ELEIÇÕES: VOTO CONSCIENTE COMEÇA PELA INVESTIGAÇÃO DAS PROPOSTAS DE GOVERNO

Caramuru Afonso Francisco*
                                  
Estamos a iniciar um novo período de campanha eleitoral, as eleições gerais de 2014, quando deveremos eleger os novos ocupantes de cargos eletivos nos Poderes Executivo e Legislativo da União Federal, dos Estados Federados e do Distrito Federal.
                                  
Teremos, desta feita, a renovação completa dos Poderes Executivos da União (Presidente e Vice-Presidente da República), dos Estados Federados e Distrito Federal (Governadores e Vice-Governadores ), da Câmara dos Deputados (Deputados Federais), e dos Legislativos Estaduais (Deputados Estaduais) e renovação de um terço do Senado Federal (Senadores).
                                  
Como servos de Deus, devemos orar para que o Senhor nos dê governantes que sejam tementes à Sua Palavra, que governem com sabedoria vinda do alto, buscando o bem-comum da população, bem como tomando decisões que não contrariem a sã doutrina.
                                  
Como servos de Deus, devemos, também, investigar as propostas dos candidatos, não se deixando enganar pela propaganda, mas verificando o caráter de cada postulante, seus compromissos, sua história, a fim de que verifiquemos quem melhor atende às necessidades atuais de nosso povo.
                                  
O Sl.10:4 diz que o ímpio não investiga, ou seja, aquele que não serve a Deus é uma pessoa que não pesquisa, não analisa as coisas, fazendo tudo conforme a sua arrogância, que é própria daqueles que deixam Deus de lado e querem viver como se o Senhor não existisse.
                                  
Não é assim, porém, aquele que serve ao Senhor. Este bem analisa todas as coisas, sendo pronto para ouvir, tardio para falar, devendo, por isso mesmo, manter um contato íntimo com o seu Senhor e Salvador, através da meditação nas Escrituras e da oração, a fim de que aprenda a ser manso e humilde de coração, humildade esta que é reafirmada pela pronta disposição em investigar e pesquisar tudo antes de tomar uma decisão.
                                  
Com respeito ao voto, não é diferente. Sendo a mais importante arma que tem o cidadão, o servo de Deus deve bem analisar as propostas dos candidatos, seu histórico, os compromissos assumidos, as pessoas com quem se alia para tentar chegar ao poder, a fim de que tome uma decisão correta e de que não venha a se arrepender posteriormente.
                                  
A legislação eleitoral exige que os candidatos a Presidente da República apresentem, quando do pedido de registro de suas candidaturas junto ao Tribunal Superior Eleitoral, uma proposta de governo, ou seja, diga solenemente quais são seus planos e projetos caso venha a ser eleito.
                                  
Infelizmente, estes programas não são, ainda, vinculativos, ou seja, caso o candidato não os cumpra, não existe nenhuma sanção, nenhuma punição. De qualquer modo, é uma forma de trazer um comprometimento moral ao candidato, um documento que permitirá que venha a ser cobrado no exercício de seu mandato, sem falar no fato de que é uma demonstração de suas intenções, o que é extremamente importante para a escolha do eleitor.
                                  
Tais propostas, porém, quase sempre ficam no Tribunal Superior Eleitoral, não são levadas ao conhecimento do público.
                                  
O objetivo nosso é, precisamente, o de divulgar estas propostas, incentivando os professores de Escola Bíblica Dominical a transmitir este conhecimento aos seus alunos, bem como a todos os membros e congregados de sua igreja local, estimulando-os a ler tais propostas a fim de que possam decidir criteriosamente em que votar nas próximas eleições.
                                  
As propostas estão no Tribunal Superior Eleitoral e apresentamos os links de cada proposta de cada candidato, que estão relacionados aqui em ordem alfabética, como se encontram no Tribunal.
                                  
Que esta ferramenta possa fazer com que todos tenham condições de votar conscientemente para Presidente da República no próximo pleito. Que Deus nos ilumine. Amém!

* Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede – São Paulo/SP e colaborador do Portal Escola Dominical (www.portalebd.org.br

>> LINKS PARA CONHECIMENTO DOS CANDIDATOS (ORDEM ALFABÉTICA

Aécio Neves da Cunha (Aécio Neves) (Coligação Muda Brasil - PSDB / PMN / SD / DEM / PEN / PTN / PTB / PTC / PT do B) PARA SABER A RESPEITO DO CANDIDATO CLIQUE AQUI... 

Dilma Vana Roussef (Dilma)(Coligação com a Força do Povo - PT / PMDB / PSD / PP / PR / PROS / PDT / PC do B / PRB). PARA SABER A RESPEITO DO CANDIDATO CLIQUE AQUI... 

Eduardo Henrique Accioly Campos (Eduardo Campos) (Coligação Unidos pelo Brasil - PHS / PRP / PPS / PPL / PSB / PSL). PARA SABER SOBRE O CANDIDATO CLIQUE AQUI...

Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho (Eduardo Jorge) PV. PARA SABER SOBRE O CANDIDATO CLIQUE AQUI...

Everaldo Dias Pereira (Pastor Everaldo) PSC. PARA SABER SOBRE O CANDIDATO CLIQUE AQUI...

José Levy Fidélix da Cruz (Levy Fidélix) PRTB. PARA SABER SOBRE O CANDIDATO CLIQUE AQUI...

José Maria de Almeida (Zé Maria) PSTU. PARA SABER SOBRE O CANDIDATO CLIQUE AQUI...

José Maria Eymael (Eymael) PSDC. PARA SABER SOBRE O CANDIDATO CLIQUE AQUI...

Luciana Krebs Genro (Luciana Genro) PSOL. PARA SABER SOBRE O CANDIDATO CLIQUE AQUI...

Mauro Luís Iasi (Mauro Iasi) PCB. PARA SABER SOBRE O CANDIDATO CLIQUE AQUI...

Rui Costa Pimenta (Rui Costa Pimenta) PCO. PARA SABER MAIS SOBRE O CANDIDATO CLIQUE AQUI...


Faculdade terá curso de pós-graduação que estudará o Pentecostalismo e suas práticas no Brasil...


O Curso de Especialização em Ciências da Religião, na modalidade lato sensu, das Faculdades Cantareira será desenvolvido para fornecer aos alunos, egressos das várias áreas do saber, a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos nos estudos acadêmicos em Teologia e Ciências da Religião; bem como capacitar esses alunos a trilhar o caminho dos estudos em nível de pesquisa e prática ministerial, além de, fornecer ferramentas para a docência do ensino religioso, seja em organizações eclesiásticas, em instituições governamentais ou comunitárias. Para tanto o curso conta com duas linhas principais de pesquisa: A Interpretação bíblica e o Pentecostalismo e suas práticas sociais.

Segundo esclarecimentos do site, o curso terá como objetivos específicos:

·      Corroborar os estudos históricos e interpretativos do pentecostalismo no Brasil;
·   Formar discentes interessados em aprofundar seus estudos acadêmicos em educação cristã, história do pentecostalismo e interpretação bíblica;
·       Estudar as práticas sociais vigentes nas muitas culturas em que o fenômeno religioso se apresenta.


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Dietrich Bonhoeffer: uma vida de pastor

Por Pietro Citati

A família de Dietrich Bonhoeffer era uma dos grandes famílias aristocráticas da Alemanha luterana. Os von Hase, aos quais a mãe pertencia, tinham estreitos laços com a corte imperial: a casa de Berlim, próxima de Tiergarten, tinha muros comuns com o Parque de Bellevue, onde brincavam os filhos do imperador. Não havia ramo da cultura alemã aos quais os Bonhoeffer e os von Hase não estivessem ligados: teologia, música, filosofia, psicologia, psiquiatria, física, pintura, escultura.

O pai de Dietrich, Karl, neurologista e psiquiatra, não se declarava cristão. Mas toda a família estava embebida pelo profundo sentimento religioso da mãe, cujo avô, Karl August von Hase, havia sido um teólogo famoso. Quando os pais e os filhos se reuniam na casa muito espaçosa da Breslávia e depois de Berlim e nas belas casas alpinas, sempre se sentia – como Dietrich escreveu à sua avó – que dom era ser uma grande família, que vivia no sopro e no abraço do Senhor.

Dietrich, que nasceu em 1906, tinha sete irmãos: Sabine era a sua irmã gêmea. Aos oito anos, ele começou a receber aulas de piano e a ler as partituras com grande habilidade. Aos 10 anos, executava as sonatas de Mozart. Aos 14, compôs uma cantata sobre o sexto versículo do Salmo 42, "A minha alma está abatida"; depois, sentava-se ao piano e improvisava O Cavaleiro da Rosa.

Por muito tempo pensou em se dedicar à carreira musical; e a música sempre continuou representando uma parte essencial da sua vida, que o ligava à família no pensamento. Aos 14 anos, teve a impressão de que Deus o tinha pego e declarou que seria teólogo. Estudou um ano em Tübingen, sete semestres em Berlim, obtendo o doutorado em 1927, aos 21 anos. A sua tese foi intitulada Sanctorum Communio.

Desde a juventude, sofreu a profunda influência de Karl Barth, que, em 1922, tinha publicado o comentário à Epístola aos Romanos: amava a sua fogosa e analítica arte de discutir. Apesar de algumas polêmicas, manteve-se sempre seu amigo e confidente: enquanto, no pós-guerra, Barth resenhou entusiasticamente os livros de Bonhoeffer.

Ele tinha aprendido com os seus familiares um férreo autocontrole: haviam lhe ensinado que abandonar-se às emoções "era um excesso de indulgência para consigo mesmo", e se defendia de si mesmo com a precisão e o rigor da linguagem. Sentia-se dominado por uma espécie de obscura ambição, à qual ele venceu apenas com a Bíblia. A sua vida era plena: concertos, teatros, mostras de arte, viagens no Schleswig-Holstein, nas Dolomitas e a Veneza. Era vital, cheio de frescor, ardente, impulsivo, curioso, cheio de comunicação: "Ele realmente anunciava – disse um amigo – o Evangelho às pessoas da rua": abria-se falando com todas as pessoas; amava e pronunciava a verdade; fascinava os amigos e os estudantes; ria de bom grado.

"Quando Bonhoeffer andava por aí – disse outro amigo – sempre havia muito humor". Mas ele não abandonava o rigor da linguagem, porque sabia que, mesmo no riso, deve se esconder uma soberana precisão. Pouco a pouco, a Bíblia o possuía, ele se sentia invadido pela felicidade cristã. Enquanto avançava na incompreensível revelação, no mistério de Cristo, dava-se conta de que "a alegria autêntica é sempre algo incompreensível, seja para os outros, seja para quem a experimenta".
Ele lia a Bíblia incessantemente, porque acreditava que somente a Bíblia era a resposta para todas as nossas perguntas. "Se esperamos da Bíblia uma resposta definitiva, ela no-la fornece? Deus nos dá a sua palavra, e com ela Ele nos leva a buscar um conhecimento cada vez mais rico e um dom cada vez mais esplêndido. Quanto mais recebemos, mais devemos buscá-lo; e quanto mais buscamos, mais recebemos d'Ele. Uma vez que a palavra de Deus chegou até nós, podemos dizer: eu te busco com todo o coração. Ele nos quer por inteiro".
Ele lia a Bíblia de manhã e à noite, muitas vezes durante o dia: a cada dia, ele escolhia um texto, que mantinha presente durante a semana, tentando mergulhar totalmente nele. Às vezes, detinha-se por horas e dias em uma única palavra antes de ser iluminado com o conhecimento certo. Ele lia os Salmos e os fazia ler e recitar aos seus alunos. Jesus morreu na cruz com as palavras dos Salmos nos lábios: esse era o fato decisivo.

Ainda na sua juventude, ele foi um grande teólogo. Discipulado (Ed. Sinodal, 1980 [1937]), a sua obra-prima, é um dos pouquíssimos verdadeiros textos teológicos do século passado. Mas, enquanto estudava, ele pensava, construía um sistema teológico, se sentia impaciente e prisioneiro. A sua vocação mais profunda era a de pastor: rezava, pregava a um grupo de pessoas, reunidas ao seu redor como a um ninho quente.

"Os seres humanos – escrevia – precisam de pastores: Cristo era o pastor, nós devemos ser pastores de homens mediante ele e como ele". Ele pregava às crianças, sobretudo durante o ano que passou em Barcelona, durante o de Nova York; e depois de novo em Berlim, onde deu um memorável curso aos crismandos de um bairro operário pobre.
"Se não conseguimos comunicar às crianças – proclamou – as ideias mais profundas sobre Deus e a Bíblia, então há algo que está errado". "Quando vocês o viam pregar – lembra uma velha amiga –, vocês viam um jovem irresistivelmente tomado por Deus".
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/522853-bonhoeffer-a-guerra-das-duas-cruzes-artigo-de-pietro-citati

Notas sobre leitura bíblica*

Por Francikley Vito 

No meio de uma aula em que se discutia a importância da literatura, a professora impulsionada pelo zelo e amor que tinha pelas artes, exclamou: “O problema é que estamos deixando de ler literatura para nos entupir de teorias!”. É claro que a professora sabia da importância da teoria para a formação de um estudante da Literatura, mas o que ela queria dizer era que não podemos estudar a literatura olhando só para a teoria. Assim, se a vida cristã é regida pelo Livro, não podemos viver essa mesma vida cristã sem nos achegarmos à Bíblia, sem lê-la. Veremos abaixo alguns princípios básicos para uma cuidadosa leitura dos Textos Sagrados. 

* O texto foi publicado na revista Ultimato Online na seção "Palavra do leitor". 

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A Assembleia de Deus e o Regime Militar

Por Mário Sérgio de Santana

A postura dos evangélicos durante o Regime Militar (1964-1985) é controversa e polêmica. Mas é certo que a maioria das denominações apoiaram o regime de exceção que se instalou no Brasil durante pouco mais de 20 anos. Poucas vozes entre os protestantes se levantaram contra o regime. O sociólogo Paul Freston, afirma em seu livro Evangélicos na Política Brasileira, que somente a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) lançou durante o período da ditadura um documento chamado de "Manisfesto de Curitiba", criticando o governo dos militares e suas práticas de repressão.

O que prevaleceu mesmo foi o apoio, inclusive com participação de ministros evangélicos nas denúncias de membros ou seminaristas considerados "subversivos". A cooptação política entre os protestantes também se deu através de nomeações de líderes leigos para cargos de importância (governadores, secretarias etc) e o aliciamento para os cursos da Escola Superior de Guerra (ESG). 


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Respondendo ao Problema do Mal

Por R. C. Sproul
O Dr. John Gerstner, meu estimado mentor, certamente levava jeito para ganhar a minha atenção e me ajudar a pensar de forma mais clara. Eu ainda me lembro quando disse a ele que eu pensava que o problema do mal era irresolúvel. Tendo notado que os melhores apologetas e teólogos na história da igreja não responderam todas as questões levantadas pela existência do mal neste mundo, eu disse a ele que ninguém jamais resolveria o problema deste lado da eternidade. Ele se virou e me repreendeu: “Como você sabe que o problema do mal nunca será resolvido”, ele perguntou. “Talvez você ou outro pensador seja aquele que Deus apontou para resolver essa questão”.
Com o devido respeito ao Dr. Gerstner, eu acho que ele superestimava os seus alunos. Eu não mudei a minha opinião sobre o problema do mal desde aquela conversa. Nos muitos anos em que ensinei filosofia, apologética e teologia, e nas muitas conversas que tive com pessoas feridas, uma resposta completa para o problema do mal permanece evasiva. Quando muito, eventos recentes fazem o problema parecer mais crítico. Só no ano de 2012, lidamos com um ataque terrorista na Maratona de Boston e com o atirador da Sandy Hook Elementary School em Connecticut. O Furacão Sandy matou quase 300 pessoas no nordeste dos Estados Unidos. Poderíamos também mencionar as centenas de milhares de pessoas que morreram nos tsunamis em 2004 e 2011. A lista é quase infinita.
Colocar um rosto humano no mal pode torná-lo mais inteligível — não é surpresa que pessoas más façam coisas más. A violência da natureza pode ser ainda mais perturbadora. Como lidamos com desastres naturais que não respeitam pessoas, mas de forma indiscriminada tiram vidas de idosos, bebês e deficientes, além de crianças e adultos? “Como”, muitas pessoas — até cristãos — perguntam, “pode um Deus bom permitir que tais coisas aconteçam?”.
Não há falta de especulação na tentativa de responder a essas questões. Indivíduos bem intencionados sugeriram incontáveis teodicéias — tentativas de justificar e vindicar Deus devido à presença do mal no mundo. Em seu livro publicado no século XVIII, Theodicy, o filósofo Gottfried Leibniz tentou explicar o mal sugerindo que nós vivemos no “melhor de todos os mundos possíveis”. Outros pensadores disseram que o mal é necessário para nos tornar pessoas virtuosas ou para preservar a realidade do livre arbítrio. Tais respostas falham em satisfazer o problema do mal, e normalmente sacrificam a soberania de Deus no processo.
Não penso que Deus nos revelou uma resposta plena e definitiva para o problema do mal e do sofrimento. Contudo, isso não significa que ele tem estado em silêncio sobre a questão. A Escritura nos dá sim algumas diretrizes úteis:
Primeiro, o mal não é uma ilusão — ele é muito real. Algumas religiões ensinam que o mal é irreal, mas a Bíblia nunca minimiza a verdade da miséria e da dor. Além do mais, os personagens bíblicos nos mostram que uma indiferença estoica ao mal não é a resposta correta. Eles rasgam suas vestes, oferecem lamentações a Deus, choram lágrimas reais. Nosso Salvador caminhou a Via Dolorosa como o Homem de Dores que conheceu nosso sofrimento.
Segundo, Deus não é caprichoso ou arbitrário. Ele não age irracionalmente, nem demonstra ou permite violência sem propósito. Isso não significa que sempre sabemos o motivo de um mal em particular ocorrer em determinado lugar ou momento. Por não sabermos todas as razões por trás de cada mal em específico, não podemos fazer fáceis conexões entre a culpa e o desastre, entre o pecado de uma pessoa e o mal que recai sobre ela. Textos que incluem o livro de Jó e João 9 nos impedem de declarar universalmente que a dor é uma punição por pecados específicos. Isso significa que quando desastres inexplicáveis ocorrem, devemos dizer com Martinho Lutero: “Que Deus seja Deus”. O clamor de Jó “o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1.21) não foi uma demonstração superficial de piedade ou negação da dor. Pelo contrário, Jó mordeu seus lábios e cerrou seu estômago enquanto se manteve fiel diante da tragédia e do sofrimento absoluto. Jó sabia quem Deus era, e se recusou a amaldiçoá-lo.
Terceiro, este não é o melhor de todos os mundos possíveis. Este mundo é caído. O sofrimento só está aqui porque o pecado desfigurou uma criação que, do contrário, seria boa. É claro que isso não significa que todo o sofrimento esteja ligado a um pecado específico ou que possamos fazer uma correlação, par a par, entre o nível do pecado de uma pessoa e o grau do seu sofrimento. Contudo, o sofrimento pertence à esfera mais abrangente do pecado que as pessoas encontram aqui nesta terra. Enquanto a criação sofre com a violência da humanidade, ela devolve essa violência. A Bíblia nos diz que a criação se enfurece com seus mestres e exploradores humanos. Em vez de administrar a terra sabiamente e povoá-la, nós a exploramos e a poluímos. Até que Cristo retorne com os novos céus e a nova terra, lidaremos com tempestades, terremotos e enchentes. Até lá, ansiaremos por uma criação renovada.
Por fim, o mal não é definitivo. O cristianismo nunca nega o horror do mal, mas também não o considera como tendo qualquer poder maior ou igual ao de Deus. A palavra final da Escritura sobre o mal é triunfo. A criação geme enquanto aguarda por sua redenção final, mas esse gemido não é em vão. Sobre toda a criação está o Cristo ressurreto —Christus Victor — que triunfou sobre os poderes do mal e fará novas todas as coisas.
Tradução: Alan Cristie 
Fonte: http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/661/Respondendo_ao_Problema_do_Mal

Igreja Evangélica Frequentada por Roqueiros...


Com gritos de que "nossa droga é Jesus" um grupo de jovens se reúnem todos os domingos para um culto em que a música principal a ser tocada é o metal (rítimo parecido com o rock). Segundo o que foi noticiado pela revista Sãopaulo, vinculada ao jornal Folha de São Paulo, o grupo se diz incompreendido tanto pela comunidade evangélica quanto por metaleiros. Os jovens que ali se reúnem - cerca de cinquenta - são liderados por um pastor Batista; os jovens da igreja são incentivados a entregarem suas vidas a Cristo, a viverem uma vida de comunhão com Deus, a se absterem do sexo antes do casamento e ainda, segundo o pastor, eles creem que Deus não fez um "terceiro sexo"; dizem que os gays são bem vindos á sua comunidades por serem pessoas que precisam do amor de Deus. 

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Qual a Melhor Tradução da Bíblia em Português?

Muitos de nós em variados momentos de nossos estudos bíblicos, já nos perguntamos qual seria a melhor tradução da Bíblia em língua portuguesa. Se você já fez essa pergunta, a entrevista a segui lhe será de grande valia. Na entrevista que indicamos abaixo, o especialista em língua hebraica, Edson de Faria Francisco, responde a essa e outras perguntas referentes a traduções e linguagem bíblica. Edson de Farias possui graduação em Hebraico pela Universidade de São Paulo (2003), graduação em Armênio pela Universidade de São Paulo (1997), graduação em Português pela Universidade de São Paulo (1997), mestrado em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas pela Universidade de São Paulo (2002), doutorado em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas pela Universidade de São Paulo (2008) e pós-doutorado em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas pela Universidade de São Paulo (setembro de 2011). Título do trabalho de pós-doutorado: Lexicon Masoreticum: Léxico de Terminologia Massorética Tiberiense.


O Dever do Sexo no Casamento

Por Angus Stewart

Estamos agora numa posição mais adequada para analisar o pecado de um casamento sem sexo (assumindo que o sexo é fisicamente possível). É roubo não entregar o que é devido. É roubar o seu próximo mais chegado, a saber, o seu próprio cônjuge. É defraudar ele ou ela (5). Isso introduz a idéia de engano e fraude. O casamento, por definição, inclui dar-se ao seu cônjuge. Ao recusar se entregar sexualmente, como prometeu, você comete traição. Isso está fundamentado no egoísmo, o desejo de fazer o que quiser com o seu corpo e não o que o seu cônjuge quer. Esse egoísmo brota da incredulidade, a falta de fé na união vital e espiritual entre Cristo e a Sua igreja que o seu casamento e relação sexual deveriam retratar.

O pecado tem conseqüências. Deus julgará e castigará você por ele. Seu cônjuge será ferido, seriamente ferido. Recusar seus desejos sexuais é algo cruel. Ignorar ou ser indiferente para com ele ou ela é impiedade. Cristo não trata assim a Sua esposa! Seu cônjuge se sentirá insatisfeito, trapaceado e provavelmente se tornará (pecaminosamente) amargo e ressentido. Assim, seu casamento sofrerá. A intimidade física de todos os tipos se secará e você perderá a intimidade emocional e espiritual também.

Pecados maritais impendem as suas orações (I Pedro 3:7). As orações nas devoções em família se tornam difíceis; as orações ficam sem resposta. A leitura da Escritura também se torna um dever árduo. Eventualmente isso pode levar a devoções em família infreqüentes ou à completa negligência.

Nenhuma relação sexual no casamento também torna o seu cônjuge mais vulnerável ao pecado de adultério Lembre-se: um dos propósitos do casamento é evitar a fornicação (2; cf. Pv. 5:18-20). Satanás tem um interesse no seu leito matrimonial. Ele anda em derredor, "buscando a quem possa tragar" (I Pedro 5:8). Não vos defraudeis!

I Coríntios 7:3-5 ensina parte do chamado de maridos e esposas. Eles não devem permitir que se tornem sexualmente indiferentes para com seus cônjuges. Não há lugar para escusas mentirosas: "Estou com dor de cabeça". Isso não é uma licença para explorar ou abusar do seu cônjuge. Nem é um incentivo à tirania masculina. O marido é o cabeça que deve "alimentar" e "sustentar" a sua esposa (Ef. 5:29). I Coríntios 7:3-4 enfatiza a igualdade entre marido e mulher: o marido deve dar a "devida benevolência" à sua esposa, e "igualmente" a esposa ao seu marido (3), e o marido tem autoridade sobre o corpo da sua esposa, "também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher" (4). Assim, no sexo – como em todas as coisas, exceto no pecado—o marido e a esposa cristãos devem procurar agradar um ao outro, e não a si mesmos, pois o amor "não busca os seus interesses" (I Co. 13:5).

Qual então é o papel do sexo no casamento? Primeiro, sexo não é a única coisa no casamento. Êxodo 21:10, uma lei regulando (embora não requerendo ou aceitando) a poligamia, declara: "Se lhe tomar outra, não diminuirá o mantimento desta, nem o seu vestido, nem a sua obrigação marital." A "obrigação marital" (Ex. 21:10) é a "devida benevolência" (I Co. 7:3), ou relação sexual. Providenciar comida e roupa para a esposa também é mencionado. (Incidentalmente, por que jovens cristãos estão namorando ou noivando, se não estão numa posição de sustentar uma esposa, mesmo num futuro previsto?) Ainda mais fundamental, os maridos devem amar suas esposas e as esposas devem se submeter aos seus maridos (Ef. 5:22-33). Além do mais, os maridos devem governar suas esposas em amor e elas devem ser auxiliadoras de seus maridos (Ef. 5:22-33; Gn. 2:20s.). Isso envolve 101 deveres de um para com o outro.

Segundo, o sexo não é a principal coisa no casamento. A coisa principal é o relacionamento pactual no Senhor (Ml. 2:14). Aqueles que fazem do sexo a coisa principal no casamento ficarão dolorosamente desapontados.

Terceiro, sexo não é a base para o casamento. A verdade da Palavra de Deus é o fundamento do casamento cristão. A amizade pactual de um pelo outro é baseada sobre essa unidade na doutrina da Palavra de Deus em Cristo.

Onde então o sexo entra no casamento? Primeiro, deve haver o amor de Deus em seu coração por seu cônjuge. Fluindo desse amor, e como uma expressão desse amor, está a bênção da relação sexual. Assim, embora o sexo no casamento seja um chamado e um dever, ele é mais que um dever. É uma coisa alegre e prazerosa, deliberada e natural, uma expressão de amor mútuo e um retrato da união de Cristo com a Sua noiva, a igreja.

Há uma exceção ao dever do sexo no casamento (além daquele da impossibilidade física) se três condições forem satisfeitas. Primeiro, deve ser "por consentimento mútuo" (I Co. 7:5)—não uma decisão unilateral do marido ou da esposa, mas de ambos. Segundo, deve ser "por algum tempo" (5)—não para o resto de suas vidas, ou por anos, mas por um período específico. Mais tarde eles devem se "ajuntar outra vez" sexualmente (5). Terceiro, a abstinência sexual deve ser "para vos aplicardes ao jejum e à oração" (5)—não porque eles simplesmente estavam com vontade. Deus colocou certo peso em seus corações, de forma que os prazeres de comer e ter sexo são postos de lado por um tempo, para que possam se focar melhor em buscar a Deus. Todas as três condições devem ser satisfeitas—consentimento mútuo, curta duração e propósito religioso (para oração e jejum)—para um período de abstinência sexual. Onde todas as três condições não são satisfeitas, a "devida benevolência" da relação sexual permanece.

I Coríntios 7:3-5 contém várias lições vitais. Primeiro, a relação sexual é a regra no casamento (e a exceção é rara e curta). Segundo, Maria não foi uma virgem perpétua. O Concílio de Trento de Roma lançou um anátema sobre todos aqueles que negassem que Maria jamais teve relação sexual com o seu marido, José, após o nascimento de Cristo, mas Deus requer que as esposas dêem a "devida benevolência" aos seus maridos (3-5). Terceiro, a passagem assume que um casal cristão pode escolher jejuar e orar juntos. Você alguma vez já desistiu de comida e sexo, para buscar a face de Deus com maior fervor? Quarto, não há nada vergonhoso ou impuro numa relação sexual. Aparentemente, alguns em Corinto enalteciam a virgindade até o céu e/ou exigiam o celibato no casamento, visto que a relação sexual era vista como de certo modo questionável em santidade ou pureza. "Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula" (Hb. 13:4). 

Essa visão deturpada sobre casamento e sexo não é encontrada apenas no Romanismo. John Wesley ensinou a superioridade da virgindade ao casamento, e em geral aconselhava contra o casamento. Ele foi irremediavelmente influenciado por sua leitura dos pais da igreja primitiva e de autores católico-romanos (que lançam dúvidas sobre a bondade do casamento e do sexo). Mesmo quando Wesley se casou, ele mostrou um mau exemplo, pois, em geral, negligenciava sua esposa e o relacionamento deles era "distante e infeliz" (Stephen Tomkins, John Wesley, p. 167). Quinto, I Coríntios 7 implica que marido e esposa falam sobre assuntos sexuais juntos, pois entram em "consentimento" para se abster por um tempo por razões religiosas (5). Em geral, os maridos e esposas cristãos devem procurar agradar um ao outro, e viver sob o senhorio de Cristo no casamento e no sexo.

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A Importância do Acolhimento nas Escolas Bíblicas

Por Francikley Vito 

Tem-se dito com razão que a educação cristã, assim como a educação secular, precisa trabalhar o homem em todas as esferas de sua existência para que esse indivíduo cresça em todos os aspectos da sua vida. O instrumento mais poderoso de educação e crescimento do cristão em seus vários níveis são, sem dúvida, as escolas bíblicas – e no caso específico de algumas denominações a Escola Bíblica Dominical. Daí o porquê o escritor cristão Claudionor de Andrade explicar que “a Escola Dominical é tão importante ao magistério eclesiástico que veio a tornar-se no mais perfeito sinônimo de Educação Cristã. É impossível desassociar a ideia desta da imagem daquela. Tecnicamente, porém, a Escola Dominical é apenas uma parte da Educação Cristã.” (ANDRADE, 2002, p.33). É também nas escolas bíblicas que a Igreja pode cumprir integralmente suas funções principais (Mt 28.19-20), isto é, evangelizar enquanto ensina e ensinar enquanto evangeliza. Isto posto, gostaríamos, neste curto artigo, de voltar a nossa atenção para uma importante ferramenta na realização da tarefa educativa e evangelizadora das escolas bíblicas, a saber: o acolhimento.


Livrando a Mulher de Jó do Banco dos Réus

Por Carlos Augusto Vailatti

"Então sua mulher [de Jó] lhe disse: Ainda retens a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre". (Jó 2.9 - Almeida, Revista e Corrigida)

Sem dúvida alguma, uma das mulheres mais detestadas de toda a Bíblia (senão a mais detestada) é a mulher de Jó. Embora a Bíblia não mencione o seu nome, a tradição conferiu-lhe o nome de Sitis. Todo este sentimento de aversão a ela se deve ao texto citado acima. Apenas para termos uma pequena idéia sobre como a mulher de Jó foi compreendida pela cristandade, cito Francis Andersen, que faz um curioso comentário a seu respeito:

"Os cristãos de modo geral têm sido mais severos com ela [a mulher de Jó] do que os judeus e os muçulmanos. Ela era a aliada de Satanás. Agostinho chamou-a de diaboli adjutrix; Crisóstomo: 'o melhor flagelo de Satanás'; Calvino: organum Satani. Segundo este ponto de vista, ela tentou seu marido a auto-condenar-se ao conclamá-lo a fazer exatamente aquilo que Satanás predissera que faria".

Já o teólogo Russell Norman Champlin, citando Samuel Terrien, menciona o ponto de vista favorável deste autor francês para com a atitude da esposa de Jó. Eis as suas palavras:

"Samuel Terrien (...) interpreta que a esposa de Jó só estava tentando vê-lo morto e livre de sofrimentos, supondo que uma maldição tivesse o poder de eliminar os sofrimentos dele. Em outras palavras, ela era uma antiga advogada da eutanásia. (...) Ela raciocinava que, se Jó amaldiçoasse a Deus, uma retaliação divina mataria o homem, pondo fim aos seus sofrimentos. (...) Terrien chegou a supor que o ato da mulher de Jó tenha sido inspirado pelo amor, por mais ignorante que tenha parecido ser".

Esses comentários, longe de esclarecerem qual era a verdadeira intenção da esposa de Jó ao dizer aquelas palavras ao seu marido, acabam promovendo mais a polêmica do que uma possível solução em torno do assunto. Mas, afinal, que sentimentos levaram a esposa de Jó a proferir palavras tão duras ao seu marido num dos momentos mais difíceis da sua vida (pois ele já havia perdido seus filhos e seus animais, bem como, na presente situação do texto, até mesmo a própria saúde)? Ora, acredito que pesquisar o que o original diz nesse texto pode nos ajudar a tentar solucionar essa questão. Eis o que diz o texto de forma literal:

"E disse a esposa dele a ele: [você] ainda se mantém firme em sua integridade? Abençoe a Deus e morra".

Talvez, ao ler este verso, você tenha se perguntado: "Espera aí, você traduziu errado! A tradução correta não é: 'abençoe a Deus e morra'?". Bem, quando lemos o original, a palavra que aparece no verso 9 é o verbo hebraico barak, cujos significados básicos são: "ajoelhar, abençoar, louvar, saudar e amaldiçoar (usado de formaeufemística)".

Perceba que quatro dos cinco significados básicos deste termo estão associados a aspectos positivos ("ajoelhar, abençoar, louvar, saudar"), enquanto que apenas um significado, e ainda assim usado de maneira eufemística, está relacionado a algo negativo ("amaldiçoar").
Se pesquisarmos a Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento Hebraico, que é datada do III século a.C.) veremos que ela não nos ajuda a decifrar o dilema linguístico que há no hebraico, pois ela apresenta assim Jó 2.9 (de forma bem ampliada):

"Passado muito tempo disse-lhe sua mulher: 'até quando perseverarás dizendo, vede, espero ansiosamente ainda por um pouco de tempo, aguardando a esperança da minha salvação',  mas eis que é apagada tua memória da terra, os filhos e filhas do meu ventre; dores de parto e aflição em vão - esgotei-me pelo labor! [3] tu mesmo em podridão de vermes permaneces, passas a noite ao ar livre; [4] e eu, tenho andado errante e pedinte de um lugar a outro, e de casa em casa; tenho esperado o sol - quando ele se porá, para que amenize os labores e aflições que agora me cercam?  mas diga uma palavra ao Senhor, e morra!".

Mas então, como podemos entender Jó 2.9 à luz de seu contexto imediato? Ou melhor, como deveríamos interpretar (a partir da tradução que demos a Jó 2.9), por exemplo, Jó 2.10, quando Jó diz à sua esposa: "Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal?". Bem, se a nossa tradução estiver correta em 2.9 e, portanto, "Sitis" abençoou Jó em vez de amaldiçoá-lo, logo, segue-se que no verso 10 Jó não condena a sua esposa por tê-lo instigado a "amaldiçoar" a Deus, mas sim chama a sua atenção por ela dar a entender com as suas palavras que não acreditava que ele sobreviveria àquela doença e a toda aquela situação (a perda dos animais, dos filhos etc). Neste sentido, então, Jó a adverte quanto ao fato de que eles ainda receberiam a bênção de Deus no futuro (ele diz: "receberemos o bem de Deus").

A favor de nosso ponto de vista podemos argumentar ainda que as palavras da esposa de Jó sugerem "um desejo sincero de ver Jó livre dos seus tormentos (pela morte)", uma vez que ela não parece ver "a possibilidade de recuperação da saúde [dele] e da restauração dos bens". Essa hipótese parece ser bem razoável e também parece coadunar mais com a realidade, pois, quando passamos por momentos muito difíceis em nossas vidas (assim como Jó e a sua esposa passaram), é natural que um dos cônjuges, ou até mesmo os dois, façam um balanço negativo da realidade que estão enfrentando, chegando, inclusive, a desenhar um futuro sombrio pela frente. De qualquer forma, como deveríamos ver a esposa de Jó: como "bandida" ou como "mocinha"? Quem sabe, algum dia ainda saberemos a verdade...


Fonte: http://blogdovailatti.blogspot.com.br/2009/03/livrando-mulher-de-jo-do-banco-dos-reus.html#comment-form

Uma exposição ‘acadêmica’ sobre beijo gay em novela

Por Magali Cunha

Abrimos este artigo [...]  para chamar a atenção para a necessidade de uma interpretação despida de paixões do recente "frisson" causado pela exibição do último capítulo da telenovela de horário nobre da Rede Globo de TV, "Amor à Vida", em 31 de janeiro, que alcançou o alto índice de 44% de audiência, de acordo com o Ibope.

Acompanhando o que foi veiculado em websites, blogs e postagens em mídias sociais desde o início daquela semana com a expectativa então criada se haveria ou não um "beijo gay" no desfecho da telenovela e depois do fato consumado, podemos identificar pelo menos três posições do público: 1) de demanda e depois de celebração da parte de pessoas homossexuais e simpatizantes, por conta do que consideram um avanço e o reconhecimento das lutas por direitos deste segmento; 2) de cobrança e depois de condenação de pessoas religiosas e não-religiosas, por conta do que consideram "nojento" ou uma afronta da emissora, do autor da trama e dos atores envolvidos à família brasileira que luta por se preservar das ameaças da "ditadura gay"; 3) de pessoas identificadas como críticas, algumas do espaço acadêmico, alegando ser tudo isto "perda de tempo", "lixo", "bobagem", com uma parcela a perguntar do que tratava tal discussão, já que não assistem às novelas.



Os Salmos: A Anatomia da Alma Humana

Por Leonardo Boff 

Os salmos constituem uma  das formas mais altas de oração que a humanidade produziu. Milhões e milhões de pessoas, judeus, cristãos e religiosos de todas as tradições, dia a dia, recitam e cantam salmos, especialmente os religiosos e religiosas e os padres no assim chamado “ofício das horas”diário.
Não sabemos exatamente quem seus autores, pois eles recolhem as orações que circulavam no  meio do povo. Seguramente muitos são de Davi (século X a.C). É considerado, por excelência, o protótipo do salmista. Foi pastor, guerreiro, profeta, poeta, músico, rei e profundamente religioso. Conquistou o Monte Sion dentro de Jerusalém e lá, ao redor da Arca da Aliança, organizou o culto e introduziu os salmos.
Quando se diz “salmo de Davi” na maioria das vezes significa: “salmo feito no estilo de Davi”. Os salmos surgiram no arco de quase mil anos, nos lugares de culto e recitados pelo povo até serem recopilados na época dos Macabeus no século II.a.C. O saltério é um microcosmo histórico, semelhante a uma catedral da Idade Média, construída durante séculos, por gerações e gerações, por milhares de mãos e incorporando as mudanças de estilo arquitetônico das várias épocas. Assim há salmos que revelam diferentes concepções de Deus, próprias de certa época, como aqueles, estranhas para nós, que expressam o desejo de vingança e o juízo implacável de Deus.
Os salmos testemunham a profunda convicção de que Deus, não obstante habitar numa luz inacessível, está em nosso meio, morando como que numa tenda (shekinah). Podemos chegar a Ele, em súplicas, lamentações, louvores e ações de graças. Ele está sempre pronto para escutar.
O lugar denso de sua presença é o Templo onde se cantam os salmos. Mas como Criador do céu e da terra, está igualmente em todos os lugares, embora nenhum possa contê-lo.
Com razão, se orgulhavam os hebreus dizendo: “ninguém tem um Deus tão próximo como nós”! Próximo de cada um e no meio de seu povo. Os salmos revelam a consciência da proximidade divina e do amparo consolador. Por isso há neles intimidade pessoal sem cair no intimismo individualista. Há oração coletiva sem destituir a experiência pessoal. Uma dimensão reforça a outra, pois cada uma é verdadeira: não há pessoas sem o povo no qual estão inseridas e não há povo sem pessoas livres que o formam.
Ao rezar os salmos, encontramos neles a nossa radiografia espiritual, pessoal e coletiva. Neles identificamos nossos estados de ânimo:  desespero e alegria, medo e confiança, luto e dança, vontade de vingança e  desejo de perdão, interioridade e fascinação pela grandeza do céu estrelado. Bem o expressou o reformador João Calvino (1509-1564) no prefácio de seu grandioso comentário aos salmos:
“Costumo definir este livro como uma anatomia de todas as partes da alma, porque não há sentimento no ser humano que não esteja aí representado como num espelho. Diria que o Espírito Santo colocou ali, ao vivo, todas as dores, todas as tristezas, todos os temores, todas as dúvidas, todas as esperanças, todas as preocupações, todas as perplexidades até as emoções mais confusas que agitam habitualmente o espírito humano”.
Pelo fato de revelarem nossa autobiografia espiritual, os salmos representam a palavra do ser humano a  Deus e, ao mesmo tempo, a palavra de Deus ao ser humano. O saltério serviu sempre como  livro de consolação e fonte secreta de sentido, especialmente quando irrompe na humanidade o desamparo, a perseguição, a injustiça e a ameaça de morte. O filósofo francês Henri Bergson (1859-1941) deu este insuspeitado testemunho:”Das centenas de livros que li nenhum me trouxe tanta luz e conforto quanto estes poucos versos do salmo 23: O Senhor é meu pastor e nada me falta; ainda que ande por um vale tenebroso, não temo mal nenhum, porque Tu estás comigo”.
Um judeu, por exemplo, cercado de filhos, era empurrado, para as câmaras de gás em Auschwitz. Ele sabia que caminhava para o extermínio. Mesmo assim, ia recitando alto o salmo 23: “O Senhor é meu pastor…Ainda que eu ande pela sombra do  vale da morte, nenhum mal temerei, porque Tu estás comigo”. A morte não rompe a comunhão com Deus. É passagem, mesmo dolorosa, para o grande abraço infinito da paz eterna.
Por fim, os salmos são poesias religiosas e místicas da mais alta expressão. Como toda poesia, recriam a realidade com metáforas e imagens tiradas do imaginário. Este obedece a uma lógica própria, diferente daquela da racionalidade. Pelo imaginário, transfiguramos situações e fatos detectando neles sentidos ocultos e mensagens divinas. Por isso dizemos que não só habitamos prosaicamente o mundo, colhendo o sentido manifesto do desenrolar rotineiro dos acontecimentos. Habitamos também poeticamene o mundo, vendo o outro lado das coisas e um outro mundo dentro do mundo de beleza e de  encantamento.
Os salmos nos ensinam a habitar poeticamente a realidade. Então ela se transmuta num grande sacramento de Deus, cheia de sabedoria, de admoestações e de lições que tornam mais seguro nosso peregrinar rumo à Fonte. Como bem diz o salmista: “quando caminho entre perigos, tu me conservas a vida…e estás  até o fim a meu favor” (Salmo 138, 7-8). 
Disponível AQUI
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