Alguns de seus valores e crenças parecem agora menos convincentes e você se sente pouco à vontade para expressá-los. Para ajudá-lo a enfrentar esses desafios, eu gostaria de fazer algumas considerações e chamar a sua atenção para alguns dados importantes.

Em primeiro lugar, você não deve ficar excessivamente preocupado com as suas dúvidas e inquietações. Até certo ponto, ter dúvidas é algo que pode ser benéfico porque o ajuda a examinar melhor a sua fé, conhecer os argumentos contrários e adquirir convicções mais sólidas. O apóstolo Paulo queria que os coríntios tivessem uma fé testada, amadurecida, e por isso recomendou-lhes: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem a si mesmos” (2 Co 13.5). As dúvidas mal resolvidas realmente podem ser fatais, mas quando dão oportunidade para que a pessoa tenha uma fé mais esclarecida e consciente, resultam em crescimento espiritual e maior eficácia no testemunho. O apóstolo Pedro exortou os cristãos no sentido de estarem “sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês” (1 Pe 3.15).

Além disso, você deve colocar em perspectiva as afirmações feitas por seus professores e colegas em matéria de fé religiosa. Lembre-se que todas as pessoas são influenciadas por pressupostos, e isso certamente inclui aqueles que atuam nos meios universitários. A idéia de que professores e cientistas sempre pautam as suas ações pela mais absoluta isenção e objetividade é um mito. Por exemplo, muitos intelectuais acusam a religião de ser dogmática e autoritária, de cercear a liberdade das pessoas e desrespeitar a sua consciência. Isso até pode ocorrer em muitos casos, mas a questão aqui é a seguinte: Estão os intelectuais livres desse problema? A experiência mostra que os ambientes acadêmicos e científicos podem ser tão autoritários e cerceadores quanto quaisquer outras esferas da atividade humana. Existem departamentos universitários que são controlados por professores materialistas de diversos naipes – agnósticos, existencialistas e marxistas. Muitos alunos cristãos desses cursos são ridicularizados por causa de suas convicções, não têm a liberdade de expor seus pontos de vista religiosos e são tolhidos em seu desejo de apresentar perspectivas cristãs em suas monografias, teses ou dissertações. Portanto, verifica-se que certas ênfases encontradas nesses meios podem ser ditadas simplesmente por pressupostos ou preconceitos anti-religiosos e anticristãos, em contraste com o verdadeiro espírito de tolerância e liberdade acadêmica.

Você, estudante cristão que se sente ameaçado no ambiente universitário, deve lembrar que esse ambiente é constituído de pessoas imperfeitas e limitadas, que lidam com seus próprios conflitos, dúvidas e contradições, e que muitas dessas pessoas foram condicionadas por sua formação familiar ou educacional a sentirem uma forte aversão pela fé religiosa. Tais indivíduos, sejam eles professores ou alunos, precisam não do nosso assentimento às suas posições anti-religiosas, mas do nosso testemunho coerente, para que também possam crer no Deus revelado em Cristo e encontrem o significado maior de suas vidas.

Todavia, ao lado dessas questões mais pessoais e subjetivas, existem alegações bastante objetivas que fazem com que você se sinta abalado em suas convicções cristãs. Uma dessas alegações diz respeito ao suposto conflito entre fé e ciência. O cristianismo não vê esse impasse, entendendo que se trata de duas esferas distintas, ainda que complementares. Deus é o criador tanto do mundo espiritual quanto do mundo físico e das leis que o regem. Portanto, a ciência corretamente entendida não contradiz a fé; elas tratam de realidades distintas ou das mesmas realidades a partir de diferentes perspectivas. O problema surge quando um intelectual, influenciado por pressupostos materialistas, afirma que toda a realidade é material e que nada que não possa ser comprovado cientificamente pode existir. O verdadeiro espírito científico e acadêmico não se harmoniza com uma atitude estreita dessa natureza, que decide certas questões por exclusão ou por antecipação.

Mas vamos a alguns tópicos mais específicos. Você, universitário cristão, pode ouvir em sala de aula questionamentos de diversas modalidades: acerca da religião em geral (uma construção humana para responder aos anseios e temores humanos), de Deus (não existe ou então existe, mas é impessoal e não se relaciona com o mundo), da Bíblia (um livro meramente humano, repleto de mitos e contradições), de Jesus Cristo (nunca existiu ou foi apenas um líder carismático), da criação (é impossível, visto que a evolução explica tudo o que existe), dos milagres (invenções supersticiosas, uma vez que conflitam com os postulados da ciência), e assim por diante. Não temos aqui espaço para responder a todas essas alegações, mas perguntamos: Quem conferiu às pessoas que emitem esses julgamentos a prerrogativa de terem a última palavra sobre tais assuntos? Por que deve um universitário cristão aceitar tacitamente essas alegações, tantas vezes motivadas por preferências pessoais e subjetivas dos seus mestres, como se fossem verdades definitivas e inquestionáveis?

O fato é que, desde o início, os cristãos se defrontaram com críticas e contestações de toda espécie. Nos primeiros séculos da era cristã, muitos pagãos acusaram os cristãos de incesto, canibalismo, subversão e até mesmo ateísmo! Foram especialmente contundentes as críticas feitas por homens cultos como Porfírio e Celso, que questionaram a Escritura, as noções de encarnação e ressurreição, e outros pontos. Eles alegavam que o cristianismo era uma religião de gente ignorante e supersticiosa. Em resposta a esses ataques intelectuais surgiu um grupo de escritores e teólogos que ficaram conhecidos como os apologistas e os polemistas. Dentre eles podem ser citados Justino Mártir, Irineu de Lião, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes, que produziram notáveis obras em defesa da fé cristã.

Em nosso tempo, também têm surgido grandes defensores da cosmovisão cristã, tais como Cornelius van Til, C. S. Lewis, Francis Schaeffer, R. C. Sproul, John Stott1 e outros, que têm utilizado não somente a Bíblia, mas a teologia, a filosofia e a própria ciência para debater com os proponentes do secularismo. Além deles, outros autores têm publicado obras mais populares acerca do assunto, apresentando argumentos convincentes em resposta às alegações anticristãs. Dois bons exemplos recentes são o livro de Lee Strobel, Em Defesa da Fé (www.editoravida.com.br), que possui um capítulo especialmente instrutivo sobre uma questão até hoje não aclarada pela ciência, ou seja, a origem da vida, e o livro de Phillip Johnson, Ciência, Intolerância e Fé (www.ultimato.com.br), cujo subtítulo já diz muito: “A cunha da verdade: rompendo os fundamentos do naturalismo”. É importante que você, universitário cristão, leia esses autores, familiarize-se com seus argumentos e reflita de maneira cuidadosa sobre a sua fé, a fim de que possa resistir à sedução dos argumentos divulgados nos meios acadêmicos.

Outra iniciativa importante que você deve tomar é aproximar-se de outros estudantes que compartilham as mesmas convicções. É muito difícil enfrentar sozinho as opiniões contrárias de um sistema ou de uma comunidade. Por isso, envolva-se com um grupo de colegas cristãos que se reúnam para conversar sobre esses temas, compartilhar experiências, apoiar-se mutuamente e cultivar a vida espiritual. Muitas universidades têm representantes da Aliança Bíblica Universitária (ABU) e de outras organizações cristãs idôneas que visam precisamente oferecer auxílio aos estudantes que se deparam com esses desafios. Não deixe também de participar de uma boa igreja, onde você possa encontrar comunhão genuína e alimento sólido para a sua vida com Deus.

Em conclusão, procure encarar de maneira construtiva os desafios com que está se defrontando. Veja-os não como incômodos, mas como oportunidades dadas por Deus para ter uma fé mais madura e consciente, para conhecer melhor as Escrituras, para inteirar-se das críticas ao cristianismo e de como responder a elas, para dar o seu testemunho diante dos seus professores e colegas, por palavras e ações. Saiba que você não está só nessa empreitada. Além de irmãos que intercedem por sua vida, você conta com a presença, a força e a sabedoria do Senhor. Muitos já passaram por isso e foram vitoriosos. Meu desejo sincero é que o mesmo aconteça com você. Deus o abençoe!


Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da igreja Presbiteriana do Brasil. 
Fonte: http://www.monergismo.com/textos/educacao/carta_jovem_universitario.htm.

Perdão Foi Feito Pra Gente Pedir?


GIBEÁ*

O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, cuja principal função é a de articular a Presidência da República com os segmentos sociais, inclusive com os movimentos religiosos (Carvalho, inclusive, é egresso dos movimentos sociais católicos da década de 1970, 1980), em palestra dada no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre/RS, disse que o PT deveria se preparar para o “embate ideológico” com os “setores conservadores” da sociedade brasileira na “conquista da nova classe média”, formando um “sistema de comunicação” que neutralizasse os “telepastores” que, por “terem conquistado a mídia”, estariam impedindo a aprovação de pontos programáticos do PT como a descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia.

Estas afirmações revelaram o verdadeiro propósito do governo petista e, com uma clareza sem igual, qual é o foco do petismo para concretizar o seu projeto de poder no Brasil, a instituição de um regime político que seja capaz não só de instituir o seu modelo socialista mas de exportá-lo para os demais países da América Latina.

Numa franqueza rara e que mais parece um deslize, o articulador do governo Dilma com os segmentos religiosos da sociedade mostrou qual é o propósito governamental em toda esta articulação: manter os segmentos religiosos da sociedade atrelados ao governo, inertes, enquanto, vagarosa mas persistentemente, se irá tentando isolar e desacreditar as poucas lideranças religiosas fiéis aos princípios cristãos, até o instante em que a população, devidamente doutrinada pelos valores anticristãos defendidos pelo governo, venha a aceitar a adoção de medidas radicalmente contrárias à fé em Cristo Jesus.

As afirmações do ministro repercutiram como uma “bomba” nos segmentos religiosos e a Frente Parlamentar Evangélica não teve outra alternativa senão romper com o ministro e, assim, pôr em risco todo o trabalho de articulação construído pelo PT a partir da derrota de Lula em 1994, trabalho este que foi decisivo para que se quebrasse o “veto evangélico” ao PT e que era um dos principais fatores que impedia o PT de vencer eleições presidenciais.

Esta situação, ademais, revelou-se extremamente inoportuna, pois se deu precisamente no momento em que, sutilmente, a presidente Dilma nomeava para a Secretaria de Política para Mulheres uma das maiores defensoras do aborto no país, a sua ex-colega de cela nos porões da ditadura militar, a socióloga Eleonora Minenucci, cuja primeira tarefa será explicar à ONU a política abortista do governo brasileiro, que está aquém das expectativas daquela organização internacional, onde se engendra toda a estratégia contrária à vida humana no planeta.

Diante desta situação, o ministro pediu para se encontrar com a “bancada evangélica” e “pediu desculpas”, embora, ao mesmo tempo, tenha negado ter feito as referidas declarações, uma negativa que só se entende dentro da mentalidade aética que caracteriza o “modus operandi” marxista, já que não há como negar as declarações, gravadas que foram.

Depois de duas horas de conversas a portas fechadas, o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, o deputado João Campos (PSDB-GO), deu o caso por “superado”, dizendo que a “bancada evangélica” ficou “satisfeita com o pedido de perdão”.

O ministro, na saída da reunião, fez questão de dizer aos jornalistas que a presidente Dilma mantém o seu compromisso de deixar ao Congresso Nacional a discussão a respeito do aborto, compromisso assumido no meio da campanha presidencial junto a lideranças católicas e evangélicas.

A atitude da bancada evangélica é estapafúrdia. O ministro pediu desculpas, embora tenha negado ter feito as declarações e, mesmo que as tivesse admitido e formulasse o referido pedido, não se poderia simplesmente dar o caso por “superado”.

As declarações do ministro revelam como o governo está a agir e que, portanto, é de absoluta má-fé a sua postura diante dos segmentos religiosos da sociedade.

O governo Dilma, e isto está claro no relatório que apresentará à ONU sobre a questão do aborto, está decididamente operando em torno da implementação dos pontos programáticos do PT, que incluem a criminalização da homofobia e a descriminalização do aborto. Apenas, por uma questão de estratégia, “cozinha em banho-maria” tais temas, buscando, junto aos meios de comunicação, obter apoio popular para tais causas, o que, inclusive, leva à ridicularização e descrédito de lideranças que têm se mantido fiéis aos princípios e valores cristãos.

Diante desta postura, não caberia outra atitude senão o rompimento das relações com o Governo e o início de uma verdadeira luta para que os princípios e valores cristãos prossigam sendo acolhidos e vivenciados na convivência social, na legislação pátria.

O Senhor Jesus foi bem claro ao dizer que “quem não é coMigo, é contra Mim e quem coMigo não ajunta, espalha” (Mt.12:30; Lc.11:23). O profeta Amós afirmou que: “Andarãos dois juntos se não estiverem de acordo?” (Am.3:3). Já o apóstolo Paulo assim se manifestou: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (II Co.6:14).

Ao contrário do que se disse na campanha eleitoral, o PT não abandonou o seu primeiro programa de governo, aprovado em seu Congresso Nacional, e que continha diversos pontos incompatíveis com a sã doutrina, e a prova disto foi a revelação feita pelo ministro Gilberto Carvalho de como o PT está a agir para implementá-los, inclusive escolhendo como seu inimigo prioritário os “telepastores”, ou seja, os defensores do Evangelho que têm visibilidade na mídia.

Ao contrário do que se disse na campanha eleitoral, o governo Dilma não tem interesse em defender a liberdade religiosa, mas quer “montar um sistema de comunicação” para desacreditar os líderes religiosos que se mostrarem contrários a seus projetos anticristãos.

Um “pedido de desculpas”, um “pedido de perdão” é suficiente para que a revelação deste projeto, totalmente contrário ao Evangelho, seja considerado “um fato superado”?

É certo que, como cristãos, devemos perdoar, que é dever de todo servo de Cristo dar perdão a quem o pedir (Mt.6:12; 18:21,22), mas perdão pressupõe confissão e arrependimento, ou seja, que a pessoa admita o erro e mude a sua mentalidade, seu modo de ser, não mais cometendo aquele erro, pois há “um afastamento do pecado” (cf. § 1423 do Catecismo da Igreja Católica).

Ora, se o ministro nem admitiu que tenha feito tais declarações, como aceitar o seu “pedido de perdão”? Se o governo Dilma não mudou sua trajetória no sentido de implementar os pontos programáticos do programa de governo supostamente abandonado, radicalmente contrários ao que ensinam as Escrituras, como entender que há confissão e arrependimento necessários para que haja perdão?

Será que, em vez de seguirmos o que nos ensina o sábio Salomão, de quem só confessa e deixa é que alcança misericórdia (Pv.28:13), nossos ilustres parlamentares preferiram seguir o poeta Mário Lago e dizer que “perdão foi feito pra gente pedir”, mas se esquecendo que o ministro, ao contrário do homem que veio se humilhar naquele poema, está seguindo, mesmo, a filosofia do sambista Manoel Santana, que pediu perdão a Deus por pecar ao sambar, mas, mesmo assim, sambou até morrer?


* Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises, um grupo de estudos formado originariamente de ex-alunos e ex-professores da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que agora atua em parceria com a Associação para a Promoção do Ensino Bíblico (APEB).

                                   

Vídeo: "Entender é Sembre Limitado"




Entender é Sempre Limitado


Eu não entendo. Eu não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Eu sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples estado de espírito. Bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: eu quero entender um pouco, não demais.
Mas pelo menos entender que eu não entendo. 


Clarice Lispector (1920 – 1977)

As Bem-Aventuranças do Antigo Testamento 4/4

Por Caramuru A. Francisco 


IV – AS BEM-AVENTURANÇAS NOS LIVROS PROFÉTICOS

Não são abundantes as bem-aventuranças nos livros proféticos. Em Is.30:18, o profeta afirma que “bem-aventurados são os que esperam no Senhor”. Aqui o profeta repete algo que já fora dito pelo salmista algumas vezes. Tal bem-aventurança é afirmada em meio a uma profecia de juízo contra o povo, a fim de que, apesar da manifestação da ira do Senhor por causa da rebeldia (Is.30:1), Israel soubesse que Deus era um Deus de equidade e que, por isso, valeria a pena aguardar a Sua salvação.

Em Is.32:20, o profeta, ao trazer a promessa da vinda de um Rei de justiça (Is.32:1), ao término da profecia, diz serem “bem-aventurados os que semeiam sobre todas as águas e que enviam o pé do boi e do jumento”.

Esta bem-aventurança está vinculada ao livramento prometido ao povo após a execução do juízo, já aludida anteriormente, pois, após a manifestação da ira, o Senhor promete que “dará chuva sobre a semente” e haverá fertilidade da terra (Is.30:23-26), resultado do “derramamento do Espírito lá do alto” (Is.32:15).

Vemos, pois, que a bem-aventurança não está na fertilidade da terra nem nas boas colheitas e sucesso da criação, mas, sim, no fato de que o Senhor irá restaurar espiritualmente o Seu povo, de modo a que eles vivam em paz e justiça (Is.32:16-18). Nesta verdadeira profecia atinente ao reino milenial de Cristo, vemos que a bem-aventurança se entende como um estado espiritual de comunhão com Deus.

Em Is.56:2, o profeta afirma que “bem-aventurado o homem que manter o juízo e fizer justiça”, bem-aventurança que deve ser entendida à luz de Is.56:1. No paralelismo hebraico, esta bem-aventurança está associada a “guardar-se de profanar o sábado e de perpetrar algum mal”.

Então, bem-aventurado é quem guarda o sábado? Sim e não. Lembremo-nos de que estamos no Antigo Testamento, e, deste modo, o profeta se dirige a Israel. O sábado era o sinal da aliança entre Deus e Israel (Ex.31:13) e, portanto, o que o profeta está a dizer é que a fidelidade, o honrar o compromisso assumido com Deus era uma bem-aventurança para todo israelita.

Mais uma vez vemos que o cumprimento dos mandamentos do Senhor, a guarda da Sua Palavra é a verdadeira felicidade para o homem. Hoje, a Igreja não está sujeita ao sábado, mas, sim, a um compromisso de ser fiel a Deus até a morte, assumido solene e publicamente quando do batismo nas águas, residindo aí a fonte de sua bem-aventurança. Não podemos, ademais, praticar o mal, pois a bem-aventurança está em não fazer o mal. Lembremos disto, amados irmãos!

Em Dn.12:12, o profeta escatológico afirma que “bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias”. Temos aqui uma bem-aventurança específica para o povo de Israel, para os últimos dias. Este tempo mencionado pelo profeta corresponde ao período que vai desde a abominação do terceiro templo judaico pelo Anticristo até o estabelecimento do reino milenar de Cristo. Assim, esta bem-aventurança diz respeito ao remanescente de Israel, esta porção que, por se converter a Cristo, será salva e reinará com Cristo por mil anos (Rm.11:25,26).
OBS: “…A divisão dos dias. 1) Um período de 1.260 dias (três anos e meio) até a destruição e prisão da Besta (Dn.12:7,11; Ap.19:19,20). 2) Um período de 1.290 dias (Dn.12:12), acrescentado de mais 45 dias. Está escrito em Mt.24:22, que, ‘se aqueles dias (1.335) não fossem abreviados (para 1.260), nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos (os judeus) serão abreviados aqueles dias’…” (SILVA, Severino Pedro da. Daniel versículo por versículo, p.237).

Conforme podemos depreender, pois, reconhecer a Cristo como Senhor e Salvador é uma bem-aventurança, inclusive para os judeus que, em meio a Grande Tribulação, chegarem vivos até o instante de reconhecer Cristo como o Messias e, por causa disso, reinar com ele por mil anos. Esta bem-aventurança é repetida em Ap.20:5, se bem que aí em relação à Igreja e aos salvos durante a Grande Tribulação.

Em Ml.3:12, o profeta afirma que os israelitas seriam chamados de “bem-aventurados” pelas nações em virtude da terra deleitosa que seriam, em virtude de trazerem eles os dízimos à casa do tesouro.

Tem-se aqui, para “alegria” dos “teólogos da prosperidade”, uma alusão material à “bem-aventurança” e, o que mais “alegra” estes “pregadores”, ligada à “entrega de dízimos”. Seria este texto, em meio a tantas contraprovas no Antigo Testamento, um suporte para esta “teologia”?

Por primeiro, devemos, antes de mais nada, lembrar que um único texto não pode alicerçar qualquer doutrina bíblica, de sorte que, ainda que se tenha uma evidência na passagem de que a bem-aventurança está relacionada a uma entrega de dízimos isto não pode ser erigido a título de doutrina, ainda mais que, como temos visto até aqui, em momento algum houve esta vinculação de bem-aventurança a aspectos materiais.

Entretanto, para “tristeza” dos “teólogos da prosperidade”, o texto não permite fazer as costumeiras alusões de barganha e “toma-lá-dá-cá” que estes falsos ensinadores costumam fazer para associar a bem-aventurança a um bem-estar material e econômico-financeiro.

Malaquias está a dizer ao povo de Israel que eles deveriam cumprir a lei e entregar seus dízimos à casa do tesouro, ao templo, o que não estava mais ocorrendo em seus dias. O profeta denuncia esta indiferença do povo com relação ao serviço do templo, que nada mais era que um reflexo, uma demonstração da indiferença que o povo tinha em relação ao próprio Deus.

Assim, Malaquias, relembrando a lei de Moisés ao povo, afirma que, se os israelitas cumprissem a lei, o Senhor, conforme já havia deixado atestado na própria lei, daria fertilidade à terra, visto que era propósito de Deus abençoar Israel e fazê-la exaltar sobre as demais nações para que, tendo prosperidade material, pudesse, através deste sinal, exercer a sua função de “reino sacerdotal e povo santo”.

Bem vemos, de pronto, que a questão material, como já estudado neste trimestre, não pode ser transferida para a Igreja, pois Israel era uma nação física, material e que deveria, ante a sua pujança material, mostrar-se às demais nações como sendo o povo do único e verdadeiro Deus. Assim, ainda que se tenha a vinculação da bem-aventurança a um estado material, esta vinculação é tão somente a Israel, ao papel que deveria desempenhar até a vinda do Messias, algo que não pode ser como prometido para a Igreja na dispensação da graça.

Destarte, esta vinculação não se refere à Igreja, é uma das bênçãos de Israel que não cabe à Igreja o que, por si só, já destrói todo o discurso da “teologia da prosperidade”.

Mas, não bastasse isso, tem-se que o profeta diz que quem associaria esta abundância material, realmente prometida por força da entrega dos dízimos na casa do tesouro, a uma bem-aventurança seriam as nações, ou seja, os gentios. Destarte, não é Deus quem diz que é “bem-aventurado” quem tem abundância material, mas era assim que os gentios considerariam Israel, a quem caberia ensiná-los como “povo santo e reino sacerdotal” que a “bem-aventurança”, como vemos nas Escrituras, não era a abundância material, mas, sim, o servir a Deus, o ter a Deus como o Senhor.

Deste modo, vemos que, além do texto não indicar que o crente da dispensação da graça terá abundância material por entregar dízimos, vemos que nem ao menos o texto diz que abundância material é bem-aventurança, pois tão somente afirma que os gentios, para quem prosperidade se confunde com bem-estar material, é que chamariam os israelitas (a quem apenas é dirigida a promessa) de “bem-aventurados” por causa da abundância material.

E tanto assim é que o outro texto de Malaquias que usa a palavra “bem-aventurado”, a saber, Ml.3:15, também assim denomina não quem seja bem-aventurado, mas quem os rebeldes israelitas estavam a chamar “bem-aventurados”, ou seja, os soberbos, os que cometiam iniquidade.

Na sua indiferença com relação a Deus, os judeus dos dias de Malaquias estavam achando que era inútil servir a Deus e que valia mais a pena ser como os pecadores, que, apesar de seu pecado, estavam edificados e, aparentemente, escapavam das mãos do Senhor apesar de sua vida iníqua.

Vemos, pois que Malaquias, nas duas vezes em que fala de “bem-aventurados”, não apresenta realmente “bem-aventuranças”, mas conceitos de “bem-aventurança” que não são respaldados pelas Escrituras, mas que são concepções oriundas de pessoas que não têm qualquer compromisso com Deus.

A propósito, o conceito apresentado por Malaquias em relação aos judeus que haviam desistido de servir a Deus é um conceito muito próximo ao do salmista Asafe que, por ver a prosperidade dos ímpios e invejá-los, quase se desviou (Sl.73:2,3). Se o salmista quase se desviou, estes judeus mencionados pelo profeta já estavam desviados e, o que é impressionante, com um comportamento que não tem diferença alguma para com os “teólogos da prosperidade”, que também preferiram buscar as riquezas desta vida a servir a Deus.

Portanto, não só o texto de Malaquias não confirma, ainda que isoladamente, o falso conceito de prosperidade dos “teólogos da confissão positiva”, como ainda nos dá suporte para dizer que tal conceito não tem qualquer respaldo bíblico, é uma demonstração de desvio espiritual.

Vemos, pois, de forma bem clarevidente, que o Antigo Testamento jamais associou a “bem-aventurança” com aspectos materiais ou físicos, mas, sempre, como uma atitude decorrente de uma vida de comunhão com Deus, de uma vida de submissão à vontade do Senhor, de guarda de Sua Palavra. Será que, à luz do Antigo Testamento, somos “bem-aventurados”?



Sanchez diz Que vai Proibir Cultos na Seleção


O presidente licenciado do Corinthians e atual diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, afirmou nesta segunda-feira [06/02/12], em sabatina promovida pelo jornal Folha de São Paulo e pelo UOL, que não vai mais permitir cultos religiosos coletivos nas concentrações que antecedem os jogos da seleção brasileira de futebol. 
"Culto, não vai ter. Se quiser, vai rezar no seu quarto", sentenciou o cartola. Segundo ele, que afirma ser contra a concentração, apesar de julgá-la necessária, cada um pode fazer o que quiser, desde que não interfira na concentração dos demais.
A fala de Andrés Sanchez foi motivada pelo fato de que na Copa do Mundo de 2010, o então auxiliar técnico Jorginho organizava cerimônias ecumênicas no na concentração brasileira durante a Copa da África do Sul. Sanchez aproveitou a oportunidade que, em cada época, encontram um fator para criticar dentro das concentrações. "Antigamente, eram as mulheres. Depois, veio o baralho, e depois a religião. Hoje, tem a internet", se defendeu o cartola. 
"Os jogadores se trancam (nos quartos), ficam com o Ipad (computador tablet), pelo amor de Deus o que fazem por lá. Mas pode fazer o que quiser na concentração, desde que não atrapalhe o próximo", complementou.
Fonte e Imagem: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2012/02/06/sanchez-diz-que-vai-proibir-cultos-religiosos-em-concentracao-da-selecao-brasileira.htm

As Bem-Aventuranças do Antigo Testamento 3/4

Por Caramuru A. Francisco 


III – AS BEM-AVENTURANÇAS NOS LIVROS DE SABEDORIA (PROVÉRBIOS E ECLESIASTES)

A primeira ocorrência da palavra “bem-aventurado” no livro de Provérbios é em Pv.3:13 em que se afirma que é “bem-aventurado o homem que acha sabedoria e o homem que adquire conhecimento”. Aqui, sabemos todos, Salomão não está se referindo à erudição intelectual, mas ao temor do Senhor, que é o princípio da ciência (Pv.1:7). A origem da felicidade, pois, está em se achar a sabedoria, que o próprio autor de Provérbios vai indicar que se trata de uma pessoa eterna (Pv.8:22,23)., que outro não é senão o Senhor Jesus (Jo.1:1). A bem-aventurança está em achar a Cristo, nada mais nada menos que isto.
OBS: “…No livro mais remoto da Bíblia já encontramos apresentada a Sabedoria em forma de uma pessoa, quando Jó disse: ‘Onde se achará a sabedoria?’ 28.12. No livro de Provérbios, Salomão aconselhou o sábio a ouvir e crescer em ciência. Salomão se refere à Sabedoria como tendo morada, como possuindo conhecimento, agindo com discrição, dando autoridade aos reis e governadores; como possuída por Jeová; estando presente no princípio com Jeová, antes da criação; a Sabedoria, como arquiteto, enchia-se de gozo dia após dia; convidava para banquete etc. Ora, considerando que o Verbo estava no princípio com Deus e tudo foi feito por Ele, e sendo Ele o Unigênito de Deus, e vendo aqui a Sabedoria mencionada nas mesmas circunstâncias do Verbo, vemos necessariamente nela a Segunda Pessoa da Trindade, o Filho de Deus, Pv cap. 8.…” (NYSTRÖM, Samuel. Jesus Cristo, nossa glória. 2.ed., pp.39-40).

Em Pv.3:18, completando o raciocínio, o proverbista diz que “bem-aventurados são todos os que retêm a sabedoria”, inclusive, diz o proverbista, é melhor achar e reter a sabedoria do que ter mercadorias de ouro, de prata, rubins e tudo o que se pode desejar (Pv.3:14-18). Salomão, que teve riquezas provenientes de Deus em abundância, mostra que nada se pode comparar a ter Cristo Jesus. Aprendamos esta verdade e não confiemos nas lorotas dos “teólogos da prosperidade”!

Em Pv.8, que, conforme já vimos, é um capítulo em que a Sabedoria é apresentada como uma pessoa, uma verdadeira descrição de Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus (I Co.1:24), vemos no versículo 32 que é a própria Sabedoria quem afirma que “bem-aventurados são os que guardarem os Meus caminhos” e, no versículo 34, “bem-aventurado o homem que Me dá ouvidos, velando às Minhas portas cada dia, esperando às ombreiras da Minha entrada”.

A bem-aventurança está, pois, em obedecer a Cristo, em buscá-l’O diariamente, atentando para a Sua voz e jamais se distraindo com as coisas desta vida, procurando sempre aprender d’Ele e desfrutar da Sua presença. O proverbista, após indicar a segunda bem-aventurança, dá a razão de ser dela, dizendo que o que A acha achará a vida e alcançará o favor do Senhor, mas o que pecar contra Ela violentará a sua própria alma: todos os que A aborrecem amam a morte (Pv.8:35,36). Como, então, podemos dizer que quem deixa a Cristo e vai atrás das riquezas seja bem-aventurado?

Em Pv.14:21, o riquíssimo Salomão afirma que é bem-aventurado “quem se compadece do pobre” e, dentro do paralelismo hebraico, aprendemos que “compadecer-se do pobre” é “não desprezar o companheiro”. “Compadecer-se do pobre” é não pecar, diz o proverbista. Portanto, bem-aventurado é quem não peca e, quem tem abundância de bens, deve se compadecer do pobre, pois, se não fizer isto, estará a pecar. Como, então, entender que são “homens ou mulheres de Deus” os que costumam dar “testemunhos de prosperidade”, que dizem estar em vida regalada mas que nem sequer mencionam ter alguma preocupação para com os pobres e necessitados, preferindo-os tão somente chamar de “filhos do maligno”?

Em Pv.16:20, o proverbista, fazendo coro ao salmista, afirma que “bem-aventurado é o que confia no Senhor”. No paralelismo hebraico, aprendemos que “confiar no Senhor” é “atentar prudentemente para a Palavra” e vemos, assim, a conjugação de duas bem-aventuranças já previamente analisadas: confiar em Deus é atentar prudentemente para a Palavra, em outros termos, é obedecer à Bíblia Sagrada. Aqui está a verdadeira felicidade do ser humano.

Em Pv.20:7, o proverbista diz que “bem-aventurados são os filhos do justo”. Ter-se-ia aqui um caso de “bem-aventurança hereditária”? Nada disso! Os filhos do justo são bem-aventurados porque o justo andou na sua sinceridade, ou seja, por ter vivido em comunhão com Deus pôde ensinar, a começar do seu exemplo, os seus descendentes, de forma que tenham sido eles educados na lei do Senhor e, como tal, não se desviando de tais caminhos, também serão bem-aventurados. Os filhos do justo não são bem-aventurados porque seu pai “ficou rico” em servir a Deus, mas porque andou na sua sinceridade. Lembremos disso, amados irmãos, para que não cair nas ciladas satânicas dos “pregoeiros da prosperidade”.

Em Pv.28:14, o escritor sagrado afirma que “bem-aventurado o homem que continuamente teme”, o que, pelo paralelismo hebraico, entendemos que se trata daquele que não endurece o seu coração e, deste modo, não vem a cair no mal. A bem-aventurança está, uma vez mais, em ouvir a voz de Deus, em ser-Lhe obediente, em negar a sua própria vontade para fazer a vontade do Senhor. Quão diferente é esta bem-aventurança dos conselhos tresloucados dos “teólogos da prosperidade” que querem submeter o Senhor a seus caprichos…

Em Pv.29:18, a bem-aventurança diz respeito a “guardar a lei”, entendendo-se aqui, pelo paralelismo, que “guardar a lei” é ouvir a profecia, ou seja, estar atento às mensagens do Senhor ao Seu povo. É interessante observar que muitos “teólogos da prosperidade” desacreditam no dom espiritual de profecia, como também, por distorcer as Escrituras, negam-nas, não buscam ter uma visão global de seu teor, a mostrar, claramente, que não querem que os seus ouvintes sejam bem-aventurados.

Em Pv.31:28, a mulher virtuosa é chamada de “bem-aventurada” tanto por seus filhos e por seu marido. E por que seus familiares a chamam assim?  Porque ela teme ao Senhor e, por isso, pratica obras sublimes (Pv.31:29-31). Não é a sua formosura, nem tampouco a sua riqueza que a faz bem-aventurada, mas o fato de temer ao Senhor, demonstrando isto com suas obras. Poderia haver melhor final para o livro de Provérbios senão essa assertiva?

A única ocorrência da palavra “bem-aventurado” em Eclesiastes está em Ec.10:17, onde o pregador diz que a terra cujo rei é filho dos nobres e cujos príncipes comem a tempo para refazerem as forças e não para bebedice é uma terra bem-aventurada. Para bem entendermos este texto, devemos observar o versículo anterior, onde o pregador diz um “ai” a respeito da terra cujo rei é criança e cujos príncipes comem de manhã. O contraste estabelecido pelo pregador mostra-nos que a felicidade da terra está em ter um rei e príncipes sábios, prudentes, que bem sabem se conduzir no trato das coisa pública, que sejam prudentes e não precipitados. Ora, como Salomão já indicara no livro de Provérbios, ter sabedoria é ser temente a Deus, de modo que, mais uma vez, vemos que as Escrituras ensinam que a bem-aventurança de uma nação se encontra em temer a Deus, mais precisamente, no texto em apreço, no temor a Deus da parte de seus governantes.

Opinião: Sobre o Crescimento Evangélico


Em artigo do ano passado, que tinha como título Os Reality Shows e o Crescimento Evangélico, um de nossos leitores nos escreveu um comentário que agora republicamos:

As noticias sobre o crescimento de evangélicos no Brasil correm o mundo, e chamam a atenção de muitos lideres, e alguns sem conhecer o que esta acontecendo de fato, chega a dizer que existe nesse momento um avivamento no Brasil (Alguém me fale onde?).  A mídia (Christian Post...) tem divulgado que em 2020 o Brasil vai ter cerca de 109 milhões de evangélicos, mas existem alguns problemas nessa previsão, que é para da que 9 anos. 

É que as informações seguras que todo mundo tem sobre o numero de evangélicos no Brasil é com base em um senso do ano de 2000 (ha dez anos atrás). No ano passado o IBGE fez outro senso (senso de 2010), mas as informações sobre religião ainda não estão disponíveis (deve ser disponível só em 2012). Mesmo assim existem diversos "profetas" que com base na "revelação da projeção" estão dizendo que em 2020 o Brasil vai ter 55% de evangélicos, eu considero esse numero apenas uma especulação (que pode ou não ser), acredito que deveríamos esperar o senso de 2010. Mas mesmo que o senso de 2010 aponte para essa curva ascendente dos números de evangélicos temos que concordar que esse crescimento é no mínimo questionado. Pois a mola propulsora dele é neopetecostalismo, e o que temos visto agora é uma multidão de evangélicos nominais. Os "não praticantes" que só existiam na igreja católica, agora já existem na igreja evangélica também. Alguns, bem poucos, são "não praticantes" porque já receberam o seu milagre e voltaram para a vida comum. 

Outros milhares de milhares são "não praticantes" porque receberam a promessa de uma vida financeira abençoada, mas continuam tendo que viver com menos de 600 reais por mês, então saíram das igrejas que lhes prometeu o céu na terra. O Dr. Paulo Romeiro os chama de decepcionados com a graça. Se esse crescimento evangélico fosse de verdadeiras conversões, porque que os números de evangélicos não cresce na mesma proporção em cidades pequenas, pobres, afastadas das capitais? Por que não cresce o número de evangélicos no vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais? Por que não cresce na mesma proporção o numero de evangélicos no município de Lagoinha, quem tem menos de 3% de evangélicos, mesmo estando localizado a menos de 200 km de São Paulo? Não cresce porque esse evangelho da prosperidade não consegue atingir cidades onde pessoas não tem condições financeira de contribuir com dizimo altos e muito menos com “tridizimo”.  Não cresce porque essas cidades não oferecem retorno financeiros para as mega empresas da fé. Esse crescimento evangélico que temos ouvido a mídia divulgar só alegra a indústria do mercado gospel, e alguns crentes que agora não tem mais vergonha de dizer que é evangélico porque de cada 10 pessoas é normal ter 3 ou 4 pessoas que se dizem também ser evangélico. Em quanto isso as igrejas históricas que estão comprometidas com a pregação do evangelho e a missão integral, estão tendo a enorme tarefa de anunciar Jesus para quem já pertenceu a uma igreja, estão tendo que explicar o plano da salvação para quem já até se batizou.

Alguns teólogos chegam a dizer que agora alem de termos que ir por todo mundo pregando o evangelho é necessário também irmos por todas as igrejas evangélicas, outros pregadores se dizem até cansado de pregar para a igreja evangélica e não ver ninguém se converter. Crescemos mesmo ou só recebemos um "fermento do faz de conta"? 

As Bem-Aventuranças do Antigo Testamento 2/4

Por Caramuru A. Francisco 


II – AS BEM-AVENTURANÇAS NOS LIVROS POÉTICOS PROPRIAMENTE DITOS (JÓ, SALMOS E CANTARES)

Os livros poéticos são os que mais contêm bem-aventuranças no Antigo Testamento, motivo pelo qual analisaremos separadamente os livros poéticos propriamente ditos (Jó e Salmos) e os livros de sabedoria (Provérbios e Eclesiastes).

Em Jó 5:17, Elifaz, em sua primeira fala contra Jó, afirma que “bem-aventurado é o homem a quem Deus castiga”. Ainda que tenhamos de ter cuidado nas falas dos amigos de Jó, pois sua visão sobre Deus não era correta (Jó 42:7), nem por isso podemos desprezar tudo quanto disseram, como é o caso desta “bem-aventurança”, em que Elifaz fala a respeito do homem e não de Deus. Aqui, o mais velho dos amigos de Jó diz que é “bem-aventurado a quem Deus castiga”, ensino que encontra respaldo nas Escrituras, como, por exemplo, em Hb.12:5,6. O castigo divino, a disciplina dada por Deus é uma prova de que o homem castigado é amado por Deus e foi recebido como Seu filho. E ser filho de Deus, ser herdeiro de Deus e coerdeiro de Cristo (Rm.8:17), como Jesus nos ensina no sermão do monte é ser bem-aventurado.

Como este ensino é diferente do que ensinam os “pregadores da prosperidade”, que entendem que Deus jamais pode castigar um filho Seu. Entretanto, ser alvo do castigo de Deus, da disciplina divina, ter a consciência de que se é filho e não bastardo, é uma bem-aventurança. Aleluia!

Em Jó 29:11, o patriarca Jó, ao se lamentar do seu primeiro estado, diz que era tido como “bem-aventurado” pelos que o ouviam. Dentro do chamado paralelismo hebraico, que é a circunstância de, notadamente em versos de um poema, se repetir a mesma ideia com palavras diferentes, entendemos que a “bem-aventurança” mencionada por Jó não era a sua posição social ou econômico-financeira do passado, mas, sim, o “testemunho”.

Assim, a bem-aventurança de Jó não estava nas posses materiais que tinha antes da sua provação, mas, sim, no seu testemunho, testemunho este que era dado pelo próprio Deus, ou seja, de que era homem sincero, reto, temente a Deus e que se desviava do mal (Jó 1:1,8).. É na posse destas qualidades agradáveis ao Senhor que se encontra a bem-aventurança, a felicidade de um ser humano.

O livro dos Salmos já começa com uma bem-aventurança. No Salmo primeiro, o salmista já afirma que “bem-aventurado é o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores, antes tem o seu prazer na lei do Senhor e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl.1:1,2). Este salmo é extremamente importante para avaliarmos a questão da prosperidade, pois é um texto muito utilizado pelos “pregadores da prosperidade” para dizer que “tudo que o crente fizer, prosperará”. No entanto, a prosperidade indicada está umbilicalmente vinculada à bem-aventurança que abre o salmo, bem-aventurança esta que diz respeito a ter prazer na lei do Senhor e nela meditar de dia e de noite.

A felicidade do ser humano encontra-se em observar a lei do Senhor, em conhecê-la, em meditar nela continuadamente, o que permite que, na jornada da vida, não se ande segundo o conselho dos ímpios, nem se detenha no caminho dos ímpios, nem se assente na roda dos escarnecedores.

“Tudo quanto fizer, prosperará” é resultado de uma vida de submissão à vontade do Senhor, de uma vida arraigada na Palavra do Senhor, pois o bem-aventurado é aquele que é “como a árvore plantada junto ao ribeiro de águas, que dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem” (Sl.1:3). Prosperidade depende de inabalável firmeza na Palavra do Senhor, prosperidade é frutificar espiritualmente no tempo do Senhor, segundo a vontade do Senhor, algo muito, mas muito diferente mesmo do que dizem os falsos pregoeiros da confissão positiva.

No Salmo segundo, temos outra bem-aventurança: “bem-aventurados todos aqueles que n’Ele confiam” (Sl.2:12). Quem é este “Ele”? É o Filho, o Rei ungido por Deus (Sl.2:6), ou seja, o Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A bem-aventurança é confiar em Cristo, é ter fé n’Ele, é esperar n’Ele, algo que os falsos pregadores da prosperidade não fazem, pois preferem “mandar” e “obrigar” o Senhor.

No Sl.32:1,2, temos que “bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade e em cujo espírito não há engano”. Temos aqui, nestas expressões didáticas de Davi, que a razão de ser da felicidade do homem é o perdão dos seus pecados por parte do Senhor. Estes pecados, que no tempo da lei eram apenas cobertos, foram tirados por Cristo Jesus (Jo.1:29) e reside aí a verdadeira felicidade do ser humano. A bem-aventurança encontra-se no fato de podermos ter novamente comunhão com Deus, de Jesus ter pagado o preço dos nossos pecados e, por isso, podermos desfrutar, novamente, da Sua companhia, da Sua presença. Como isto é diferente do que propalam os enganadores da confissão positiva…

No Sl.33:12, é dito que “bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para Sua herança”. Neste salmo, o salmista como que rememora as palavras de Moisés em Dt.33:29 e demonstra que a bem-aventurança de uma nação, “in casu”, Israel, não residia na posse da “terra que mana leite e mel” e, sim, na circunstância de se ter sido escolhido por Deus para ser a “Sua herança”. A bem-aventurança está na filiação divina, na condição de filho de Deus, não na posse de riquezas materiais.

No Sl.34:8, Davi, num momento extremamente delicado de sua vida, quando teve de se fazer de louco para escapar das mãos de Abimeleque, rei de Gate, chega a uma conclusão: a de que bem-aventurado é o homem que confia em Deus. Tendo recebido o livramento da parte do Senhor, Davi verifica que a verdadeira felicidade está em confiar em Deus, mesma conclusão a que havia chegado o autor do Salmo 2.

Davi repete esta sua afirmação no Sl.40:4, afirmativa, porém, que é completada pois, pelo paralelismo hebraico, aprendemos que “pôr no Senhor a sua confiança” é “não respeitar os soberbos nem os que se desviam para a mentira”. Vemos aqui que a vera felicidade do homem está em confiar em Deus e que confiar em Deus é ter humildade, submissão a Deus, como também manter-se fiel à Sua Palavra, que é a verdade (Jo.17:17). Assim, quem passa a confiar nas lorotas dos “teólogos da prosperidade”…

Davi, no Sl.41:1, fala de outra bem-aventurança, dizendo que “bem-aventurado é “aquele que atende ao pobre”. Temos aqui, pela vez primeira, nas Escrituras, a lição de que a felicidade está em dar e não em receber bens materiais. Quem atende ao pobre, ou seja, quem usa da abundância de bens materiais para ajudar a quem precisa, é bem-aventurado. Vemos como não são bem-aventurados os “enriquecidos” da “teologia da prosperidade” que apenas amealham para si, nunca para o próximo…

No Sl.65:4, Davi, em outro salmo, dá-nos conta de outra bem-aventurança: “bem-aventurado aquele a quem Tu escolhes e fazes chegar a Ti, para que habite em Teus átrios”. A verdadeira felicidade, a real prosperidade está em ser escolhido por Deus e manter comunhão com Ele. Mais uma vez, as Escrituras nos mostram que a bem-aventurança é um estado espiritual de salvação, jamais a posse de bens materiais.

No Sl.72:17, um salmo de Davi feito em homenagem a Salomão, Davi profetiza e anseia que seu filho seja considerado “bem-aventurado” pelas nações. De onde viria esta bem-aventurança? O que Davi entendia ser a real prosperidade? Do fato de que o novo rei receberia de Deus os Seus juízos e a Sua justiça (Sl.72:1). Desta circunstância, Salomão poderia ter justiça e paz no seu reinado, dando condições para que, então, houvesse prosperidade material. A bem-aventurança, uma vez mais, está relacionada com a comunhão com Deus.

No Sl.84, o salmista fala de duas bem-aventuranças. A primeira é a dos “que habitam na casa do Senhor” (Sl.84:4), repetindo-se o que Davi já cantara no Sl.65:4. “Habitar na casa do Senhor” é ter comunhão com Deus, é ser dedicado à adoração. Reside aqui a felicidade do ser humano. Esta comunhão com Deus, que parte do interior, é a segunda bem-aventurança, a “do homem cuja força está em Deus” (Sl.84:5), o que, pelo paralelismo hebraico, entendemos que se trata da circunstância de ter conduzido a vida conforme a vontade de Deus, de ter, como diz o salmista, “o coração com os caminhos aplanados”.

No Sl. 106:3, o salmista diz que “bem-aventurados são os que observam o direito, o que pratica a justiça em todos os tempos”. Como que complementando o sentido dado no Sl.84:5, vemos que a felicidade está em praticar a justiça, ou seja, em seguir aquilo que Deus tem determinado como o correto, o justo, o certo.

No Sl.112:1, o salmista reafirma este pensamento, ao dizer que é “bem-aventurado o homem que teme ao Senhor, que em Seus mandamentos tem grande prazer”. Repete-se a bem-aventurança do Sl.1, mostrando-se que a felicidade do homem está em servir a Deus, cumprindo a Sua Palavra.

O maior de todos os salmos não poderia deixar de mencionar bem-aventuranças, até porque seu tema é a Palavra de Deus e, como temos visto nestes últimos salmos, as bem-aventuranças estão vinculadas à observância das Escrituras. O Sl.119 já começa com uma bem-aventurança, qual seja, a “dos que trilham caminhos retos e andam na lei do Senhor”. A bem-aventurança, uma vez mais, encontra-se relacionada à obediência à Palavra do Senhor. No versículo seguinte, o salmista apresenta-nos outra bem-aventurança, a “dos que guardam os Seus testemunhos e O buscam de todo o coração”. Feliz, mais do que feliz é o homem que não só obedece ao Senhor e à Sua Palavra, mas também que busca a Deus de todo o coração. A bem-aventurança está em buscar a Deus e não às bênçãos de Deus.

No Sl.127:5, um cântico de degraus de autoria de Salomão, o rei que foi tão rico apresenta-nos como bem-aventurança “o homem que enche a sua aljava de filhos”, a mostrar que muito mais importante do que ter bens materiais é cumprir o dever de multiplicação dado por Deus ao homem. A bem-aventurança, novamente, está condicionada à obediência à voz do Senhor Deus. Infelizmente, nos dias em que vivemos, muitos, inclusive os que cristãos se dizem ser, preferem não ter filhos para não ter gastos, para ter uma vida “feliz”…

O Sl.128, outro cântico dos degraus, começa com uma bem-aventurança, a de “aquele que teme ao Senhor e anda nos Seus caminhos”, que é repetição do que se encontrou em salmos anteriores, como já tivemos ocasião de analisar. O saltério deixa bem presente que a felicidade do ser humano está em ser obediente ao Senhor.

No Sl.144:15, um salmo de Davi, repete-se a bem-aventurança constante do Sl.33:12, qual seja, a bem-aventurança do povo cujo Deus é o Senhor. O segredo da felicidade de uma nação não está em ter recursos naturais abundantes, nem tampouco em dar condições materiais sublimes a seu povo, mas em ter a Deus como seu Senhor.

No Sl.146:5, o salmista diz que é bem-aventurado “aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio e sua esperança está posta no Senhor seu Deus”. Vemos, ainda esta vez, a razão de ser da felicidade do homem: a sua comunhão com o Senhor. Poder ser ajudado por Deus e esperar n’Ele é a bem-aventurança, a verdadeira felicidade. Entretanto, os “pregoeiros da prosperidade” preferem confiar nas riquezas materiais…

Em Ct.6:9, temos a única ocorrência da palavra “bem-aventurado”, na verdade, “bem-aventurada”, para mencionar a amada do noivo, aquele que é única na multidão de mulheres do harém do noivo, por ser “a pomba, a imaculada do noivo”. Apesar do caráter romântico do poema, vemos, claramente, que a bem-aventurança está relacionada ao caráter imaculado da noiva, não à sua formosura, nem tampouco à sua situação patrimonial. A Igreja de Cristo é bem-aventurada por causa da sua santidade. Aleluia!

Sobre a Profecia Maia do Fim do Mundo


Arqueólogos de diversos países se reuniram no Estado de Chiapas, uma área repleta de ruínas maias no sul do México, para discutir a teoria apocalíptica de que essa antiga civilização previra o fim do mundo em 2012.

A teoria, amplamente conhecida no país e contada aos visitantes tanto no México como na Guatemala, Belize e outras áreas onde os maias também se estabeleceram, teve sua origem no monumento nº 6 do sítio arqueológico de Tortuguero e em um ladrilho com hieróglifos [escrita antiga] localizado em Comalcalco, ambos centros cerimoniais em Tabasco, no sudeste do país.

O primeiro faz alusão a um evento místico que ocorreria no dia 21 de dezembro de 2012, durante o solstício do inverno, quando Bahlam Ajaw, um antigo governante do lugar, se encontra com Bolon Yokte´, um dos deuses que, na mitologia maia, participaram do início da era atual. Até então, as mensagens gravadas em "estelas" – monumentos líticos, feitos em um único bloco de pedra, contendo inscrições sobre a história e a mitologia maias – eram interpretadas como uma profecia maia sobre o fim do mundo.

Entretanto, segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah), uma revisão das estelas pré-hispânicas indica que, na verdade, nessa data de dezembro do ano que vem os maias esperavam simplesmente o regresso de Bolon Yokte´. "(Os maias) nunca disseram que haveria uma grande tragédia ou o fim do mundo em 2012", disse à BBC o pesquisador Rodrigo Liendo, do Instituto de Pesquisas Antropológicas da Universidade Autônoma do México (Unam). "Essa visão apocalíptica é algo que nos caracteriza, ocidentais. Não é uma filosofia dos maias."(grifo do editor do blog).

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111201_maias_fimdomundo_pu.shtml

As Bem-Aventuranças do Antigo Testamento 1/4

Por Caramuru A. Francisco 


Texto áureo:"Bem-aventurados os que trilham caminhos retos e andam na lei do Senhor" (Sl.119:1)

INTRODUÇÃO

As bem-aventuranças no Antigo Testamento têm cunho espiritual. Neste texto faremos uma breve análise do conceito de “bem-aventurança” no Antigo Testamento, a fim de mostrar que, mesmo na antiga aliança, a ideia de felicidade era despida de conotações materiais. Os ensinos de Jesus a respeito das bem-aventuranças têm pleno respaldo no Antigo Testamento.

I – AS BEM-AVENTURANÇAS NO PENTATEUCO E NOS LIVROS HISTÓRICOS

O sermão do Senhor, que conhecemos como as beatitudes, apresentaram o significado da prosperidade dos bem-aventurados. Este ensino de Cristo tem pleno respaldo no Antigo Testamento e, por isso, a fim de mostrar que o significado de “bem-aventurança”, de “felicidade” nas Escrituras hebraicas era despido de conotações materiais imediatas, resolvemos fazer uma breve análise das bem-aventuranças no Antigo Testamento.

No Antigo Testamento, a palavra que é traduzida por “bem-aventurado” é a palavra hebraica “ ‘esher” (אֶשֶר), cujo significado é “quão feliz”, que é, quase sempre, utilizada com um significado senão totalmente, predominantemente espiritual. A primeira vez que a palavra aparece na Versão Almeida Revista e Corrigida é em Gn.30:13, quando Leia, feliz porque sua serva Zilpa havia tido o segundo filho, igualando-se, assim, em número de filhos a Bilha, a serva de Raquel, disse que seria considerada bem-aventurada pela descendência de Israel, deu o nome de “Aser” (que significa bem-aventurado) à criança.

Pelo que verificamos, pois, a bem-aventurança mencionada por Leia era o seu reconhecimento como “mãe” pela descendência de Israel, como alguém que era abençoada, que havia se desincumbido do dever de frutificação e multiplicação imposto por Deus a todos os homens, papel em que a participação da mulher era primordial. Leia havia deixado de gerar filhos (Gn.30:9) e, desta maneira, com a vinda de dois filhos por meio de sua serva Zilpa entendia ter retomado o papel de “mãe de Israel”.

A ideia de bem-aventurança, pois, surge como uma felicidade, mas uma felicidade por se estar cumprindo um dever imposto por Deus ao ser humano, uma felicidade que decorre de um relacionamento com Deus. Há bem-aventurança quando se tem um real relacionamento com o Senhor. Em Dt.33:29, novamente a palavra aparece, no término das bênçãos de Moisés às tribos de Israel, um momento em que o patriarca, momentos antes de sua despedida, usado pelo Espírito de Deus, abençoa o povo que liderara por quarenta anos.

Finalizando a sua bênção e se dirigindo a toda a nação israelita, Moisés chama Israel de “bem-aventurado”. E por que Israel era bem-aventurado? Responde o líder: porque Israel era um “povo salvo pelo Senhor”, um povo que tinha Deus por “escudo do socorro” e “espada da alteza”, motivo por que os inimigos seriam sujeitos e Israel pisaria sobre as suas alturas.

A bem-aventurança de Israel não estava na “terra que mana leite e mel” que Deus lhes havia prometido. Não, não e não! A bem-aventurança de Israel estava na salvação que Deus lhe dera, na escolha divina para que fosse “reino sacerdotal e povo santo” (Ex.19:5,6), na circunstância de que, para cumprir o propósito divino, Israel seria socorrido e protegido pelo Senhor para vencer os inimigos e tomar posse da Terra Prometida.

Esta noção de bem-aventurança, surgida nas últimas palavras proferidas por Moisés, que se encontrava muito próximo de passar para a eternidade é muito elucidativa, pois é como que um resumo de tudo quanto o grande líder havia presenciado ao longo de sua vida terrena. Moisés via que a felicidade de Israel estava na “salvação do Senhor”, não naquilo que viria a possuir em Canaã. Que tenhamos esta mesma visão de Moisés, amados irmãos!

A palavra “bem-aventurado” somente aparecerá, novamente, nos livros históricos, em I Rs.10:8 e II Cr.9:7, textos paralelos, que tratam da expressão utilizada pela rainha de Sabá em sua visita ao rei Salomão. Admirada por ver tanta prosperidade, a rainha disse que os servos de Salomão eram “bem-aventurados” porque estavam diante de Salomão e ouviam a sua sabedoria. Em meio a tanta opulência material, num tempo em que o ouro era tanto que a prata nada valia (I Rs.10:21), a rainha de Sabá chamou os servos de Salomão de “bem-aventurados”, porque eles podiam ouvir a sabedoria do rei, sabedoria que havia sido posta por Deus em seu coração (I Rs.10:24).

Temos aqui um eloquente exemplo de que a Bíblia Sagrada não considera que a “bem-aventurança”, a “felicidade” esteja na posse de bens materiais. Apesar de haver um ambiente riquíssimo, verdadeiramente glorioso sob o ponto-de-vista material (o que é reconhecido pelo próprio Jesus em Mt.6:29 e Lc.12:27), a “bem-aventurança” estava não em coisas materiais, mas em poder desfrutar e aprender com a sabedoria que Deus havia dado a Salomão. De igual modo, devemos, a exemplo da rainha de Sabá, entender que a “bem-aventurança” de cada ser humano não se encontra no desfrute ou posse de riquezas materiais, mas em podermos ouvir e estar diante daquele que é maior que Salomão (Lc.11:31), Jesus Cristo, poder e sabedoria de Deus (I Co.1:24).
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