Pensamentos Sobre Leitura


Por Albert Mohler Jr.

Eu realmente não me recordo de um tempo em que eu não apreciasse ler livros. Sei que eu era ávido para aprender a ler e rapidamente me vi imerso no mundo dos livros e da literatura. Isso pode ter sido um tipo de sedução, e o discípulo cristão deve estar sempre alerta para conduzir seus olhos para livros que merecem a atenção de um discípulo de Cristo – e existem muitos desses livros. Como Salomão nos exortou: “Não há limite para fazer livros” (Ec 12.12). É impossível ler tudo o que existe, e nem tudo o que existe merece ser lido. Digo isso com o objetivo de me opor ao conceito de que qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode dominar o conteúdo de tudo quanto lê. Eu leio muito, e boa parte do tempo em que estou acordado é dedicado à leitura. A leitura devocional para o benefício espiritual é uma parte importante do dia, e ela começa com a leitura das Escrituras. Em se tratando de administração do tempo, não sou muito ortodoxo. Para mim, a melhor hora para gastar tempo na Palavra é tarde da noite, quando tudo está quieto e tranqüilo, e estou com a mente alerta e bem acordado. Isso não acontece quando levanto pela manhã e tenho que me esforçar para encontrar cada palavra na página ou fazer qualquer outra coisa. Eu leio muitos livros no decorrer de uma semana. Sou consciente do quanto posso prosperar em erudição e do estímulo intelectual que recebo através da leitura. Como minha esposa e família diria, posso ler quase em todo o tempo, em qualquer lugar, em quaisquer circunstâncias. Sempre carrego um livro comigo, e sou conhecido por separar alguns momentos para ler enquanto o semáforo está fechado. Não, eu não leio enquanto estou dirigindo – apesar de admitir que, às vezes, isto é uma tentação. Eu levava livros para os eventos esportivos do ensino médio, quando eu tocava na banda. (E havia uma porção de vaias e gozações!) Lembro-me dos livros... e você, lembra dos jogos?

Algumas sugestões inicias:

1. Mantenha projetos regulares de leitura. Organizo minhas estratégias de leitura em seis categorias: teologia, estudos bíblicos, vida na igreja, história, estudos sobre culturas e literatura. Sempre tenho alguns projetos em andamento, em cada uma dessas categorias. Seleciono livros para cada projeto, e os leio de capa a capa em um determinado período de tempo. Isso me ajuda a ter disciplina em minhas leituras e me mantém trabalhando em diversas áreas.

2. Trabalhe com porções maiores das Escrituras. Estou terminando uma série de exposições no livro de Romanos, pregando versículo após versículo. Tenho pregado e ensinado diversos livros da Bíblia nos últimos anos e planejo minhas leituras de modo a continuar progredindo. Estou passando para o livro de Mateus, coletando informações e seguindo em frente – ainda não planejei mensagens específicas, mas estou lendo para absorver o máximo possível de obras valiosas a respeito do primeiro evangelho. Leio constantemente obras de teologia bíblica e estudos exegéticos.

3. Leia todos as obras de alguns autores. Escolha com cuidado, mas identifique alguns autores cujos livros mereçam sua atenção. Leia tudo o que eles escreveram, observe como suas mentes trabalham e como desenvolvem seus pensamentos. Nenhum autor pode completar seus pensamentos em um único livro, não importando o quão extenso seja.

4. Adquira uma coleção grande e leia todos os volumes. Sim, invista nas obras de Martinho Lutero, Jonathan Edwards e outros. Estabeleça um projeto para si mesmo e leia toda a coleção. Gaste tempo nisso. Você ficará surpreso em ver que chegará mais longe do que espera, em menos tempo do que imagina.

5. Permita-se ler algo por entretenimento e aprenda a apreciar a leitura através de livros agradáveis. Gosto de muitas áreas da literatura, mas realmente amo ler biografias e obras históricas, em geral. Além disso, aprecio muito a ficção de qualidade e obras literárias conceituadas. Quando garoto, provavelmente descobri meu amor pela leitura através desse tipo de livro. Sempre que possível, separo algum tempo, a cada dia, para fazer esse tipo de leitura. Viva com um pouco de emoção.

6. Faça anotações em seus livros, sublinhe-os; mostre que são seus livros. Os livros são feitos para serem lidos e usados, e não colecionados e mimados. Abra uma exceção para aqueles livros raros dos antiquários, aqueles que são considerados tesouros por causa de sua antiguidade. Não deixe marcas de caneta em uma página antiga, nem use um marcatexto em um manuscrito. Invente o seu próprio sistema ou copie-o de alguém, mas aprenda a dialogar com o livro, com uma caneta na mão. Gostaria de escrever mais sobre este assunto, mas preciso continuar minhas leituras. Retornarei a ele mais tarde. Por agora: Tolle, lege!


Fonte: Fiel

Cícero Canuto de Lima: oposição ao ensino teológico



"Sentado em uma velha poltrona, entregue a seus pensamentos". Assim descreveu a reportagem daFolha de São Paulo o velho pioneiro e antigo pastor das Assembleias de Deus no Brasil. Aos 89 anos de vida e 60 de ministério, Cícero ainda conservava "o sotaque de sua terra e a marca de caráter de um homem que foi formado na luta diária contra a terra árida e na formação mais rígida que as Igreja Pentecostais já tiveram no Brasil". Reclamava dos rumos da igreja, do sucessor e do seu esquecimento.

Esse relato sobre o patriarca, é uma imagem que realmente a história oficial da denominação não pretende divulgar. Assim como o mítico missionário sueco Daniel Berg, Cícero foi relegado ao ostracismo após não fazer seu sucessor no ministério, e perder seu poder e influência na denominação que ajudou a construir.

Mas quais seriam as outras características da vida e ministério de Cícero Canuto de Lima? Somente quem conviveu com o pioneiro poderia responder essas questões. José W. Bezerra da Costa, em sua biografia escrita por Isael de Araújo cede algumas informações, mas é a versão de José Wellington, ou seja, seu ponto de vista acerca do velho pioneiro dentro do convívio ministerial. Porém, nesse reduzido espaço se tentará oferecer um panorama desse ícone assembleiano.

Gedeon Alencar em sua tese de doutorado e em tom crítico, destaca o fato de Cícero (assim como Paulo Macalão) ter sido ainda muito jovem separado ao pastorado. Mas conforme o tempo passou, o líder assembleiano não proporcionou oportunidades aos mais jovens. Via com desconfiança qualquer novidade nos apriscos da AD, e relutava contra as transformações em andamento na igreja.

Para se ter um exemplo disso, quando a implantação de institutos bíblicos estava em andamento nas ADs, pastor Cícero de Lima fez questão de entrevistar pessoalmente o pastor da igreja Filadélfia Willis Sawe e, nas linhas do Mensageiro da Paz ( maio de 1967 p.4), refutar o modelo de formação de obreiros que se pretendia implantar nas igrejas. Na época, se usava o exemplo da igreja sueca, a qual teria uma escola de preparação para obreiros chamada de Kaggeholm. A entrevista, é dirigida de forma a esclarecer, que a famosa escola era na verdade uma instituição de formação primária, e não um seminário teológico.                   
Tirada essa dúvida sobre a função da instituição, Cícero afirma que não havia desprezo pela cultura em si, mas que numa escola teológica os obreiros são "estampados", ou seja, ficam determinados a um "molde", perdem sua "originalidade pessoal". Para ele era "mortalmente perigoso um obreiro adquirir tanta eficiência, que perca a humildade e não dependa de Deus". Salienta ainda que "não localizamos nas Escrituras que nos dias apostólicos houvesse qualquer educandário que formasse pastores e pregadores" pois na sua visão os obreiros deveriam confiar "somente" e "inteiramente" na ajuda do Espírito Santo.
Quase 15 anos depois dessa entrevista, o patriarca declara a Folha que: "O Espírito de Deus se encarrega de nos iluminar, de nos orientar". Até o fim da vida afirmou isso, pois segundo ele, seria melhor gastar dinheiro com a evangelização do que na construção de seminários. Sabe-se que o IBAD foi erguido e iniciado em Pindamonhangaba (SP) contra vontade geral da cúpula assembleiana, e ainda por cima na jurisdição eclesiástica do Belém. Não foi fácil o convívio dos fundadores do IBAD com Cícero de Lima, o qual representava a oposição ao modelo de ensino teológico que se tentava implantar nas ADs no Brasil.

Cícero até o fim da vida foi fiel aos seus princípios. Mas percebeu que a igreja e o ministério, o qual ajudou a construir tomavam um rumo diferente do que ele queria. Seu ostracismo revelava que novos tempos estavam se impondo. José Wellington, em sua biografia, ao narrar os lances da sucessão do seu antigo pastor, lembra uma frase, a qual seria uma síntese do que Cícero de Lima vivia. Ao ver seu indicado ser rejeitado no ministério do Belém para sucedê-lo, teria dito: "Eu não estou mandando é mais nada. Vou embora".  Por ironia do destino, a escola teológica fundada no Ministério do Belém em SP, após sua morte levou o seu nome. 

Fontes:

ALENCAR, Gedeon Freire de. Assembleias Brasileiras de Deus: Teorização, História e Tipologia- 1911-2011. Pontifícia Universidade Católica: São Paulo.
ARAÚJO, Isael de. José Wellington: biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
Acervo.folha.com.br

MENSAGEIRO DA PAZ. Rio de Janeiro: CPAD, maio de 1967.

Fonte de texto e foto: Memória das ADs. 

Quantas são as palavras ditas por mulheres na Bíblia?


Há 93 mulheres que falam na Bíblia e 49 delas têm nome. Estas mulheres juntas falam um total de 14.056 palavras - cerca de 1,1 por cento do total de palavras encontradas no livro sagrado. Essa descoberta é da Reverenda Lindsay Hardin Freeman, sacerdotisa Episcopal, que há três anos embarcou em um projeto inédito: contar todas as palavras ditas por mulheres na Bíblia. Com a ajuda de outras três mulheres da sua comunidade religiosa - bem como de marcadores, anotações e planilhas - Freeman desmembrou meticulosamente a nova versão internacional da Bíblia. "Eu queria saber o que realmente foi dito por mulheres na Bíblia", disse Freeman ao The Huffington Post. "Fiquei surpresa ao ver que ninguém havia feito isso antes."

As mulheres se reuniam no porão da Igreja Episcopal Trindade, em Excelsior, Minnesota, onde Freeman servia como reitora na época em que iniciou o projeto. Seu trabalho era identificar cada mulher que aparecesse falando na Bíblia, contar quantas palavras ela pronunciava e verificar qual era o seu papel principal. Seus esforços culminaram em um livro, Bible Women: All Their Words and Why They Matter (“As Mulheres da Bíblia: Todas as Suas Palavras e Por Que Fazem a Diferença”, em tradução livre), publicado em setembro de 2014.

Algumas das mulheres bíblicas são proeminentes e bem conhecidas, como a mãe de Jesus, Maria, que proferiu apenas 191 palavras. Maria Madalena disse 61 palavras, enquanto Sarah, esposa de Abraão, 141. Muitas das personagens femininas na Bíblia passam pelo que Freeman chamou de um "enorme trauma", e em grande parte elas foram silenciadas ao longo dos séculos.

"Nós, por algum motivo, nos esquecemos do testemunho das mulheres na Bíblia pelos últimos milhares de anos e todas as contribuições que elas fizeram para a fé e para a história do mundo", disse Freeman. “Finalmente agora estamos descobrindo suas histórias.”
Freeman também é a autora de The ScarletCord: Conversations With God's Chosen Women (“A Corda Escarlate: Conversas com as Mulheres Escolhidas por Deus”, em tradução livre), onde analisa as histórias de 12 mulheres da Bíblia. Greg Carey, professor de "O Novo Testamento" no Seminário Teológico de Lancaster, concordou com Freeman e disse que o livro dela realiza "um serviço valioso" ao elevar as histórias dessas mulheres.
"A Bíblia foi escrita por homens, em grande parte para os homens e as contribuições das mulheres estão espalhadas escassamente em suas páginas", disse Carey ao HuffPost. "Ao trazer essas mulheres e suas histórias a um lugar só, Freeman abre uma oportunidade para que nós as vejamos como um todo."
Freeman dedicou um capítulo do seu livro para cada livro da Bíblia, e os capítulos estão divididos em seções para cada mulher que aparece em um determinado livro. Em Gênesis, por exemplo, Freeman e sua equipe descobriram falas de 11 mulheres, em comparação com 50 homens.
Ler e analisar as narrativas dessas mulheres fez que as suas histórias ganhassem vida, disse Freeman, e também a ajudou a começar a vê-las como "vizinhas", com sábias e importantes mensagens para oferecer.
"Eu acho que elas têm muito a compartilhar conosco sobre o que significa acreditar e ter fé", refletiu Freeman, observando o impacto do trabalho na sua equipe. "Nós fomos transformadas; o nosso pequeno grupo de quatro pessoas se transformou", ela disse. "Choramos e rimos com essas histórias. Nossa fé aumentou."

Fonte:  HuffPost US /Tradução: Brasil Post 

O Que é um Evangelho Apócrifo?


A Questão do Ensino Religioso nas Escolas



Por Caramuru Afonso Francisco*

Alguns setores da mídia têm, ultimamente, voltado a debater a questão do ensino religioso nas escolas, notadamente nas escolas públicas, questão que se põe na medida em que o Estado brasileiro é laico, ou seja, não tem uma religião oficial, mas, também, em virtude do recente acordo firmado com o Vaticano, que garante a ministração do ensino religioso nas escolas públicas para os católicos romanos, algo que também deve ser estendido às demais religiões, se for aprovado o Estatuto das Religiões, que se encontra em tramitação no Senado Federal, depois de já ter sido aprovado na Câmara dos Deputados.

Além do mais, em virtude de toda a discussão a respeito da liberdade religioso na campanha presidencial de 2010, a questão também volta à tona, até porque a Presidenta da República fez questão, seja em seu discurso de vitória, seja em seu discurso de posse, em se comprometer com a plena liberdade de culto e de crença em nosso país.

A Constituição da República é claríssima ao incluir o ensino religioso nas escolas. O artigo 210, § 1º da Constituição diz que “o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.

Nota-se, portanto, que o legislador constituinte manteve a tradição dos textos constitucionais brasileiros, permitindo o ensino religioso, desde que facultativo, o que é uma disposição que nada mais é que aplicação, a este tema, da índole democrática imprimida ao Estado brasileiro com a “Constituição cidadã”.

A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (lei  9.394/1996) praticamente repetiu o texto constitucional, no seu artigo 33, apenas fixando que as referidas aulas não seriam feitas às custas dos cofres públicos, se dando tanto de forma confessional, a partir de orientadores religiosos preparados e credenciados pelas próprias organizações religiosas, ou interconfessional, dentro de um programa que fosse feito por conjuntos de entidades religiosas.

A Lei 9.475/1997, porém, alterou o artigo 33 e transformou o ensino religioso em “parte integrante da formação básica do cidadão”, vedando quaisquer formas de “proselitismo” e assegurando “respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil”, deixando aos sistemas de ensino a fixação de procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e normas de habilitação e admissão de professores.

Esta nova disposição, que afronta a Constituição da República, inviabilizou o ensino religioso confessional, permitindo uma indevida intromissão do Estado na elaboração dos conteúdos desta disciplina, até porque passou a ter como objetivo “a formação básica do cidadão”, pondo como freio “o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil”.

Na verdade, a lei veio criar um “ensino religioso civil”, impôs parâmetros e limites para a veiculação de conteúdos, tudo sob o argumento de que, como os cofres públicos iriam arcar com estes professores, poderia e deveria impor limites à ação destes mesmos professores, a fim de manter a “laicidade” do Estado.

A referida lei foi uma importante vitória do “laicismo”, que não se confunde com a “laicidade”. “…Laicidade, corretamente entendida, significa que o Estado deve proteger amplamente a liberdade religiosa tanto em sua dimensão pessoal como social, e não impor, por meio de leis e decretos, nenhuma verdade especificamente religiosa ou filosófica, mas elaborar as leis com base nas verdades morais naturais. O fundamento do direito à liberdade religiosa se encontra na própria dignidade da pessoa humana. Infelizmente, mesmo em países de profundas raízes cristãs, como a Espanha, este laicismo radical e anticristão é notado com clareza. Um Estado que tenta impedir a vivência religiosa do povo, especialmente o Cristianismo, com uma ação hostil ao fenômeno religioso e a tentativa de encerrá-lo unicamente na esfera privada (…)o laicismo que hoje vemos é o do Estado que caminha para se tornar um Estado com religião oficial e não um Estado laico: um Estado totalitário ateu, que quer eliminar Deus e a religião e que investe fortemente contra a liberdade religiosa. Um Estado cujo deus é o individualismo, o hedonismo, o prazer material e a “liberdade” para aprovar tudo que desejar, sem restrições morais..…” (AQUINO, Felipe. Estado laico ou laicista. Disponível em: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2011/02/02/estado-laico-ou-laicista/ Acesso em 11 mar. 2011).

A educação é direito de todos e dever do Estado e da família promovida e incentivada com a colaboração da sociedade (artigo 205 da Constituição da República). Portanto, a ação educacional deve se dar de forma integrada entre Estado, família e a sociedade civil, incluindo-se, aí, naturalmente, as organizações religiosas, que podem e devem cooperar com o Estado, nos exatos termos do artigo 19, inciso I da Carta Magna, que manda que haja “colaboração de interesse público” entre Estado e organizações religiosas.

Ora, a educação busca, segundo o mesmo artigo 205 da Constituição da República, o “pleno desenvolvimento da pessoa”, o que inclui a dimensão espiritual da pessoa, dimensão esta que o Estado brasileiro, por ser um Estado Democrático de Direito, que, inclusive, garante a liberdade de culto e de crença, tem de considerar e reconhecer.

Deste modo, não se vê qualquer obstáculo para que se tenha o ensino religioso nas escolas, ensino confessional, sustentado e patrocinado pelas organizações religiosas, permitida a possibilidade de interconfessionalidade, mediante iniciativa das mesmas entidades religiosas.

O Estado não pode impedir que os pais solicitem que as escolas disponibilizem horário e local para a ministração de aulas de ensino religioso por parte de orientadores religiosos devidamente credenciados e preparados pelas organizações religiosas, em matrícula facultativa e no mesmo horário das demais aulas. É direito garantido constitucionalmente e exercício legítimo da liberdade religiosa.

A educação religiosa não está confinada ao espaço privado dos lares, nem tampouco às organizações religiosas, pois é algo de notável interesse público e que contribui para “o pleno desenvolvimento da pessoa”.

O Estado não é “dono” do espaço da escola, pois a escola é um ambiente onde Estado, família e sociedade cooperam entre si e colaboram para que haja “a formação básica do cidadão”, formação esta que tem de ter, também, a dimensão religiosa.

O Estado brasileiro não é antirreligioso. Esta concepção, como bem diz o grande jurista brasileiro, Ives Gandra da Silva Martins, é “…uma visão deturpada do Estado Laico, que não é UM ESTADO SEM DEUS, mas um Estado em que a liberdade de pensar é plena e não pode reputar-se ameaçada pelo respeito às tradições do povo e do País…” (A ditadura do laicismo. Revista Jus vigilantibus . Disponível em: http://jusvi.com/colunas/42669 Acesso em 11mar. 2011).

Ao mesmo tempo em que o Estado brasileiro não quer permitir que os pais optem para que seus filhos tenham um ensinamento, na escola, de orientadores de sua confissão religiosa, quer impor aos filhos uma educação sexual segundo seus pontos-de-vista. Não seria a educação sexual uma matéria também da esfera privada?

Por que podem ser instaladas máquinas de “camisinha” nas escolas e não se podem ensinar os valores religiosos por orientadores devidamente credenciados, de forma opcional, de pessoas de sua confissão religiosa?

Notamos, aqui, que, por detrás deste “laicismo” está o que as Escrituras denominam de “mistério da injustiça” (II Ts.2:7) ou “espírito do anticristo” (I Jo.4:3), que resiste a tudo quanto diz respeito a Deus (II Ts.2:4): a atuação maligna para afastar o homem de Deus cada vez mais.

A este movimento anticristão, nós, como servos do Senhor, em que está o Espírito Santo (Jo.14:17), devemos resistir, assim como o Espírito de Deus o faz (II Ts.2:6,7), resistência esta que se dará mediante a sujeição a Deus (Tg.4:7) e ao legítimo exercício de nossos direitos civis e políticos, garantidos pela nossa Constituição da República, entre os quais o da liberdade religiosa e da garantia do ensino religioso em nossas escolas.

* Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém e colaborador do Portal Escola Dominical.

                         

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