Sobre Profetas e Professores

Por Francikley Vito 

O ensino e a aprendizagem não são ações apenas racionais e mecânicas, são atos que, para serem levados a efeito, exigem daqueles que os praticam uma entrega total e constante; essa verdade se mostra ainda mais contundente quando consideramos a ação educativa do âmbito cristão, com suas peculiaridades e desafios. Não trataremos aqui da segunda ação (a aprendizagem), mas tão somente da primeira (o ensino). Já dissemos, em texto anterior, que, quando o professor se levanta para dar sua aula, ele se coloca como um instrumento de transformação que atua nas múltiplas áreas de formação do aluno (Vito, 2011); nesta mesma oportunidade, traçamos as primeiras reflexões quanto ao assunto que será alvo do nosso pensar neste texto, a saber, as similaridades entre a pessoa do profeta veterotestamentário (do Antigo Testamento) e a ação do professor cristão na contemporaneidade. Ali dissemos que o professor se assemelha ao profeta, em um primeiro momento, etimologicamente, visto que os dois substantivos derivam da mesma raiz linguística latina (professor,óri). Assim, o professor, da mesma forma que o profeta, é alguém que transmite, que professa, suas crenças, valores e experiências de vida à sua classe. Porém a similaridade entre um e outro vão muito além das já expressas naquele trabalho. E é isso que intentamos mostrar no decorrer deste artigo; à luz da vida de um dos profetas mais conhecidos do Antigo Testamento, Jeremias.

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Fé na Ciência e Fé em Um Deus Criador


Por Henry F. Schaefer

[...] As leis da natureza parecem como se tivessem sido selecionadas como os princípios mais simples e elegantes de mudanças inteligíveis do universo que apontam para um Deus criador soberano. Acreditar na inteligibilidade da natureza fortemente sugere a existência de uma mente cósmica, a qual pode construir a natureza de acordo com leis racionais. Dr. Keith Ward, professor régio da Oxford University, expôs bem em Abril de 1999:

“Portanto apelar a inteligibilidade geral da natureza, sua estruturação de acordo com princípios matemáticos os quais podem ser compreendidos pela mente humana, sugerem a existência de uma mente criativa, uma mente de vasta sabedoria e poder. A ciência não é verossímil iniciar se se pensa que o universo é somente um caos de eventos arbitrários, ou se se pensa que há diversos deuses competindo, ou talvez um deus que não está preocupado com elegância ou estrutura racional. Se se acredita nessas coisas, não se deve esperar encontrar leis gerais racionais, e assim provavelmente não se procurará por elas. Talvez não seja acidente que a ciência moderna realmente iniciou com a clara compreensão que o Deus cristão foi um criador racional, não um agente pessoal arbitrário.”

Eu necessito ser claro que não são somente pessoas simpatizantes com cristãos que reconhecem a notável inteligibilidade do universo. Por exemplo, Sheldon Glashow (prêmio nobel em Física, 1979) afirmou em 1990: “Muitos cientistas são profundamente religiosos de uma forma ou outra, mas todos eles possuem antes uma fé peculiar – eles possuem uma fé na simplicidade básica da natureza; uma crença que a natureza é, afinal de contas, compreensível e que deve-se empenhar-se para entende-la tanto quanto pudermos.” Entretanto, sem uma crença no Deus soberano do universo, pode-se projetar tais observações gerais em direções questionáveis. Por exemplo, Glashow continua: “Agora esta fé na simplicidade, que há regras simples – algumas partículas elementares, algumas regras quânticas para explicar a estrutura do mundo – é completamente irracional e completamente injustificável.”

Fonte: http://www.origemedestino.org.br/blog/johannesjanzen/?post=272 Título do editor do Blog.

Direito, Literatura e História

Por Marcus Boeira

Ultimamente, inúmeros juristas têm dedicado especial atenção à literatura. Tal situação se deve ao fato de que a ciência jurídica e o campo literário possuem diversas conexões possíveis, desde a temática da hermenêutica até o campo dos juízos e valores morais na sociedade humana.

Porém, há um ponto que unifica as duas áreas de maneira singular: trata-se do problema inerente ao ato humano. Ou seja, as atitudes humanas constituem o repertório que dá sentido ao amplexo normativo dos códigos e diplomas legislativos, como também confere unidade à pluralidade de experiências humanas retratadas nas obras de literatura.

Enquanto a história trata da memória viva do passado, ampliando progressivamente o rol dos fatos e experiências concretas sucedidas ao longo dos tempos, a literatura reflete as experiências humanas possíveis, desde a lógica da potencialidade. A saber, ao passo que a história procura explicar a realidade a partir da coleta dos fatos e sua interpretação e investigação posterior, a literatura produz ficção e, a partir dela, se mergulha na consciência e nas causas da atividade humana. A literatura, por assim dizer, retrata a diversidade inerente as tensões existenciais, produzindo formas descritivas de compreensão do homem na história. A história é o ato, a literatura a potência. A história é a memória dos povos. A literatura, a consciência dos atos humanos.

Da perspectiva do jurista, a interpretação das normas pressupõe que o interprete mergulhe na realidade para compreendê-las mais profundamente. Ora, sendo a realidade complexa e seu conhecimento de difícil decifração, é mister que o hermeneuta procure no Direito um modo de entendimento sobre o mundo. A partir das normas jurídicas, se quer conhecer o sentido do dever ser, quer-se, antes de tudo, conhecer o destino dos atos humanos e reconhecer suas causas e consequências.

Enquanto a história preenche o rol dos fatos e situações compartilhadas na experiência social por séculos e gerações, a literatura retrata o conjunto das possibilidades do futuro, antecipando atitudes humanas a partir de uma investigação quanto à consciência do mesmo, como também suas reações e ações perante situações concretas. A literatura, mutatis mutandis, trás o futuro para o presente e viabiliza ao jurista interpretar a história de forma atual. A atualidade do Direito, assim, exige a conexão entre a história e a literatura, entre o que já ocorreu e o que pode ocorrer.

Por exemplo, quando lemos uma obra como Os Demônios, de Fiodor Dostoievski, datada de 1872, percebemos o quanto de profético há na textura apresentada, cujos personagens imbuídos de atitudes revolucionárias demonstram de forma viva o que viria a ocorrer na Revolução Russa de 17. De certo modo, a maneira toda singular de entender o marxismo e demais ideologias revolucionárias, mesmo o romantismo, do ponto de vista da literatura russa, nos mostra que os russos possuem uma característica bastante especial: a de importar certas categorias do pensamento revolucionário e interpretá-las segundo uma visão de mundo própria e particularizada, por vezes contrária à cosmovisão ocidental. Nesse caso, a literatura profetiza sobre a história, justamente por apresentar um pano de fundo comum às experiências humanas universais. A linguagem do possível antecipa a atualidade da história. Em suma, a apresentação da consciência revolucionária permite vislumbrar que, em pleno século XIX, já era possível detectar o que viria a suceder poucos anos depois no conjunto de fatos ocorridos em meio à revolução bolchevique.

A ciência jurídica, ocupada em discernir o justo em concreto, não encontra outro meio senão reconhecer e investigar os motivos das atitudes humanas, das tensões existenciais, enfim, dos dilemas humanos básicos apresentados pela literatura e atualizados pela história. A história viva da ciência jurídica perpassa a cultura humana mediante a literatura jurídica, composta por aquilo que representa a finalidade do Direito de modo mais elementar: normatizar e orientar os atos do ser humano.

Fonte:http://www.midiasemmascara.org/artigos/direito/13276-direito-literatura-ehistoria.html

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